ANASTASIA
Estava vendo alguns casais dançando, inclusive minhas irmãs quando Christian se levantou e me chamou para dançar também. Hesitei, mas por fim aceitei seu convite e ele me conduziu até a pista, porém estremeci assim que o senti tocar minha costa nua pelo decote do vestido.
— Não vou te machucar, Ana – ele sussurrou enquanto dávamos os primeiros passos.
— Eu sei, mas meu corpo não confia em você.
— Espero reconquistá-lo em breve.
Seguimos a dança em silêncio apenas trocando alguns olhares discretos de vez em quando, depois retornamos para a nossa mesa. Os noivos chamaram a atenção de todos e fizeram um brinde, em seguida cortaram o bolo.
— Dentro de cinco minutos a noiva jogará o buquê. As moças que desejarem participar, por favor, venham para o centro – informou o mestre de cerimônia ao microfone.
— Vocês vão tentar pegar o buquê? – Elliot perguntou então eu e minhas irmãs nos entreolhamos e caímos na gargalhada.
— Não entendi qual foi a piada, meninas – Luke falou e olhou para minha irmã – Andrea?
— Espera amor... deixa eu conseguir... parar de rir...
— Oh meu Deus... – falei respirando fundo, conseguindo me controlar um pouco – Nós não vamos.
— E porquê não? – indagou Christian, me olhando de lado.
— Porque nenhuma de nós quer casar – Kate respondeu, já mais calma também.
— A probabilidade de vocês pegarem o buquê é de uma em um milhão – Christian disse em seu tom irritante de sabe tudo – A não ser que as três estejam com medo de ir, é claro.
— Está nos desafiando, Sr. Grey? – indaguei séria.
— Sim. Eu estou, Srta. Steele.
— E não é só ele – Elliot falou e Luke concordou também.
Minhas irmãs e eu nos levantamos e fomos para onde algumas jovens desesperadas se acotovelavam no intuito de pegar o tal sonhado buquê da noiva. Nós preferimos ficar bem atrás do grupo de mulheres então Carla se posicionou de costa para nós, dando início a contagem e jogou o buquê.
Eu estava distraída comentando com Kate algo sobre as desesperadas, que quando dei por mim foi pela coisa atingindo o meu peito, então não tive outra alternativa e o segurei, todos me olharam chocados até mesmo minhas irmãs que estavam do meu lado.
— Parabéns, Anastasia! – felicitou-me Carla sorrindo.
— Quero o meu netinho o mais rápido possível! – meu pai gritou e riu levantando uma taça de champanhe como se fizesse um brinde.
Sorri sem graça e voltei para a mesa, direcionando meu olhar mortal para Christian.
— Foda-se a sua probabilidade – sussurrei jogando o buquê em cima dele já me sentando ao seu lado, emburrada.
— Então... quando é que os pombinhos vão casar?
— Nunca. E ver se me erra, Kate – comentei fuzilando tanto ela quanto Andrea que sorria também.
— Quando é que tu vai criar coragem para pedir a Ana em casamento, hein Christian? Nem parece meu irmão.
Rolei os olhos, já farta daquele assunto então me levantei com raiva.
— Para onde você vai? – Christian inquiriu segurando minha mão que logo tratei de puxar, rompendo o nosso contato.
— Não é da sua conta. Por acaso virou o meu pai agora? – rebati e sai pisando fundo para longe, mas antes de alcançar a porta dos fundos da mansão, parei para conversar com um amigo.
Max era sobrinho da Carla e tínhamos estudado na mesma faculdade, porém em cursos diferentes e só nos víamos nas festas clandestinas do campus. Fora através de nossa ligação que Carla e meu pai acabaram se conhecendo. O convidei para dançar e o mesmo aceitou.
— Lembra daquelas duas músicas que nós dançamos naquela festa na Irmandade Beta? – perguntei e ele riu discretamente.
— Oh se lembro. Me rendeu uma bela de uma foda. Mas você não tem namorado não, né? Porque não quero me meter em briga com namorado ciumento.
— Sou solteira, livre, leve e solta.
— Jura? E aquele homem nos fuzilando daquela mesa é o quê?
Me virei e vi Christian nos encarando então dei de ombros e voltei a olhar para o meu amigo.
— Não se preocupe, não é ninguém.
— Ok então.
— Eu vou dar um jeito no meu vestido enquanto você prepara as músicas, tá?
Max assentiu então pedi para uma das empregadas uma tesoura e assim que ela voltou, pedi que ela cortasse a saia do meu vestido bem na altura do meio da minha coxa e assim a mesma o fez, deixando ele agora bem rodado.
Agradeci enquanto soltava meu cabelo e me aproximei do meu amigo que se encontrava no meio da pista, agora vazia.
— Está pronta?
Assenti então ele fez sinal para o mestre de cerimônia que ligou um Ipod conectado a uma das caixas de som e à medida que os primeiros acordes da primeira música se iniciava nós nos posicionamos para começar a dançar.
Assim que a última música terminou, sorri para o Max e nós nos abraçamos enquanto escutávamos os aplausos, assovios e gritos dos convidados. Os noivos vieram nos abraçar também, nos parabenizando pela dança que tinha dado um up na festa deles.
De repente, passei a sentir uma dorzinha incômoda no tornozelo então pedi licença aos três e voltei para a mesa, desviando de alguns casais que retornavam para a pista de dança.
— Arrazou, Aninha! Meu pau te ama – ouvi Luke dizer quando parei rente a mesa e todos nós o encaramos – É pai. A palavra certa é pai. Corretor filho da puta esse, né?
— Nem vem com essa desculpa de corretor, que tu nem digitando estava, seu desgraçado.
— Meu pau também te ama, amor.
— E minha boceta te odeia – minha irmã rebateu emburrada fazendo Elliot, Kate e eu rir.
De repente, senti uma mão forte em minha cintura e me vi sendo conduzida para a pista de dança por um Christian com uma expressão dura.
— Estou com o pé doendo – anunciei.
— Foda-se o seu pé. Eu quero dançar com você agora e é isso que eu vou fazer – ele falou parando e me puxando bruscamente para perto dele, prendendo-me forte em seus braços.
Mal começamos a dar os primeiros passos ao som de uma música lenta, que logo Elena apareceu nos interrompendo.
— Preciso conversar com você agora, Christian – ela disse e notei uma pitada de raiva em sua voz.
— Estou ocupado ago...
— Não foi um pedido e sim uma ordem – Elena ressaltou firme, em sua postura de Mentora, pegando no ombro dele depois me encarou – Nos deixe a sós, por favor, Anastasia.
Assenti então Christian me soltou e eu me encaminhei de volta para a mesa, mas antes de chegar olhei para trás e vi ambos se encaminhando para dentro da mansão. Minha curiosidade deu um estalo então fui atrás deles.
“Onde será que eles estavam?” pensei enquanto passava perto da biblioteca, quando de repente escutei vozes vindas de dentro do lugar.
— ...e não vou deixar que você machuque ela de novo – ouvi Elena dizer assim que me aproximei mais, então abri as portas da biblioteca e vi ela e Christian, perto um do outro.
— O que está acontecendo aqui? – indaguei adentrando a sala.
— Oh minha menina... – Elena exclamou vindo me abraçar – Não se preocupe, meu anjo. Eu estou aqui para te proteger. Ninguém nunca mais vai te machucar, nem mesmo o Christian de novo.
— Do que você está falando? – inquiri me desvencilhando dela e encarando ele, o mesmo estava de cabeça baixa olhando fixamente para um monte de papel picado jogado a seus pés.
— Achei o contrato e...
— Você não tinha o direito de mexer nas minhas coisas – a interrompi indo até o monte de papel e constatando que se referiam as folhas do contrato.
— Eu queria saber o que estava acontecendo. Ethan me contou que você estava estranha e...
— Nem você e nem o Ethan tem o direito de se meterem na minha vida! – gritei me levantando e ficando ao lado de Christian.
— Tenho direito sim! Eu sou sua mãe!
— Não, você não é! Minha mãe está morta! Quer saber de uma coisa? A partir de hoje não sou mais uma Secret Angel! Procure outra garota para ser a sua prostituta favorita! Jodie sempre cobiçou seu favoritismo por mim, então dê a ela sua atenção materna! E se vou ser ou não uma submissa, isso é problema meu!
— Anastasia!
Me virei assustada pelo grito e vi meu pai e Carla parados à porta. Pela expressão de seus rostos era óbvio que eles tinham escutado a nossa conversa.
— Pai, eu posso expli...
— É verdade o que acabei de ouvir? – ele indagou ríspido, me fazendo retrair de medo.
— Sim, mas se o senhor me deixar expli...
— Cale a boca!
Meu pai adentrou a biblioteca vindo para cima de mim com sua mão levantada, mas Carla e Elena o seguraram bem a tempo enquanto que Christian se colocou à minha frente, me protegendo do tapa.
— Raymond, tente se acalmar pelo amor de Deus! É o nosso casamento, não faça dele um escândalo. Amanhã vocês têm essa conversa de pai e filha – disse Carla.
— Filha? Não tenho uma filha prostituta muito menos que gosta de ser submissa de alguém. A partir deste momento não me conduza mais a palavra e esteja ciente de que está fora do meu testamento. Arrume suas coisas, pois nesta casa você não ficará mais!
— Pai, por favor – supliquei sentindo meus olhos ralos de água.
— Você me decepcionou. Se tornou uma qualquer igual a sua mãe.
Não consegui mais aguentar aquelas ofensas e sai da biblioteca esbarrando em alguns convidados à medida que passava pelo jardim, indo em direção à praia.
Assim que alcancei a faixa de areia, tirei meus sapatos e comecei a andar enquanto chorava. Estava um pouco claro devido às luzes da festa e da lua cheia então não tive problema em achar a trilha que dava acesso à casa de praia.
— Anastasia? – ouvi a voz de Christian e olhei para trás vendo-o alguns metros de distância, então comecei a correr, me afastando o máximo dele.
O ouvi gritar por mim mais algumas vezes, mas não queria parar, precisava desesperadamente da minha mãe. Senti meu tornozelo doer mais forte durante a corrida, porém eu já conseguia ver a alguns metros adiante a fraca luz da varanda da casa de praia então me esforcei em continuar o caminho.
Quando alcancei a casa, fui até o lugar secreto onde guardava a chave e abri a porta. Fiz caretas de dor, caxingando à medida que subia a escada indo direto para o quarto do sótão. Para o meu refúgio.
Assim que adentrei tirei o pequeno baú vermelho com bolinhas brancas do armário e me sentei no meio da cama com ele. Dentro do baú estavam as coisas da minha mãe ou o que eu tinha conseguido reunir sobre ela.
Havia algumas joias e diversas fotos, em quase todas, mamãe aparecia com o rosto escondido, mas existia uma em que mostrava o seu rosto e ela sorria, foi essa foto que eu peguei.
Me deitei aconchegando o baú e a foto em meus braços e adormeci pensando em como daria toda a minha fortuna para que ela estivesse aqui comigo.
Estava vendo alguns casais dançando, inclusive minhas irmãs quando Christian se levantou e me chamou para dançar também. Hesitei, mas por fim aceitei seu convite e ele me conduziu até a pista, porém estremeci assim que o senti tocar minha costa nua pelo decote do vestido.
— Não vou te machucar, Ana – ele sussurrou enquanto dávamos os primeiros passos.
— Eu sei, mas meu corpo não confia em você.
— Espero reconquistá-lo em breve.
Seguimos a dança em silêncio apenas trocando alguns olhares discretos de vez em quando, depois retornamos para a nossa mesa. Os noivos chamaram a atenção de todos e fizeram um brinde, em seguida cortaram o bolo.
— Dentro de cinco minutos a noiva jogará o buquê. As moças que desejarem participar, por favor, venham para o centro – informou o mestre de cerimônia ao microfone.
— Vocês vão tentar pegar o buquê? – Elliot perguntou então eu e minhas irmãs nos entreolhamos e caímos na gargalhada.
— Não entendi qual foi a piada, meninas – Luke falou e olhou para minha irmã – Andrea?
— Espera amor... deixa eu conseguir... parar de rir...
— Oh meu Deus... – falei respirando fundo, conseguindo me controlar um pouco – Nós não vamos.
— E porquê não? – indagou Christian, me olhando de lado.
— Porque nenhuma de nós quer casar – Kate respondeu, já mais calma também.
— A probabilidade de vocês pegarem o buquê é de uma em um milhão – Christian disse em seu tom irritante de sabe tudo – A não ser que as três estejam com medo de ir, é claro.
— Está nos desafiando, Sr. Grey? – indaguei séria.
— Sim. Eu estou, Srta. Steele.
— E não é só ele – Elliot falou e Luke concordou também.
Minhas irmãs e eu nos levantamos e fomos para onde algumas jovens desesperadas se acotovelavam no intuito de pegar o tal sonhado buquê da noiva. Nós preferimos ficar bem atrás do grupo de mulheres então Carla se posicionou de costa para nós, dando início a contagem e jogou o buquê.
Eu estava distraída comentando com Kate algo sobre as desesperadas, que quando dei por mim foi pela coisa atingindo o meu peito, então não tive outra alternativa e o segurei, todos me olharam chocados até mesmo minhas irmãs que estavam do meu lado.
— Parabéns, Anastasia! – felicitou-me Carla sorrindo.
— Quero o meu netinho o mais rápido possível! – meu pai gritou e riu levantando uma taça de champanhe como se fizesse um brinde.
Sorri sem graça e voltei para a mesa, direcionando meu olhar mortal para Christian.
— Foda-se a sua probabilidade – sussurrei jogando o buquê em cima dele já me sentando ao seu lado, emburrada.
— Então... quando é que os pombinhos vão casar?
— Nunca. E ver se me erra, Kate – comentei fuzilando tanto ela quanto Andrea que sorria também.
— Quando é que tu vai criar coragem para pedir a Ana em casamento, hein Christian? Nem parece meu irmão.
Rolei os olhos, já farta daquele assunto então me levantei com raiva.
— Para onde você vai? – Christian inquiriu segurando minha mão que logo tratei de puxar, rompendo o nosso contato.
— Não é da sua conta. Por acaso virou o meu pai agora? – rebati e sai pisando fundo para longe, mas antes de alcançar a porta dos fundos da mansão, parei para conversar com um amigo.
Max era sobrinho da Carla e tínhamos estudado na mesma faculdade, porém em cursos diferentes e só nos víamos nas festas clandestinas do campus. Fora através de nossa ligação que Carla e meu pai acabaram se conhecendo. O convidei para dançar e o mesmo aceitou.
— Lembra daquelas duas músicas que nós dançamos naquela festa na Irmandade Beta? – perguntei e ele riu discretamente.
— Oh se lembro. Me rendeu uma bela de uma foda. Mas você não tem namorado não, né? Porque não quero me meter em briga com namorado ciumento.
— Sou solteira, livre, leve e solta.
— Jura? E aquele homem nos fuzilando daquela mesa é o quê?
Me virei e vi Christian nos encarando então dei de ombros e voltei a olhar para o meu amigo.
— Não se preocupe, não é ninguém.
— Ok então.
— Eu vou dar um jeito no meu vestido enquanto você prepara as músicas, tá?
Max assentiu então pedi para uma das empregadas uma tesoura e assim que ela voltou, pedi que ela cortasse a saia do meu vestido bem na altura do meio da minha coxa e assim a mesma o fez, deixando ele agora bem rodado.
Agradeci enquanto soltava meu cabelo e me aproximei do meu amigo que se encontrava no meio da pista, agora vazia.
— Está pronta?
Assenti então ele fez sinal para o mestre de cerimônia que ligou um Ipod conectado a uma das caixas de som e à medida que os primeiros acordes da primeira música se iniciava nós nos posicionamos para começar a dançar.
Assim que a última música terminou, sorri para o Max e nós nos abraçamos enquanto escutávamos os aplausos, assovios e gritos dos convidados. Os noivos vieram nos abraçar também, nos parabenizando pela dança que tinha dado um up na festa deles.
De repente, passei a sentir uma dorzinha incômoda no tornozelo então pedi licença aos três e voltei para a mesa, desviando de alguns casais que retornavam para a pista de dança.
— Arrazou, Aninha! Meu pau te ama – ouvi Luke dizer quando parei rente a mesa e todos nós o encaramos – É pai. A palavra certa é pai. Corretor filho da puta esse, né?
— Nem vem com essa desculpa de corretor, que tu nem digitando estava, seu desgraçado.
— Meu pau também te ama, amor.
— E minha boceta te odeia – minha irmã rebateu emburrada fazendo Elliot, Kate e eu rir.
De repente, senti uma mão forte em minha cintura e me vi sendo conduzida para a pista de dança por um Christian com uma expressão dura.
— Estou com o pé doendo – anunciei.
— Foda-se o seu pé. Eu quero dançar com você agora e é isso que eu vou fazer – ele falou parando e me puxando bruscamente para perto dele, prendendo-me forte em seus braços.
Mal começamos a dar os primeiros passos ao som de uma música lenta, que logo Elena apareceu nos interrompendo.
— Preciso conversar com você agora, Christian – ela disse e notei uma pitada de raiva em sua voz.
— Estou ocupado ago...
— Não foi um pedido e sim uma ordem – Elena ressaltou firme, em sua postura de Mentora, pegando no ombro dele depois me encarou – Nos deixe a sós, por favor, Anastasia.
Assenti então Christian me soltou e eu me encaminhei de volta para a mesa, mas antes de chegar olhei para trás e vi ambos se encaminhando para dentro da mansão. Minha curiosidade deu um estalo então fui atrás deles.
“Onde será que eles estavam?” pensei enquanto passava perto da biblioteca, quando de repente escutei vozes vindas de dentro do lugar.
— ...e não vou deixar que você machuque ela de novo – ouvi Elena dizer assim que me aproximei mais, então abri as portas da biblioteca e vi ela e Christian, perto um do outro.
— O que está acontecendo aqui? – indaguei adentrando a sala.
— Oh minha menina... – Elena exclamou vindo me abraçar – Não se preocupe, meu anjo. Eu estou aqui para te proteger. Ninguém nunca mais vai te machucar, nem mesmo o Christian de novo.
— Do que você está falando? – inquiri me desvencilhando dela e encarando ele, o mesmo estava de cabeça baixa olhando fixamente para um monte de papel picado jogado a seus pés.
— Achei o contrato e...
— Você não tinha o direito de mexer nas minhas coisas – a interrompi indo até o monte de papel e constatando que se referiam as folhas do contrato.
— Eu queria saber o que estava acontecendo. Ethan me contou que você estava estranha e...
— Nem você e nem o Ethan tem o direito de se meterem na minha vida! – gritei me levantando e ficando ao lado de Christian.
— Tenho direito sim! Eu sou sua mãe!
— Não, você não é! Minha mãe está morta! Quer saber de uma coisa? A partir de hoje não sou mais uma Secret Angel! Procure outra garota para ser a sua prostituta favorita! Jodie sempre cobiçou seu favoritismo por mim, então dê a ela sua atenção materna! E se vou ser ou não uma submissa, isso é problema meu!
— Anastasia!
Me virei assustada pelo grito e vi meu pai e Carla parados à porta. Pela expressão de seus rostos era óbvio que eles tinham escutado a nossa conversa.
— Pai, eu posso expli...
— É verdade o que acabei de ouvir? – ele indagou ríspido, me fazendo retrair de medo.
— Sim, mas se o senhor me deixar expli...
— Cale a boca!
Meu pai adentrou a biblioteca vindo para cima de mim com sua mão levantada, mas Carla e Elena o seguraram bem a tempo enquanto que Christian se colocou à minha frente, me protegendo do tapa.
— Raymond, tente se acalmar pelo amor de Deus! É o nosso casamento, não faça dele um escândalo. Amanhã vocês têm essa conversa de pai e filha – disse Carla.
— Filha? Não tenho uma filha prostituta muito menos que gosta de ser submissa de alguém. A partir deste momento não me conduza mais a palavra e esteja ciente de que está fora do meu testamento. Arrume suas coisas, pois nesta casa você não ficará mais!
— Pai, por favor – supliquei sentindo meus olhos ralos de água.
— Você me decepcionou. Se tornou uma qualquer igual a sua mãe.
Não consegui mais aguentar aquelas ofensas e sai da biblioteca esbarrando em alguns convidados à medida que passava pelo jardim, indo em direção à praia.
Assim que alcancei a faixa de areia, tirei meus sapatos e comecei a andar enquanto chorava. Estava um pouco claro devido às luzes da festa e da lua cheia então não tive problema em achar a trilha que dava acesso à casa de praia.
— Anastasia? – ouvi a voz de Christian e olhei para trás vendo-o alguns metros de distância, então comecei a correr, me afastando o máximo dele.
O ouvi gritar por mim mais algumas vezes, mas não queria parar, precisava desesperadamente da minha mãe. Senti meu tornozelo doer mais forte durante a corrida, porém eu já conseguia ver a alguns metros adiante a fraca luz da varanda da casa de praia então me esforcei em continuar o caminho.
Quando alcancei a casa, fui até o lugar secreto onde guardava a chave e abri a porta. Fiz caretas de dor, caxingando à medida que subia a escada indo direto para o quarto do sótão. Para o meu refúgio.
Assim que adentrei tirei o pequeno baú vermelho com bolinhas brancas do armário e me sentei no meio da cama com ele. Dentro do baú estavam as coisas da minha mãe ou o que eu tinha conseguido reunir sobre ela.
Havia algumas joias e diversas fotos, em quase todas, mamãe aparecia com o rosto escondido, mas existia uma em que mostrava o seu rosto e ela sorria, foi essa foto que eu peguei.
Me deitei aconchegando o baú e a foto em meus braços e adormeci pensando em como daria toda a minha fortuna para que ela estivesse aqui comigo.

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