ANASTASIA
— Não vai trabalhar hoje – pedi, mesmo sabendo que a resposta dele seria não.
— Não posso faltar, meu amor – ele terminou de abotoar o paletó do seu terno azul escuro, veio até a cama e me deu um beijo – Hoje é segunda-feira e tenho uma reunião atrás da outra.
— Te acompanho até a porta então.
— Não precisa.
— Mas eu quero – falei já me levantando depois vesti uma calcinha e uma das blusas dele. Taylor estava em frente às portas do elevador e assim que viu a gente nos cumprimentou – Quando chegar no trabalho me avisa, ok? – pedi ainda abraçada a Christian.
— Está virando uma controladora também? – ele indagou sorrindo.
— O que posso fazer se tenho um excelente professor – o beijei intensamente como se aquele beijo fosse o nosso último.
“E seria mesmo”
— Mandarei um e-mail te avisando que já cheguei – ele e Taylor entraram no elevador – Tchau, amor.
— Tchau, Christian – sussurrei olhando atentamente para ele, pois seria a última vez que eu o veria.
Assim que as portas se fecharam, voltei para o quarto dele à espera do e-mail. Quinze minutos depois, chegou seu e-mail então peguei duas malas, fui até o meu quarto e comecei a pôr algumas peças de roupa.
Depois retornei para o quarto de Christian e escrevi um bilhete, deixando-o sobre a cômoda ao lado da cama.
Por cima coloquei a caixa contendo o colar que ele havia me dado na noite passada, quando chegamos do iate, então tirei o anel de noivado do dedo, o coloquei dentro da caixinha cinza e a depositei ao lado da caixa do colar.
Peguei minha bolsa e a mala, olhei para a cama dele, respirei fundo e saí do quarto. Encontrei a Sra. Jones que havia chegado e estava preparando o café da manhã.
— Está indo viajar, menina? – ela me perguntou ao ver as malas.
— Sim, mas é só por alguns dias – menti e me despedi dela.
Sai do Escala, peguei um táxi e fui direto para o aeroporto.
“Não poderia ir para nenhum lugar conhecido, pois Christian iria atrás de mim então minha única chance de ficar longe dele seria ir para um lugar que ele não conhecesse. Mas para onde eu iria?”
— Srta. Kartell! – congelei na entrada do aeroporto ao ouvir alguém chamar por mim.
Me virei para encarar a pessoa e percebi que era Jack e sua filha. Fazia alguns meses que eu não os via. Lucy se soltou dele e correu até onde me encontrava então a peguei no colo.
Para mim essa garotinha era uma guerreira, pois com apenas seis anos já havia sobrevivido a uma queda de avião e tinha perdido a mãe, mas em vez de estar triste ela estava sorrindo e com certeza não havia ficado com trauma de andar de avião.
Só que eu ainda achava que se Lucy não tivesse futuramente um acompanhamento adequado com um bom psicólogo ou uma boa psicóloga ela iria ficar igual a mim.
— Oi, mocinha. Nossa como você cresceu! Daqui uns dias você vai passar do seu pai.
— Verdade, titia?
— Vai ficar tão grande que vai virar jogadora de basquete – Jack disse sorrindo parando ao nosso lado – Oi, Srta. Kartell.
— Por favor, me chame apenas de Ana.
— Tudo bem, Ana. Está indo viajar para qual parte do mundo?
— Ainda não sei. E vocês? – perguntei colocando Lucy no chão.
— Herdei uma pequena herança do meu avô e vou cuidar de uma fazenda que ele possuía numa cidadezinha próxima de Dallas. Não é como Seattle, mas deve ser bom morar no campo, não é?
“Morar no campo seria o lugar perfeito para me esconder de Christian” pensei.
— Papai prometeu que eu vou brincar com coelhinhos – disse Lucy, pulando e sorrindo.
— Posso ir com vocês?
— Por que quer vir com a gente? – Jack me olhou assustado.
— Estou fugindo de uma pessoa. Te ajudarei na fazenda tanto financeiramente quanto na mão de obra, mas por favor, me deixa ir com vocês – implorei.
— Tudo bem.
— Só tem um problema. Eu não posso usar meus documentos, pois assim essa pessoa vai saber para onde estou indo.
— Faremos o seguinte. Tenho uma velha amiga que trabalha aqui no aeroporto e acho que ela pode te ajudar – ele disse, abrindo a carteira, tirando uma aliança – Coloque isto. Você se passará por minha esposa.
— Ok.
— Minha princesinha, olha aqui para o papai. Vamos brincar?
— Brincar?! Oba! Vamos brincar de quê, papai?
— De casinha. A titia Ana vai ser sua mamãe até chegarmos à fazenda do vovô, está bem?
Lucy balançou a cabecinha afirmando então a peguei no colo de novo e adentramos o aeroporto.
Infelizmente tive que contar a verdade para Donna, a amiga de Jack, e ela acabou me deixando embarcar com meu passaporte verdadeiro, mas prometeu que caso alguém perguntasse por mim, ela não iria dar as informações necessárias para que me achassem.
CHRISTIAN
Não via a hora de chegar ao apartamento para poder ver Anastasia.
Estava exausto por causa do trabalho, pois hoje tive que ir visitar duas galerias e um hotel em Portland que andavam tendo problemas, mas eu ainda tinha um pouco de disposição para uma foda bem gostosa com a minha Ana antes de dormirmos.
Taylor e eu entramos no elevador particular então olhei a hora no relógio, passava das seis e meia. Assim que adentramos o apartamento, estranhei por não ter sido recebido com abraços então perguntei à Sra. Jones pela Anastasia.
— Ela foi viajar, Sr. Grey – Gail me informou.
— Quando ela saiu?
— Hoje de manhã bem cedo. Pensei que o senhor soubesse.
Andei apressadamente até o quarto dela e abri seu closet. Metade das roupas tinham sumido, mas eram as roupas dela e não as que eu tinha mandado comprar então corri até o meu quarto.
A primeira coisa que notei ao entrar foi a caixa vermelha do colar e a caixinha cinza do anel de noivado, ambos abertos sobre a cômoda. Havia um bilhete embaixo deles então o peguei e comecei a ler.
Sr. Grey...
Não posso mais continuar com isso. O Senhor está transferindo para mim o amor que tinha pela sua falecida esposa Leila. Eu não sou ela, Senhor. Eu não te amo. Me desculpe.
— Não pode ser – sussurrei sem ainda acreditar no que tinha acabado de ler.
“A Ana foi embora? E como assim ela não me ama? Então por que ela havia aceitado meu pedido de casamento?”
— Taylor! – gritei já saindo do quarto.
— Sim, Sr. Grey.
— Reúna sua equipe e descubram onde está a Anastasia – exclamei e ele saiu.
Ela não podia simplesmente me abandonar deixando apenas um pequeno bilhete. Se ela não queria nada comigo então teria que dizer isso na minha frente, olhando nos meus olhos.
— Juro que vou te encontrar, Ana, nem que seja a última coisa que eu faça nesta vida – sussurrei sentindo uma lágrima solitária escorrer sobre minha face enquanto eu olhava a cidade de Seattle pela enorme janela da sala.
NO DIA SEGUINTE
— Não vai trabalhar hoje – pedi, mesmo sabendo que a resposta dele seria não.
— Não posso faltar, meu amor – ele terminou de abotoar o paletó do seu terno azul escuro, veio até a cama e me deu um beijo – Hoje é segunda-feira e tenho uma reunião atrás da outra.
— Te acompanho até a porta então.
— Não precisa.
— Mas eu quero – falei já me levantando depois vesti uma calcinha e uma das blusas dele. Taylor estava em frente às portas do elevador e assim que viu a gente nos cumprimentou – Quando chegar no trabalho me avisa, ok? – pedi ainda abraçada a Christian.
— Está virando uma controladora também? – ele indagou sorrindo.
— O que posso fazer se tenho um excelente professor – o beijei intensamente como se aquele beijo fosse o nosso último.
“E seria mesmo”
— Mandarei um e-mail te avisando que já cheguei – ele e Taylor entraram no elevador – Tchau, amor.
— Tchau, Christian – sussurrei olhando atentamente para ele, pois seria a última vez que eu o veria.
Assim que as portas se fecharam, voltei para o quarto dele à espera do e-mail. Quinze minutos depois, chegou seu e-mail então peguei duas malas, fui até o meu quarto e comecei a pôr algumas peças de roupa.
Depois retornei para o quarto de Christian e escrevi um bilhete, deixando-o sobre a cômoda ao lado da cama.
Por cima coloquei a caixa contendo o colar que ele havia me dado na noite passada, quando chegamos do iate, então tirei o anel de noivado do dedo, o coloquei dentro da caixinha cinza e a depositei ao lado da caixa do colar.
Peguei minha bolsa e a mala, olhei para a cama dele, respirei fundo e saí do quarto. Encontrei a Sra. Jones que havia chegado e estava preparando o café da manhã.
— Está indo viajar, menina? – ela me perguntou ao ver as malas.
— Sim, mas é só por alguns dias – menti e me despedi dela.
Sai do Escala, peguei um táxi e fui direto para o aeroporto.
“Não poderia ir para nenhum lugar conhecido, pois Christian iria atrás de mim então minha única chance de ficar longe dele seria ir para um lugar que ele não conhecesse. Mas para onde eu iria?”
★ ★ ★ ★ ★
— Srta. Kartell! – congelei na entrada do aeroporto ao ouvir alguém chamar por mim.
Me virei para encarar a pessoa e percebi que era Jack e sua filha. Fazia alguns meses que eu não os via. Lucy se soltou dele e correu até onde me encontrava então a peguei no colo.
Para mim essa garotinha era uma guerreira, pois com apenas seis anos já havia sobrevivido a uma queda de avião e tinha perdido a mãe, mas em vez de estar triste ela estava sorrindo e com certeza não havia ficado com trauma de andar de avião.
Só que eu ainda achava que se Lucy não tivesse futuramente um acompanhamento adequado com um bom psicólogo ou uma boa psicóloga ela iria ficar igual a mim.
— Oi, mocinha. Nossa como você cresceu! Daqui uns dias você vai passar do seu pai.
— Verdade, titia?
— Vai ficar tão grande que vai virar jogadora de basquete – Jack disse sorrindo parando ao nosso lado – Oi, Srta. Kartell.
— Por favor, me chame apenas de Ana.
— Tudo bem, Ana. Está indo viajar para qual parte do mundo?
— Ainda não sei. E vocês? – perguntei colocando Lucy no chão.
— Herdei uma pequena herança do meu avô e vou cuidar de uma fazenda que ele possuía numa cidadezinha próxima de Dallas. Não é como Seattle, mas deve ser bom morar no campo, não é?
“Morar no campo seria o lugar perfeito para me esconder de Christian” pensei.
— Papai prometeu que eu vou brincar com coelhinhos – disse Lucy, pulando e sorrindo.
— Posso ir com vocês?
— Por que quer vir com a gente? – Jack me olhou assustado.
— Estou fugindo de uma pessoa. Te ajudarei na fazenda tanto financeiramente quanto na mão de obra, mas por favor, me deixa ir com vocês – implorei.
— Tudo bem.
— Só tem um problema. Eu não posso usar meus documentos, pois assim essa pessoa vai saber para onde estou indo.
— Faremos o seguinte. Tenho uma velha amiga que trabalha aqui no aeroporto e acho que ela pode te ajudar – ele disse, abrindo a carteira, tirando uma aliança – Coloque isto. Você se passará por minha esposa.
— Ok.
— Minha princesinha, olha aqui para o papai. Vamos brincar?
— Brincar?! Oba! Vamos brincar de quê, papai?
— De casinha. A titia Ana vai ser sua mamãe até chegarmos à fazenda do vovô, está bem?
Lucy balançou a cabecinha afirmando então a peguei no colo de novo e adentramos o aeroporto.
Infelizmente tive que contar a verdade para Donna, a amiga de Jack, e ela acabou me deixando embarcar com meu passaporte verdadeiro, mas prometeu que caso alguém perguntasse por mim, ela não iria dar as informações necessárias para que me achassem.
CHRISTIAN
Não via a hora de chegar ao apartamento para poder ver Anastasia.
Estava exausto por causa do trabalho, pois hoje tive que ir visitar duas galerias e um hotel em Portland que andavam tendo problemas, mas eu ainda tinha um pouco de disposição para uma foda bem gostosa com a minha Ana antes de dormirmos.
Taylor e eu entramos no elevador particular então olhei a hora no relógio, passava das seis e meia. Assim que adentramos o apartamento, estranhei por não ter sido recebido com abraços então perguntei à Sra. Jones pela Anastasia.
— Ela foi viajar, Sr. Grey – Gail me informou.
— Quando ela saiu?
— Hoje de manhã bem cedo. Pensei que o senhor soubesse.
Andei apressadamente até o quarto dela e abri seu closet. Metade das roupas tinham sumido, mas eram as roupas dela e não as que eu tinha mandado comprar então corri até o meu quarto.
A primeira coisa que notei ao entrar foi a caixa vermelha do colar e a caixinha cinza do anel de noivado, ambos abertos sobre a cômoda. Havia um bilhete embaixo deles então o peguei e comecei a ler.
Sr. Grey...
Não posso mais continuar com isso. O Senhor está transferindo para mim o amor que tinha pela sua falecida esposa Leila. Eu não sou ela, Senhor. Eu não te amo. Me desculpe.
Sua ex-submissa e ex-noiva
Anastasia Kartell Steele
— Não pode ser – sussurrei sem ainda acreditar no que tinha acabado de ler.
“A Ana foi embora? E como assim ela não me ama? Então por que ela havia aceitado meu pedido de casamento?”
— Taylor! – gritei já saindo do quarto.
— Sim, Sr. Grey.
— Reúna sua equipe e descubram onde está a Anastasia – exclamei e ele saiu.
Ela não podia simplesmente me abandonar deixando apenas um pequeno bilhete. Se ela não queria nada comigo então teria que dizer isso na minha frente, olhando nos meus olhos.
— Juro que vou te encontrar, Ana, nem que seja a última coisa que eu faça nesta vida – sussurrei sentindo uma lágrima solitária escorrer sobre minha face enquanto eu olhava a cidade de Seattle pela enorme janela da sala.

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