ANASTASIA
Havia dispensado o almoço com a intenção de agilizar os preparativos para a minha breve temporada em Seattle.
Trabalhar para Christian seria uma tarefa muito difícil, mas se eu havia conseguido aprender a andar novamente, com certeza iria ter força suficiente para não sucumbir às provocações do meu ex-Mestre.
“Assim eu espero”
De repente um calafrio percorreu minha espinha.
Ser novamente submissa ao Grey, mesmo não sendo do jeito que era antes, me causava um frio no estômago e o fato do meu apartamento ser no mesmo prédio que o dele também não me ajudava em nada.
Oito anos já haviam se passado desde aquela noite horrível, mas até hoje as lembranças ainda me assombravam. Fechei o zíper da última mala e peguei a pasta do projeto.
— Não sei quais são seus planos, Christian, mas eu juro que não vou deixar você me fazer de brinquedo novamente – murmurei colocando a pasta em cima da mesinha de cabeceira.
— Anastasia!
Me virei a tempo de ver duas criaturas vestidas com biquínis invadirem o quarto, ambas estavam eufóricas e ofegantes.
— O que houve? – indaguei assustada.
— Anastasia do céu! O que você fez, sua maluca? – Andrea perguntou-me se sentando na cama.
— O que eu fiz? Como assim?
— Tem um deus grego lá embaixo querendo falar com você – disse Kate com um sorriso cínico e meu pensamento foi direto em Christian, fechei os olhos pedindo mentalmente que não fosse ele.
— Acho que eles são da polícia – informou Andrea chamando minha atenção.
— Polícia?
“Só pode ser obra do Christian” pensei furiosa já saindo do quarto.
Parei no alto da escada e observei o casal que se encontravam no hall, ambos vestiam sobretudos pretos.
O homem era alto, moreno e com corte de cabelo estilo militar, já a mulher que o acompanhava era loira e um pouco mais baixa que o homem, seu cabelo era longo e estava amarrado feito rabo de cavalo.
Respirei fundo e comecei a descer os degraus lentamente chamando a atenção deles.
— Srta. Anastasia Steele? – indagou o cara moreno.
— Sim, em que posso ajudá-los?
— Somos da polícia de Seattle. Sou o detetive Davis e está aqui é a detetive Price. Gostaríamos de falar com a senhorita sobre Leila Grey.
— Claro. Vamos por aqui – falei e os conduzi até a biblioteca. Ambos se sentaram no sofá e a detetive Price pegou uma caderneta começando a escrever nela – O que querem saber? – indaguei me sentando em uma poltrona próxima à eles.
— A senhorita conhecia Leila Grey? – Davis perguntou.
— Sim.
— Como era seu relacionamento com ela?
— Não existia relacionamento entre nós. Ela não gostava de mim e eu muito menos dela – retruquei e Davis me olhou desconfiado enquanto que a outra detetive anotava tudo que eu dizia.
— Por acaso o motivo da antipatia entre vocês duas seria o Sr. Grey?
— Sim, detetive – respondi e ambos se entreolharam em uma rápida e muda conversa.
— A senhorita já conhecia o Sr. Grey antes dele se casar? – Davis seguiu com as perguntas novamente.
— Sim.
— Como é seu relacionamento com ele?
— Eu simplesmente não gosto dele – falei com raiva.
— Me especifique o porquê?
— Desculpe detetive, mas não posso falar sobre isso. Se quiser saber pergunte ao próprio Sr. Grey.
— Onde a senhorita estava no dia quatorze de outubro por volta das seis às oito da noite?
— Em uma festa.
— Onde?
— Em Portland.
— Alguém pode confirmar?
— Meu acompanhante o Sr. Ethan Kavanagh e mais cinquenta pessoas. Posso saber o porquê de tantas perguntas?
— Estamos investigando a morte de Leila Grey e Louise Hyde – Price falou sem tirar sua atenção da caderneta.
— Mas Jack me disse que havia sido um acidente.
— Então a senhorita conhece o Sr. Hyde?
— É claro. Ele é um dos motoristas do Sr. Kavanagh.
— Como é seu relacionamento com o Sr. Hyde?
— Ótimo. Ele, a esposa e a filha já passaram alguns finais de semana na casa de praia que tenho aqui perto.
De repente a conversa foi interrompida por Eliel Browne, um dos nossos novos motoristas. Eu pude ver o medo nos olhos verdes do jovem rapaz quando o mesmo entrou timidamente na biblioteca.
— Perdão, Srta. Steele.
— Tudo bem, Eliel. Pode falar.
— Gostaria de saber qual carro a senhorita pretende usar?
— O Nissan ainda está em manutenção? – perguntei.
— Sim, senhorita.
— Então usarei o Volvo. Minhas malas estão no quarto. Coloque-as no carro, por favor.
— Sim, Srta. Steele. Com licença.
— Pretende viajar? – Davis perguntou assim que o motorista saiu.
— Sim, detetive. Estou indo morar em Seattle por causa de um trabalho que irei fazer. Se os senhores não tiverem mais perguntas, eu tenho uma reunião às três e meia e não posso me atrasar.
— Claro. Obrigado por responder as perguntas.
— Passar bem, Srta. Steele – a detetive Price disse e ambos apertaram minha mão.
Acompanhei os policiais até a porta da frente depois retornei ao meu quarto. Verifiquei a hora, olhei-me no espelho e decidi que não precisava trocar de roupa, pois daria tempo suficiente para chegar no apartamento antes de ir para a reunião.
Peguei minha bolsa azul turquesa, a pasta do projeto, meu celular e sai fechando a porta do quarto com a chave para impedir que minhas irmãs fossem assaltar meu closet.
Deduzi que Kate e Andrea deveriam ter retornado para a piscina então me dirigi até lá. Assim que pisei no gramado observei o céu ensolarado e sorri, pois aquele clima era tecnicamente raro, principalmente nesta época do ano.
— Vamos te visitar a qualquer hora dessas – prometeu Kate colocando os óculos de sol.
— Podem ir. Tchau meninas.
— Tchau, Anastasia – ambas responderam ainda deitadas em suas espreguiçadeiras à margem da piscina.
Adentrei novamente na mansão e partir rumo ao escritório do meu pai para me despedir dele. Acabei encontrando Carla que também estava lá.
— Já estou indo – informei e ambos me olharam.
Carla me desejou boa viagem e saiu, mas pela cara dela notei que os dois pareciam que tinham discutido.
— Vocês estavam brigando? – perguntei ao meu pai quando ele veio me abraçar.
— Carla insiste em fazer a cerimônia e a festa no gramado da mansão. Eu queria que fosse no clube, assim como foi o casamento do juiz Madson.
— Pai, deixa de ser turrão. A vista do nosso quintal é mil vezes mais linda do que o salão do clube então aceite a ideia da Carla.
— Está bem. Você virá para o casamento?
— Claro. Esqueceu que sou a filha do noivo – sorri e o beijei no rosto – Preciso ir. Tchau.
— Tchau filha e boa viagem.
Quando cheguei em frente da mansão, Eliel me entregou as chaves do carro e eu pude finalmente sair em direção à Seattle.
Havia dispensado o almoço com a intenção de agilizar os preparativos para a minha breve temporada em Seattle.
Trabalhar para Christian seria uma tarefa muito difícil, mas se eu havia conseguido aprender a andar novamente, com certeza iria ter força suficiente para não sucumbir às provocações do meu ex-Mestre.
“Assim eu espero”
De repente um calafrio percorreu minha espinha.
Ser novamente submissa ao Grey, mesmo não sendo do jeito que era antes, me causava um frio no estômago e o fato do meu apartamento ser no mesmo prédio que o dele também não me ajudava em nada.
Oito anos já haviam se passado desde aquela noite horrível, mas até hoje as lembranças ainda me assombravam. Fechei o zíper da última mala e peguei a pasta do projeto.
— Não sei quais são seus planos, Christian, mas eu juro que não vou deixar você me fazer de brinquedo novamente – murmurei colocando a pasta em cima da mesinha de cabeceira.
— Anastasia!
Me virei a tempo de ver duas criaturas vestidas com biquínis invadirem o quarto, ambas estavam eufóricas e ofegantes.
— O que houve? – indaguei assustada.
— Anastasia do céu! O que você fez, sua maluca? – Andrea perguntou-me se sentando na cama.
— O que eu fiz? Como assim?
— Tem um deus grego lá embaixo querendo falar com você – disse Kate com um sorriso cínico e meu pensamento foi direto em Christian, fechei os olhos pedindo mentalmente que não fosse ele.
— Acho que eles são da polícia – informou Andrea chamando minha atenção.
— Polícia?
“Só pode ser obra do Christian” pensei furiosa já saindo do quarto.
Parei no alto da escada e observei o casal que se encontravam no hall, ambos vestiam sobretudos pretos.
O homem era alto, moreno e com corte de cabelo estilo militar, já a mulher que o acompanhava era loira e um pouco mais baixa que o homem, seu cabelo era longo e estava amarrado feito rabo de cavalo.
Respirei fundo e comecei a descer os degraus lentamente chamando a atenção deles.
— Srta. Anastasia Steele? – indagou o cara moreno.
— Sim, em que posso ajudá-los?
— Somos da polícia de Seattle. Sou o detetive Davis e está aqui é a detetive Price. Gostaríamos de falar com a senhorita sobre Leila Grey.
— Claro. Vamos por aqui – falei e os conduzi até a biblioteca. Ambos se sentaram no sofá e a detetive Price pegou uma caderneta começando a escrever nela – O que querem saber? – indaguei me sentando em uma poltrona próxima à eles.
— A senhorita conhecia Leila Grey? – Davis perguntou.
— Sim.
— Como era seu relacionamento com ela?
— Não existia relacionamento entre nós. Ela não gostava de mim e eu muito menos dela – retruquei e Davis me olhou desconfiado enquanto que a outra detetive anotava tudo que eu dizia.
— Por acaso o motivo da antipatia entre vocês duas seria o Sr. Grey?
— Sim, detetive – respondi e ambos se entreolharam em uma rápida e muda conversa.
— A senhorita já conhecia o Sr. Grey antes dele se casar? – Davis seguiu com as perguntas novamente.
— Sim.
— Como é seu relacionamento com ele?
— Eu simplesmente não gosto dele – falei com raiva.
— Me especifique o porquê?
— Desculpe detetive, mas não posso falar sobre isso. Se quiser saber pergunte ao próprio Sr. Grey.
— Onde a senhorita estava no dia quatorze de outubro por volta das seis às oito da noite?
— Em uma festa.
— Onde?
— Em Portland.
— Alguém pode confirmar?
— Meu acompanhante o Sr. Ethan Kavanagh e mais cinquenta pessoas. Posso saber o porquê de tantas perguntas?
— Estamos investigando a morte de Leila Grey e Louise Hyde – Price falou sem tirar sua atenção da caderneta.
— Mas Jack me disse que havia sido um acidente.
— Então a senhorita conhece o Sr. Hyde?
— É claro. Ele é um dos motoristas do Sr. Kavanagh.
— Como é seu relacionamento com o Sr. Hyde?
— Ótimo. Ele, a esposa e a filha já passaram alguns finais de semana na casa de praia que tenho aqui perto.
De repente a conversa foi interrompida por Eliel Browne, um dos nossos novos motoristas. Eu pude ver o medo nos olhos verdes do jovem rapaz quando o mesmo entrou timidamente na biblioteca.
— Perdão, Srta. Steele.
— Tudo bem, Eliel. Pode falar.
— Gostaria de saber qual carro a senhorita pretende usar?
— O Nissan ainda está em manutenção? – perguntei.
— Sim, senhorita.
— Então usarei o Volvo. Minhas malas estão no quarto. Coloque-as no carro, por favor.
— Sim, Srta. Steele. Com licença.
— Pretende viajar? – Davis perguntou assim que o motorista saiu.
— Sim, detetive. Estou indo morar em Seattle por causa de um trabalho que irei fazer. Se os senhores não tiverem mais perguntas, eu tenho uma reunião às três e meia e não posso me atrasar.
— Claro. Obrigado por responder as perguntas.
— Passar bem, Srta. Steele – a detetive Price disse e ambos apertaram minha mão.
Acompanhei os policiais até a porta da frente depois retornei ao meu quarto. Verifiquei a hora, olhei-me no espelho e decidi que não precisava trocar de roupa, pois daria tempo suficiente para chegar no apartamento antes de ir para a reunião.
Peguei minha bolsa azul turquesa, a pasta do projeto, meu celular e sai fechando a porta do quarto com a chave para impedir que minhas irmãs fossem assaltar meu closet.
Deduzi que Kate e Andrea deveriam ter retornado para a piscina então me dirigi até lá. Assim que pisei no gramado observei o céu ensolarado e sorri, pois aquele clima era tecnicamente raro, principalmente nesta época do ano.
— Vamos te visitar a qualquer hora dessas – prometeu Kate colocando os óculos de sol.
— Podem ir. Tchau meninas.
— Tchau, Anastasia – ambas responderam ainda deitadas em suas espreguiçadeiras à margem da piscina.
Adentrei novamente na mansão e partir rumo ao escritório do meu pai para me despedir dele. Acabei encontrando Carla que também estava lá.
— Já estou indo – informei e ambos me olharam.
Carla me desejou boa viagem e saiu, mas pela cara dela notei que os dois pareciam que tinham discutido.
— Vocês estavam brigando? – perguntei ao meu pai quando ele veio me abraçar.
— Carla insiste em fazer a cerimônia e a festa no gramado da mansão. Eu queria que fosse no clube, assim como foi o casamento do juiz Madson.
— Pai, deixa de ser turrão. A vista do nosso quintal é mil vezes mais linda do que o salão do clube então aceite a ideia da Carla.
— Está bem. Você virá para o casamento?
— Claro. Esqueceu que sou a filha do noivo – sorri e o beijei no rosto – Preciso ir. Tchau.
— Tchau filha e boa viagem.
Quando cheguei em frente da mansão, Eliel me entregou as chaves do carro e eu pude finalmente sair em direção à Seattle.

Nenhum comentário:
Postar um comentário