quinta-feira, 26 de março de 2020

Maliciosamente Obsessivos - Capítulo 22


ANASTASIA

Eu não poderia me esconder dele por muito tempo. Respirei fundo enquanto pensava numa desculpa muito mais convincente do que estar doente.

Christian se sentou e chamou o garçom que anotou o seu pedido e saiu. Ele ficou me encarando sério por um bom tempo e eu comecei a ficar incomodada com isso.

— Oi – ousei falar.

— Oi – seu tom de voz foi ríspido.

— Como foi a reunião com Luke?

— Se está tão interessada na reunião deveria ter ido.

— Ok, eu merecia essa.

Estava tão nervosa com a presença dele e com a nossa inevitável conversa que acabei deixando um pouco de refrigerante cair sobre minha mão.

Tive que limpar com o guardanapo o que fez a base sair revelando assim o hematoma do meu pulso esquerdo. Christian segurou meu braço e o puxou para si.

— Quem fez isso com você? – ele indagou me olhando preocupado.

— Ninguém.

Tentei puxar meu braço de volta, mas ele era mais forte. Christian só me soltou quando o garçom se aproximou para entregar o suco que ele tinha pedido e logo partiu nos deixando a sós novamente.

— Tem a ver com Lakewood? O que você foi fazer lá?

— Por favor, não faça perguntas que eu não posso responder – pedi empurrando meu prato para o lado, pois minha fome havia desaparecido completamente – Precisamos conversar, mas não aqui. Vamos dar uma volta no parque?

Ele me encarou por um momento depois assentiu então tirou algumas notas da carteira e deixou em cima da mesa. Peguei as sacolas de compras que não eram muitas, apenas quatro e saímos da lanchonete. Taylor estava encostado no Tesla e se endireitou quando nos aproximamos.

— Srta. Steele – ele me cumprimentou com um sorriso enquanto abria a porta.

— Oi, Taylor. Como você está?

— Bem e a senhorita?

— Bem... na medida do possível – respondi entrando no carro.

Ele fechou a porta, colocou as sacolas no porta-malas e deu a volta.

— Para onde, senhor? – Taylor perguntou assim que entrou.

— Green Lake Park – informou Christian friamente.

Fiquei olhando para a janela enquanto seguimos para o parque. De repente meu celular começou a vibrar dentro da bolsa então o atendi.

— Alô.

Oi, gostosa.

Fechei os olhos e respirei fundo antes de responder.

— O que foi?

Estou chegando a Seattle e preciso te ver. É sobre o plano.

— Vou te passar o endereço do lugar para a gente se encontrar. Tchau.

Ah só isso gatinha, quero um adeus mais caloroso ou conto para o meu primo que você não está sendo boa comigo.

Suspirei profundamente e tentei transmitir na minha voz algum tipo de desejo quando voltei a respondê-lo.

— Tchau, querido. Não vejo a hora de nos encontrarmos de novo. Beijo naquele lugar.

Assim está melhor. Tchau, gatinha.

Quando Dylan desligou tratei logo de passar uma mensagem de texto informando-o para que ele me encontrasse na entrada do Green Lake Park em meia hora.

Depois guardei o celular na bolsa e notei que Christian me olhava, mas não consegui distinguir o que ele estava sentindo, pois sua expressão era imparcial.

— Chegamos, senhor.

Taylor saiu do carro e veio abrir a porta para mim.

— Poderia pegar minhas sacolas, por favor?

— Claro, senhorita.

Assim que entramos no parque e seguimos por uma trilha que dava acesso ao lago. Havia várias pessoas aproveitando o final de tarde, algumas passavam por nós fazendo caminhada, já outras andavam com seus animais de estimação e crianças brincavam na grama ou andavam de patins.

Seguimos até quando encontramos um banco vazio e nos sentamos. Ficamos observando em silêncio o lago por alguns minutos. Não sabia por onde começar aquela conversa, mas eu teria que começá-la de algum jeito.

— Christian... Eu cometi um erro quando me entreguei novamente a você como sua submissa – falei ainda encarando o lago à nossa frente.

— Encontrou alguém, não foi? – ele inquiriu.

— Sim – assenti, mentindo.

— Foi ele quem te ligou àquela hora?

— Foi.

— Você o ama?

“Por que Christian queria saber se eu estava apaixonada por alguém? Ele não era assim. Será que Christian havia se tornado sentimental devido o casamento e o luto? Acho que não” pensei enquanto encarava minhas mãos extremamente incomodada com a pergunta dele.

— Você o ama, Anastasia? – ele indagou novamente.

Ergui o olhar e virei o rosto para ele. Christian me observava com aqueles olhos azuis acinzentados que me faziam sentir seduzida por ele então desviei o olhar antes de responder.

— Sim – menti novamente sentindo todo o peso da mentira sobre meus ombros.

— Espero que seja feliz, assim como eu fui com a Leila – ele desejou-me.

O olhei de relance e sua expressão estava neutra como sempre. De repente, meu celular vibrou. Era uma mensagem de Dylan dizendo que já estava no Green Lake Park.

— Obrigada por compreender meu lado, Christian – me levantei e peguei as sacolas colocando todas só num braço – Espero que você encontre outra garota para ser sua sub.

— Com certeza, encontrarei – ele disse sério enquanto se levantava do banco.

Voltamos em silêncio até a entrada do parque. Dylan estava ao telefone, mas quando nos viu encerrou a ligação e se aproximou de mim.

— Fazendo compras, gatinha?

— Sim.

Dylan fez sinal para seu motorista que veio pegar minhas sacolas e em seguida saiu.

— Não vai me apresentar seu amigo? – Dylan indagou me encarando desconfiado.

— Sou Christian Grey.

Ele estendeu a mão que o outro apertou firmemente.

— Prazer. Sou Dylan Sawyer.

— É parente de Luke Sawyer? – Christian perguntou me olhando por um instante, então tratei logo de desviar o olhar para o chão e comecei a torcer nervosa minhas mãos.

— Então o senhor conhece meu honesto irmãozinho? – de repente o telefone de Dylan tocou e ele se afastou para atender – Vamos logo, Anastasia! – ele exclamou com raiva depois voltou a brigar ao celular.

— Adeus, Christian.

Ele não respondeu apenas deu meia volta e foi para onde o Tesla estava estacionado e entrou. Acenei para Taylor que acenou de volta, então respirei fundo, andei a passos lentos até o Volvo XC90 Preto e me sentei ao lado de Dylan que ainda falava ao celular.

Suspirei triste olhando a paisagem enquanto íamos para algum lugar, com certeza seria um daqueles motéis de luxo.


★ ★ ★ ★ ★


Quando o carro parou, notei que havia me enganado quando pensei que Dylan iria levar-me para algum motel, em vez disso estávamos em um dos bairros mais afastados de Seattle, parados em frente a uma mansão bem vigiada por diversos seguranças.

Entramos na residência e Dylan me conduziu por um corredor até uma enorme sala que parecia uma espécie de biblioteca. Cinco pessoas estavam presente naquele lugar.

— Carne nova, Dylan? – exclamou uma garota de cabelo meio encaracolado me olhando de cima a baixo.

— Pessoal, esta é Anastasia – ele apresentou – Anastasia, esta é a sua equipe.

— Minha equipe? – o olhei incrédula.

— Sim. Eles vão te dar cobertura enquanto realiza sua tarefa. Logan, Alison, Brady, Karin e Hayley – disse Dylan enquanto apontava para cada um deles então cumprimentei os cinco e eles acenaram de volta.

— Por que exatamente estamos aqui? – perguntou Logan.

— E onde está o Paul? – Hayley indagou.

— Ele não pode pisar em Seattle até que tenha assumido o posto do tio Mikael – Dylan informou e Hayley fez uma cara de poucos amigos – E foi eu que convoquei vocês aqui, porque o plano sofreu uma alteração.

— Que tipo de alteração? – perguntei o olhando de lado.

— O plano era para acontecer daqui a quatro semanas durante a virada de ano em Paris, mas surgiu uma oportunidade antes do previsto então a agarramos. No dia quinze deste mês meu avô e meu tio estarão aqui em Seattle...

— O que eles vão fazer aqui? – ouvi Karin, a garota de cabelo meio encaracolado, perguntar.

— Negociação com um traficante local. Também estarei na reunião. Depois haverá uma pequena festa e é aí que você entra, minha querida – ele disse apontando para mim.

— Que explicação irei dar para aparecer depois de seis anos e convidar os dois para uma festinha particular?

— Não se faça de burra – exclamou Dylan – Sei que meu avô te adora e meu tio quase se casou com você naquela época.

— Isso foi naquela época, Dylan. Seis anos se passaram.

— Use seu charme de prostituta.

— Não sou mais uma prostituta.

— Pensa em algo. Se vira, garota!

Permanecemos mais algumas horas conversando sobre como íamos executar o plano até que Dylan deu por encerrada a reunião. Fiquei com muito medo dele tentar algo, mas para o meu alívio sua atenção foi para Karin e os dois saíram abraçados.

Brady, que havia ficado quieto durante toda a reunião, me ofereceu uma carona e eu aceitei. Ele era um cara bem enigmático, o que me fazia lembrar de Christian. Voltei à realidade quando senti meu celular vibrar.

— Alô.

— Vai demorar muito para chegar em casa? – indagou Kate.

— Não. Daqui uns quinze minutos estou chegando aí. Vai sair?

— Vou levar o casalzinho meloso para uma balada. Sem hora para voltarmos. Hoje o apartamento é todo seu, irmãzinha. Aproveita a vontade viu. Tchau – Kate disse sorrindo e desligou.

“Minha irmã estava aprontando alguma coisa, mas o que seria?” pensei enquanto Brady parava em um sinal vermelho.

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