ANASTASIA
Me sentei na beirada da cama, com as pernas molhadas pelo estouro da tal bolsa de água que tinha dentro de mim. Segundo a médica, se aquilo acontecesse era sinal de que a nossa filha ia nascer. Todavia, agora era uma péssima hora para que a Juliett resolvesse querer vir ao mundo, pois eu não sabia se o Christian e o Jack estavam bem ou não lá na sala.
“E se eles não conseguirem? E se a nossa filha nascer e José acabar roubando-a de mim antes de me matar?” pensei aflita, mas logo em seguida vi Gê adentrar novamente o quarto e se aproximar de onde eu me encontrava.
— Eles já estão vindo te ajudar – ela informou sentando ao meu lado.
De repente, Jack adentrou o quarto, apressado, e eu vi o rosto dele bastante machucado e com sangue, assim como o meu estava também devido à coronhada que levei do José.
— Vocês estão bem? Cadê o Christian? Por que ele não veio com você? – inquiri, o encarando preocupada à medida que Jack se ajoelhava a minha frente.
— Se acalme, Bonequinha. O Mozão sofreu uma facada na perna e não está podendo andar direito então pedi para ele ficar ligando para o Departamento de Polícia da ilha enquanto eu vinha te ver. Você está bem? Está com dor? – Jack perguntou tocando na minha barriga.
— Um pouco antes de quase alagar o quarto, eu senti uma dor no pé da barriga e senti ela ficar meio dura... Deu para entender, né Ursinho? – indaguei e ele assentiu, sorrindo sutilmente, então continuei contando – Mas não está doendo mais. Só estou um pouco com dor de cabeça no lado direito – comentei então ele se levantou e deu uma olhada em meu rosto.
— Você está com um corte na sua têmpora, mas graças a Deus não foi tão profundo. Só que vai precisar de uns pontos, Bonequinha. Provavelmente, uns dois ou três. Filha, pega para mim uma maletinha preta que está no armário debaixo da pia do banheiro.
Geovanna assentiu e logo saiu do quarto.
— Acho que suas contrações estão bem espaçadas ainda. Assim que tiver outra me avise para eu poder monitorá-las, ok?
— Tudo bem, mas eu quero ir logo para o hospital, porque eu não vou querer ficar sentindo dor por muito tempo – resmunguei, fazendo bico e Jack sorriu.
— Aqui na ilha não tem hospital, Bonequinha. Bom... Tem, mas não é um bem equipado com sala de cirurgia para fazer uma cesariana e nem possui UTIs, principalmente uma UTI Neonatal para o caso de acontecer alguma intercorrência durante o parto. O mais próximo é o Hospital Geral em Vancouver, que é para onde provavelmente vão encaminhar você e o Mozão.
— Aqui, pai.
— Obrigado, princesa.
— GENTE! VOCÊS ESTÃO BEM AÍ? – ouvimos Christian gritar.
— Acho melhor irmos para a sala – comentei e Jack concordou, já fechando a maleta de primeiro socorros antes de nós nos dirigirmos até onde Christian se encontrava.
Quando vi o corpo morto do José estendido ali no chão, senti como se tivesse a minha liberdade de volta, que eu não precisasse mais fugir.
— Você está bem, Bonequinha?
— Estou sim. E você, Mozão? Tá doendo muito? – inquiri, me sentando no sofá ao lado do braço que ele estava.
— Eu vou sobreviver – Christian murmurou tentando sorrir, mas era nítido a expressão de dor que passava em seu rosto – Filha, eu sinto muito por ter matado seu irmão, mas não tive outra escolha para que pudéssemos nos salvar.
— Está tudo bem, pai – Gê falou dando um abraço nele, meio que de ladinho – José sempre foi um babaca. Me via apenas como um pedaço de carne que ele só estava esperando crescer mais para poder me vender para algum dos amigos pervertidos dele. José nunca se importou comigo. Por isso preferi mudar o meu sobrenome para o de vocês.
Christian soltou um “Tudo bem, princesa” antes de beijar a testa da Geovanna e de pedir para o Jack, que se encontrava terminando de fazer um curativo superficial em meu rosto, para que o mesmo pegasse uns lençóis e cobrisse os corpos enquanto esperávamos a polícia chegar.
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Fiquei meio receosa quando, à medida que os paramédicos nos atendiam, os policiais começaram a nos fazer perguntas sobre o envolvimento de cada um de nós com os mortos. Minha tensão era mais porque eu ainda tinha o meu passado criminoso para ocultar das autoridades. Se eu falasse de algum crime ou algo do tipo, eles com certeza me prenderiam e isso me afastaria da minha nova família.
Falei então o básico referente ao relacionamento abusivo que vivi com o José por todos esses anos. Eles após alguns minutos nos liberaram a fim dos paramédicos nos conduzirem para a ambulância. Devido ao ferimento mais grave do Christian em sua perna, ele foi o único a ir de helicóptero para o hospital em Vancouver, já nós três fomos no barco-ambulância do Corpo de Bombeiros da ilha.
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Quando chegamos no hospital, minhas contrações já se encontravam bem mais frequentes, além das intensas dores, então fui separada da Geovanna e do Jack, que foram conduzidos para a ala da emergência para cuidarem dos ferimentos dele. Enquanto a mim, fui para a ala da maternidade após um médico aparecer e me avaliar. O mesmo se recusou a fazer uma cesariana em mim, mesmo eu pedindo.
Segundo o doutor me informou, minha filha já estava encaixada na posição correta e eu me encontrava em plenas condições de ter um parto normal. Ele acrescentou que me daria apenas um remédio para aliviar as dores, uma tal de peridural e eu já pedi para me injetarem logo umas cinco de uma vez, o que foi recusado novamente pelo médico.
Eu já estava para dar na cara dele de raiva quando uma mulher entrou no quarto, me informando que iriam me preparar para o parto que seria ali mesmo.
JACK
Após me liberarem, já que meus ferimentos não mereciam tanto cuidados assim, fui com a Gê atrás de pedir informações sobre o paradeiro do Christian. O mesmo se encontrava ali na emergência também, recebendo pontos em sua perna depois que tiveram certeza de que a faca não tinha atingido nenhuma área perigosa, como eu tinha suspeitado erroneamente quando dei uma avaliada superficial antes.
Não demorou muito e meu sogro apareceu, se aproximando rapidamente do leito, informando que ele estava terminando de fazer uma cirurgia de reconstrução mamária quando lhe avisaram que o filho dele se encontrava ferido na emergência.
— Eu estou bem, pai. Só vou ficar uns dias sem pisar com essa perna e com o lábio inchado.
Contei a Carrick, de uma forma breve, sobre o que havia acontecido com a gente em Bowen Island e ele acabou nos pedindo para deixarmos o nosso advogado em alerta, pois segundo meu sogro, mesmo que as mortes tenha sido por legítima defesa, os policiais às vezes gosta de pegar no pé, principalmente se eles são guiados pelo preconceito.
— Não se preocupe, Carrick. Quando estávamos vindo, eu mandei mensagem para o Dr. Sender. Ele já está a par do que houve conosco e está a caminho. Até porque temos que resolver a parte burocrática sobre o nascimento da nossa filha que vai ocorrer em solo canadense e queremos registrá-la nos Estados Unidos. Mas para atravessarmos a fronteira do país, precisaremos de algo que nos respalde.
— Verdade. Bom... Quer que eu fique com você, filho?
Christian negou, mas pediu para que o meu sogro levasse a Geovanna para a casa deles e ele concordou, já saindo com a nossa filha após nos despedimos dela. Fui então buscar informações sobre a Ana e logo soube que a mesma estava na ala da maternidade, sendo preparada para um parto normal.
A muito custo, conseguimos fazer com que liberasse o Christian para ir assistir ao parto junto comigo, mas o mesmo foi de cadeira rodas sendo conduzido por um técnico de enfermagem.
— Olha quem veio visitar a grávida mais linda desse hospital – murmurei à medida que adentrávamos o quarto.
Anastasia sorriu ao nos ver e parecia estar animada.
— Ursinho! Mozão! Ei, Ursinho, você sabe quem inventou essa tal de peridural? Porque eu quero muito me casar com esse ser humaninho maravilhoso.
Não aguentamos e rimos.
— Eu, se fosse você, me casaria era com o cara que criou a ráqui, Bonequinha. A anestesia raquidiana é a que inibe a dor instantaneamente. Aplicou... Boom! A dor sumiu em segundos.
— Mentira? E por que o senhor não me aplicou essa daí? – ela inquiriu, olhando para o médico que se encontrava do outro lado da cama anotando algo no prontuário – Me fez ficar dez minutos com dor ainda. Vou te denunciar por malvadeza, viu?
— Ele só está fazendo o trabalho dele. Deixa de implicância, Bonequinha – Christian comentou, já sendo alvo do olhar sério da Ana.
— Vem parir aqui no meu lugar para você ver se é implicância minha. Do jeito que você é chorão, iria era está aos prantos por causa da dor também.
— É por isso que Deus não fez homem com útero. Somos muito fracos para aguentarmos uma dor desse nível – salientei, rindo, já sendo acompanhado por todos naquele quarto.
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Depois de quase uma hora, com as contrações da Anastasia vindo agora de três em três minutos, o obstetra disse que faria um novo toque para ver o quanto ela tinha evoluído na seu dilatação. Após o exame rápido, o mesmo mandou a Ana respirar profundamente e reunir todas as suas forças, porque na próxima contração ela já deveria empurrar o mais forte possível.
Anastasia assentiu, então eu e Christian nos posicionamos um em cada lado da cama, seguramos as mãos dela.
— Estamos aqui para sermos sua força, Bonequinha – Christian sussurrou, sorrindo e eu concordo também em seguida, beijando o dorso da mão dela.
— Obrigada...
Mais uma onda de contração a acertou e a parte crucial do parto se deu início. Foi como se tudo estivesse em câmera lenta até o momento em que escutamos o som do chorinho da nossa pequena Juliett. Eu não sei quem estava mais choroso ali, se era eu, o Christian ou a Ana que se encontrava com nossa pequena deitada sobre ela, segurando-a.
Provavelmente todos estávamos muito emocionados naquele momento, principalmente quando o médico nos deu a tesoura e decidimos que iríamos cortar juntos o cordão umbilical da nossa filha.

EXISTE CAPITULO MAIS LINDO QUE O NASCIMENTO UM ANJO CHEGOU E O DEMONIO DO JOSÉ ESTA NO INFERNO QUE É SEU LUGAR ANA É TERRIVEL COITADO DO MEDICO PARABÉNS MINHA LINDA AUTORA UM CAPITULO EMOCIONANTE
ResponderExcluirCapítulo lindo amei estava com muita saudades do nosso trio
ResponderExcluirAmei amei
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