domingo, 16 de agosto de 2020

Daddy Grey - Capítulo 50


ANASTASIA

SEIS MESES DEPOIS

Assistia a mais uma aula de catalão enquanto me encontrava sentada meio de ladinho em minha cadeira, recostada à parede da sala de aula, devido minha barriga já está bem grande, pois essa semana eu iria completar 9 meses.
Com o passar dos meses, com as consultas médicas onde eu tirava minhas dúvidas sobre a gravidez com o médico e também com os inúmeros conselhos que a minha Host-Mother sempre me dava, eu estava me sentindo mais confiante e sem muito medo do parto que se aproximava a cada dia.

Além do total apoio que eu recebia do Christian, que em menos de dois meses de reforma, ele e o meu Host-Dad haviam inaugurado o novo restaurante, que devido a vasta experiência dele para os negócios, o local tinha sido um sucesso de primeiro momento.

E hoje, depois de quatro meses e meio, estava a todo vapor, funcionando lotado praticamente todas as noites, rendendo um bom dinheiro aos dois. De repente, senti uma leve dor em minha barriga, fazendo com que eu a acariciasse.

— O que foi, bebê? – escutei Sven perguntar num sussurro, então virei o rosto, olhando para trás, pois o mesmo se encontrava sentado atrás de mim, e o vi inclinado por sobre a mesinha da carteira dele.

— Foi só uma dorzinha no pé da minha barriga – informei, sussurrando de volta – São contrações falsas. Não se preocupe.

Ele assentiu, esticando a mão e ficou fazendo carinho na minha barriga à medida que voltávamos a prestar atenção na aula.


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Srta. Taylor, si us plau, vine aquí i recita un passatge de la novel·la de Manuel de Pedrolo (Srta. Taylor, por favor, venha aqui e recite um trecho do romance de Manuel de Pedrolo) – minha professora pediu tempo depois.

Assenti e me levantei devagar, peguei então o livro Un amor fora ciutat (Um amor fora da cidade) ao qual estávamos estudando e me dirigi até a frente da classe, abrindo o romance e começando a ler um trecho que me marcou muito, pois me fazia lembrar um pouco da relação inexistente com a minha mãe.


“Tenia prop de divuit anys quan vaig conèixer en Raül, a l'estació de Manresa. El meu pare havia mort, inesperadament i encara jove, un parell d'anys abans; i d'aquells temps conservo un record de punyent solitud. Les meves relacions amb la mare no havien pas millorat, tot el contrari, potser fins i tot empitjoraven a mesura que em feia gran. No existia, no existí mai entre nosaltres, una comunitat d'interessos, d'afeccions. Cal creure que cercava… una persona en qui centrar la meva vida afectiva.”

(“Tinha cerca de dezoito anos quando conheci o Raül, na estação de Manresa. O meu pai havia morrido, inesperadamente e ainda jovem, um par de anos antes; e daquela época conservo uma memória de pungente solidão. A relação com a minha mãe não melhorou; pelo contrário, talvez até tenha piorado à medida que ia crescendo. Não existia, não existiu nunca entre nós interesses comuns, afeição. Acho que procurava... uma pessoa sob a qual centrar a minha vida afetiva.”)


Me encontrava terminando de ler a última frase do parágrafo quando senti novamente a dor, só que bem mais forte que antes, me fazendo soltar um “Aí” e me curvar um pouco para a frente, levando minha mão até o pé da barriga. Logo a professora me amparou e me fez sentar na cadeira dela.

A aula acabou ali mesmo, pois todos se aproximaram, fazendo um meia roda em torno de mim, da professora e dos meus amigos que foram os primeiros a virem para perto de mim. Daphné então apareceu com um copo com água, ao qual eu bebi lentamente, respirando fundo entre as goladas.

Minha professora me perguntou com quantas semanas eu estava então a informei. Ela pegou minha bolsa e me conduziu para fora da sala de aula até a recepção da escola e ligou para o meu Host-Dad, já o informando sobre o ocorrido.

Minutos depois, ouvi o som de um carro estacionando bruscamente em frente do colégio, e assim que olhei para a porta de vidro, vi Christian adentrar na recepção apressado e logo se aproximar de mim. Sorri, me sentindo mais aliviada por ele está ali comigo.

— Está com muita dor, Princesa? – Christian indagou à medida que me conduzia para o carro, ajudando-me a entrar no mesmo.

Neguei, o informando só sobre a leve dor no pé da minha barriga indo para as costas. Ele assentiu e colocou o cinto, já indo rumo ao hospital.


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— Quer mais oxigênio? – Christian indagou, acariciando minhas costas à medida que eu respirava profundamente enquanto tinha mais uma contração.

Me encontrava sentada na beirada da cama em um dos quartos do hospital. Quando chegamos ali, haviam me internado na emergência e assim que o meu médico apareceu e fez um ultrassom, constatou que eu havia perdido um pouco de líquido amniótico.
Ele então, após fazer o toque em mim e perceber que mesmo com contrações eu não estava dilatando nada, preferiu me internar na clínica onde ficava as gestantes, para que ele induzisse o meu parto a fim de não deixar o meu bebê entrar em sofrimento, mesmo eu estando no final do oitavo mês.

— Quero – murmurei ao final da contração.

Christian pegou a máscara de oxigênio, ligando o cilindro ao lado da cama então me deu. Me deitei novamente, de lado, e fiquei ali, respirando um pouco enquanto ele acariciava a lateral do meu corpo e a minha barriga, que se encontrava com um aparelho para monitorar nosso menininho.

— Espero que liberem logo a centro cirúrgico. Não aguento mais ver você com dor, Princesa – Christian comentou, se sentando na beirada do colchão, se inclinando e beijando a lateral da minha testa.

— Precisamos decidir o nome do nosso menininho, Daddy – falei, tirando a máscara um pouco do meu rosto.

Ele sorriu.

— Escolha você, minha princesa. Enrico ou Ruan?

Pensei por alguns segundos, depois uma nova respirada com a máscara e o encarei.

— Pode ser Ruan?

— Claro, Princesa.

— Daí depois a gente poder ter o nosso Enrico – informei dando um sorriso que chegou aos lábios dele.

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