quinta-feira, 26 de março de 2020

Maliciosamente Obsessivos - Capítulo 26


ANASTASIA

— Srta. Steele, tente se acalmar um pouco. O Sr. Grey vai se recuperar – ouvi Taylor dizer enquanto eu andava, extremamente preocupada, de um lado para o outro na sala de espera.

Esperávamos por alguma notícia de Christian que havia sido levado para a sala de cirurgia assim que chegamos ao hospital e isso já fazia mais de uma hora e meia.

Nesse meio tempo, liguei para a Andrea e para o Elliot e contei a eles que Christian estava internado no hospital da família Grey.

— Eles estão ali – escutei a voz de Mia e me virei.

Grace, Elliot, Mia, Kate, Andrea e Luke estavam vindo de encontro a nós. Eles me olharam assustados quando se aproximaram de mim e de Taylor, provavelmente devido à grande quantidade de sangue no meu vestido.

— Onde está o Christian? – Mia perguntou, já meio chorosa.

— Levaram ele para a sala de cirurgia, mas até agora ainda não recebemos nenhuma notícia – informei.

— Fiquem aqui. Eu vou ver quem está de plantão hoje – disse Grace saindo da sala.

— Você está machucada ou todo esse sangue é do meu irmão? – indagou Elliot.

— Esse sangue é do Christian.

— Meu Deus... – choramingou Mia abraçando Elliot, que tentou acalmá-la.

— O que aconteceu? – Luke quis saber, mas antes que eu pudesse respondê-lo, algo na televisão que ficava em uma das paredes do posto de enfermagem me chamou a atenção, então passei por eles e me dirigir até lá.

— Pode aumentar um pouco, por favor – pedi a uma enfermeira.


...e que estão acompanhando o jornal. Falamos ao vivo do local onde ocorreu uma chacina em massa há menos de duas horas. Testemunhas contam que isso foi causado pela disputa entre traficantes. O Clube Beatsy Night faz parte de uma rede de clubes pertencentes à família Dixon, conhecida por ser a realeza do mundo das drogas. Ao meu lado está o chefe do Departamento de Investigações da Polícia de Seattle. Boa noite, Chefe Morgan. Então, o que o senhor pode nos dizer sobre esse incidente?

Boa noite, senhorita. Não há muita informação que podemos liberar, pois ainda estamos coletando evidências. Interrogaremos todas as testemunhas, mas tudo indica ser resultado de uma disputa pelo poder.

E sobre os mortos? O senhor pode nos divulgar a quantidade de falecidos e suas identidades.

Ainda estamos fazendo a contagem de mortos, mas já identificamos os corpos de cinco traficantes: Afton Mallory, Dylan Sawyer, Sebastian Dixon, Mikael Dixon e seu filho Paul Dixon.

Obrigada, Chefe Morgan! Aqui é Martina Water para o Seattle News diretamente do Clube Beatsy Night. É com vocês aí no estúdio.


Me afastei do balcão devagar indo novamente para a sala de espera. Sentando-me em uma das cadeiras, comecei a chorar pela perda de dois amigos queridos. Segundos depois, senti alguém me abraçar, era Luke.

— Não fica assim, Ana. Dylan, não prestava mesmo. Não chore por causa dele.

— Chorar por causa dele? Eu quero mesmo que seu irmão arda nas profundezas do inferno! – exclamei com raiva – Ele e o Paul mereceram morrer.

— Por que esse ódio todo pelo meu irmão e pelo meu primo? – indagou Luke.

Não era mais preciso mentir então comecei a contar tudo para eles. Tudo sobre a Elena. Sobre meu tempo como acompanhante de luxo. Sobre como conheci os Dixon e meu relacionamento com eles. Sobre a volta e as ameaças de Paul e de Dylan.

Sobre o plano de matar Sebastian e Mikael e por fim sobre o tiroteio na festa que acredito seriamente que tenha sido Paul o autor dos primeiros disparos, pois se ele estava lá provavelmente devia ter descoberto o plano do pai dele através de Hayley, que já deveria estar morta agora.

Também contei a Grace, que já havia retornado, sobre Paul ser o noivo de Olivia, então ela me informou de que Christian já tinha conversado com elas sobre isso.

Ao contrário do que pensei, ninguém me criticou e nem me julgou pelas minhas escolhas, apenas ofereceram-me abraços e palavras de conforto.


★ ★ ★ ★ ★


— Como ele está doutor? – perguntei assim que o médico apareceu horas depois na sala de espera.

— A cirurgia foi um sucesso. A bala felizmente não causou muitos danos graves e o estado dele é estável.

— Podemos vê-lo? – perguntou Mia, abraçada à sua mãe.

— Ele ainda está sedado por causa da cirurgia, mas vocês podem vê-lo através da janela da U.T.I. Me acompanhem, por favor.

Do outro lado da vidraça vimos Christian deitado na cama de uma das enfermarias de olhos fechados com o rosto muito pálido. Havia um tudinho no nariz dele o qual levava oxigênio, em sua mão direita estava o soro, já a esquerda recebia sangue.

O lençol cobria-lhe apenas da cintura para baixo deixando seu tórax bem definido à mostra e em sua barriga jazia um curativo branco enorme. Os únicos barulhos que se podia ouvir eram dos aparelhos que o monitoravam.

— Apenas um de vocês pode ficar como acompanhante dele – informou o médico então me ofereci.

— É melhor você ir descansar, pois passou por muita coisa hoje – disse Grace se aproximando de mim – Eu ficarei com ele esta noite. Taylor, por favor, leve Anastasia para casa.

— Sim, senhora.


★ ★ ★ ★ ★


Assim que cheguei ao apartamento fui direto para o banheiro. A água do chuveiro descia pela minha pele me dando uma sensação de alívio.

Saber que não precisava mais mentir sobre alguns aspectos da minha vida era muito reconfortante, agora só faltava me reconciliar com meu pai assim que ele voltasse de sua lua-de-mel na Índia.

Após o banho, vesti uma camisola roxa e tentei dormir um pouco, mas infelizmente tive apenas breves cochilos. Antes mesmo de amanhecer, eu já estava de pé e fui olhar o nascer do sol na varanda da cobertura.

— Srta. Steele?

Olhei para a porta da varanda e Taylor estava lá.

— Oi.

— O Sr. Grey não iria gostar de ver a senhorita acordada a essa hora da manhã.

— Ele não está aqui agora e espero que você não conte isso para ele – sorri e voltei a olhar para o horizonte onde agora surgiam os primeiros raios do sol.

Puxei uma poltrona de vime e sentei, permitindo-me observar o amanhecer enquanto pensava em Christian.


★ ★ ★ ★ ★


DIAS DEPOIS

Entrei no quarto com o vaso de flores e o coloquei numa mesa existente no lugar. Christian havia saído da U.T.I dois dias depois de ter acordado da cirurgia e tinha sido transferido para um quarto.

Ele estava sendo acompanhado pelos melhores médicos de Seattle e Grace não deixava de monitorar de perto a equipe médica que cuidava de seu filho.

— Não gosto de flores.

— Eu sei, por isso mesmo que eu as trouxe – falei, fazendo com que ele desse um sorriso – Como você está?

— Horrível. Estou com o corpo todo dolorido. Detesto hospital. Aqui é tudo branco e sem graça... – ouvia Christian reclamar enquanto eu puxava uma cadeira e sentava ao lado da cama.

De repente, ele parou de falar e me olhou intensamente. Vi um lampejo de cobiça e desejo em seus olhos quando os mesmos pousaram em minhas pernas, extremamente visíveis e convidativas devido à saia curta que eu estava usando.

— O que foi?

— Veio vestida desse jeito só para me martirizar, não foi?

— Eu? É claro que não – falei, revirando os olhos.

— Não vejo a hora de estar completamente sarado para poder te aplicar um bom castigo.

— O que eu fiz? – indaguei, fingindo inocência.

— Não se faça de santa.

— Sr. Grey, eu não preciso me fazer de santa, pois eu já sou uma.

— Uma santinha do pau oco, eu diria.

Ri levantando da cadeira e fui sentar na beirada da cama. Debrucei um pouco sobre Christian, deixando minha boca a centímetros da dele.

— É muito bom ser uma santinha do pau oco – disse sensualmente e passei minha língua nos lábios dele.

De repente, Christian segurou meu braço com força.

— Porra, Ana! Pare de ficar me tentando desse jeito ou eu juro que vou te foder aqui mesmo em cima dessa cama sem me importar se os caralhos dos meus pontos irão abrir e eu tiver uma porra de uma hemorragia e sangrar até a morte!

Sorri e fui me sentar novamente na cadeira.

— Isso vai demorar um pouquinho. Três meses até o local da sua cirurgia está totalmente cicatrizado. Depois o médico vai te mandar seguir uma dieta e uma das regras é: Nada de comer coisa com gordura – falei, sorrindo, apontando para mim mesma – Você entendeu onde quero chegar, não é?

Ele apenas me olhou sério em resposta. Ficamos conversando um pouco sobre outras coisas até que um enfermeiro entrou no quarto e veio administrar a medicação nele fazendo com que Christian dormisse segundos depois.

Permaneci no quarto mais alguns minutos então resolvi ir para o Escala, pois não estava muito a fim de permanecer naquele lugar só para ficar velando o sono dele. Fui até a cama e me inclinei, beijando-lhe a testa, depois sai dali o mais rápido que meus saltos quinze podiam me permitir andar.

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