quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Solicitação de Amizade - Capítulo 01


PHOENIX - SETEMBRO DE 2016

ANASTASIA

Me encontrava na casa da minha melhor amiga Kate, pois a mesma estava completando seus 27 anos e organizou uma mega festa para comemorar com os amigos.

Eu tinha vindo com meu namorado Luke, e o mesmo se encontrava me abraçando por trás, às vezes beijando meu pescoço, fazendo-me sorrir boba, enquanto conversávamos com algumas pessoas.

— Vou ao banheiro, minha gatinha. Não demoro, tá bom? – ele disse, já se desvencilhando de mim.

— Ok, meu amor – murmurei e o vi se afastar.

Fiquei conversando com o grupo por alguns minutos, depois pedi licença a eles e saí à procura do Luke. Ele não estava no banheiro, então desci e fui procurá-lo pelos cômodos da casa.

— Aninha! Miga! Vem cá! Deixa eu te apresentar o meu primo Christian. Ele veio de Chicago para o meu niver e para te conhecer também – ouvi Kate dizendo quando apareci na sala, meio lotada.

— Oi, Ana.

— Oi – murmurei, não prestando muito atenção no cara, apenas apertando rapidamente a mão dele, já voltando a passar o olhar pela sala – Você viu o meu namorado, amiga? Luke disse que ia no banheiro, mas eu já fui lá e estava vazio.

— Não vi aquele babaca não.

Olhei para Kate, a repreendendo com o olhar. Desde que apresentei Luke aos meus amigos, há 10 meses, que Kate nunca foi com a cara dele, mas Luke era um amor.

Ele me tratava como uma princesa, era mega romântico comigo, me dava presentes fofos a cada bodas de namoro que fazíamos e até oficializou o nosso namoro me dando um anel de compromisso.

— Espero que não tenha acontecido algo e ele tenha ido sem mim – comentei, pensativa, olhando para todos os lados à sua procura.

— Qualquer coisa, eu te levo. Estou de carro – escutei o cara dizer, mas nem olhei para ele.

— Ah, obrigada. Vou ver se ele está lá fora – falei, já saindo para a parte de trás da casa.

O quintal era meio de nível, então desci a escada da varanda dos fundos e fui dá uma olhada, encontrando segundos depois, Luke agarrado aos beijos com uma garota, no beco que dava acesso à frente da casa.

Ver aquela cena, me destruiu por completa, fazendo-me ficar paralisada no mesmo local, de boca aberta, totalmente em choque. Não demorou muito para que Luke me notasse e se afastasse da garota.

— Ana, calma. Eu posso explicar – ele murmurou, começando a vir em minha direção, mas eu não queria que o mesmo me tocasse, então finalmente minhas pernas voltaram a se mover e eu corri para longe de Luke.





CHRISTIAN

“Viajei 1.753 milhas, por 26 horas seguidas, só para quê? Para ganhar uma bela esnobada da garota pela qual me apaixonei” pensei, emburrado, indo pegar cerveja para mim.

Há um mês, eu havia visto no storie do Instagram da Kate, uma foto dela com uma garota, que na hora eu achei muito bonita. Não perdi tempo e perguntei sobre ela para minha prima, que logo me informou que a outra era sua melhor amiga.

Todavia, fiquei meio desanimado quando Kate me disse que Anastasia era comprometida com um cara, muito babaca, segundo minha prima me contou, pois ele traía a Ana e a mesma era cega de amor pelo mesmo e não acreditava em nada que os outros falavam.

Convencido por Kate a vir a qualquer custo para o seu aniversário, pois a mesma iria me apresentar à Anastasia com a intenção de eu tirar ela das garras do idiota do namorado, eu peguei o meu Jeep Wrangler cinza escuro e vim para Phoenix o mais rápido que eu podia.
Entretanto, depois daquela esnobada segura da Ana, eu fiquei muito puto da vida e simplesmente liguei o botão do “Foda-se” para a situação dela.

“Que ela fique sendo corna pelo resto da vida!” pensei, bufando de raiva, já saindo com meu copo cheio de cerveja, indo rumo a parte de trás da casa para beber sozinho.

Mal abri a porta e alguém deu de frente comigo, derramando cerveja em nós dois, mais na pessoa do que em mim, na verdade.

— Merda! – exclamei, puto.

— D-desculpe... – ouvi a pessoa gaguejar, chorando, e logo percebi quem era.

— Anastasia, o que houve? – inquiri, segurando seu rosto em minhas mãos.

De repente, ouvi alguém gritar por ela e a mesma se afastou de mim, saindo apressada. Segundos depois, vi o namorado dela aparecer no alto da escada, já passando por mim, então fui procurar por Kate, encontrando-a na sala, perto da janela.

— Oi, primo. O que aconteceu com a sua blusa? – ela indagou quando parei ao seu lado.

— Kate, eu acho que o namorado da Ana fez algo com ela, porque a mesma estava chorando mui... – parei de falar ao ver, pela janela, Anastasia e o cara discutindo na calçada.

— Que filho da puta! Eu mato aquele desgraçado! Onde ela está, Christian?

— Eles estão ali, na calçada – falei apontando para a janela, que minha prima logo encarou.

Kate rapidamente saiu da casa, comigo em seu encalço, e foi até eles. Ana continuava a chorar, com os ombros encolhidos, abraçando a si mesma, já o cara parecia está com raiva dela, pois esbravejava “A culpa disso tudo é sua, Ana!”.

— O que está havendo aqui, miga? – minha prima perguntou se aproximando de Anastasia.

— Não é da sua conta!

— A casa é minha, portanto a calçada é minha, ou seja, é da minha conta sim, seu imbecil! O que você fez para a minha amiga?

— Vamos embora, Ana – ele falou, pegando bem forte no braço dela, dando um puxão brusco.

Não aguentei ver aquele babaca tratando a Anastasia daquele jeito, então segurei o pulso dele.

— Solte ela agora – pedi pausadamente, porém com o tom de voz sério e bem ameaçador.

— Não se meta aonde não foi chamado, cara!

Não pensei duas vezes e apertei mais minha mão ao redor do pulso dele, fazendo o cara soltar a Ana, então em seguida apliquei-lhe um golpe simple de jiu-jitsu, imobilizando o braço do cara em suas costas, que começou a se debater.

Segundos depois o soltei, o empurrando para longe, fazendo o mesmo se atrapalhar com as próprias pernas e cair no gramado.

— Vai embora da minha casa ou eu chamo a polícia! – exclamou minha prima, então o cara se levantou bufando de raiva, já entrando em um carro e saindo cantando pneu.

— Eu sou uma idiota... – ouvi Ana murmurar, bem chorosa ainda.

— Porque? O que aconteceu, amiga? O que aquele imbecil te fez?

— Eu vi... o Luke me traindo lá nos fundos...

Novamente, Anastasia desabou no choro, soluçando, já sendo amparada pela Kate, que a abraçou, fazendo-me ficar um pouco com inveja, pois eu queria confortá-la também.

— Não fica assim, amiga.

— Ele era um babaca. Não merecia você, Ana – falei, me aproximando delas.

— Chris tem razão. Aquele idiota não merece você e nenhuma lágrima sua. Vem, vamos voltar para a festa, mas primeiro me diga quem é a vagabunda que tava com ele, para eu expulsar ela também.

— Deixa, amiga... Eu só quero ir embora para casa...

— Nada disso. Me diga quem é ela, eu expulso a vadia e a gente vai se divertir até o sol nascer.

— Eu não sei quem é... 

— Aponte para a garota então – sugeri.

— Estava meio escuro... Não vi direito...

Kate me encarou, parecendo um pouco preocupada, e eu dei de ombros, sem sabe o que fazer para Anastasia se acalmar.

— Tudo bem, amiga. Vem, vamos beber e nos divertir – minha prima disse, já conduzindo Ana para dentro de casa, comigo atrás delas.

Kate logo foi buscar uma garrafa de vodka e colocou um pouco em um copo e deu para a Anastasia, mandando a mesma beber de uma só vez. Ana bebeu, fazendo careta, mas sendo aplaudida pela roda de amigos que se formara ao nosso redor.

— Isso aí, garota! – minha prima gritou, já enchendo de novo o copo da melhor amiga dela.

— Vai com calma, Kate – nós dois falamos juntos e Anastasia me encarou, dando-me um sorriso, meio triste, mas ainda sim era um sorriso.

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