ANASTASIA
Era por volta das duas e meia da tarde quando Seattle ficou para trás, à medida que seguíamos a I-5, rumo a Vancôver no Canadá, pois segundo Christian me informou, sua família residia em uma casa em West Vancouver. Como Ethan praticamente me contou sua vida toda enquanto fazia o meu cabelo, agora na viagem, eu passei a ser seu alvo.
Não tinha muita coisa para contar sobre minha vida. Apenas que meus pais haviam morrido em uma queda de avião quando voltavam de uma viagem de férias, que eu tinha sido levada para um orfanato onde fiquei dos sete aos dezesseis, mas que fugi de lá, indo morar na rua por alguns meses até que conheci o meu ex-namorado e passei a viver com ele até agora, quando o mesmo foi preso e eu tive a chance de sair daquele relacionamento abusivo por qual vivi por mais de dois anos.
— Meu Deus! Que vida triste. Tadinha da minha Buchoca – Ethan disse chorando, já me abraçando.
— Ok, gente, vamos parar de falar de mim, senão o Ethan vai alagar o carro todo, porque ele está pior que o chorão do Christian.
— Ei, eu não sou chorão não! – ele rebateu se virando para trás, encarando-me.
— Cê é um chorão muito fofinho – murmurei me inclinando um pouco para frente e apertando a bochecha de Christian, fazendo os outros rirem.
— Bota Kazaky aí pra tocar, Jackito. Vamos balançar os esqueletos!
— Ka... o quê? – indaguei, confusa.
— Kazaky é uma banda gay...
— Eles não se assumiram gays, Ethan – interrompeu Christian.
— Se eles são héteros daquele jeito, então também somos, Cherzito. Mas continuando... – ele disse voltando a olhar para mim – Kazaky é uma banda mega muito diva. Aquelas bichas arrasa no salto...
— E tem uns abdomens de tirar o fôlego – acrescentou Christian.
— Ah é, né? É bom saber disso, querido.
— Humm... Jackito tá com ciúmes – Ethan provocou sorrindo.
— Relaxa, amor. Os deles são de tirar o fôlego, mas o seu é de matar de tesão – Christian ressaltou fazendo um carinho no Jack, provavelmente na bochecha, pois não deu para ver direito, já que eu me encontrava sentada atrás do banco do motorista.
— YOUR STYLE!!! – Ethan gritou quando uma música invadiu o interior do carro e logo os três começaram a cantar e a se remexerem em seus lugares, da cintura pra cima.
“Estou presa num carro com três doidos”
— Vamos, Buchoca! Canta com nós! Solte a bicha presa em você!
— Não sei essa música – declarei.
Fiquei apenas a observar eles enquanto as músicas preenchiam o interior do carro de minutos à minutos, até que começou a tocar uma conhecida e aí eu surtei.
— FOR YOUR ENTERTAINMENT!!! – gritei, pois era a minha música favorita e a única que eu sabia a letra até detrás para frente, de tanto escutar nas ravers que ia.
— Olha só, meninas, a Buchoca tem cultura. Eu tô chocada!
— Cala a boca e canta, Ethan! – exclamei empolgada, fazendo todos rirem.
A viagem seguiu animada entre uma música e outra, até que Jack saiu da estrada e parou o carro no estacionamento de um posto de gasolina em Blaine, desligando o som.
— O que foi, amor?
— Nós esquecemos – ele disse, num tom preocupado.
— Esqueceram o quê? – perguntei.
— De que você não possui documentos.
— E daí, Jackito?
— E daí, que vamos passar pelo posto da fronteira no Canadá e vão pedir os documentos de todos nós. E a Ana não tem identidade.
— Ah merda! – praguejou Christian, puto de raiva.
— O que vamos fazer, querido?
— O jeito é ela ir no porta-malas.
— Vá você no porta-malas, Christian – retruquei, fechando logo a cara.
— Não vai ter jeito, Ana. Você vai ter que ir lá mesmo.
— Não vou não, Jack.
— É só enquanto passamos pela fronteira, Buchoca.
— Não.
— Eu não vou perder o casamento da minha irmã por causa de você não – comentou Christian, já saindo de dentro do carro, dando a volta e abrindo a porta do meu lado – Desce. Você vai sim no porta-malas.
— Isso é contra os direitos das grávidas – acusei saindo do carro e encarando ele brava.
— Desde quando você sabe sobre direitos civis para gestantes? – Christian me questionou e eu dei de ombros.
— Não sei, mas lá deve ter uma parte onde fala que é proibido enfiar uma grávida dentro de um porta-malas.
Christian rolou os olhos e me encaminhou para parte de trás do VW Golf R.
JACK
Graças a Deus conseguimos passar pelo posto no Canadá e na primeira curva da BC-99, eu parei o carro no acostamento e pedi para que Chris fosse tirar a Ana lá do porta-malas.
— E por que tem que ser eu, hein amor?
— Porque você deu a ideia e a enfiou lá. Anda logo – falei lhe entregando a chave.
— Vamos deixar ela lá.
— Eu tô escutando, seu filho da puta – ouvimos ela praguejar num som abafado.
— Buchoca tá muito puta da vida – comentou Ethan rindo enquanto Christian saía do carro.
Num minuto, eu via pelo retrovisor, Chris abrindo o porta-malas, já no minuto seguinte, eu o vi ser alvo de tapas de uma Ana em fúria, que dizia coisas como “Vai prender sua mãe dentro de um porta-malas, seu desgraçado!”.
Então sai de dentro do carro, para tentar acalmá-la e salvar Christian, mas não consegui segurá-la a tempo da mesma dá um chute nas partes íntimas do meu companheiro, que se curvou ajoelhando-se com as mãos entre as pernas e fazendo uma expressão de dor.
— Se acalmar, Ana, por favor. Isso não vai fazer bem para a bebê – falei e em seguida pedi que ela entrasse então me aproximei de Chris e o amparei, conduzindo-o para dentro do carro.
— Você está bem, Cherzito?
— Ele acabou de levar um chute no saco, Ethan. Tu acha que o Christian está como, hein? Vomitando arco-íris de alegria? Não. Ele está sentindo muita dor – retruquei com raiva, porque eu detestava ver o meu Chris com dor, pois parecia que a dor dele era a minha – Na primeira loja de conveniência que eu ver, vou parar e comprar algo gelado para você colocar aí, amor. Não se preocupe, essa dor logo vai passar – falei afagando sua coxa enquanto seguíamos viagem.
Era por volta das duas e meia da tarde quando Seattle ficou para trás, à medida que seguíamos a I-5, rumo a Vancôver no Canadá, pois segundo Christian me informou, sua família residia em uma casa em West Vancouver. Como Ethan praticamente me contou sua vida toda enquanto fazia o meu cabelo, agora na viagem, eu passei a ser seu alvo.
Não tinha muita coisa para contar sobre minha vida. Apenas que meus pais haviam morrido em uma queda de avião quando voltavam de uma viagem de férias, que eu tinha sido levada para um orfanato onde fiquei dos sete aos dezesseis, mas que fugi de lá, indo morar na rua por alguns meses até que conheci o meu ex-namorado e passei a viver com ele até agora, quando o mesmo foi preso e eu tive a chance de sair daquele relacionamento abusivo por qual vivi por mais de dois anos.
— Meu Deus! Que vida triste. Tadinha da minha Buchoca – Ethan disse chorando, já me abraçando.
— Ok, gente, vamos parar de falar de mim, senão o Ethan vai alagar o carro todo, porque ele está pior que o chorão do Christian.
— Ei, eu não sou chorão não! – ele rebateu se virando para trás, encarando-me.
— Cê é um chorão muito fofinho – murmurei me inclinando um pouco para frente e apertando a bochecha de Christian, fazendo os outros rirem.
— Bota Kazaky aí pra tocar, Jackito. Vamos balançar os esqueletos!
— Ka... o quê? – indaguei, confusa.
— Kazaky é uma banda gay...
— Eles não se assumiram gays, Ethan – interrompeu Christian.
— Se eles são héteros daquele jeito, então também somos, Cherzito. Mas continuando... – ele disse voltando a olhar para mim – Kazaky é uma banda mega muito diva. Aquelas bichas arrasa no salto...
— E tem uns abdomens de tirar o fôlego – acrescentou Christian.
— Ah é, né? É bom saber disso, querido.
— Humm... Jackito tá com ciúmes – Ethan provocou sorrindo.
— Relaxa, amor. Os deles são de tirar o fôlego, mas o seu é de matar de tesão – Christian ressaltou fazendo um carinho no Jack, provavelmente na bochecha, pois não deu para ver direito, já que eu me encontrava sentada atrás do banco do motorista.
— YOUR STYLE!!! – Ethan gritou quando uma música invadiu o interior do carro e logo os três começaram a cantar e a se remexerem em seus lugares, da cintura pra cima.
“Estou presa num carro com três doidos”
— Vamos, Buchoca! Canta com nós! Solte a bicha presa em você!
— Não sei essa música – declarei.
Fiquei apenas a observar eles enquanto as músicas preenchiam o interior do carro de minutos à minutos, até que começou a tocar uma conhecida e aí eu surtei.
— FOR YOUR ENTERTAINMENT!!! – gritei, pois era a minha música favorita e a única que eu sabia a letra até detrás para frente, de tanto escutar nas ravers que ia.
— Olha só, meninas, a Buchoca tem cultura. Eu tô chocada!
— Cala a boca e canta, Ethan! – exclamei empolgada, fazendo todos rirem.
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A viagem seguiu animada entre uma música e outra, até que Jack saiu da estrada e parou o carro no estacionamento de um posto de gasolina em Blaine, desligando o som.
— O que foi, amor?
— Nós esquecemos – ele disse, num tom preocupado.
— Esqueceram o quê? – perguntei.
— De que você não possui documentos.
— E daí, Jackito?
— E daí, que vamos passar pelo posto da fronteira no Canadá e vão pedir os documentos de todos nós. E a Ana não tem identidade.
— Ah merda! – praguejou Christian, puto de raiva.
— O que vamos fazer, querido?
— O jeito é ela ir no porta-malas.
— Vá você no porta-malas, Christian – retruquei, fechando logo a cara.
— Não vai ter jeito, Ana. Você vai ter que ir lá mesmo.
— Não vou não, Jack.
— É só enquanto passamos pela fronteira, Buchoca.
— Não.
— Eu não vou perder o casamento da minha irmã por causa de você não – comentou Christian, já saindo de dentro do carro, dando a volta e abrindo a porta do meu lado – Desce. Você vai sim no porta-malas.
— Isso é contra os direitos das grávidas – acusei saindo do carro e encarando ele brava.
— Desde quando você sabe sobre direitos civis para gestantes? – Christian me questionou e eu dei de ombros.
— Não sei, mas lá deve ter uma parte onde fala que é proibido enfiar uma grávida dentro de um porta-malas.
Christian rolou os olhos e me encaminhou para parte de trás do VW Golf R.
JACK
Graças a Deus conseguimos passar pelo posto no Canadá e na primeira curva da BC-99, eu parei o carro no acostamento e pedi para que Chris fosse tirar a Ana lá do porta-malas.
— E por que tem que ser eu, hein amor?
— Porque você deu a ideia e a enfiou lá. Anda logo – falei lhe entregando a chave.
— Vamos deixar ela lá.
— Eu tô escutando, seu filho da puta – ouvimos ela praguejar num som abafado.
— Buchoca tá muito puta da vida – comentou Ethan rindo enquanto Christian saía do carro.
Num minuto, eu via pelo retrovisor, Chris abrindo o porta-malas, já no minuto seguinte, eu o vi ser alvo de tapas de uma Ana em fúria, que dizia coisas como “Vai prender sua mãe dentro de um porta-malas, seu desgraçado!”.
Então sai de dentro do carro, para tentar acalmá-la e salvar Christian, mas não consegui segurá-la a tempo da mesma dá um chute nas partes íntimas do meu companheiro, que se curvou ajoelhando-se com as mãos entre as pernas e fazendo uma expressão de dor.
— Se acalmar, Ana, por favor. Isso não vai fazer bem para a bebê – falei e em seguida pedi que ela entrasse então me aproximei de Chris e o amparei, conduzindo-o para dentro do carro.
— Você está bem, Cherzito?
— Ele acabou de levar um chute no saco, Ethan. Tu acha que o Christian está como, hein? Vomitando arco-íris de alegria? Não. Ele está sentindo muita dor – retruquei com raiva, porque eu detestava ver o meu Chris com dor, pois parecia que a dor dele era a minha – Na primeira loja de conveniência que eu ver, vou parar e comprar algo gelado para você colocar aí, amor. Não se preocupe, essa dor logo vai passar – falei afagando sua coxa enquanto seguíamos viagem.

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