segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Um Jeito Estranho de Amar - Capítulo 10


ANASTASIA

Tínhamos acabado de sair da casa do Ethan, onde o mesmo fora buscar a roupa que ele iria usar no casamento da irmã do Christian, quando de repente senti uma vontade enorme de tomar sorvete e não tive vergonha em expressar isso.

— Tô com desejo de tomar sorvete, Christian.

— Eu também quero – Ethan anunciou no banco de trás.

— Não temos tempo, gente.

— Sua filha vai nascer com cara de sorvete.

— Isso mesmo, Buchoca. Joga praga nele.

— Ethan, cala a boca! – exclamou Christian, que depois olhou para mim, aproveitando a parada no sinal – E isso o que você disse é fisicamente impossível, ok?

— Por favor... – supliquei fazendo um gesto com as mãos.

— É miga, por favorzinho...

— Você vai pagar por acaso? – ele questionou o Ethan.

— Eu não.

— Então fica na sua.

— Deixa de ser mão de vaca, Cherzito.

Vi Christian rolar os olhos e colocar o carro em movimento. Pensei que ele fosse direto para a casa dele, mas sorri e beijei sua bochecha quando o mesmo estacionou o carro a alguns metros de uma sorveteria chamada Ben & Jerry’s.
— Tome – Christian disse tirando uma nota de cinco dólares de sua carteira e me entregando – Vá lá comprar seu sorvete e volte no mesmo rastro. Não demore.

Assenti já saindo do carro.

— Eu vou com você, Buchoca – escutei Ethan falar e logo ele me acompanhou, enlaçando seu braço ao meu.

Quando eu entrei na sorveteria, logo de cara vi o banner da novidade. Sorvete em forma de tacos mexicanos. Perguntei quanto era um, mas com a nota que Christian havia me dado eu não conseguiria comprar então deixei Ethan fazendo o pedido dele e voltei até o carro.

— Me dá uma nota de vinte – mandei e ele me encarou com uma das sobrancelhas erguida.

— Tem é ouro nesse sorvete por acaso?

— Anda, Christian. Me dá logo uma nota de vinte dólares – ordenei e o mesmo me passou a nota, meio emburrado.

Voltei para a sorveteria e me acabei em felicidade quando a moça me deu o meu sorvete-taco tamanho grande, já o Ethan havia comprado uma caixa pequena de sorvetes donuts, então retornamos para o carro.
— Isso vai dá merda. Tô até vendo – Christian resmungou quando entramos.

— Cê tá muito ranzinza hoje, Cherzito. Isso é falta de foder e de ser fodido.

Dei uma gargalhada do comentário do Ethan e acabei me melando um pouco de sorvete e algumas gotas sujaram o banco do carro, o que fez Christian me encarar, muito puto da vida.

— Não falei. Mais que droga!

— Desculpe – murmurei ainda tentando parar de rir.

Christian apenas rolou os olhos, me ignorando.

— E para o seu governo, Ethan, eu comi e fui muito bem comido antes de vim buscar vocês.

“Poxa... Perdi a chance de ver os dois se comendo” pensei frustrada.

— Pois nem parece, amiga. Toma um donut para alegrar sua vida.

— Eu não quero nada não.


★ ★ ★ ★ ★


— JACKITOOO!!! CHEGAAAMOS!!! – Ethan gritou assim que entramos na casa.

— Ele deve ter escutado o carro estacionando na garagem, Ethan.

Jack logo apareceu usando um avental engraçado.
“Eita, porra! Será que ele está pelado usando apenas o avental?”

— Oi, gente.

— Ui, Jackito! Arrasando meu core desse jeito, eu não aguento. Pena que você é casado com o Cherzito, senão eu te arroxava era aqui mesmo.

Jack riu e Christian, que já não estava com a cara muito boa, piorou de vez.

— Eu espero que você esteja vestido atrás desse avental, porque uma exposição pública de nudez já basta por um dia, né querido? – ele disse para o outro que logo virou de costas para nós.

— Eu estou de cueca, amor – Jack anunciou e virou de novo, se aproximando de mim – Ei, eu conheço essa roupa.

— Sua mãe deu para ela de presente – Christian informou.

— Ah véia. Eu tinha dando essa roupa de presente no aniversário dela, na semana retrasada, lembra querido?

— É por isso que ela deu pra Buchoca, porque era feia demais para ela própria usar – Ethan comentou rindo.

— Não me diz que “Buchoca” é o seu apelido que ele colocou? – Jack sussurrou e eu assenti sorrindo – Ok... E a propósito, amei o cabelo. Tá diva demais.

Agradeci e deixei os três no andar debaixo assim que Jack me informou que no quarto onde eu dormia, além do closet e do banheiro estarem já com roupas e com coisas para o meu uso pessoal, tinha também um presente deles para mim.

Assim que abri a porta, vi sobre a cama um urso enorme. Minha vontade foi de abraçá-lo, mas estava suja e grudenta de sorvete então resolvi tomar um banho. Minutos depois, de banho tomado e vestida numa roupa confortável, eu me joguei na cama e abracei aquele ursão.
Desde criança, meu sonho era ganhar um ursinho de pelúcia, mas como eu morava num orfanato que mais parecia um inferno, essa regalia para as crianças nunca acontecia, nem mesmo nas épocas natalinas.

Agora, Jack e Christian realizaram meu sonho sem nem ao menos saberem dele. O choro logo me atingiu em cheio e a única coisa que eu queria fazer aquele momento era agradecê-los então sai do quarto enxugando as lágrimas e desci.

Assim que entrei na cozinha, onde os três se encontravam conversando. Eu me aproximei e abracei Christian bem forte, pois ele era o mais próximo da porta.

— Obrigada, muito obrigada, Christian – falei em meio aos soluços, depois fui abraçar Jack que tinha se aproximado meio preocupado – Eu amei o presente que vocês me deram – comentei me desvencilhando dele e olhando para os dois – Muito obrigada, gente. Vocês estão me fazendo apagar lembranças ruins e substituir só por recordações boas. Quando eu for embora, vou na certeza de que fiz dois amigos...

— E eu aqui não conto não, é? – resmungou Ethan me fazendo sorrir ainda meio chorosa então o chamei para um abraço também.

— Quem aqui está com fome? – indagou Jack, já nos chamando para comer o espaguete que ele tinha feito.

“Nunca tive amigos tão legais e divertidos como esses” pensei enquanto os via terminando de se servirem à medida que conversavam sobre quem fazia o melhor espaguete dentre os três.

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