CHRISTIAN
Encontrava-me em meu escritório, na minha cobertura de luxo no Escala, observando o lindo retrato da minha esposa. Eu tinha plena certeza de que Leila havia morrido como castigo de minhas atitudes no passado. Deus estava me punindo por ter machucado a primeira garota que amei nessa merda de vida.
— Com licença, Sr. Grey – escutei a voz de Taylor então sorvi o resto do conteúdo da garrafa de conhaque e girei a cadeira, encarando o meu faz-tudo, já que o mesmo era meu segurança pessoal, meu motorista e meu mordomo.
— O que você quer?
— Desculpe incomodá-lo, mas a Sra. Lincoln está aqui.
Franzi o cenho, estranhando a visita repentina de Elena. Fazia cinco anos que não mantínhamos contato devido termos nos afastado por conta do meu casamento.
Leila não entendia e nem aceitava minha relação com o BDSM, então para não haver brigas entre nós, optei por me distanciar de meus amigos praticantes e, principalmente, de Elena, por ela ter sido minha Mentora.
— A traga até aqui – ordenei, pois preferi não me levantar da onde me encontrava, porque tinha plena consciência de que eu estava bêbado demais para andar.
Coloquei a garrafa de conhaque vazia sobre a mesa e estava tentando lembrar se ainda possuía bebidas fortes em minha adega quando Elena passou pela porta adentrando o escritório, já me encarando com um olhar reprovativo.
— Quando eu soube, tive que vim ver com os meus próprios olhos – ela disse se aproximando da mesa.
— Quem foi o linguarudo? O Taylor ou a Sra. Jones?
— Isso não importa, Christian. Venha...
Assim que ela pegou no meu braço para me ajudar a levantar da cadeira, rodeei sua cintura com meus braços, abraçando-a, e encostei minha cabeça sobre sua barriga, surpreendendo-me por ainda conseguir produzir lágrimas, pois desde que recebi a notícia de minha esposa tinha morrido eu já havia chorado muito.
— Porque não posso ser feliz? – balbuciei tentando parar de chorar, pois eu achava isso um sinal de fraqueza, mas infelizmente não conseguia evitar.
Senti Elena tentar me erguer novamente da cabeira e não a impedi, deixando-me ser conduzido para fora do escritório e posteriormente, para o meu quarto, onde ela me obrigou a tirar a roupa e entrar no box para banhar.
Após o banho de água gelada, eu me sentia melhor, porém ainda estava de ressaca. Todavia, como no tempo em que fora minha Mentora, Elena estava ali cuidando de mim, e se encontrava à porta, quando a abri, segurando um copo com água em uma das mãos e na outra, dois comprimidos.
— Beba. Você vai se sentir melhor daqui a alguns minutos – ela anunciou me passando o copo e o remédio, que tomei prontamente – Agora senta ali na cama, porque precisamos conversar sério, Christian.
— Por favor, sem sermão, Elena. Não estou com saco para isso.
— Não vim lhe dar sermão nenhum, mesmo você precisando. Vim porque estou preocupada contigo – ela disse sentando-se ao meu lado – Você não pode ficar aqui trancado nesse apartamento pelo resto da sua vida, Christian. Sua família precisa de você. A sua empresa precisa de você. Eu preciso de você – a encarei confuso e Elena deu um sorriso condescendente pegando minha mão, afagando-a – Preciso do meu amigo de volta. Sei que ficou afastado por cinco anos, mas eu gostaria que voltasse a participar dos nossos encontros. Minutos atrás, você lamentou porque não podia ser feliz, então eu lhe digo, que você era feliz no BDSM. Volte a ser um Dominador.
— Acho que não consigo mais, Elena. Depois do que houve com a Ana, eu não consigo ser um Dominador. Tentei com a Samantha e não deu certo.
Ela largou minha mão e se levantou pedindo para que eu a esperasse ali, mas assim que a mesma saiu, eu me levantei e fui até o closet me vestir. Quando retornei ao quarto, Elena adentrava o mesmo, com algo nas mãos. Era sua agenda.
— Tenho a leve impressão de que vou me arrepender disso, mas vocês precisam se encontrar e pôr tudo em pratos limpos para ambos poderem seguir em frente com suas vidas, separadamente – ela escreveu algo, rasgando a página em seguida – Tome. Aqui está o endereço do evento que a Anastasia estará a trabalho essa noite. Tente conversar com ela e não faça nenhum escândalo, pelo amor de Deus, Christian.
— Ana trabalha em quê mesmo? – indaguei, à medida que tentava lembrar qual faculdade ela fazia enquanto esteve morando comigo.
— Ela é designer de interiores, mas Anastasia é acompanhante de luxo em certos eventos.
— Uau! De submissa à prostituta de luxo nas horas vagas. Que evolução.
— Não deboche, Christian. Quem foi que viciou ela no sexo? Tenho plena certeza de que eu que não fui. Se ela está onde está, é por sua culpa. Agora eu preciso ir, pois tenho um jantar de noivado para ir daqui a pouco e preciso me arrumar.
Me despedi dela e antes da mesma ir embora, Elena me obrigou a deitar na cama para poder descansar um pouco da bebedeira. Fiquei ali deitado, pensando no que iria falar para Anastasia em nosso encontro e quando dei por mim, já estava quase em cima da hora do tal evento, então fui me vestir.
Assim que cheguei a festa, descobri que meu nome se encontrava na lista de convidados e logo pensei em Elena. Andei por entre os convidados à procura dela até que a vi adentrar com um senhor de meia idade, provavelmente seria o cliente desta noite.
Demorei um pouco para ter certeza de que era mesmo a Ana, pois a mesma se encontrava loira, mas aquele sorriso que ela deu ao cumprimentar uma outra jovem que estava ao lado de homem, também velho, e de um casal, me fizeram crer que era a Anastasia sim.
Eu não poderia esquecer aquele sorriso que ela tanto o direcionou para mim em outros momentos no passado. Então quando a mesma se afastou, juntamente com outras duas jovens, eu dei alguns passos em direção dela, mas assim que nossos olhares se encontraram, ambos estancamos e ficamos nos encarando por alguns segundos.
Eu queria ir até a Ana e dizer tudo o que deveria ter dito anos atrás, mas não tive coragem, ou melhor dizendo, eu tive medo e vergonha pelo que eu tinha feito a ela no passado, e aproveitei quando Anastasia virou o rosto, para poder fugir do seu campo de visão como um covarde, enfiando-me na primeira porta aberta que encontrei.
Encontrava-me em meu escritório, na minha cobertura de luxo no Escala, observando o lindo retrato da minha esposa. Eu tinha plena certeza de que Leila havia morrido como castigo de minhas atitudes no passado. Deus estava me punindo por ter machucado a primeira garota que amei nessa merda de vida.
— Com licença, Sr. Grey – escutei a voz de Taylor então sorvi o resto do conteúdo da garrafa de conhaque e girei a cadeira, encarando o meu faz-tudo, já que o mesmo era meu segurança pessoal, meu motorista e meu mordomo.
— O que você quer?
— Desculpe incomodá-lo, mas a Sra. Lincoln está aqui.
Franzi o cenho, estranhando a visita repentina de Elena. Fazia cinco anos que não mantínhamos contato devido termos nos afastado por conta do meu casamento.
Leila não entendia e nem aceitava minha relação com o BDSM, então para não haver brigas entre nós, optei por me distanciar de meus amigos praticantes e, principalmente, de Elena, por ela ter sido minha Mentora.
— A traga até aqui – ordenei, pois preferi não me levantar da onde me encontrava, porque tinha plena consciência de que eu estava bêbado demais para andar.
Coloquei a garrafa de conhaque vazia sobre a mesa e estava tentando lembrar se ainda possuía bebidas fortes em minha adega quando Elena passou pela porta adentrando o escritório, já me encarando com um olhar reprovativo.
— Quando eu soube, tive que vim ver com os meus próprios olhos – ela disse se aproximando da mesa.
— Quem foi o linguarudo? O Taylor ou a Sra. Jones?
— Isso não importa, Christian. Venha...
Assim que ela pegou no meu braço para me ajudar a levantar da cadeira, rodeei sua cintura com meus braços, abraçando-a, e encostei minha cabeça sobre sua barriga, surpreendendo-me por ainda conseguir produzir lágrimas, pois desde que recebi a notícia de minha esposa tinha morrido eu já havia chorado muito.
— Porque não posso ser feliz? – balbuciei tentando parar de chorar, pois eu achava isso um sinal de fraqueza, mas infelizmente não conseguia evitar.
Senti Elena tentar me erguer novamente da cabeira e não a impedi, deixando-me ser conduzido para fora do escritório e posteriormente, para o meu quarto, onde ela me obrigou a tirar a roupa e entrar no box para banhar.
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Após o banho de água gelada, eu me sentia melhor, porém ainda estava de ressaca. Todavia, como no tempo em que fora minha Mentora, Elena estava ali cuidando de mim, e se encontrava à porta, quando a abri, segurando um copo com água em uma das mãos e na outra, dois comprimidos.
— Beba. Você vai se sentir melhor daqui a alguns minutos – ela anunciou me passando o copo e o remédio, que tomei prontamente – Agora senta ali na cama, porque precisamos conversar sério, Christian.
— Por favor, sem sermão, Elena. Não estou com saco para isso.
— Não vim lhe dar sermão nenhum, mesmo você precisando. Vim porque estou preocupada contigo – ela disse sentando-se ao meu lado – Você não pode ficar aqui trancado nesse apartamento pelo resto da sua vida, Christian. Sua família precisa de você. A sua empresa precisa de você. Eu preciso de você – a encarei confuso e Elena deu um sorriso condescendente pegando minha mão, afagando-a – Preciso do meu amigo de volta. Sei que ficou afastado por cinco anos, mas eu gostaria que voltasse a participar dos nossos encontros. Minutos atrás, você lamentou porque não podia ser feliz, então eu lhe digo, que você era feliz no BDSM. Volte a ser um Dominador.
— Acho que não consigo mais, Elena. Depois do que houve com a Ana, eu não consigo ser um Dominador. Tentei com a Samantha e não deu certo.
Ela largou minha mão e se levantou pedindo para que eu a esperasse ali, mas assim que a mesma saiu, eu me levantei e fui até o closet me vestir. Quando retornei ao quarto, Elena adentrava o mesmo, com algo nas mãos. Era sua agenda.
— Tenho a leve impressão de que vou me arrepender disso, mas vocês precisam se encontrar e pôr tudo em pratos limpos para ambos poderem seguir em frente com suas vidas, separadamente – ela escreveu algo, rasgando a página em seguida – Tome. Aqui está o endereço do evento que a Anastasia estará a trabalho essa noite. Tente conversar com ela e não faça nenhum escândalo, pelo amor de Deus, Christian.
— Ana trabalha em quê mesmo? – indaguei, à medida que tentava lembrar qual faculdade ela fazia enquanto esteve morando comigo.
— Ela é designer de interiores, mas Anastasia é acompanhante de luxo em certos eventos.
— Uau! De submissa à prostituta de luxo nas horas vagas. Que evolução.
— Não deboche, Christian. Quem foi que viciou ela no sexo? Tenho plena certeza de que eu que não fui. Se ela está onde está, é por sua culpa. Agora eu preciso ir, pois tenho um jantar de noivado para ir daqui a pouco e preciso me arrumar.
Me despedi dela e antes da mesma ir embora, Elena me obrigou a deitar na cama para poder descansar um pouco da bebedeira. Fiquei ali deitado, pensando no que iria falar para Anastasia em nosso encontro e quando dei por mim, já estava quase em cima da hora do tal evento, então fui me vestir.
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Assim que cheguei a festa, descobri que meu nome se encontrava na lista de convidados e logo pensei em Elena. Andei por entre os convidados à procura dela até que a vi adentrar com um senhor de meia idade, provavelmente seria o cliente desta noite.
Demorei um pouco para ter certeza de que era mesmo a Ana, pois a mesma se encontrava loira, mas aquele sorriso que ela deu ao cumprimentar uma outra jovem que estava ao lado de homem, também velho, e de um casal, me fizeram crer que era a Anastasia sim.
Eu não poderia esquecer aquele sorriso que ela tanto o direcionou para mim em outros momentos no passado. Então quando a mesma se afastou, juntamente com outras duas jovens, eu dei alguns passos em direção dela, mas assim que nossos olhares se encontraram, ambos estancamos e ficamos nos encarando por alguns segundos.
Eu queria ir até a Ana e dizer tudo o que deveria ter dito anos atrás, mas não tive coragem, ou melhor dizendo, eu tive medo e vergonha pelo que eu tinha feito a ela no passado, e aproveitei quando Anastasia virou o rosto, para poder fugir do seu campo de visão como um covarde, enfiando-me na primeira porta aberta que encontrei.

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