quinta-feira, 26 de março de 2020

Maliciosamente Obsessivos - Capítulo 27


ANASTASIA

TRÊS MESES DEPOIS

Estava na sala de TV passando os canais à procura de um filme enquanto esperava Christian que havia ido banhar após ter chegado de seu primeiro dia de trabalho depois de estar completamente sarado da cirurgia.

Nesses últimos três meses tinham acontecido muita coisa. Dias antes do natal eu havia tentando uma aproximação com meu pai, mas turrão como ele sempre foi não deu muito certo e ele acabou brigando com Andrea e Kate por se meterem na nossa discussão a fim de me defender.

Diante de toda a confusão que causei não tive alternativa e acabei cortando totalmente as relações com minha família. Era o certo a fazer, pois meu pai já havia me deserdado e eu não queria que isso acontecesse com minhas irmãs.

Consequência disso, não tive ânimo para passar o natal com a família Grey que haviam me convidado e preferi ficar trancada sozinha no meu quarto.

Todavia, na virada de ano, eu não tive escolha e acabei indo, pois Grace juntamente com Carla tinham organizado uma festa beneficente e eu queria muito ajudar a causa dos adolescentes que tentavam sair do mundo das drogas.

— Achou algum filme bom?

Me sobressaltei com Christian sentando ao meu lado no sofá. O observei de relance, ele estava de calça jeans e camisa cinza de manga comprida.

— Depende do bom que você está pensando. Se for filme pornô, sinto muito lhe informar, mas em plena às sete da noite não passa esse tipo de filme. Só altas horas da madrugada.

Sorri e vi a Sra. Jones fazer o mesmo enquanto colocava uma bandeja contendo uma tigela enorme de pipoca e dois copos de suco sobre a mesinha de centro.

— Você duas estão rindo de mim?

— Claro que não, Sr. Paranoia – falei jogando uma pipoca nele que não se conteve e riu também.

Christian pegou o controle de mim e começou passar os canais enquanto a Sra. Jones saía da sala. Segundos depois, ele deixou em um filme que estava nos créditos iniciais.

Era uma comédia romântica chamada “Simplesmente Amor”, o que estranhei, pois Christian não era de assistir a esse tipo de gênero, mas talvez com o tempo ele tenha mudado de gosto, quem sabe.

Comecei assistindo sentada ao lado de Christian, mas no meio do filme já estava deitada no sofá com minha cabeça no colo dele. O filme estava terminando quando Taylor apareceu na sala.

— Com licença, Sr. Grey.

— O que foi, Taylor? – perguntou Christian enquanto que eu me sentava.

— A polícia prendeu o Sr. Martin e parece que ele confessou ter sabotado o seu avião particular.

Christian se levantou num pulo e saiu da sala de TV.

— Vamos, Taylor! Quero falar com aquele miserável cara a cara! – ele exclamou, extremamente irritado.

— Vou com vocês – informei, já pegando meu casaco também.

— Não, Anastasia!

— Olha, Christian. Você acabou de se recuperar de uma cirurgia e eu não vou deixar que vá parar no hospital novamente.

— Não vou fazer nada.

— É claro que não – falei sarcástica, rolando os olhos – O cara confessa ter matado a sua esposa e você quer que eu acredite que não vai tentar fazer nada contra ele. Ah Christian, eu não sou idiota!

— Está bem você pode ir.

— Querendo ou não, eu ia do mesmo jeito – exclamei passando por eles e indo rumo ao elevador.


★ ★ ★ ★ ★


Chegamos ao Departamento de Polícia de Seattle e logo fomos recebidos pelo detetive Davis e pela detetive Price que me olharam com uma sobrancelha erguida, já que eu estava de mãos dadas com Christian.

Depois de meia hora, o detetive Davis apareceu e nos informou que o superior dele havia permitido que Christian conversasse com o suspeito. Rapidamente perguntei se poderia acompanhá-lo e o detetive consentiu, então ele nos conduziu até uma sala de interrogatório.

— Ora, ora, ora... Olha quem tenho o desprazer de ver – falou o homem assim que entramos, ele estava sentado com as mãos algemadas para trás.

— Archie Martin – exclamou Christian com nojo.

— É, esse é meu nome. E qual é o seu, boneca? – ele indagou, olhando para mim e eu senti um arrepio sinistro percorrer minha espinha.

— Por que matou ela? Por que matou a Leila? – Christian perguntou e eu notei que ele já estava ficando alterado.

— Esperei dois longos anos, preparando a sabotagem perfeita para o seu aviãozinho particular, mas meu alvo não era sua esposa, nem a outra mulher que acabou morrendo e sim você, Grey. Era para você ter usado aquele avião, mas não importa, no fim das contas eu consegui te atingir do mesmo jeito.

— Quem te ajudou a sabotar o meu avião?

O homem riu cinicamente.

— Grey... Grey... Grey...

— Fala seu miserável! Quem te ajudou?

— Christian se acalma, por favor – pedi, segurando o braço dele.

— Está subestimando a minha inteligência, Grey? Assim você me magoa – o cara falou, sorrindo – Tirou meu emprego e eu tirei sua esposa. Estamos quites.

Christian tentou avançar contra o sujeito, mas o detetive Davis o impediu a tempo, já mandando que o guarda tirasse o suspeito dali.


★ ★ ★ ★ ★


Tanto no caminho de volta para o Escala quanto no elevador, Christian permaneceu calado com o olhar vago e isso já estava me deixando preocupada. Quando chegamos ao apartamento ele seguiu para o quarto dele e se trancou, então me virei para Taylor.

— Quem era aquele cara?

Taylor me olhou hesitante, acho que meio indeciso se deveria me contar ou não.

— O Sr. Grey, possui vários gerentes para ser os olhos dele em seus hotéis e galerias espalhados pelo mundo. Archie Martin, era um gerente de uma das galerias de arte situada em Los Angeles. Há dois anos e meio, o Sr. Martin começou a pedir mais dinheiro para investir na galeria e o Sr. Grey desconfiou que seu gerente o estava roubando, então ele reuniu provas suficientes e demitiu Archie.

— Por que Christian não mandou ele pra cadeia?

— O Sr. Grey iria fazer isso, mas a Sra. Grey o convenceu de não registrar nenhuma queixa na polícia. Ela era uma boa pessoa e acreditava que todos tinham algo bom dentro de si...

— E, infelizmente, isso causou a morte dela – comentei, pensativa.

— Sim, senhora.

— Obrigada por ter me contado sobre isso, Taylor – falei e fui para o meu quarto.

Mal deitei na cama e o meu celular começou a tocar.

— Oi, quem fala? – atendi.

Anastasia? É você?

— Oi, Jason. Como está?

Nada bem. Estou precisando da sua ajuda. Pode ser minha companhia, sexta à tarde, em um evento?

— Me desculpe, Jason. Eu não faço mais esse tipo de trabalho.

Por favor, Anastasia.

— Chame a Jodie – sugeri.

Eu preciso é de você. A Jodie não sabe nada sobre paisagismo. Só quero sua companhia para me ajudar a fechar esse negócio bilionário e nada mais, por favor.

— Sem sexo?

Sem sexo – Jason afirmou sério.

— Tudo bem, eu aceito. Onde será o evento?

Vai ser no Pyramid Alehouse Brewery & Restaurant que fica perto do porto.

— Ok. Como eu tenho que ir vestida?

Vá só de lingerie...

— Jason!

Era brincadeira, Anastasia. Onde está o seu senso de humor?

— Foi dá uma voltinha na esquina – ironizei e ele riu no outro lado da linha.

Tudo bem. O evento não vai ser nada social então você pode ir bem casual.

— Que horas vai ser? – perguntei, pegando um bloco de notas e uma caneta.

Às quatro. Só me diz onde está morando que eu passo para te buscar.

Depois de acertar os detalhes com Jason, eu fui dormir.


★ ★ ★ ★ ★


Durante a semana seguinte, Christian passou mais tempo no trabalho e só chegava tarde da noite. Eu nem me importava com isso, pois estava concentrada o bastante para finalizar o projeto da mansão de uma atriz de cinema.

Havia combinado com Ângela para que ela me passasse todos os projetos relacionados à Seattle, já os demais ficariam na responsabilidade de Luke.

Não informei sobre o evento para Christian, pois daria tempo de eu ir e voltar sem que ele desconfiasse, mas para isso acontecer eu teria que desligar meu celular por causa do maldito GPS.

Às quatro e cinco da tarde, Jason estacionou sua Ferrari branca em frente ao restaurante. Eu optei por usar um vestido Chanel azul claro em tule, que ia até o meio da coxa, e sapato de salto médio na cor nude, já Jason estava usando calça jeans preta, blusa azul escuro e sapatos marrom.

O Pyramid Alehouse Brewery & Restaurant era composto por dois andares. No térreo, funcionava um bar e em cima ficava o restaurante. Subimos para o primeiro andar e logo Jason me apresentou para os dois homens que estavam sentados em uma mesa.

Ficamos conversando por um tempo até que um dos senhores informou a Jason que ele havia conseguido o projeto para construir o Resort no Havaí e que eles adorariam contratar a W. Design para decorar tanto o interior quanto o exterior do prédio.

— Será uma honra – disse apertando a mão de um dele.

Em seguida os dois se despediram de nós e foram embora. Jason me convidou para um brinde de comemoração e eu aceitei então descemos até onde ficava o bar.

— Um brinde a você, Anastasia – ele disse, erguendo seu copo.

— A nós – o corrigi batendo meu copo contra o dele.

— Eu não teria conseguido esse projeto sem você.

— Nem eu teria conseguido esse contrato bilionário para a W. Design sem você, Jason. Minha chefe com certeza vai surtar quando souber – falei e nós sorrimos.

— Merda! – exclamei minutos depois assim que vi Christian entrando no restaurante.

— O que foi que houve? – perguntou Jason seguindo meu olhar – O que o Christian Grey está fazendo aqui?

— Ele veio atrás de mim – sussurrei, pois Christian já estava mais perto de nós.

— Oi, Sr. Grey – Jason o cumprimentou.

— Posso roubar sua acompanhante, Sr. Hughes?

— Claro. Nós já terminamos não é, Anastasia?

— É – falei, meio sem graça.

— Obrigado por me ajudar! – escutei Jason gritar enquanto Christian me arrastava para fora do lugar.

Notei o Tesla estacionado, mas não vi Taylor. Perguntei por ele e Christian não disse nada, apenas me mandou entrar no carro.

— Para onde estamos indo? – perguntei, minutos depois, quando adentramos o porto.

— Para o meu iate. Vamos passar o final de semana à deriva. Apenas eu e você – respondeu, com tom de ameaça na voz.

O olhei assustada.

Meu Deus! Passar dois dias e duas noites, sozinha com um Christian possesso de raiva? Eu estou literalmente fodida”

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