quinta-feira, 26 de março de 2020

Maliciosamente Obsessivos - Capítulo 21


ANASTASIA

O endereço era de um bar chamado Hawthorne Bar localizado em Lakewood no condado de Pierce à meia hora de Seattle. Assim que entrei avistei Paul sentado no balcão do bar e ele estava acompanhado por Dylan, irmão mais velho de Luke.

Os Sawyer e os Dixon eram parentes e compartilhavam dos mesmos interesses. Dentre todos os membros da família Sawyer, Luke fora o único que não seguiu a tradição e escolheu terminar seus estudos para poder trabalhar honestamente.

— Olá, rapazes.

— Ana, que bom revê-la – Dylan me avaliou de cima a baixo e deu uma piscadinha – Como anda o honesto do meu irmãozinho?

— Se quer saber do Luke, então ligue você mesmo para ele.

— Ui... A gatinha está mal humorada hoje.

Ignorei Dylan e virei para Paul que me ofereceu um drinque.

— Não, obrigada. Vamos para um lugar mais reservado. Não quero ser vista com você muito menos com ele – apontei por cima do ombro para o primo dele.

— Vamos para o meu escritório. Por aqui – Dylan falou, já levantando da cadeira então nós o seguimos.

Quando entramos, notei que o local não parecia exatamente um escritório e sim uma sala de cinema com um enorme sofá branco, algumas poltronas pretas e na parede um telão.

— Posso te perguntar uma coisa, Paul? – indaguei, curiosa.

— Fale.

— Foi você que matou o Sr. Lincoln, não foi?

Paul deu um passo para trás, sorrindo, e curvou-se como se estivesse recebendo aplausos de um público invisível enquanto que Dylan ria sentado no sofá.

— O que achou, meu amor?

— Um acidente de carro... Meio clichê, não acha? – inquiri, tentando esconder meu nervosismo.

— Tive que ser rápido e não criativo – ele declarou, sentando-se ao lado do seu primo.

— O que você está planejando, Paul?

— Para poder assumir os negócios da minha família e me tornar o Rei da Cocaína matarei meu avô e meu pai, na verdade, não vai ser eu que irei matá-los e sim você.

— Eu?

— Sim e se recusar ou pensar em me denunciar, já sabe o que vai acontecer.

— Como vou fazer isso? – perguntei, me sentando numa das poltronas em frente à eles.

— Simples. Daqui a um mês acontecerá um baile de máscara no Hotel de Crillon em Paris. Esse é seu convite – ele informou enquanto Dylan me entregava um pequeno envelope – Durante a festa você convidará os dois velhotes para a suíte presidencial com o pretexto de fazer uma festinha particular com eles, então quando estiverem distraídos colocará uma substância na bebida dos dois.

— Posso saber que substância é essa?

— Não.

— Se eu te ajudar...

— Deixarei vivos, você e todo mundo que gosta.

— Também quero que deixe a Olivia em paz.

— Meu amor, você não está numa posição favorável para negociar.

— Por favor, Paul. Ela não merece entrar nesse mundo.

— Pensarei no seu pedido. Agora vem cá e agrade a mim e a meu primo.

Engoli em seco só de pensar que ficaria algumas horas com aqueles dois malucos.


★ ★ ★ ★ ★


Cheguei ao meu apartamento era por volta das quatro da manhã. Tudo em mim doía. Desde o fio de cabelo à unha do pé. Aqueles dois eram sádicos e eu tinha ficado com muitos hematomas.

“Tenho que evitar o Christian por alguns dias até que essas marcas roxas tenham desaparecido completamente do meu corpo, mas como iria fazer isso se eu trabalhava para ele?”

Minhas irmãs já haviam voltado, uma vez que estava ouvindo sons vindo dos quartos de hóspedes, então sem fazer barulho fui para o meu, pois precisava urgentemente de um banho relaxante e depois da minha cama macia onde ficaria deitada até está mais disposta.


★ ★ ★ ★ ★


Estiquei o braço para pegar meu celular que vibrava em cima da mesinha de cabeceira e esse pequeno movimento me fez gemer de dor.

— Alô.

Onde você está? – Luke falou e pareceu que estava com raiva.

— No meu quarto. Deitada. Sem intenção de levantar pelo resto da minha vida.

Nós temos uma reunião com o Grey para acertarmos os últimos detalhes sobre a decoração da mansão, lembra?

“Droga! Tinha me esquecido dessa maldita reunião hoje”

— Não estou em condições de ir. Poderia finalizar esses detalhes para mim, Luke. Por favor?

Posso. Você está doente?

— Estou. A porta do meu quarto só está encostada então entra e pega o notebook e a pasta de desenho que estão em cima da poltrona.

Segundos depois, ouvi o som de batida na porta, então me encolhi mais ainda sob os lençóis e o mandei entrar. Luke pegou o material e antes de sair, me perguntou se eu estava precisando de alguma coisa.

— Não, Luke. Minhas irmãs já estão acordadas?

— As duas saíram cedo dizendo que iam fazer compras em Olympia e que só voltariam à noite.

— Elas levaram a chave reserva?

— Sim.

— Então pega minha chave naquela bolsa preta e tranca a porta do apartamento quando você sair.

— Tudo bem. Tchau, Anastasia.

Quando Luke saiu, me levantei a muito custo e fui trancar a porta do quarto. Aproveitei que já estava em pé e fui até o banheiro, logo que retornei me aconcheguei de novo na cama com o celular perto de mim para evitar qualquer movimento que gerasse mais dor e voltei a dormir.


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Acordei novamente com o telefone vibrando. Era um e-mail.


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De: Christian Grey (christiangreycorporation@gmail.com)
Para: Anastasia K. Steele (anastasia.designer@gmail.com)
Data: 02 de dezembro de 2013, 11:23
Assunto: Doente?

Srta. Steele,

Fui informado de que a senhorita está doente. Só espero que isso não seja uma desculpa para não me encontrar hoje à noite.

P.S: O que foi fazer ontem em Lakewood?

Christian Grey
CEO da Grey Corporation

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“Como ele podia saber sobre Lakewood? Será que Christian havia me seguido?” pensei puta da vida enquanto apertava o botão de responder.


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De: Anastasia K. Steele (anastasia.designer@gmail.com)
Para: Christian Grey (christiangreycorporation@gmail.com)
Data: 02 de dezembro de 2013, 11:25
Assunto: Pessoa doente querendo dormir

Sr. Grey,

Ontem eu mandei o senhor não se meter nos meus assuntos particulares. Então... PARE DE ME PERSEGUIR, SEU DOENTE CONTROLADOR OBSESSIVO!

Anastasia K. Steele
Designer e Paisagista da W. Design

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Enviei e em seguida chegou sua resposta, mas não abri o e-mail apenas o apaguei.


★ ★ ★ ★ ★


Passei o resto do dia deitada e só levantei duas vezes: uma para ir ao banheiro e tomar um remédio para dor e outra para tomar um banho. Nem ânimo para comer eu estava tendo.

À noite, ouvi quando Luke e minhas irmãs chegaram. Eles bateram na porta do meu quarto, mas não respondi então os três se foram, talvez pensassem que eu estivesse dormindo ou coisa parecida.

No outro dia acordei com Kate batendo na porta me chamando, mandei ela me deixar em paz e joguei o cobertor por cima da cabeça voltando a dormir. Christian havia me ligado quinze vezes e em todas elas eu tinha ignorado as suas ligações.

Por volta das quatro da tarde, me levantei e tomei um banho. Meu corpo já não doía tanto então resolvi que iria sair e ir até uma lanchonete não muito longe do Escala.

Escovei os cabelos e os deixei soltos, vesti uma saia longa florida e uma blusa preta de mangas compridas que iam até abaixo do meu cotovelo, passei um pouco de base no rosto e nos pulsos para esconder as marcas roxas já o resto dos hematomas que ainda carimbavam minha pele a roupa cuidou de encobri-los.

Calcei um par de sapatilhas na cor azul, peguei uma bolsa de mão vermelha e sai do quarto. Encontrei Luke e minhas irmãs na sala assistindo um filme e comendo pizza. Kate encontrava-se jogada no sofá enquanto que Luke e Andrea estavam abraçados sentados no chão.

— Vai sair? – Kate perguntou com a boca cheia.

— Vou.

— Vai para onde? – indagou Andrea.

— Comer numa lanchonete a oito quadras daqui, por quê?

— Não vai de carro? – Luke inquiriu apontando para minhas chaves sobre uma mesinha.

— Não. Estou com vontade de andar um pouco. Algum problema nisso?

— Vai se encontrar com o Christian, não é?

— Não, Kate. Vamos parar com esse interrogatório, ok? Fui.

Passei pela recepção do Escala e a recepcionista me desejou boa tarde antes de eu atravessar as portas giratórias do prédio. Cumprimentei o porteiro que deu apenas um aceno de cabeça em resposta então segui meu caminho.

Com a proximidade do natal, as ruas de Seattle estavam aos poucos começando a ficar adornadas de enfeites natalinos. Fazia tempo que eu não caminhava então aproveitei para passar em algumas lojas e comprar alguns presentes.

Talvez eu passasse o natal sozinha no meu apartamento, já que meu pai estava brigado comigo, mesmo assim iria pelo menos mandar um presente para cada um da mansão.

Segui para a lanchonete assim que terminei minhas compras, o que não demorou muito, pois já tinha em mente o que comprar. O lugar estava meio lotado quando entrei então me sentei numa mesa bem reservada longe um pouco do alvoroço. Um rapaz apareceu e anotou meu pedido.

Minutos depois estava saboreando um hambúrguer com fritas e refrigerante quando senti um leve tremor no meu corpo, instintivamente ergui o olhar para a porta e vi Christian vindo em minha direção. Tinha chegado a hora do nosso confronto.

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