ANASTASIA
Assim que me aproximei do prédio de apartamentos do campus, vi algumas viaturas da Polícia de Dallas e alguns policiais em frente do mesmo. Senti um aperto no meu coração, mas tentei ser otimista e não pensar que aquilo tudo fosse por causa do sumiço da Kate.
Estacionei o meu carro um pouco distante de onde sempre paro e me dirigi para a entrada do prédio, porém um dos policiais me barrou, perguntando quem eu era e o que eu fazia ali.
— Eu moro nesse prédio, senhor – informei, já mostrando minha carteira de identificação do campus, então ele me encarou por alguns segundos e me deixou passar.
Subi os lances de escada quase que correndo e mal pisei no corredor, onde fica nosso apartamento, vi dois policiais na porta de nossa casa. Respirei fundo e me aproximei devagar, sentindo novamente o aperto no meu peito, porém mais forte.
— Eu moro aqui – falei para os policiais que me barraram também quando tentei entrar no apartamento.
Um deles adentrou e chamou um cara que se aproximou, já saindo para o corredor e se apresentando como sendo um dos investigadores da polícia local.
— Você conhece Katherine Kavanagh? – ele perguntou e o meu coração oscilou algumas batidas.
— Sim – murmurei com a voz meio engasgada – Ela é minha melhor amiga. A gente mora juntas. Não como um casal. Dividimos as despesas do apartamento, sabe? O que aconteceu com ela?
— Eu sinto muito...
Quando comecei a ouvir aquelas palavras, as lágrimas vieram violentamente aos meus olhos e logo eu estava chorando, recostada na parede, tentando aceitar aquela notícia horrível. Meu pensamento não pôde deixar de ir para os pais da Kate e no quanto eles iam sofrer com aquilo também.
O investigador foi bem atencioso comigo e me conduziu para dentro do apartamento, fazendo com que eu me sentasse no sofá da sala. Aos poucos, consegui me acalmar e o choro foi passando, deixando apenas a angústia, e eu pude perceber que havia uma certa movimentação ali dentro.
Tinha uma mulher tirando fotos, outro homem olhava os armários da cozinha e outro abria meu computador que se encontrava em cima da mesa.
— Esse notebook é o meu. O da Kate está no conserto – informei, limpando o meu rosto, sendo o alvo dos olhares de todo – A gente divide... quer dizer, dividia ele – complementei, após ter dado a senha do aparelho para o cara – É difícil de acreditar que ela morreu. Eu saí ontem e a deixei bem.
— Pode me dizer para onde a senhorita foi? – o investigador inquiriu e eu assenti.
— Para o Haras do meu namorado. Eu ia passar o final de semana lá. Só vim porque mandei mensagem e liguei para a Kate e o telefone deu como se estivesse desligado.
O investigador me contou que haviam encontrado minha amiga às margens do Lago Bachman, que ficava a uns 11 minutos de carro daqui do campus. Ele então me perguntou se ela tinha algum namorado e eu rapidamente, neguei com a cabeça.
— Não. Ela ficou com dois rapazes do campus numa festa à alguns meses, mas foi lance de só uma noite mesmo. Eu não sei se isso tem haver com o que houve com minha amiga, mas ontem a Kate ia sair com um Sugar Daddy que ela havia conhecido em um site Sugar, que nós duas nos cadastramos.
Acabei tendo que explicar sobre o que era o Mundo Sugar para o investigador e o mesmo anotou tudo que eu falei. Depois me perguntou se poderia ficar com o notebook como prova, já que um dos policiais tinha achado as conversas e o perfil da Kate no site Sugar, e eu assenti.
Ele me pediu também para acompanhá-los até o Departamento de Polícia de Dallas para que eu pudesse dar o meu depoimento sobre o caso, além de que eles precisavam coletar minhas impressões digitais e meu DNA. Segundo o investigador estava claro que eu não era suspeita, porém eles precisavam me descartar por completo.
★ ★ ★ ★ ★
Cheguei em casa algumas horas depois e assim que adentrei o apartamento, senti um vazio tão grande em meu peito que comecei a chorar novamente, lembrando do momento que tive que ir até o necrotério para confirmar se era mesmo a Kate.
Não dava para acreditar que algumas horas atrás ela estava sentada na minha cama, rindo, e agora se encontrava lá deitada naquela maca, pálida e sem vida. Isso me fez pensar que a nossa vida é apenas um sopro, que a qualquer momento podemos partir e deixar as pessoas que amamos para trás.
Tomei um banho demorado para pôr as ideias no lugar, depois fui arrumar o pouco de bagunça que os policiais fizeram quando estavam ali verificando tudo. Preferi não ligar para o Christian, pois a filha dele havia chegado e isso só iria incomodá-lo.
A campainha tocou inesperadamente, fazendo-me sobressaltar um pouco, então me dirigi até a porta e abri uma brecha dela, já me surpreendendo ao ver Christian ali parado. Ele sorriu para mim assim que eu abri totalmente a porta.
— Você não entrou em contato então vim ver como estava – Christian comentou, entrando no apartamento quando lhe deu passagem – Está tudo bem com sua amiga, minha querida?
Suspirei profundamente, fechando a porta, me virei e o encarei.
— Ela morreu – informei, ciente do nó pré-choro em minha garganta.
Ele me olhou, meio assustado, então se aproximou, me abraçando de um jeito carinhoso e confortador, fazendo com que eu me sentisse segura nos braços dele.
— Eu sinto muito, minha flor de laranjeira. Você não está só nessa. Eu estou aqui com você.
Apenas assenti com a cabeça, que se encontrava repousada sobre a curva do seu pescoço enquanto meus braços rodearam sua cintura e minhas mãos apertaram forte sua blusa à medida que o choro emergia de novo.

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