quinta-feira, 26 de março de 2020

Maliciosamente Obsessivos - Capítulo 25


ANASTASIA

DIAS DEPOIS

Infelizmente o dia para executar o plano havia chegado. Me levantei bem cedo e fui pegar a última caixa com meus pertences do meu antigo apartamento. Naquele mesmo sábado, após voltarmos da mansão de Christian, eu fui morar com ele.

Assim que entrei novamente no apartamento, o encontrei tomando seu café da manhã. Christian se encontrava sensualmente impecável em um terno cinza, o que me pareceu estranho, já que hoje era domingo.

— Onde estava? – ele perguntou sério.

Esses últimos dias, Christian havia se tornado muito controlador em relação as minhas saídas. Não que o mesmo não fosse antes, mas agora ele se encontrava bem mais paranóico com isso.

Christian queria que eu o informasse de tudo. Acho que até se pisasse numa formiga era para comunicá-lo, mas eu acabava esquecendo toda essa paranoia dele quando estávamos no quarto de jogos.

Antes eu considerava aquele lugar um inferno, mas agora o via novamente como o meu paraíso particular, ansiando sempre para estar nele.

— Fui pegar isso aqui – informei, balançando sutilmente a caixa em meus braços.

— Poderia ter pedido ao Taylor para fazer isso.

— Não vou explorar seus empregados por algo que eu mesma posso fazer, Christian – falei, já me virando para ir rumo ao meu quarto.

Entretanto, mal dei três passos, que ele me chamou para comer, então virei novamente, dizendo que iria primeiro deixar a caixa no quarto depois voltaria.

— Vem comer, Anastasia.

— Cinco minutos a mais ou cinco minutos a menos não vai fazer diferença.

— Para mim faz. Largue essa caixa aí e venha comer agora.

Bufei de raiva, então deixei a caixa em cima do sofá e fui me sentar à mesa.

— Pronto. Estou aqui. Satisfeito? – perguntei, emburrada.

— Só ficarei satisfeito quando você estiver comendo.

Ele mesmo pegou um prato e começou a montar minha refeição.

— Já que eu é que irei comer, posso ter pelo menos o direito de escolher o que colocarei na boca?

Christian parou e me encarou, erguendo um dos cantos de sua boca num meio sorriso. Logo percebi que ele estava pensando besteira, o que me fez revirar os olhos.

— Por acaso a senhorita não está revirando os olhos para mim, está?

— Eu!? – exclamei, fingindo está chocada – Nunca ousaria afrontar o grande Mestre Grey – falei, sorrindo inocentemente.

Christian então olhou a hora em seu relógio de pulso e se levantou, abotoando o paletó do terno. Deu a volta na mesa, já parando ao meu lado, se inclinou, segurou firme meu queixo para que pudesse olhá-lo e depositou um beijo rápido em meus lábios.

— Pode ter certeza que mais tarde vou tirar esse seu sorriso cínico, minha querida.

— Estarei esperando ansiosa por isso... Mestre – eu disse, sedutoramente, enquanto tirava a mão dele do meu queixo – Vai trabalhar hoje?

— Tenho que resolver uns assuntos – ele informou, me dando um beijo na testa, antes de ir embora.

Como aos domingos, a Sra. Jones não trabalhava, então lavei a louça do café da manhã e estava preparando o almoço quando Christian me ligou para avisar que não almoçaria e nem jantaria em casa, pois ficaria no trabalho até às onze da noite.


★ ★ ★ ★ ★


Era por volta das duas da tarde, quando chegaram três pacotes para mim.

Em um deles tinha um vestido longo tomara-que-caia, na cor azul escuro. No segundo pacote havia um par de scarpin preto e no terceiro continha um conjunto de colar e brincos, em pérolas.

Li o bilhete que havia vindo com as caixas e descobri que aqueles presentes eram de Paul, que me mandou usá-los na festa de hoje.


★ ★ ★ ★ ★


Às nove da noite em ponto, Dylan me passou uma mensagem dizendo que já se encontrava em frente ao Escala, então dei uma última olhada no espelho e desci.

— Dentro deste anel há duas pastilhas – Dylan me informou, entregando-me um anel assim que entrei no carro – Coloque uma pastilha em cada um dos copos e dê para os dois beberem.

A festa estava acontecendo em um dos luxuosos clubes da família Dixon. Haviam diversos seguranças, tanto na entrada quanto ao longo do interior. Mal adentramos o enorme salão de festas e imediatamente vimos Sebastian a alguns metros então nos dirigimos até ele.

— Vovô! – exclamou Dylan, com o sorriso mais falso do mundo.

Ele pegou a mão de Sebastian, beijando o anel localizado no dedo anelar, pois esse era uma tradição entre eles. Um tipo de demonstração de respeito pelo mais velho da família.

— Quem é esta bela moça que lhe acompanha, meu neto?

— Lembra-se da Anastasia, vovô?

— Anastasia?! Oh, minha querida! Está linda como sempre.

Ele me abraçou e eu senti um remorso muito grande por atentar contra a vida dele, que sempre foi bom comigo, mas teria que fazer isso, pela minha família, pelos Grey e pelo Christian, ou todos morreríamos, inclusive eu.

— Obrigada, Sebastian.

— Dylan, posso roubar sua acompanhante por esta noite?

— Claro, vovô. O senhor quem manda – disse Dylan que saiu de perto de nós, mas virou a alguns metros e piscou discretamente para mim.

— Venha, minha querida. Mikael ficará feliz em te ver.

Andamos pela festa e de vez em quando parávamos para que Sebastian cumprimentasse alguém. Não demorou muito e nós encontramos seu filho Mikael. Ele estava conversando com algumas pessoas até que Sebastian o chamou e Mikael se virou.

— Pai – ele murmurou, se aproximou de nós – Boa noite, senhorita...?

— Senhor, vejo que já me esqueceu – falei, sorrindo – Já se passaram mais de seis anos, não é, Mika?

Ao ouvir o apelido do qual eu o chamava na época em que ficávamos, Mikael sorriu e pegou minha mão, beijando-a suavemente.

— Sempre tão encantadora, Ana.

— Deixarei os dois a sós – murmurou Sebastian.

— Por que não vamos os três para um lugar mais reservado? Adoraria conversar com vocês a sós – falei e ambos se entreolharam, depois sorriram assentindo.

Subimos para o segundo andar onde entramos numa sala bem ampla.

— Que tal um drinque? – sugeri enquanto ia rumo à mesa, onde havia várias garrafas de bebidas.

— Antes de bebermos, quero te apresentar um novo amigo Ana. Acho que vocês até já se conhecem – disse Mikael, indo até uma porta lateral e a abrindo.

Paralisei e meu queixo caiu quando vi a pessoa que passou pela porta.

— C-Christian?! – gaguejei, em choque.

— Oi, Anastasia – ele falou, parando ao lado de Mikael e Sebastian.

— O que está fazendo aqui?

— Eu disse que cuidaria de você, não disse? Depois que me contou sobre os Dixon e o que Paul pretendia fazer, a primeira coisa que fiz foi investigar. Finalmente, acabei conhecendo Sebastian e Mikael, então contei a eles o que você havia me dito.

Me sentei no sofá e encarei os três.

— Christian, não era para você ter feito isso. Se Paul descobrir, ele vai nos matar – comentei, pensativa, olhando para um ponto distante do carpete.

— Não se preocupe, minha querida – Sebastian se sentou ao meu lado e pegou minha mão entre as suas – Mikael já está cuidando de Paul a um bom tempo.

— Como?

— Meu filho provará de seu próprio veneno. Há uma pessoa de nossa confiança no círculo de amizade dele.

— Posso saber quem é?

— Hayl...

De repente, começamos a ouvir tiros e gritos vindo do andar de baixo então Taylor e dois seguranças dos Dixon entraram na sala e fizeram sinal para que os seguíssemos.

— Vocês três saíam daqui – ordenou Mikael à medida que mais seguranças apareciam no corredor.

— E vocês dois? – perguntei, angustiada.

— Essa briga é nossa, Ana. Agora vão.

— Por aqui! – exclamou Taylor então Christian pegou na minha mão e o seguimos, correndo.

Quando viramos em outro corredor, fomos surpreendidos por tiros disparados por alguns homens, que provavelmente trabalhavam para o Paul ou Dylan.

Christian e eu recuamos a mando de Taylor, então me escorei na parede, ofegante, tanto pela corrida quanto pelo medo de morrer ali mesmo naquele lugar.

— Ana? – ouvi Christian me chamar.

Olhei para o lado, assustando-me ao ver uma mancha de sangue na camisa dele que aumentava a cada segundo.

— Meu Deus, Christian! – exclamei, começando imediatamente a fazer pressão no local – Aguenta firme. Vai ficar tudo bem. Taylor, me ajuda aqui! – gritei, bastante aflita, e ele logo veio me ajudar a amparar Christian.

Passamos pelo corredor, agora com os corpos mortos dos homens estendidos no chão, descemos uma pequena escada e chegamos a uma porta lateral que dava acesso para um beco.

Encostamos Christian na parede, depois Taylor saiu para ir buscar o carro. Quando voltou, ele me ajudou a colocar Christian no banco de trás e em seguida, já estávamos indo em direção ao hospital.

— Ana... eu preciso te contar... uma coisa... antes de morrer – Christian falava, já bastante fraco e pálido devido à perda de sangue.

— Deixa de falar besteira. Você não vai morrer. Vaso ruim não quebra. Trinca talvez, mas não quebra – comentei, fazendo ele sorrir, mas logo em seguida o mesmo fez uma careta de dor – Vai mais rápido, Taylor! – gritei, pressionando ainda mais o ferimento.

— Estou indo o mais rápido que posso, senhorita.

— Ana... Eu te a...

— Cala a boca, Christian!

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