quinta-feira, 26 de março de 2020

Maliciosamente Obsessivos - Capítulo 20


ANASTASIA

Cinco minutos antes do meio-dia, Christian estacionou o Tesla em frente à calçada da mansão. Como designer e paisagista, amante de carteirinha do estilo vitoriano, não pude deixar de admirar a beleza e os detalhes da residência que se erguia a nossa frente.

Olivia se encontrava na porta e parecia preocupada, pois andava de um lado para o outro.

— Anastasia, estou feliz que tenha vindo.

— Eu também – falei enquanto retribuía seu abraço.

— Entrem.

— Você não vem? – o irmão dela perguntou.

— Meu namorado está atrasado um pouquinho, mas logo ele vai chegar, aí eu entro.

— Ok. Venha, Ana – disse Christian, puxando-me levemente pelo cotovelo.

Entramos num grande hall, o mesmo havia uma mesa redonda branca ao centro adornada com um vaso de flores, já o piso era em cerâmica preta. Christian então abriu duas portas laterais que dava para uma enorme sala de estar.

Grace veio me cumprimentar com um abraço, logo atrás havia uma jovem de cabelos e olhos castanhos claros. Christian a apresentou como Mia, sua irmã mais nova, depois foi a vez de Kayleigh, a filha mais velha de Olivia.

Elliot me cumprimentou com um aperto de mão e em seguida chamou Christian para perto de um balcão onde havia bebidas. Grace saiu para ver o andamento do almoço então Mia me puxou pelo braço, fazendo-me sentar em um sofá e começou a conversar comigo.

— Estou tão feliz pelo os meus irmãos. Elliot se interessou por sua irmã e Christian está namorando você.

— Desculpe decepcioná-la, Mia, mas eu e seu irmão não estamos namorando. Somos apenas amigos.

— Tudo bem, Ana, pelo menos você é amiga dele. Amigos é uma coisa rara para o meu irmão, desde que me conheço por gente, ele sempre foi assim – ela então se inclinou um pouco em minha direção – E obrigada por tirar o Christian do meu pé. Te devo uma.

Sorri dela e logo a pequena Mollie me perguntou sobre meus desenhos. Continuamos a conversar sobre outras coisas e de vez em quando eu e Christian trocávamos alguns olhares, e acabávamos sorrindo um para o outro.

— Pessoal, quero apresentar o meu noivo – ouvimos Olivia falar então nos levantamos e viramos.

Assim que o vi, foi como se todo o sangue do meu corpo tivesse sido drenado rapidamente. Senti um calafrio percorrer-me a espinha, antes de tudo escurecer.


★ ★ ★ ★ ★


— Ela está acordando – alguém disse antes de eu abrir os olhos.

— Você está bem, Anastasia? – Grace indagou enquanto seu filho me ajudava a sentar.

Vaguei o olhar pela sala. Christian estava ao meu lado, juntamente com sua mãe. Elliot, Olivia, Mollie e Mia se encontravam perto do sofá e mais alguns passos atrás, lá estava ele, com um imperceptível sorriso, Paul Dixon, filho do famoso traficante Mikael, mais conhecido no mundo das drogas como Mikael, o Rei da Cocaína.

— Acho que foram as panquecas do Christian que me fizeram mal – menti e dei um meio sorriso como se pedisse desculpa pelo ocorrido.

— Se foi meu irmão que fez, está explicado. Ele não sabe cozinhar – Mia exclamou rindo.

— Tem certeza de que você está bem? – Christian perguntou.

— Tenho – respondi me levantando, mas minhas pernas ainda estavam meio moles pelo reencontro com Paul então tive que me segurar em Christian para não cair.

— Irmão, acho melhor você levar a Anastasia para descansar em um dos quartos – sugeriu Olivia.

— Não é necessário, já estou melhor – murmurei.

— O almoço ainda vai demorar um pouquinho, depois vocês se juntam a nós – Grace informou.

Não queria deixar eles sozinhos com Paul, pois ele era muito perigoso, mas não tive escolha quando Christian me arrastou para fora da sala e me conduziu até um quarto no andar superior. Me deitei na cama e ele se sentou na beirada.

— O que houve lá embaixo? E nem venha dizer que você passou mal por causa das minhas panquecas, porque é mentira.

Engoli em seco. Estava dividida entre contar a verdade para alertá-lo ou mentir para protegê-lo. Optei pela última opção.

— Só foi um mal-estar.

— Espero que não esteja... – Christian parou de falar e olhou sugestivamente para minha barriga.

— Eu não estou grávida! – declarei, extremamente emburrada.

— Tem certeza? – ele indagou desconfiado, estreitando os olhos e eu revirei os meus.

— Tenho certeza, Sr. Grey. E fique tranquilo, pois daqui... – apontei para a minha barriga – ...não sairá nenhum filho seu. Agora me deixa sozinha.

Christian saiu do quarto então levantei e comecei a andar de um lado para outro enquanto tentava achar um jeito de proteger os Grey e me livrar de Paul para sempre.

— Meu Deus, me dê coragem para dizer a eles quem o Paul realmente é – pedi olhando para o teto.

— Eu não faria isso se fosse você.

Me virei assustada em direção da voz. Paul estava escorado ao lado da porta fechada e balançava o que parecia ser a chave da mesma. Ele se aproximou e me beijou, causando-me náuseas.

— Como saiu da cadeia depois de seis anos? – perguntei com a voz trêmula.

— Bom comportamento, suborno, sentença reduzida e fiança. O sistema penitenciário americano tem lá suas falhas e eu tenho meus contatos, minha querida. Quero que me encontre hoje à noite neste endereço para conversarmos mais à vontade – ele falou, já me entregando um pequeno papel.

— E se eu não quiser.

— Mandarei meus homens fazerem uma visitinha na mansão Steele, quanto à família Grey...

— Não se atreva a encostar um dedo na minha família e nem nos Grey, ouviu? Ou...

— Ou o quê sua vadia?

Ele me empurrou bruscamente para a cama e subiu em cima de mim, agarrando meus pulsos com força.

— Eu poderia te matar agora mesmo se quisesse, mas preciso de você viva para o meu plano. Então seja uma boa garota e se comporte. Até mais tarde, gatinha.

Ele saiu sorrindo e eu me encolhi abraçando as pernas, sentindo as lágrimas se manifestando. Minutos depois, fui até o banheiro do quarto, lavei o rosto e me olhei no espelho.

Me encontrava um pouco pálida então dei algumas batidas de leve no meu rosto para que o sangue voltasse a circular naquela região.


★ ★ ★ ★ ★


Estava descendo a escada quando encontrei com Christian que vinha subindo.

— Já ia te chamar. O almoço está sendo servido. Como você está?

— Bem – murmurei séria à medida que passava por ele – Vamos. Não quero fazer sua família esperar.

Quando entramos na sala de jantar Olivia veio me apresentar formalmente para o seu noivo. Claro que Paul era esperto e não usou seu nome verdadeiro e sim um falso. Para os Grey, Paul era Richard Callah, dono de um restaurante luxuoso em Los Angeles.

Durante o almoço Paul, ou melhor dizendo, Richard pediu a mão de Olivia para sua mãe, que aceitou. Respirei fundo enquanto via a família Grey abraçando os noivos, parabenizando-os. Me assustei quando de repente senti a mão de Christian sobre minha coxa, então o encarei com raiva.

— Você está estranha hoje.

— É paranoia sua – falei afastando sua mão e me levantando para abraçar Olivia enquanto tentava parecer calma – Parabéns.

— Obrigada, Anastasia. Adivinha? Quero que você e Christian sejam meus padrinhos e eu não aceito um “Não” como resposta.

— É claro que nós aceitamos – disse Christian atrás de mim, abraçando em seguida sua irmã.

Depois da sobremesa, Paul deu uma desculpa dizendo que tinha que resolver alguns assuntos de trabalho e foi embora. Toda a tensão de estar perto dele se foi assim que ele passou pela porta então comecei a conversar mais com as garotas que já discutiam sobre uma possível data para o casamento.


★ ★ ★ ★ ★


Voltamos para Seattle de tardezinha, bem na hora em que algumas pessoas também voltavam de seus finais de semana, então enfrentamos um pequeno engarrafamento de quinze minutos.

— Pensei em sairmos para jantar no restaurante da minha irmã, o que acha? – indagou Christian quando entrávamos no estacionamento subterrâneo do Escala.

— Desculpe, mas já tenho meus próprios planos para hoje à noite.

— Posso saber quais são?

— É claro que não.

Assim que ele estacionou o Tesla em sua vaga, pulei do carro e fui direto para o elevador privativo. Enquanto esperava ele chegar, Christian parou do meu lado.

— Ele já foi um dos seus clientes, não foi?

— Ele quem? – indaguei, já notando minha voz ficar trêmula pelo nervosismo.

— Richard.

— Sim, ele já foi meu cliente – menti.

— O que ele fez para você ter desmaiado só de vê-lo?

As portas do elevador se abriram e eu entrei rapidamente.

— Ele não fez nada e você não se meta nos meus assuntos particulares – disse com raiva e as portas logo se fecharam.

Suspirei aliviada por estar sozinha naquele cubículo. Christian certamente iria me interrogar na próxima vez que nos víssemos, mas agora eu tinha outra coisa para me preocupar. Meu encontro com o Paul.

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