quinta-feira, 26 de março de 2020

Maliciosamente Obsessivos - Capítulo 23


ANASTASIA

Assim que passei pela porta, senti um calafrio percorrer minha espinha. Era como se eu não estivesse sozinha no apartamento, mas estava tudo em silêncio então só deveria ser paranoia da minha cabeça.

Liguei a luz da sala e segui para a suíte. Entrei no closet e coloquei as sacolas de compras em um canto, tirei minha roupa ficando apenas de sutiã e calcinha depois retornei para o quarto.

— Oi, Anastasia.

Coloquei a mão no peito devido ao susto e tentei normalizar a respiração enquanto olhava para a sombra sentada na poltrona.

— Christian?! O que está fazendo no meu quarto? Invasão de propriedade é crime, sabia? – indaguei, furiosa.

Agradeci mentalmente, pois o lugar estava parcialmente escuro. Assim ele não poderia ver meus machucados, mas infelizmente Christian se levantou e cruzou o quarto indo até o interruptor. Assim que a luz clareou o lugar, ele me encarou assustado.

— Foi ele que fez isso, não foi?

— Por favor, sai daqui, Christian – pedi baixando a cabeça e abraçando a mim mesma, segundos depois senti seus braços ao meu redor.

— Deixe-me cuidar de você – ele sussurrou no meu ouvido.

— Por quê?

— Por que eu quero. Por que é meu dever como seu Mestre.

— Você não é mais meu Mestre. Nunca voltou a ser – desvencilhei dele afastando alguns passos e o encarei – O contrato foi rasgado antes mesmo de eu poder assiná-lo.

— Você se entregou a mim e isso que me importa. O contrato era apenas um detalhe físico.

— Mas como eu disse mais cedo no parque, aquilo foi um erro. Eu estou com o Dylan agora. Entenda isso, Christian. Eu... amo... ele – consegui dizer a muito custo.

— Não fale de algo que você não sabe, Anastasia. Eu já amei intensamente e sei como uma pessoa apaixonada se comporta. O que eu vi naquele parque foi uma mulher com medo de um homem arrogante, então não venha mentir para mim dizendo que ama aquele cara.

— Christian, eu... – tentei falar, mas resolvi ficar quieta.

— Andei investigando e sei que esse tal de Dylan é um traficante de drogas.

O olhei espantada.

— Foi o Luke que te contou isso, não foi?

— Pedi apenas que ele me tirasse uma dúvida sobre a família dele. Agora me conta o que está acontecendo, Ana.

— Não posso – sussurrei me sentando na beirada da cama – Eles ameaçaram matar minha família e machucar a sua se eu fizer algo de errado.

— O quê? Minha família? Com eles sabem sobre nós?

— Eles estão mais próximo do que você imagina, Christian.

Ele começou a andar de um lado para o outro do quarto absorto em seu próprio mundo então levantei e fui para o banheiro. Liguei a torneira da banheira, escolhi alguns sais de banho e coloquei na água que espumou um pouco.

Voltei a fim de expulsar Christian do meu apartamento, mas ele já havia saído do quarto, provavelmente tinha ido embora, então retornei ao banheiro e tirei a lingerie.

Estava me olhando no espelho avaliando a aparência dos hematomas antes de entrar na banheira já cheia quando a porta foi aberta bruscamente, assustando-me.

Ficamos nos olhando por alguns segundos até que Christian se aproximou de mim a passos lentos e meu olhar saltou para a sua calça depois para o seu rosto.

Ele tocou meu ombro e desceu a mão, vagarosamente, para um dos meus seios envolvendo-o gentilmente. Fechei os olhos me deliciando com a sensação que seu toque proporcionava em mim.

Aquilo era incrivelmente bom. Senti sua boca em meu pescoço então me escorei na pia. Segundos depois, Christian se afastou, mas o puxei de volta pela gravata.

— Me faça esquecer de todos os meus problemas – sussurrei contra seus lábios enquanto desatava o nó de sua gravata jogando-a em algum lugar.

— Você está machucada.

— Não está mais doendo – confessei começando a desabotoar sua blusa e logo ela estava fora de seu corpo – Preciso de você... na minha cama... agora...

Puxei Christian para fora do banheiro e o empurrei para a cama. Rapidamente terminei de despi-lo por completo e subi em cima dele beijando-lhe o tórax.

Seu pau já estava bastante duro quando o toquei para guiá-lo até a minha entrada, mas ele com um movimento rápido mudou nossa posição ficando por cima de mim.

— Vai deixar eu cuidar de você?

— Sim.

— E também não quero você transando com mais ninguém, entendeu? – Christian perguntou e em resposta, balancei a cabeça em sinal de afirmação – Vai me contar como conheceu esse tal de Dylan? – ele indagou, massageando meu clitóris fazendo-me gemer e ver estrelas.

— Eu conto. Agora para de me maltratar e me fode logo, Christian.

Ele sorriu e invadiu-me profundamente.


★ ★ ★ ★ ★


Minutos depois, após várias estocadas intensas, nossos orgasmos vieram arrebatando-nos então ficamos deitados lado a lado olhando para o teto até nossas respirações voltarem ao normal.

— Foi durante a faculdade – falei, de repente – Há sete anos, fui contratada por Sebastian Dixon para ser sua acompanhante por uma noite. Não sabia nada sobre os Dixon até que entrei naquele clube e percebi que me encontrava em um mundo totalmente diferente do que eu estava habituada. Havia pessoas bebendo e se drogando por todos os lados. Fiquei chocada e assustada com tudo aquilo.

Me sentei com as pernas cruzadas em posição de meditação, coloquei o travesseiro em cima delas e me apoiei nele.

— Sebastian me levou até o segundo andar onde possuía um salão de reunião, foi lá que conheci seus filhos Mikael e Holly, e seus netos. Mikael era viúvo e possuía três filhos: George, Paul e Emília, já Holly era casada com Charlie Sawyer e tinha dois filhos: Dylan e Luke que não estava presente. Não fiquei na reunião deles, pois Sebastian mandou as mulheres para outra sala.

Christian virou de lado, se apoiando em um dos cotovelos, e apenas me olhou esperando que eu continuasse a falar.

— Depois daquela noite Mikael passou a me cortejar, o que desagradou a todos da família menos Sebastian que começou a me tratar como se eu fosse sua filha de sangue. Meses depois Mikael me pediu em casamento, mas eu não aceitei. Gostava muito dele, mas não o amava.

Respirei fundo e abaixei o olhar para o travesseiro em meu colo.

— Passados alguns dias, houve um acidente que resultou na morte de George e Emília. Tempo depois descobri, por acaso, que havia sido Paul que tinha sabotado o carro do irmão só para poder ser o único herdeiro e estava planejando também acabar com a vida do próprio pai para assumir o seu lugar.

Encarei Christian.

— Contei para Sebastian e ele juntamente com Mikael armaram para que Paul fosse preso. Agora ele está de volta e se uniu ao Dylan para terminar o serviço. Paul me intimou a ajudá-los com o plano, devido a minha proximidade com Mikael e Sebastian, e se eu não fizer isso, pessoas que gosto muito se machucaram.

Christian se sentou, me olhando com uma expressão indecifrável, então de repente levantou da cama e começou a se vestir.

Fiquei observando-o enquanto ele se movia pelo quarto, Christian se aproximou de mim, beijou-me a testa sussurrando friamente um “Te ligo amanhã” e saiu do quarto. Segundos depois, ouvi a porta do apartamento sendo fechada num baque forte.

Me deitei, abraçando o travesseiro, tentando entender a reação de Christian e acabei adormecendo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário