ROSE
— Ana, eu...
— Posso explicar? – terminei a sua frase ironicamente – Ah Christian! Não me faça rir! Mas pessoal não vamos ficar abalados por causa disso, não. Eu, por exemplo, estou mais calma do que o mar depois de uma tempestade. Agora vamos continuar com a festa. Você aí – apontei para um jovem garçom com uma bandeja de bebidas – É você mesmo, seu idiota! Venha aqui.
Quando o rapaz se aproximou, deixei o microfone na bandeja e peguei três taças de champanhe. Entreguei uma para Taylor, fiquei com a outra e a terceira estiquei para Christian que estava com a cabeça abaixada. Aquilo era tão patético que rolei os olhos em tédio.
— Eu que sou a corna da história e é você que está com vergonha? Ah, me poupe – sussurrei friamente para ele que me encarou, mas não pegou a taça da minha mão então dei de ombros e encarei os convidados – Vamos levantar as nossas taças e fazer um brinde à aniversariante e futura ex-senhora Grey.
Joguei todo o conteúdo das duas taças na cara do traste do Christian e ouvi as exclamações de choque dos presentes no salão.
— Depois que sair o nosso divórcio nunca mais fale comigo e esqueça que tem filhos.
— O quê!? Você não pode separar nossos filhos de mim! – ele esbravejou, me olhando com raiva e deu uma vontade enorme de rir da cara do idiota, mas não fiz isso, porque acabariam internando a Anastasia num hospício por causa disso.
— Nossos não. Meus. Meus filhos. E pessoal continuem com a festa, pois para mim já deu. Estou indo descansar e não quero ser incomodada por ninguém, isto inclui equipe médica, família, ex-família, amigos próximos e empregados, ou seja, ninguém mesmo. Tenha uma boa noite e se divirtam – falei e dei um sorriso, antes de sair daquele salão, mas mal comecei a subir a escada quando alguém me chamou.
— Rose?
Sorri ao reconhecer a voz que me chamava então virei e desci os degraus que eu havia subido, parando em frente à linda loira em seu vestido verde cheio de pequenas pedrinhas cintilantes.
— Oi, mãe – falei e peguei na sua mão – Me acompanha até o quarto?
— Claro, filha – ela disse, sorrindo, então subimos a escada em direção à suíte.
Elena me ajudou a trocar de roupa e me deu os malditos calmantes, como se eu Rose precisasse daquilo, depois ela ficou comigo até o remédio fazer efeito e eu adormecer.
ELENA
Após deixar a Ana, ou melhor, a Rose dormindo no quarto desci e encontrei Walfred me esperando.
— Querida, vamos embora? – ele perguntou, pegando na minha mão.
— Antes de irmos eu preciso fazer uma coisa, meu amor.
Entrei no salão e notei que todos os convidados já haviam partido, ficando apenas os Grey e os Steele, que brigavam com Christian. Todos olharam quando eu e Walfred entramos, então lancei um olhar repreendedor para Christian que abaixou a cabeça envergonhado. Me aproximei e os encarei seriamente.
— Aquela que vocês viram aqui não era a Anastasia e sim a Rose.
— Rose? – perguntaram confusos então comecei a contar o início da história, mas Grace me interrompeu dizendo que a nora dela já havia contado para eles sobre eu tê-la ensinado a ser uma submissa.
— Ana contou isso para vocês? – Christian indagou, assustado.
— Sim, cara. Foi naquela época que você levou o tiro e ficou internado – Elliot falou.
— Mas ela falou que foi o Christian o seu primeiro e único Dominador? – inquiri e eles negaram – Tanto Christian quanto Anastasia já foram meus aprendizes. Dos quinze aos dezessete anos eu ensinei a ela a ser uma submissa então quando Christian completou vinte e um anos, eu a dei para ele com o objetivo de que o mesmo pudesse começar a função de Dominador. Ana passou um ano e meio com Christian até que um dia, ele encheu a cara de bebida e a espancou.
— Filho, você fez isso? – perguntou Grace atônita.
— Sim, ele fez – a respondi – Depois que a Anastasia foi espancada, ela criou involuntariamente uma personalidade extremamente fria e sem sentimento chamada Rose. Ana possui o Transtorno de Múltiplas Personalidades. Dentro dela existem duas personalidades. Uma delas é a pequena Annie, que é a Anastasia com sete anos, já a outra é a Rose. E a culpa dela ter esse transtorno é sua, Raymond.
— Minha?
— Sim. Você a rejeitou quando ela nasceu, depois a tirou à força de uma casa onde ela tinha pessoas que a amavam muito para jogá-la numa mansão onde a Ana sofreu o desprezo por sua parte. E você, Christian, tem culpa de ter trazido à tona novamente a Rose, mas eu também tenho culpa na história. Se eu pudesse voltar no tempo, nunca teria dado a Anastasia para você, pois assim teria impedido o surgimento dessa personalidade maligna e sem emoções que é a Rose. Agora se me derem licença, eu preciso ir.
Peguei na mão do Walfred e fui em direção a porta.
— Não podemos fazer nada para ajudá-la? – ouvi Christian perguntar.
Parei na porta e olhei para eles.
— Apenas tentem conviver com as várias personalidades da Ana, assim como eu faço.
CHRISTIAN
Gritei por Elena assim que cheguei à porta da mansão, ela abriu a porta do carro novamente, desceu e veio até mim.
— O que foi, Christian?
— Me fala a verdade. Realmente não tem nada que eu possa fazer para curar a Ana?
— Esse transtorno não tem cura, apenas tratamento que a Anastasia já fez e não adiantou muito. A Rose e a Annie estavam apenas adormecidas durante esses anos e a única que pode colocar novamente as duas para dormir é a própria Ana. Só te peço uma coisa. Quando você perceber que é a Rose que está no controle do corpo da Anastasia, saia de perto dela o mais rápido possível.
— Por quê?
— A Rose está diretamente ligada à você. Ela foi criada pelo que você fez com a Ana, anos atrás. E voltou possivelmente por causa da sua traição, então a Rose te odeia muito. A Anastasia pode passar por inúmeras situações de estresse excessivo que nada desperta as personalidades dela, mas se é você que faz algo que venha magoar diretamente ela, a Rose ressurge e a cada volta dela mais ódio a Rose tem de você. E eu já vi o que ela é capaz de fazer com alguém quando está com muita raiva. A única ajuda que posso te dar agora é que a Ana vai acordar amanhã e não se lembrará de nada do que aconteceu hoje à noite. Aí você aproveita e tenta se reconciliar com ela para que as personalidades dela voltem a adormecer – Elena de repente me deu uma bolsada forte no braço – E depois nada de magoar a Ana de novo, me entendeu?
— Sim. Aí Elena essa doeu – reclamei esfregando o local onde a bolsa de mão dela havia me acertado.
— É bom mesmo que tenha doído e que Walfred não me ouça falando isso meu Deus, mas como eu adoraria ser sua Mentora de novo, só para te aplicar um bom castigo pelo que você fez, seu menino levado. E não sorria não, que a situação está muito feia para o seu lado.
Ela saiu rumo ao carro, mas parou no meio do caminho e se virou de novo para mim.
— À propósito, procure uma moça chamada Isabela Morrison, pois ela é a pessoa mais indicada para falar da Rose. Agora, tchau.
— Tchau e obrigado.
Quando Elena e Walfred foram embora, eu subi para o nosso quarto, verifiquei se a porta estava aberta e entrei sem fazer barulho, para não acordá-la. Peguei algumas mudas de roupas, depois saí e me dirigi para um dos doze quartos da mansão, seis deles estavam sendo ocupados pelas nossas famílias.
Após um banho demorado, onde pensei sobre toda a burrada que havia feito, troquei de roupa, me sentei à escrivaninha existente no quarto e deixei minhas emoções me guiar enquanto escrevia uma carta de desculpas para a Ana.
Depois fui até o nosso quarto coloquei a carta sobre a mesinha de cabeceira, ao lado do telefone, e desci até a biblioteca a fim de pesquisar mais sobre esse transtorno da minha esposa.
— Ana, eu...
— Posso explicar? – terminei a sua frase ironicamente – Ah Christian! Não me faça rir! Mas pessoal não vamos ficar abalados por causa disso, não. Eu, por exemplo, estou mais calma do que o mar depois de uma tempestade. Agora vamos continuar com a festa. Você aí – apontei para um jovem garçom com uma bandeja de bebidas – É você mesmo, seu idiota! Venha aqui.
Quando o rapaz se aproximou, deixei o microfone na bandeja e peguei três taças de champanhe. Entreguei uma para Taylor, fiquei com a outra e a terceira estiquei para Christian que estava com a cabeça abaixada. Aquilo era tão patético que rolei os olhos em tédio.
— Eu que sou a corna da história e é você que está com vergonha? Ah, me poupe – sussurrei friamente para ele que me encarou, mas não pegou a taça da minha mão então dei de ombros e encarei os convidados – Vamos levantar as nossas taças e fazer um brinde à aniversariante e futura ex-senhora Grey.
Joguei todo o conteúdo das duas taças na cara do traste do Christian e ouvi as exclamações de choque dos presentes no salão.
— Depois que sair o nosso divórcio nunca mais fale comigo e esqueça que tem filhos.
— O quê!? Você não pode separar nossos filhos de mim! – ele esbravejou, me olhando com raiva e deu uma vontade enorme de rir da cara do idiota, mas não fiz isso, porque acabariam internando a Anastasia num hospício por causa disso.
— Nossos não. Meus. Meus filhos. E pessoal continuem com a festa, pois para mim já deu. Estou indo descansar e não quero ser incomodada por ninguém, isto inclui equipe médica, família, ex-família, amigos próximos e empregados, ou seja, ninguém mesmo. Tenha uma boa noite e se divirtam – falei e dei um sorriso, antes de sair daquele salão, mas mal comecei a subir a escada quando alguém me chamou.
— Rose?
Sorri ao reconhecer a voz que me chamava então virei e desci os degraus que eu havia subido, parando em frente à linda loira em seu vestido verde cheio de pequenas pedrinhas cintilantes.
— Oi, mãe – falei e peguei na sua mão – Me acompanha até o quarto?
— Claro, filha – ela disse, sorrindo, então subimos a escada em direção à suíte.
Elena me ajudou a trocar de roupa e me deu os malditos calmantes, como se eu Rose precisasse daquilo, depois ela ficou comigo até o remédio fazer efeito e eu adormecer.
ELENA
Após deixar a Ana, ou melhor, a Rose dormindo no quarto desci e encontrei Walfred me esperando.
— Querida, vamos embora? – ele perguntou, pegando na minha mão.
— Antes de irmos eu preciso fazer uma coisa, meu amor.
Entrei no salão e notei que todos os convidados já haviam partido, ficando apenas os Grey e os Steele, que brigavam com Christian. Todos olharam quando eu e Walfred entramos, então lancei um olhar repreendedor para Christian que abaixou a cabeça envergonhado. Me aproximei e os encarei seriamente.
— Aquela que vocês viram aqui não era a Anastasia e sim a Rose.
— Rose? – perguntaram confusos então comecei a contar o início da história, mas Grace me interrompeu dizendo que a nora dela já havia contado para eles sobre eu tê-la ensinado a ser uma submissa.
— Ana contou isso para vocês? – Christian indagou, assustado.
— Sim, cara. Foi naquela época que você levou o tiro e ficou internado – Elliot falou.
— Mas ela falou que foi o Christian o seu primeiro e único Dominador? – inquiri e eles negaram – Tanto Christian quanto Anastasia já foram meus aprendizes. Dos quinze aos dezessete anos eu ensinei a ela a ser uma submissa então quando Christian completou vinte e um anos, eu a dei para ele com o objetivo de que o mesmo pudesse começar a função de Dominador. Ana passou um ano e meio com Christian até que um dia, ele encheu a cara de bebida e a espancou.
— Filho, você fez isso? – perguntou Grace atônita.
— Sim, ele fez – a respondi – Depois que a Anastasia foi espancada, ela criou involuntariamente uma personalidade extremamente fria e sem sentimento chamada Rose. Ana possui o Transtorno de Múltiplas Personalidades. Dentro dela existem duas personalidades. Uma delas é a pequena Annie, que é a Anastasia com sete anos, já a outra é a Rose. E a culpa dela ter esse transtorno é sua, Raymond.
— Minha?
— Sim. Você a rejeitou quando ela nasceu, depois a tirou à força de uma casa onde ela tinha pessoas que a amavam muito para jogá-la numa mansão onde a Ana sofreu o desprezo por sua parte. E você, Christian, tem culpa de ter trazido à tona novamente a Rose, mas eu também tenho culpa na história. Se eu pudesse voltar no tempo, nunca teria dado a Anastasia para você, pois assim teria impedido o surgimento dessa personalidade maligna e sem emoções que é a Rose. Agora se me derem licença, eu preciso ir.
Peguei na mão do Walfred e fui em direção a porta.
— Não podemos fazer nada para ajudá-la? – ouvi Christian perguntar.
Parei na porta e olhei para eles.
— Apenas tentem conviver com as várias personalidades da Ana, assim como eu faço.
CHRISTIAN
Gritei por Elena assim que cheguei à porta da mansão, ela abriu a porta do carro novamente, desceu e veio até mim.
— O que foi, Christian?
— Me fala a verdade. Realmente não tem nada que eu possa fazer para curar a Ana?
— Esse transtorno não tem cura, apenas tratamento que a Anastasia já fez e não adiantou muito. A Rose e a Annie estavam apenas adormecidas durante esses anos e a única que pode colocar novamente as duas para dormir é a própria Ana. Só te peço uma coisa. Quando você perceber que é a Rose que está no controle do corpo da Anastasia, saia de perto dela o mais rápido possível.
— Por quê?
— A Rose está diretamente ligada à você. Ela foi criada pelo que você fez com a Ana, anos atrás. E voltou possivelmente por causa da sua traição, então a Rose te odeia muito. A Anastasia pode passar por inúmeras situações de estresse excessivo que nada desperta as personalidades dela, mas se é você que faz algo que venha magoar diretamente ela, a Rose ressurge e a cada volta dela mais ódio a Rose tem de você. E eu já vi o que ela é capaz de fazer com alguém quando está com muita raiva. A única ajuda que posso te dar agora é que a Ana vai acordar amanhã e não se lembrará de nada do que aconteceu hoje à noite. Aí você aproveita e tenta se reconciliar com ela para que as personalidades dela voltem a adormecer – Elena de repente me deu uma bolsada forte no braço – E depois nada de magoar a Ana de novo, me entendeu?
— Sim. Aí Elena essa doeu – reclamei esfregando o local onde a bolsa de mão dela havia me acertado.
— É bom mesmo que tenha doído e que Walfred não me ouça falando isso meu Deus, mas como eu adoraria ser sua Mentora de novo, só para te aplicar um bom castigo pelo que você fez, seu menino levado. E não sorria não, que a situação está muito feia para o seu lado.
Ela saiu rumo ao carro, mas parou no meio do caminho e se virou de novo para mim.
— À propósito, procure uma moça chamada Isabela Morrison, pois ela é a pessoa mais indicada para falar da Rose. Agora, tchau.
— Tchau e obrigado.
Quando Elena e Walfred foram embora, eu subi para o nosso quarto, verifiquei se a porta estava aberta e entrei sem fazer barulho, para não acordá-la. Peguei algumas mudas de roupas, depois saí e me dirigi para um dos doze quartos da mansão, seis deles estavam sendo ocupados pelas nossas famílias.
Após um banho demorado, onde pensei sobre toda a burrada que havia feito, troquei de roupa, me sentei à escrivaninha existente no quarto e deixei minhas emoções me guiar enquanto escrevia uma carta de desculpas para a Ana.
Depois fui até o nosso quarto coloquei a carta sobre a mesinha de cabeceira, ao lado do telefone, e desci até a biblioteca a fim de pesquisar mais sobre esse transtorno da minha esposa.

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