quinta-feira, 26 de março de 2020

Maliciosamente Obsessivos - Capítulo 32


ANASTASIA

DOIS MESES DEPOIS

Mal coloquei o pé para fora da cama e tive que correr para o banheiro. Depois de alguns minutos vomitando no vaso me levantei e fui escovar a boca. Enquanto voltava para o meu quarto esbarrei em Jack que saía do dele.

— Bom dia, Ana.

— Só se for para você – falei, meio emburrada.

— O que houve? Peraí, me deixa adivinhar – ele disse colocando sua mão na testa e imitou uma cara de dor, o que me fez sorrir – Vomitou de novo pela sexta manhã consecutiva. Acertei?

Apenas rolei os olhos e segui em frente entrando no meu quarto fechando a porta atrás de mim.

Tirei a regata preta e o short cinza de algodão que usava para dormir, abri o armário, mas não peguei a roupa habitual que eu sempre vestia quando ia ajudar Jack com a plantação de milho, pois hoje quem iria ajudá-lo seria o Harry.

Os James moravam na fazenda ao lado e sempre vinham nos visitar. Eu havia ficado amiga de Mary, esposa de Harry, já Lucy se divertia com Kore, a filha deles que era mais nova que ela dois anos.

Optei por vestir uma saia longa azul clara estampada com alguns desenhos de flores, coloquei um top bege e por cima botei uma blusa branca meio transparente de renda, depois de calçar uma sandália rasteirinha, sai do quarto e desci. Jack e Lucy já se encontravam na cozinha.

— Bom dia – os cumprimentei me aproximando da mesa.

— Bom dia, titia – disse Lucy dando um enorme sorriso, mostrando-me a sua recém janelinha dentária.

— Oi, lindinha – falei dando um beijo em sua testa e em seguida ela voltou a desenhar.

— Bom dia, Anastasia. Como você está? – Jack perguntou quando parei ao seu lado para abrir a geladeira.

— Péssima.

— Será que você não está é grávida?

— Oba! A titia vai ter um bebê! – exclamou Lucy eufórica.

— Filha, pare de pular em cima da cadeira ou você vai cair!

— Não estou grávida – falei tentando parecer convincente, mas para o meu desespero tudo indicava que sim. A troca de pílula, o castigo e as fodas sem camisinha, porém eu não queria pensar nisso – Estou apenas doente e é por sua culpa.

— Minha? – Jack indagou enquanto pegava uma tigela no armário.

— Sua, sim. Aquela carne de porco do domingo estava mal assada.

— Tanto eu quanto a Lucy comemos da carne e nenhum de nós ficou doente... Droga!

— O que foi? – perguntei pensando que ele havia se cortado ou coisa parecida.

— Estamos sem cereais. Vou até a cidade comprar, já eu volto – informou indo para a porta e eu o acompanhei – Fica de olho na Lucy para mim?

— Claro.

Enquanto ele vestia uma jaqueta preta, eu peguei a carteira dentro do meu casaco, tirei algumas notas e estendi para ele.

— Não se preocupe, Ana. Tenho dinheiro suficiente para comprar as caixas de cereais.

— Ok, então pega esse dinheiro e compra barras de chocolate para mim.

— Tudo isso de chocolate?

— Sim.

— E ainda insiste em dizer que não está grávida.

— Sou viciada em chocolate, apenas isso – informei, emburrada.

— Sei... Vou fingir que acredito, só para não perder a amizade – Jack falou rindo e fechando a porta atrás de si.


★ ★ ★ ★ ★


Estava no sofá observando Lucy desenhar deitada no chão da sala quando Jack entrou e me jogou uma sacola pequena.

— Mija nisso aí – ele disse antes de ir para a cozinha sendo seguido pela filha.

Abri a sacola e dentro havia cinco testes de gravidez. Inicialmente fiquei furiosa com ele, mas Jack tinha razão, eu precisava tirar essa dúvida mortal.

Fui para o banheiro e li as instruções de cada pacote depois fiz o que tinha que fazer. Desci e fui terminar de tomar café da manhã enquanto esperava dar o tempo para ver o resultado.

Minutos depois, subi a escada e olhei para a porta do banheiro no final do corredor. Eu parecia um daqueles presos do corredor da morte olhando para porta onde seria realizada a sua execução.

Respirei fundo me enchendo de coragem e segui em frente. Assim que entrei, olhei para a pia. Três deles mostravam uma cruz e os outros dois possuíam duas listras rosas. O resultado havia sido unânime.


POSITIVO


Me sentei sobre a tampa do vaso ainda em choque. Parecia que meu mundo havia desabado sob meus pés. Tentei me acalmar para poder encarar a nova realidade depois me levantei eu fui arrumar o banheiro.

— Então? Qual foi o resultado? – Jack perguntou assim que eu adentrei a cozinha.

— Estou grávida – falei desanimada me sentando à mesa.

— Princesa, por que não vai pegar sua boneca e vão as duas brincar na sala – ele sugeriu e Lucy saiu correndo então Jack se sentou à minha frente e tocou gentilmente no meu rosto – Porque está tão triste por causa da gravidez. Você não quer esse filho?

Balancei a cabeça em sinal de afirmação para a sua pergunta.

— Eu nunca quis ter filhos, Jack.

— O que irá fazer? Você vai abortar ou vai entregá-lo para a adoção?

— Nenhum e nem outro. Não vou abandonar o bebê, pois eu já senti na pele o que é ser rejeitada pelos pais, no meu caso foi pelo meu pai e isso traz consequências devastadoras na vida de uma pessoa.

Jack abriu a boca para falar, mas escutamos o som da picape de Harry chegando então fomos recebê-los. Ao sairmos para a pequena varanda da casa amarela de dois andares vimos Harry, Mary e Kore saírem do carro.

Harry estava vestido parecido com Jack: camisa de linho e calça jeans, ambos meios surrados. Mary usava um vestido cor de pêssego meio solto que não marcava muito sua barriga de sete meses já a pequena Kore estava de vestidinho florido.

Lucy e Kore correram para dentro da casa para brincarem de boneca. Jack foi ajudar Harry a tirar algumas ferramentas da picape enquanto que eu e Mary fomos para a cozinha a fim de preparar o almoço.

Acabei contando para ela sobre minha gravidez e sorri meio triste enquanto era abraçada por Mary ou tentava ser por causa do seu barrigão.

“Oh, meu Deus! Em alguns meses, eu é que vou estar desse jeito”

— Jack é o pai? – ela perguntou e eu neguei – É de um ex-namorado seu?

— Sim – respondi me sentindo muito desconfortável em falar sobre aquele assunto.

— Por que você e Jack não ficam juntos? Ele é viúvo. Você é solteira. Ele daria um ótimo pai e você poderia criar a Lucy como se fosse sua filha.

— Esta ideia está fora de questão, Mary – falei já começando a ficar irritada então ela preferiu mudar de assunto enquanto fazíamos o almoço.

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