sábado, 25 de julho de 2020

S.E.X - 3ª Temporada - Capítulo 22


CHRISTIAN

— A área de suas costas e ombros sofreram queimaduras de 1° grau, devido a combinação de pele já irritada, queimada pelo sol, com os componentes do gel passado sobre a mesma. Vou lhe receitar um analgésico e um creme anestésico local para você poder dormir a noite mais tranquilamente.

— Obrigado, doutora – murmurei, vestindo novamente, com cuidado, o meu sobretudo.

— E nada de tomar sol por algumas semanas. Sua pele precisa se regenerar primeiro. E sempre use protetor solar.

Assenti com a cabeça.

— Eu aprendi a lição. A partir de hoje serei o fã número um dos protetores solares – comentei, fazendo a médica sorrir e soltar um “É bom mesmo. Para o seu próprio bem”.

Ela também deu algumas orientações para Anastasia sobre como aplicar o creme anestésico, aumentando a quantidade nas áreas mais afetadas. Depois nos despedimos da doutora e saímos da clínica. Ana só deixou eu e a Leah na porta de casa e já retornou para o trabalho dela.


★ ★ ★ ★ ★


A tarde seguiu tranquila e graças a Deus, a minha filha não me perguntou mais sobre o que era sexo. Todavia, assim que Anastasia retornou à noite, a primeira coisa que ela perguntou a Leah foi se eu havia lhe explicado sobre sexo.

— Poxa, amor. Ela já tinha esquecido sobre isso – comentei enquanto terminava de preparar o nosso jantar.

— E você acha que eu ia deixar a Leah esquecer? – Ana indagou, sorrindo de um modo cínico, já se aproximando de mim, dando um beijo rápido na minha bochecha – Nunca, querido.

Rolei os olhos e bufei emburrado, olhando para minha filha que havia parado de desenhar e nos encarava, provavelmente esperando a tal resposta.

— Sexo é algo que você vai fazer só quando estiver já terminado os estudos, princesa.

— Duvido – retrucou Anastasia, rindo baixo – Vai, querido. Explica para ela o que é realmente o sexo?

“Essa safada vai me pagar caro por isso” pensei enquanto tentava achar um jeito de sair daquela situação mega constrangedora.

Vi então, sobre a bancada da ilha da cozinha, algumas verduras que eu havia tirado para colocar no ensopado que me encontrava fazendo, incluindo cenouras, então pensei que seria uma boa ideia explicar de um jeito meramente romântico e leve o que era sexo. Todavia, só fiz Ana rir mais ainda de mim e deixar a minha filha com uma carinha de confusa.

— Deixa com a profissional aqui, querido – Anastasia murmurou, rindo um pouco ainda, batendo de leve no meu ombro nu, já indo se sentar ao lado de Leah, pegando uma folha de papel branca e um dos lápis da minha filha.

Voltei minha atenção para a panela a fim de terminar o nosso jantar, mas não pude deixar de observar, às vezes, Ana explicando para Leah através de desenhos e de uma linguagem mais infantil o que eram os órgãos reprodutores, para que serviam, o que incluía falar sobre sexo.

— Sexo é algo muito bom de se fazer com quem você deseja, sem menino ou menina, mas você só vai poder fazer isso quando tiver grande, no meu tamanho e do seu papai, porque aí a sua florzinha que ainda é pequenininha hoje, já vai está grande e pronta para você usar a vontade, ok?

“Usar a vontade? Só se for por cima do meu cadáver de pai”

— Ok, titia. Espero que eu cresça logo para eu ter muitos bebês como você pra eu poder brincar com eles.

“Muitos bebês...”

Ao ouvir aquilo, meu coração deu uma vacilada nos batimentos, acho que até fiquei com a visão meia turva. Olhei para Anastasia e a mesma tentava segurar o riso.

— Vamos fazer o seguinte, princesa. A titia amanhã mesmo vai comprar um bebê para você brincar, ok?

— Sério, titia? – Leah indagou e eu encarei Ana, incrédulo, vendo-a assentir sorrindo para a minha filha que se encontrava toda animada.

“Como assim essa maluca vai comprar um bebê?”

“Será que é uma boneca?”

“Tem que ser. Não é possível ela comprar um bebê, Senhor”

“Ou será que é?”

— Amor, não precisa comprar uma boneca nova...

— Eu não disse boneca, querido. E sim um bebê.

— De verdade?

— Sim, Christian. Depois do jantar, eu vou ligar para a Ivy, já que ela é enfermeira em um hospital. e ver com ela se a mesma me arruma um bebê.

— Tá maluca, mulher! – exclamei, um pouco alterado, de desespero mesmo, porque do jeito que a Anastasia era, com certeza ela era capaz de fazer aquela doidice mesmo e eu não estava a fim de ser preso por compra ilegal de crianças – O ensopado está pronto. Vamos jantar e deixar de falar besteira – comentei, já pegando um prato e colocando comida para minha filha.


★ ★ ★ ★ ★


— Era trollagem, não era? Você não vai comprar de verdade um bebê, né amor? Aquela ligação para Ivy era fake, não é? – inquiri à medida que Ana terminava de passar o creme em mim, para irmos dormir.

— Talvez, querido – ela disse, parando à minha frente, dando um sorriso e passando o creme em meu rosto.

— Amor, é sério. Você pode ser presa por isso. Nós podemos, porque vão achar que eu sou seu cúmplice também.

— Relaxe, Christian. Meu esquema com a Ivy vai dá tudo certo.

— Eu deveria saber que aquela outra doida iria aceitar. Se forem presas eu não conheço vocês, ok? Você me largou, virou lésbica e foi morar com a sua parceira de crime.

Anastasia parou de passar o creme e me encarou bem séria, cruzando os braços sobre o busto.

— Primeiro, querido... Não dá para virar lésbica, você já nasce assim, e eu não sou lésbica. Meu negócio é pau. E segundo, é sério que está me chamando de doida?

Talvez eu devesse morrer de medo do olhar que ela estava me dando, mas eu não ia acobertar um crime.

“Foda-se!”

— Estou sim. Você é uma doida desvairada, mimada e teimosa, que quando coloca uma coisa na cabeça não tem nada nesse mundo que tire.

Ana balançou a cabeça, assentindo ainda séria.

— Tudo bem – ela falou, indo rumo da cama e pegando meu travesseiro, já o jogando em cima de mim – Tenha uma boa noite, dormindo no sofá lá embaixo na sala, querido.

— Amor, deixa de besteira...

— Quer mesmo contrariar uma grávida com raiva, querido? Ah e não podemos esquecer que eu sou doida também. Uma grávida doida e com raiva. Bela combinação, não acha?

“É melhor eu não arriscar com essa fera” pensei, pegando o travesseiro do chão, depois um edredom no closet, já saindo do quarto.

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