quinta-feira, 26 de março de 2020

Maliciosamente Obsessivos - Capítulo 33


ANASTASIA

— Rapazes! Venham se refrescar um pouco! – gritei horas depois e tanto Harry quanto Jack acenaram para mim e para Mary, em resposta.

Enquanto terminávamos de colocar o lanche da tarde na mesa de piquenique, olhei de relance para onde Jack se limpava juntamente com Harry, ambos estavam sem camisa e conversavam animadamente sobre algo.

Pela primeira vez, desde que conheci Jack, eu pude realmente reparar nele, em seu corpo musculoso.

— Quer um lenço?

— O quê? – perguntei, me virando para Mary que sorria.

— Quer um lenço para enxugar a baba ou será melhor um balde?

— Ah, fala sério, Mary!

— Então, o que temos para comer? – perguntou Harry abraçando sua esposa e dando-lhe um beijo.

De repente, uma leve brisa soprou por entre nós e algumas mechas do meu cabelo vieram para o meu rosto. Jack estendeu sua mão e num gesto delicado as colocou detrás da minha orelha.

Agradeci com um sorriso e vi pela minha visão periférica Mary sorrindo maliciosamente, rolei os olhos e sai de perto dele, entrando na casa para pegar mais biscoitos.

Quando já estava com o pote em mãos, me deu ânsia de vômito de novo então subi a escada às pressas e corri para o banheiro. Minutos depois quando sai congelei ao ver quem estava do outro lado do corredor.

Fechei os olhos e suspirei calmamente desejando que aquilo tudo fosse um sonho, onde eu acordaria e estaria deitada na minha cama, sem gravidez e sem Christian.

Abri novamente os olhos, mas infelizmente ele ainda permanecia ali então resolvi que enfrentaria a situação de uma vez por todas.

— Oi – falei, parando na frente dele.

— Oi – Christian respondeu extremamente frio.

— Precisamos conversar. Me acompanhe, por favor.

Ele não disse nada apenas me seguiu até meu quarto. Sentei na cama e convidei Christian para se sentar também, mas ele preferiu ficar em pé então perguntei como ele tinha me encontrado, pois eu havia me livrado do maldito celular com GPS.

— Rastreamento de conta bancária, mas isso não vem ao caso agora. Quero apenas que me responda uma coisa. Você me ama?

“Oh, meu Deus! Porque ele tinha que fazer justo essa pergunta? Como eu ia dizer para ele que não conseguia amar ninguém por causa do meu passado” pensei, aflita.

— Estou grávida – anunciei, optando por mudar o rumo da nossa conversa.

— Esse filho é meu?

Me levantei da cama indignada com a pergunta dele.

— Olha aqui, Christian! Eu posso ter sido uma prostituta, mas isso foi no passado – exclamei, apontando o dedo na direção dele – Eu sei muito bem quem é o pai do meu filho. Agora se você não o quiser, tudo bem.

Suspirei fundo e me virei ficando de costas para ele.

— Sei que me odeia pelo que eu te fiz, mas só te peço uma coisa. Não fala mais nada. Apenas vá embora, pois tenho quase certeza que não vou suportar suas palavras e acabarei perdendo o nosso filho – falei e de repente me deu uma crise de choro.

“Malditos sejam os hormônios da gravidez!”

Me deitei na cama ainda de costas para ele e abracei o travesseiro. Segundos depois, ouvi quando Christian abriu a porta e foi embora. Tentei me acalmar, pois senão acabaria perdendo o bebê. Meu bebê.


★ ★ ★ ★ ★


— Quero ficar sozinha, Jack – falei minutos depois quando escutei a porta se abrir devagar.

Ele não respondeu então me virei e vi Christian parado perto da porta com uma bandeja, me sentei enxugando o rosto e recostei-me na cabeceira da cama.

— O que está fazendo aqui? Pensei que tivesse ido embora.

— Fui apenas dispensar o táxi que me trouxe até aqui. Não vou te abandonar, muito menos o nosso filho – ele murmurou, sentando-se na beirada da cama e depositando sobre minhas pernas a bandeja que continha uma xícara de chá e alguns bolinhos – Trouxe esse chá de camomila e um pouco de carboidrato. Coma.

— Estou sem fome.

— Coma, Anastasia – Christian ordenou então peguei um dos bolinhos e dei uma mordida, depois bebi um pouco do chá – Quando descobriu que estava grávida?

— Hoje de manhã.

— Como isso pode ter acontecido? Você estava tomando suas pílulas na hora certa?

— Estava, mas na quinta-feira, um dia antes de você me levar para passarmos o final de semana no iate, eu tinha ido ao ginecologista e ele havia me receitado novas pílulas, só que me pediu para ficar em abstinência sexual por alguns dias até que meu corpo se acostumasse com o novo medicamento ou eu teria uma grande chance de engravidar. Tentei te contar antes do castigo, mas você me mandou calar a boca.

— E depois, porque não me contou?

— Não valeria a pena, pois não mudaria em nada a situação e nós apenas brigaríamos.

Ficamos em silêncio por um tempo enquanto eu terminava de comer. Christian se levantou da cama e começou a andar pelo quarto pensativo, absorto em seu próprio mundo. Provavelmente, ele ainda estava tentando aceitar a nova realidade.

De repente escutei uma leve batida então me levantei e fui abrir a porta. Era os James, que apareceram para se despedirem de mim, mas logo foram embora.

— Vamos nos casar – Christian anunciou inesperadamente assim que fechei novamente a porta do quarto.

— Christian, eu não quero que se case comigo só porque estou grávida. Tenho recursos financeiros suficiente para cuidar sozinha de um bebê.

— Não é por isso que estou querendo me casar com você – ele disse, aproximando-se de mim e abraçando-me a cintura – É porque eu te amo.

Aquelas três últimas palavras fizeram-me encolher como se tivesse levado um soco no estômago. Me desvencilhei e afastei alguns passos ficando de costas para ele.

— Christian, por favor, nunca mais repita isso – implorei com os olhos fechados.

— Ana, está enganada se pensa que estou transferindo para você o amor que eu tinha pela Leila.

— Christian, por favor, não faz isso – pedi quando o senti tocar meus ombros, então respirei fundo, abrindo os olhos e encarando a janela à frente.

— Nunca contei isso para ninguém, nem mesmo para o meu psicólogo, mas você além de ter sido minha primeira submissa também foi a primeira garota que eu amei, mas acabei estragando tudo e por causa disso te perdi. Depois Leila apareceu em minha vida e eu te via nela, então fiz de tudo para que ela não me deixasse. A vida tirou Leila de mim, mas em compensação ela me trouxe você de volta e eu não quero te perder de novo.

— Não consigo me declarar – falei num sussurro e uma lágrima escorreu pela minha face.

— O que disse?

Me virei e o encarei profundamente.

— Não consigo me declarar, Christian. A rejeição que eu sofri quando criança me deixou cicatrizes profundas. Ao longo dos anos eu criei uma espécie de muro de concreto ao redor do meu coração para bloquear qualquer tipo de sentimento relacionado ao amor.

— Mas você ama sua família, não ama?

— Tenho apenas carinho e respeito por eles. Na época que te conheci e passei a ser sua submissa, você conseguiu trincar e até mesmo quebrar um pouco desse muro, mas então aconteceu o espancamento e lá estava o muro novamente intacto, mais forte do que nunca. Eu consigo dizer um “Eu gosto de você” ou um “Eu não te amo”, mas se tirar o “não” da última frase. Eu não consigo mais falar. Trava tudo. O muro bloqueia...

Novamente tive uma crise choro, mas desta vez Christian me abraçou.

— Então o que estava escrito no bilhete era mentira? – ouvi ele me perguntar tempo depois.

— Sim – murmurei contra seu peito – Gosto muito de você e se ainda me quiser como sua esposa eu aceito, mas por favor, não repita mais aquelas três palavras de novo. É horrível não poder te corresponder.

— Tudo bem, querida. Eu vou te ajudar. Acho que o Dr. Flynn ficará contente em conhecer a sua mais nova paciente – ele sussurrou, acariciando meus cabelos – E eu prometo que só vou falar novamente aquelas palavras quando você conseguir dizer primeiro.

Assenti.

Ficamos ali, abraçados, por um bom tempo até que Jack apareceu para informar que o jantar estava pronto e acabou convidando Christian, que aceitou o convite.

— Acho que ele gosta de você – ele comentou, meio ciumento, quando ficamos sozinhos novamente, então sorri e o enlacei pelo pescoço abraçando-o.

— Não sei se Jack gosta de mim, mas se ele gostar é uma pena porque já tenho um Dono, ou melhor, um Mestre que cuida de mim e que eu gosto muito.

Christian sorriu satisfeito com a minha resposta e me beijou ferozmente, mas segundos depois tive que afastá-lo, pois acabaríamos transando ali mesmo.

Mas, no andar de baixo havia uma garotinha de seis anos que não deveria ouvir gemidos, palavrões e nem gritos de prazer, então saímos do quarto abraçados e fomos jantar.

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