ANASTASIA
Minutos depois, chegamos ao cemitério, após pararmos em uma floricultura durante o caminho. Como Anabella não havia participado do enterro, a mesma não sabia onde ficava a lápide, então entrelacei nossos braços e nos conduzi até o local. Assim que chegamos, levantei meu vestido até a altura dos joelhos e me ajoelhei na grama, me inclinando, já tirando as flores mortas dos vasos e colocando as novas no lugar.
— Eu nunca vou perdoar ele, Ana. Você sabe disso, não é?
— Eu sei, Ella – falei me levantando e abraçando ela meio de lado, pela cintura – Mas só de você está aqui comigo, significa muito para mim.
A abracei mais forte, começando a chorar sutilmente à medida que eu fazia uma oração mental para a alma do meu pai. Ficamos ali por algum tempo, abraçadas e pensativas, até que me desvencilhei da minha irmã e a chamei para irmos embora.
— Espera, Ana. Eu preciso fazer uma coisa.
— O que? – indaguei, já vendo Anabella se ajoelhar em frente à lápide.
— Eu sei que, por alguma razão, você não me amava... mas, quando criança, você era o herói da Aninha e isso te tornava o meu herói também, mesmo que quando a noite chegasse, você se transformasse no vilão...
Vi minha irmã começar a chorar e eu respirei fundo, já sentindo meus olhos turvos pelas lágrimas.
— Graças a você... eu e a minha irmã somos o que somos hoje... Não sei se é bom ou ruim, mas obrigada... Sem você... eu e a Ana provavelmente não seríamos tão unidas... ao ponto de fazer qualquer coisa uma pela outra.
Não consegui mais me segurar e desabei no choro também.
— Eu te odeio... mas a Ana te ama muito, apesar de tudo... E você vai ver, de onde estiver... eu e ela vamos ser mães maravilhosas... Vamos amar e proteger os nossos filhos com unhas e dentes... Nada e ninguém vai machucar eles... e tudo isso é graças a você... Você nos fortaleceu... Obrigada por isso.
Ella colocou a rosa de plástico, que a mesma tinha comprado, em um dos vasos, depois se levantou, já se virando para mim e pegando em minhas mãos, entrelaçando nossos dedos enquanto recostava sua testa na minha.
— Eu venho com você sempre que quiser, irmã. Não precisa fazer nada sozinha. Você tem a mim, ouviu?
— Ouvi sim. E obrigada, mana. Te amo muito.
— Também te amo muito, minha buchudinha 01 – ela disse, limpando o rosto, depois se afastou um pouco e acariciou minha barriga – A titia também ama vocês, princesas.
— E se forem meninos? – indaguei, já vendo minha irmã fazer uma careta.
— Vão ser tudo menina. Eu também vou ter duas meninas. As mulheres vão dominar o mundo! – Anabella exclamou, fazendo-me rir.
— Menos, sua louquinha – falei, então começamos a nos afastar do túmulo, retornando para o estacionamento do cemitério – Eu estou com vontade de comer sushi – confidenciei e Ella sorriu, dizendo que também estava – A gente então procura um restaurante aberto à essa hora e matamos a nossa vontade.
— Beleza! – minha irmã exclamou, empolgada, à medida que entrávamos no carro.
O papo entre eu e minha irmã, no restaurante chinês, estava tão bom que acabamos voltamos para casa do Christian, lá pelo final da tarde. A família do mesmo já tinha ido embora e ele, juntamente com Jack, se encontravam no quintal, terminando de arrumar as coisas.
— Até que enfim voltaram! – Jack exclamou quando nos aproximamos dos dois – A gente estava achando que as duas tivessem fugido para Las Vegas.
— Até que não seria uma má ideia, gatinho.
— Passaram esse tempo todo no cemitério? – Christian inquiriu à medida que eu o abraçava pela cintura, dando-lhe um selinho em seguida.
— Não. Estávamos matando nossa vontade de comer sushi – Ella respondeu, também abraçada ao Jack – Vamos para casa, amor? Tenho o último presente para você – ela disse dando um beijo nele.
— Eita, porra! É hoje que o papai aqui se dá bem!
— Como se a gente não transasse todo dia, né? – minha irmã rebateu, fazendo todos nós sorrirmos.
Nos despedimos deles e Christian logo informou que iria terminar de guardar o resto da comida que havia sobrado, então aproveitei que ele foi para a cozinha e fui guardar o meu carro na garagem, já tirando o presente dele do porta-malas, onde eu vinha escondendo todos esses dias.
— Amor... – cantarolei, adentrando a cozinha, com a caixa em mãos.
— Já eu subo, amor. Só estou terminando de limpar a pia primeiro – Christian disse, ainda de costas para mim.
— Deixa aí que eu termino para você. Vem abrir o seu presente, querido.
— Meu presente? – ele indagou, incredulamente, já se virando para mim.
— Feliz Dia dos Pais, papai! – exclamei, sorrindo, estendendo a caixa para ele, que ainda permanecia surpreso, então o mesmo enxugou as mãos e se aproximou.
— Obrigado, amor – Christian murmurou, me dando um beijo – Eu pensei que você não iria me dar nada esse ano.
— Verdade. Mas dias atrás, quando acompanhei minha irmã até o shopping, me convenci de que você merecia sim alguns mimos nesse dia – comentei, amarrando meu cabelo num coque, já me aproximando da pia.
Olhei para trás, por sobre o ombro quando Christian indagou um “Alguns?”, então o mandei se sentar e abrir logo a caixa, depois voltei a olhar para frente, sorrindo ao escutar o mesmo dizer “Oh meu Deus!”, todo entusiasmado.
— Papai, você é mais esperto que o Yoda, mais leal que o Obi-Wan, mais corajoso que o Luke Skywalker. Você é o meu Jedi favorito – ele dizia, feliz da vida – Melhor pai do mundo... Feliz Dia dos Pais...
— A almofadinha é minha – informei, terminando de secar a bancada ao lado da pia.
De repente, Christian me abraçou por trás, com um dos braços e beijou o meu pescoço, fazendo-me sorrir.
— Gostou dos presentes?
— Eu adorei, meu amor. Principalmente, esse aqui – ele falou, depositando o porta-retrato sobre a bancada – Quando você fez essa ultrassom? Eu não lembro dos nossos pequenos já estarem desse tamanho na última que você fez.
— Essa eu fiz ontem, querido.
Me virei e o vi todo emocionado, olhando ainda para o porta-retrato.
— Acho que vou colocar na mesinha de cabeceira do meu lado. Obrigado, Ana. Obrigado por tudo. Eu te amo muito – Christian sussurrou, já pegando meu rosto entre suas mãos, me beijando intensamente.
— Agradeça a mamãe aqui, deixando ela feliz com esse pau maravilhoso – murmurei, entre nossas bocas, já mordendo e puxando o seu lábio inferior.
— Pode deixar que o papai aqui vai deixar a mamãe muito feliz sim.
Sorrimos safadamente um para o outro, então o enlacei pelo pescoço, selando nossos lábios novamente à medida que sentia as mãos dele apertarem minha bunda.
Minutos depois, chegamos ao cemitério, após pararmos em uma floricultura durante o caminho. Como Anabella não havia participado do enterro, a mesma não sabia onde ficava a lápide, então entrelacei nossos braços e nos conduzi até o local. Assim que chegamos, levantei meu vestido até a altura dos joelhos e me ajoelhei na grama, me inclinando, já tirando as flores mortas dos vasos e colocando as novas no lugar.
— Eu nunca vou perdoar ele, Ana. Você sabe disso, não é?
— Eu sei, Ella – falei me levantando e abraçando ela meio de lado, pela cintura – Mas só de você está aqui comigo, significa muito para mim.
A abracei mais forte, começando a chorar sutilmente à medida que eu fazia uma oração mental para a alma do meu pai. Ficamos ali por algum tempo, abraçadas e pensativas, até que me desvencilhei da minha irmã e a chamei para irmos embora.
— Espera, Ana. Eu preciso fazer uma coisa.
— O que? – indaguei, já vendo Anabella se ajoelhar em frente à lápide.
— Eu sei que, por alguma razão, você não me amava... mas, quando criança, você era o herói da Aninha e isso te tornava o meu herói também, mesmo que quando a noite chegasse, você se transformasse no vilão...
Vi minha irmã começar a chorar e eu respirei fundo, já sentindo meus olhos turvos pelas lágrimas.
— Graças a você... eu e a minha irmã somos o que somos hoje... Não sei se é bom ou ruim, mas obrigada... Sem você... eu e a Ana provavelmente não seríamos tão unidas... ao ponto de fazer qualquer coisa uma pela outra.
Não consegui mais me segurar e desabei no choro também.
— Eu te odeio... mas a Ana te ama muito, apesar de tudo... E você vai ver, de onde estiver... eu e ela vamos ser mães maravilhosas... Vamos amar e proteger os nossos filhos com unhas e dentes... Nada e ninguém vai machucar eles... e tudo isso é graças a você... Você nos fortaleceu... Obrigada por isso.
Ella colocou a rosa de plástico, que a mesma tinha comprado, em um dos vasos, depois se levantou, já se virando para mim e pegando em minhas mãos, entrelaçando nossos dedos enquanto recostava sua testa na minha.
— Eu venho com você sempre que quiser, irmã. Não precisa fazer nada sozinha. Você tem a mim, ouviu?
— Ouvi sim. E obrigada, mana. Te amo muito.
— Também te amo muito, minha buchudinha 01 – ela disse, limpando o rosto, depois se afastou um pouco e acariciou minha barriga – A titia também ama vocês, princesas.
— E se forem meninos? – indaguei, já vendo minha irmã fazer uma careta.
— Vão ser tudo menina. Eu também vou ter duas meninas. As mulheres vão dominar o mundo! – Anabella exclamou, fazendo-me rir.
— Menos, sua louquinha – falei, então começamos a nos afastar do túmulo, retornando para o estacionamento do cemitério – Eu estou com vontade de comer sushi – confidenciei e Ella sorriu, dizendo que também estava – A gente então procura um restaurante aberto à essa hora e matamos a nossa vontade.
— Beleza! – minha irmã exclamou, empolgada, à medida que entrávamos no carro.
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O papo entre eu e minha irmã, no restaurante chinês, estava tão bom que acabamos voltamos para casa do Christian, lá pelo final da tarde. A família do mesmo já tinha ido embora e ele, juntamente com Jack, se encontravam no quintal, terminando de arrumar as coisas.
— Até que enfim voltaram! – Jack exclamou quando nos aproximamos dos dois – A gente estava achando que as duas tivessem fugido para Las Vegas.
— Até que não seria uma má ideia, gatinho.
— Passaram esse tempo todo no cemitério? – Christian inquiriu à medida que eu o abraçava pela cintura, dando-lhe um selinho em seguida.
— Não. Estávamos matando nossa vontade de comer sushi – Ella respondeu, também abraçada ao Jack – Vamos para casa, amor? Tenho o último presente para você – ela disse dando um beijo nele.
— Eita, porra! É hoje que o papai aqui se dá bem!
— Como se a gente não transasse todo dia, né? – minha irmã rebateu, fazendo todos nós sorrirmos.
Nos despedimos deles e Christian logo informou que iria terminar de guardar o resto da comida que havia sobrado, então aproveitei que ele foi para a cozinha e fui guardar o meu carro na garagem, já tirando o presente dele do porta-malas, onde eu vinha escondendo todos esses dias.
— Amor... – cantarolei, adentrando a cozinha, com a caixa em mãos.
— Deixa aí que eu termino para você. Vem abrir o seu presente, querido.
— Meu presente? – ele indagou, incredulamente, já se virando para mim.
— Feliz Dia dos Pais, papai! – exclamei, sorrindo, estendendo a caixa para ele, que ainda permanecia surpreso, então o mesmo enxugou as mãos e se aproximou.
— Obrigado, amor – Christian murmurou, me dando um beijo – Eu pensei que você não iria me dar nada esse ano.
— Verdade. Mas dias atrás, quando acompanhei minha irmã até o shopping, me convenci de que você merecia sim alguns mimos nesse dia – comentei, amarrando meu cabelo num coque, já me aproximando da pia.
Olhei para trás, por sobre o ombro quando Christian indagou um “Alguns?”, então o mandei se sentar e abrir logo a caixa, depois voltei a olhar para frente, sorrindo ao escutar o mesmo dizer “Oh meu Deus!”, todo entusiasmado.
— Papai, você é mais esperto que o Yoda, mais leal que o Obi-Wan, mais corajoso que o Luke Skywalker. Você é o meu Jedi favorito – ele dizia, feliz da vida – Melhor pai do mundo... Feliz Dia dos Pais...
— A almofadinha é minha – informei, terminando de secar a bancada ao lado da pia.
De repente, Christian me abraçou por trás, com um dos braços e beijou o meu pescoço, fazendo-me sorrir.
— Gostou dos presentes?
— Eu adorei, meu amor. Principalmente, esse aqui – ele falou, depositando o porta-retrato sobre a bancada – Quando você fez essa ultrassom? Eu não lembro dos nossos pequenos já estarem desse tamanho na última que você fez.
Me virei e o vi todo emocionado, olhando ainda para o porta-retrato.
— Acho que vou colocar na mesinha de cabeceira do meu lado. Obrigado, Ana. Obrigado por tudo. Eu te amo muito – Christian sussurrou, já pegando meu rosto entre suas mãos, me beijando intensamente.
— Agradeça a mamãe aqui, deixando ela feliz com esse pau maravilhoso – murmurei, entre nossas bocas, já mordendo e puxando o seu lábio inferior.
— Pode deixar que o papai aqui vai deixar a mamãe muito feliz sim.
Sorrimos safadamente um para o outro, então o enlacei pelo pescoço, selando nossos lábios novamente à medida que sentia as mãos dele apertarem minha bunda.

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