quinta-feira, 26 de março de 2020

Maliciosamente Obsessivos - Capítulo 18


ANASTASIA

Acordei pela fraca claridade que entrava através da janela do quarto. Já era de manhã. Quando me sentei notei que havia uma bolsa de gelo, um pouco fria, amarrada sobre meu tornozelo e assim que fiquei de pé constatei que ele já não doía mais.

Fui até o armário e peguei um vestido branco de crochê e um par de rasteirinha na cor verde, essas eram algumas das poucas peças de roupas que eu tinha deixado quando passava meus dias de folga aqui na casa de praia.

Terminei de me arrumar e guardei o sapato e o vestido de festa no armário, então me ocorreu uma ideia. Recortei a foto da minha mãe e a coloquei dentro de um pingente, depois de botar o colar no pescoço, sai do quarto e fui ver se tinha algo para comer.

Encontrei Christian deitado no sofá, dormindo, e ele havia trocado de roupa, agora estava de blusa azul, calça jeans e seus sapatos se encontravam ao lado do sofá. Notei que ele abraçava a si mesmo, talvez por causa do frio, então fui até um dos quartos, peguei uma manta grossa e o cobri com cuidado.

Dei uma olhada no relógio da sala, ainda eram seis e meia. Resolvi não mexer na cozinha para não acordar Christian, em vez disso me dirigi até a varanda dos fundos e sentei na escada contemplando a praia e o horizonte.


★ ★ ★ ★ ★


— Branco não combina com você.

Me virei um pouco e o vi parado na soleira da porta.

— Bom dia, Christian. Está aí há muito tempo?

— Só alguns minutos – ele se aproximou e sentou ao meu lado – Seu tornozelo está melhor?

— Sim e obrigada pela bolsa de gelo.

— De nada e obrigado pela manta – ele disse e o notei encarar um ponto abaixo do meu queixo – Lindo colar.

Toquei no pingente e sorri.

— Era da minha mãe.

— Posso? – perguntou-me então tirei o colar e entreguei a ele. Christian o examinou por alguns segundos depois o abriu – Essa é sua mãe?

— Sim.

— Você se parece com ela.

— Em tudo – falei pensativa, segundos depois o encarei e Christian me olhava como se esperasse por algo – Está louco para saber sobre minha história, não é?

— Sim – ele admitiu me entregando o colar – Mas não quero forçá-la a me contar nada.

— Assim como está fazendo com o contrato? – indaguei enquanto colocava o colar no pescoço.

— Não estava te forçando a assiná-lo.

— Claro que não – falei sarcástica – E aquela foda no elevador foi o quê? Fala a verdade, Christian, você estava tentando me persuadir com aquilo, não era?

— Eu? Pelo o que me lembro de anteontem à noite, eu perguntei se queria continuar e você concordou.

Não revidei, pois não valia a pena em discutir com ele, porque nós dois éramos cabeça dura.

— Vamos fazer um acordo. Conto minha história e você me conta o porquê desse interesse repentino sobre mim depois de oito anos – propus e Christian concordou então olhei para o mar e respirei fundo – Eu nunca conheci minha mãe.

— Ela te abandonou?

— Não. A matei durante o parto. Tudo o que sei dela é o que Elena me contou.

— E se ela tiver mentido sobre sua mãe?

— Não. Elena não mentiu. Eu vi os vídeos e as fotos.

— Vídeos? Fotos? – Christian me olhava confuso.

— Vou começar do início e, por favor, não me interrompa.

— Sim, senhora – ele disse em tom de zombaria.

— Elena e Sarah sempre foram amigas, desde criança. Durante o ensino médio, elas conheceram o atualmente falecido Sr. Lincoln, na época ele tinha trinta anos, já mamãe e Elena estavam com apenas dezesseis. Raul primeiro seduziu minha mãe e mostrou-lhe o mundo da submissão. Ela encantada por aquela novidade convidou Elena, então as duas se tornaram as subs do Sr. Lincoln. Quando minha mãe entrou para a faculdade, ela conheceu meu pai e deixou de ser uma submissa. Mamãe conseguiu esconder seu segredo por alguns anos até que meu pai descobriu e os dois brigaram feio. Dessa briga, minha mãe passou mal e foi parar no hospital. A pressão dela subiu o que me colocou em risco então o médico resolveu induzi-la ao parto. Nasci de sete meses e fiquei na U.T.I até ganhar peso e meus pulmões se desenvolverem por completo. Estava sozinha no mundo, pois minha mãe não havia resistido ao parto e meu pai por estar com raiva não me queria. Elena que tinha acabado de se casar com o Sr. Lincoln me pegou para criar, mas quando eu completei três anos, Raymond apareceu e me levou para casa. Raul era muito apegado a mim e devido à minha partida ele acabou se separando de Elena, foi quando ela deixou de ser uma submissa e passou a ser uma Domme. Eu tinha um quarto só para mim na casa dela então sempre ia visitá-la nas férias e foi numa dessas visitas que eu ti vi.

— Me viu? – Christian me encarou assustado.

— Sim. Foi num sábado à noite. Eu tinha quinze anos na época e estava deitada na cama quando ouvi o carro da Elena chegar. Ela foi me dar boa noite e disse que estaria com visita. Entendi seu recado imediatamente. Elena nunca chegou a me dizer exatamente o que ela fazia, mas sempre me dizia que quando estivesse com visita era para eu ficar trancada no meu quarto até que ela aparecesse de novo. Assim que ela saiu, minha curiosidade falou mais alto então esperei por uma hora e fui espiar o que Elena fazia. Ela estava ao telefone e nem me notou quando passei pelo corredor indo rumo ao porão. Quando desci adentrando aquele lugar esquisito eu te vi amarrado numa cama, nu, amordaçado e de olhos vendados. Me assustei com a cena e ia te soltar, mas escutei passos então me escondi debaixo da cama e fiquei lá a noite toda, ouvindo vocês transarem. Elena me encontrou no outro dia e perguntou o que eu tinha escutado então contei. Pedi para que ela me ensinasse tudo sobre aquele mundo estranho e excitante. Elena ligou para o ex-marido e falou o que tinha acontecido então no outro dia ela me levou para a casa dele onde passei uma semana.

— Foi o Sr. Lincoln que te ensinou como ser uma submissa?

— Aprendi o básico na semana que passei com ele. Elena ficou responsável pelo resto do meu treinamento até eu completar dezessete anos e ela me dá para você como seu presente de aniversário.

— Se você se tornou uma submissa com quinze anos, por que mentiu para mim quando disse que era nova naquilo?

— Não menti. Eu nunca tinha tido um Mestre antes. Elena e Raul foram apenas meus mentores. O Sr. Lincoln nunca transou comigo.

— Então você era virgem quando... – Christian parou de falar e me encarou assustado.

— Nós transamos? – conclui por ele – Sim e não. Sim, porque nunca havia ficado com nenhum homem antes de você. E não, porque não possuía mais o hímen, pois o Sr. Lincoln já havia me penetrado com um pequeno vibrador durante uma sessão de treinamento.

— Por que não me disse?

— Por que não faria diferença. Se isso te consola nem doeu, e se doeu eu não senti nada. Depois daquela noite em que você me espancou eu fiquei traumatizada e nunca mais quis ser uma submissa, porém você já havia feito eu ficar viciada em sexo então acabei me tornando uma “acompanhante” de luxo. Pronto. Contei sobre mim, agora é sua vez. Por que está tão interessado que eu seja sua submissa novamente? Christian? Está me escutando? Olá? Tem alguém aí dentro? – falei batendo de leve na cabeça dele, mas ele estava com o olhar fixo no horizonte – Quer saber, você me conta depois. Estou indo ver se tem algo para comer.

Me levantei e adentrei na casa indo direto nos armários da cozinha, os mesmos se encontravam vazios.

— Droga! Sem comida – reclamei então peguei o telefone fixo e liguei para o celular da Andrea, pois sabia que Kate estaria ocupada demais para me atender – Bom dia, Andrea.

Bom dia para você também, mas eu não sou a Andrea – disse Luke sorrindo – Ela está no banheiro.

— Oi Luke, você poderia me fazer um favor? – indaguei me sentando na bancada da cozinha.

Claro.

— Pede para a Andrea ir até o meu quarto, arrumar todas as minhas coisas em algumas malas e trazer aqui na casa de praia. Ah e pede também para ela trazer o meu carro.

Já vai voltar?

— Vou... e estou indo morar em Seattle definitivamente.

Por quê?

— Vários fatores.

Posso saber...

— Depois te conto, prometo – falei o interrompendo e olhando para Christian que tinha acabado de entrar na cozinha – Faz isso para mim agora Luke, tá?

Está bem.

Desliguei e encarei Christian que havia se escorado na pia à minha frente.

— Posso mudar o nosso jantar para um café da manhã no meu apartamento em Seattle?

— Claro, mas você não vai se despedir da sua família?

— Não. Se esqueceu de que meu pai me expulsou de casa e não quer me ver nem pintada de ouro então para evitar mais brigas e sofrimento, eu não vou pisar os pés na mansão – murmurei e suspirei triste – Estou sozinha no mundo de novo.

— Não está não – disse Christian se aproximando de mim depois tocou no meu queixo fazendo com que eu o olhasse profundamente – Você tem suas irmãs, seus amigos e eu estou aqui com você.

— Grande coisa – o empurrei saindo de cima da bancada indo para a sala – Prefiro ter como companhia o diabo em pessoa do que você.

— Então me considera um monstro tão desprezível que nem minha companhia te agrada?

Me levantei do sofá que tinha acabado de me sentar e fui até ele que estava escorado em uma coluna de madeira na sala.

— Desculpe, não queria ter te magoado.

— Tudo bem. Você está certa. Eu sou um monstro desprezível mesmo.

— Todo mundo tem um monstro dentro de si mesmo. Você apenas deixa o seu se expor uma vez. Agora me conta – puxei ele pela mão voltando para o sofá – Porque está tão interessado que eu seja sua submissa novamente?

— Para te pedir desculpas...

— Nossa, que pedido de desculpas mais estranho – o interrompi irônica e Christian fechou a cara – Desculpe, continue.

— Nesses cinco anos que passei casado com a Leila, mantivemos uma relação meio baunilha e depois que ela morreu realmente achei que o mundo tinha acabado, pois eu gostava muito dela. Passei dias trancado na minha cobertura até que recebi a visita da Elena, o que achei meio estranho já que ela tinha se afastado depois do meu casamento. Nós conversamos por algumas horas até que ela me sugeriu a voltar a ser um Dominador, mas antes eu deveria pedir desculpa a você para que minha consciência ficasse totalmente em paz. Elena me disse onde te encontrar, mas quando te vi na festa não tive coragem o suficiente para chegar perto de você e durante o nosso rápido encontro na biblioteca percebi que seria muito difícil conseguir ter seu perdão de volta. Depois do tapa que me deu, uma ideia surgiu na minha mente. Se era para voltar a ser um Dominador, eu queria que você fosse minha submissa. Naquela mesma noite descobri onde você trabalhava e liguei para sua chefe. O resto da história você já sabe – ele falou depois se inclinou sobre mim erguendo a mão e puxou meu queixo para baixo, foi só então que percebi o que estava fazendo – Leila também mordia o lábio desse jeito.

— Você vai me comparar a ela agora? – indaguei o encarando então meu olhar repousou sobre seus lábios onde sua língua passeava por cima deles de um jeito sexy e muito tentador – Está me provocando, Sr. Grey? – perguntei sem conseguir desviar o olhar de sua boca.

— Não sei – ele sussurrou quase encostando seus lábios nos meus – Estou lhe provocando, Srta. Steele?

Unindo nossas bocas em um beijo pude sentir quando ele deslizou sua mão do meu queixo para dentro do decote do vestido.

Soltei um pequeno gemido no instante que Christian começou a massagear um dos meus mamilos então instintivamente guiei a mão até a sua calça para lhe retribuir a deliciosa massagem.

Num movimento rápido ele me deitou no sofá ficando por cima de mim e começou a acariciar-me enquanto nossas bocas travavam uma doce guerra, mas ele parou sua mão no meio da minha coxa assim que escutamos o som de carros se aproximando.

— Deve ser a Andrea e o Luke – informei meio ofegante.

— Iremos terminar isso aqui após o nosso café da manhã – sussurrou no meu ouvido depois se levantou e subiu a escada.

Tentei me recompor um pouco antes de ir até a varanda da frente. Assim que cheguei lá vi Andrea saltar do meu Volvo e correr até mim.

— Por que está indo embora hoje? – minha irmã perguntou.

— Trabalho – menti.

— O Luke precisa ir também?

— O projeto é meu, Andrea. Se o Luke quiser, ele pode ficar aqui até quarta-feira.

Um sorriso de orelha a orelha surgiu no rosto da minha irmã. Luke saiu do Porsche vermelho da Andrea e veio me cumprimentar, logo eles foram embora então Christian apareceu na varanda.

— Vamos? – perguntei.

Ele assentiu então fechei a casa de praia e partimos rumo à Seattle.

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