quinta-feira, 26 de março de 2020

Maliciosamente Obsessivos - Capítulo 04


ANASTASIA

— Querido, preciso retocar minha maquiagem – sussurrei minutos depois no ouvido de Ethan e ele assentiu – Com licença, senhores.

Sai à procura de um lugar calmo e isolado para poder ligar para a Elena. Andei por um dos corredores da mansão e após olhar para os lados, certificando-me de que ninguém estava me vendo, ou me seguindo, abri a primeira porta dupla que encontrei.

Era uma espécie de biblioteca estilo rústica com dois sofás e algumas poltronas. Entrei, trancando a porta em seguida, para que ninguém me incomodasse. Puxei então o celular de dentro da minha bolsa de mão e disquei o número de Elena enquanto me aproximava de uma das janelas.

Ela não me atendeu de imediato, provavelmente o jantar de noivado já estaria sendo servido, então esperei alguns segundos, liguei novamente e ela atendeu no terceiro toque.

— Se está me ligando para informar sobre a Amy e o incidente, eu já estou a par da situação.

“Malditas sejam aquelas víboras” praguejei mentalmente, bastante furiosa.

— Não a castigue. É a primeira vez da Amy e ela está nervosa.

— Não ensino elas para ficarem nervosas.

— Eu sei, Elena, mas já conversei com ela e isso não vai se repetir mais. Peço permissão para ficar responsável por Amy e caso aconteça algo que não lhe agrade, pode castigar a mim – pedi enquanto puxava um pouco a cortina para o lado, a fim de olhar o jardim.

— Tudo bem. Irei desligar, mas continuaremos essa conversa outra hora.

— Sim, Senhora – falei, depois guardei o celular na bolsa e fiquei ali por alguns segundos, observando o jardim beijado pela penumbra, então respirei fundo – Um problema a menos. Agora tenho que voltar para aquela festa cheia de pessoas esnobes – murmurei, fechando a cortina.

— Entediada com a festa?

Só de escutar aquela voz, meu corpo se arrepiou todo. Virei rapidamente e minha mente já ficou em alerta total. Olhei para os lados à procura dele, mas não o vi. Após alguns drinques, eu poderia simplesmente dizer que era o meu subconsciente me pregando uma pegadinha... ou talvez não.

— Aqui em cima – ouvi ele dizer, em um tom de voz meio divertido, então ergui meu olhar e o encontrei escorado no parapeito do andar superior da biblioteca.

— Porque está aqui? – perguntei e notei que minha voz havia saído meio trêmula, então pigarreei sutilmente.

Ele não me respondeu ao invés disso se dirigiu até a escada lateral que dava acesso ao primeiro piso, onde ele se encontrava, e desceu se aproximando de mim lentamente.

— Oi, Anastasia.

— Oi, Christian.

— Ouvi dizer que se tornou uma prostituta de luxo.

“É claro que isso já deveria ter chegado aos ouvidos dele, provavelmente havia sido a Elena” pensei atenta a cada movimento que ele dava.

— Também ouvi dizer que o grande Christian Grey havia se tornado insociável. Trancado em seu apartamento enchendo a cara com bebidas, mas pelo visto é mentira. Então podemos deduzir que não devemos acreditar em cem por cento de tudo que ouvimos – falei erguendo um pouco o meu queixo, em sinal de afronta.

Christian me encarava com uma expressão que ia do surpreso ao sério, e quando ele deu um passo à frente, eu recuei um passo também.

— Está com medo de mim? – ele perguntou.

Engoli em seco e neguei com um aceno de cabeça, mas era mentira. Eu estava sim com muito medo dele. Não só medo, mas raiva também. Ele deu mais um passo e eu recuei novamente.

— Vamos para um outro lugar?

— Obrigada pelo convite, mas a resposta é não.

— Preciso conversar com você em particular.

Ao ouvir aquelas palavras, a raiva superou o meu medo e eu dei um passo à frente.

— Deixe-me refrescar a sua memória, Sr. Grey. Sempre que o senhor dizia em “conversa particular”, eu acabava machucada e de cama por vários dias. E na última vez, fui parar no hospital depois de um castigo por causa de algo insignificante. E o que o senhor fez? Me tratou como se eu fosse um brinquedo quebrado e me descartou.

Ele segurou meu braço e me puxou para perto dele.

— Você era o meu brinquedo e eu podia fazer o que quisesse com ele. Aqui não é apropriado para termos essa conversa, Anastasia. Iremos para o meu apartamento e você não pode dizer não para mim. Ninguém pode! – ele exclamou.

Sem nem pensar duas vezes, dei uma bofetada na cara dele, conseguindo me soltar de seu contato e subi um pouco o vestido, correndo até a porta o mais rápido que os meus saltos podiam, mas antes de abri-la me virei e olhei novamente para Christian, que ainda permanecia parado no mesmo lugar, com a mão no rosto.

— Não sou mais sua submissa, portanto posso sim dizer não para o senhor! Pelo visto alguém já superou a morte da esposinha rápido demais.

Sai da biblioteca apressada, sem esperar pela resposta dele, e não ousei olhar para trás, pois sabia que ele estaria vindo atrás de mim, já que Christian sempre tinha o que desejava, principalmente quando estava com raiva.

Assim que cheguei ao salão de festa, dei uma olhada rápida no local para encontrar Ethan e quando o vi me dirigi até ele à procura de segurança. O mesmo estava próximo ao bar, conversando com um grupo de cinco pessoas.

— Ana! Aí está você, minha querida.

— Perdoe-me. Encontrei uma velha amiga e nem percebi os minutos passarem.

— Mulheres... Conversam mais que nós homens – disse um rapaz moreno do nosso grupo e todos nós sorrimos.


★ ★ ★ ★ ★


Tempo depois o jantar foi servido em outro salão e para o meu total alívio, Christian não apareceu. Ficamos na festa até um pouco depois das onze e meia da noite, quando Ethan decidiu ir embora.

Durante todo o caminho de volta, minha mente só conseguia ficar relembrando o meu inesperado reencontro com Christian.

— Jack, me deixe primeiro depois leve a Srta. Kartell para a casa dela, após isso você está liberado – Ethan falou, chamando-me a atenção para o presente – Amanhã cedo você entrega as chaves do carro para o Tyler.

— Sim, senhor.

— Ethan, posso te pedir uma coisa?

— Claro, Ana.

— Não quero ir para casa, então posso passar esta noite na sua mansão? – pedi e ele concordou.


★ ★ ★ ★ ★

— Aconteceu alguma coisa, minha querida? – Ethan indagou, entregando-me uma taça de vinho, depois sentou ao meu lado no sofá.

— Não aconteceu nada, querido. Por que a pergunta? – desconversei e bebi um pouco de vinho para poder me acalmar.

— Hoje você estava quieta demais. Absorta em seu próprio mundo – ele comentou, fazendo-me virar o rosto e encará-lo.

— Desculpe se não fui a companhia que desejava ter esta noite.

Ethan tirou a taça da minha mão e a colocou sobre a mesinha de centro da luxuosa sala de estar, depois segurou gentilmente meu queixo, para que eu o olhasse nos olhos.

— Pode me dizer qualquer coisa, Ana. Além de cliente, eu também sou seu amigo, lembra? Diga-me o que está lhe angustiando tanto. Tem a ver com essa amiga que você encontrou hoje durante a festa?

— Sim, mas não era uma amiga e sim um amigo. Christian Grey.

— Christian Grey? – ele perguntou surpreso e eu assenti – O que houve no passado entre vocês dois?

— Sinceramente, Ethan... Eu não quero falar sobre isso. Prometo te contar outro dia. Mas hoje não.

— Tudo bem, Ana. Quando você estiver pronta, eu estarei aqui para ouvi-la.

— Obrigada, querido.

O abracei, repousando minha cabeça em seu ombro.

Ethan Kavanagh tinha o dobro da minha idade, mas ainda estava bem conservado, podemos assim dizer. Apenas algumas rugas ao redor de seus olhos e o cabelo meio grisalho é que denunciavam os cinquenta anos de muita experiência que ele tinha.

Ergui meu rosto e o fitei por alguns segundos.

— Posso te pedir um favor? – indaguei.

— É claro, minha querida.

Me aproximei do seu rosto e o beijei lentamente.

— Fica comigo. Só essa noite. Por favor? – implorei entre os nossos lábios.

Em resposta, Ethan me puxou para o seu colo dando início a um beijo, mas não foi do jeito que sempre fazia. Aquele beijo era diferente, era mais intenso. Era um “Sim”, o meu “Sim”. Entreguei-me a ele ali mesmo, no luxuoso sofá de couro preto, esquecendo-me dos problemas por algumas horas.
Depois Ethan me pegou no colo e fomos para o andar de cima, sem nos importarmos se alguns dos empregados fossem acordar durante a noite e nos vissem andando pelados pelos corredores da mansão.

Assim que chegamos em sua suíte, ele me colocou gentilmente sobre a cama sem interromper nosso beijo e novamente nos entregamos um ao outro.

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