quinta-feira, 16 de julho de 2020

Daddy Grey - Capítulo 01


CHRISTIAN

DUAS SEMANAS DEPOIS

Graças a Deus, eu tinha convencido os encanadores a agilizarem o serviço e na sexta-feira, daquela mesma semana, nós havíamos conseguido voltar para nossa mansão, onde logo os ânimos de toda a família pareceu se elevar um pouco.

Já com relação ao clima entre eu e a minha filha Ana, depois daquela situação constrangedora, havia mudado um pouco, mas não ao ponto de pararmos de nos tratar com cumplicidade. Me levantei da cama e fui para o banheiro, me preparar para mais um dia de trabalho. Hoje, eu e a minha esposa, estávamos completando dezenove anos de casamento, mas não íamos comemorar hoje a noite, porque Carla inventou uma viagem de última hora para Calgary, no Canadá.

Dezenove anos juntos, era muito tempo, mas mesmo amando minha mulher com seus defeitos e manias, a nossa vida sexual não estava indo nada bem e isso acabava ajudando com a crise existente em nosso casamento.

Muitos dizem que em um casamento há as crises dos 07, dos 14 e dos 21 anos. Todavia, a nossa veio dois anos antes. Motivo? A terrível, silenciosa e maldita rotina. Por mais de quatorze anos, eu havia conseguido escapar dela, mas a mesma veio e se instalou como uma hóspede indesejada.

— Você continua linda como sempre, meu amor – elogiei Carla, já abraçando-a por trás, beijando seu ombro, seguindo para sua nuca, vendo a mesma se arrepiar todinha.

— Christian, agora não é uma boa hora para transarmos – ela disse, quando prensei seu corpo entre a bancada da pia e o meu corpo.

Soltei um resmungo, contrariado, e me afastei.

— Para você, nunca é uma boa hora, Carla. Eu estou cansado já disso. Da mesma desculpa de sempre – resmunguei e ela apenas me encarou, rolou os olhos e saiu rumo ao closet, então fui atrás dela, porque já estava na hora de termos aquela conversa – Me fala a verdade, hein querida? Você inventou essa viagem só para não comemorarmos o nosso aniversário de casamento?

— E por acaso é hoje?

Coloquei a mão no rosto, não acreditando que ela tinha esquecido de novo. Às vezes, eu achava que a minha esposa era o homem da nossa relação, porque oh mulherzinha que gostava de esquecer as datas importantes das nossas vidas.

— É hoje sim, Carla. Estamos fazendo dezenove anos de casados – falei emburrado e fui até uma das portas do armário do closet e abri, tirando os presentes, já os entregando à ela, sem me importar se estava sendo rude em meus movimentos – Feliz aniversário de casamento, amor – desejei secamente, antes de sair e voltar para o banheiro, a fim de aparar a barba.
Passou-se alguns minutos até que vi, pela minha visão periférica, Carla adentrar o banheiro e se aproximar de mim, que me encontrava terminando de acertar a barba.

— Me desculpe por ter esquecido essa data especial, querido. Você sabe que se eu tivesse lembrado do nosso aniversário, nunca teria marcado uma reunião com a Stephenie Meyer e com a Meg Cabot – ela disse me abraçando por trás, beijando-me o ombro nu – Prometo que quando eu voltar, a gente vai comemorar.

Limpei o rosto e me virei, escorando-me na pia, já segurando sua cintura por sobre sua camisola de seda vermelha.

— Pode ter certeza que eu vou cobrar, amor – comentei, beijando-a em seguida.

Todavia, quando as coisas iam começar a esquentar entre a gente, escutamos um som meio abafado vindo do lado de fora do quarto. Era Anastasia, com o som bem alto. Ela tinha começado com essa mania de escutar música bem cedo. Coisa de adolescente.

— Eu não aguento mais essa menina. Vê se dá um jeito nela, Christian – Carla pediu, enquanto se desvencilhava de mim.

— Porque eu faria isso?

— Porque você tem mais paciência para lidar com aquela fedelha do que eu. Seu eu for lá, é capaz de eu matar ela numa surra, por ficar irritando a gente todos os dias, com esse som alto à essa hora da manhã.

Respirei fundo e fui até o closet, onde vesti a calça preta do terno, uma blusa branca social e coloquei a gravata. Depois sai indo até a mesinha de cabeceira do meu lado da cama e peguei a chave mestra que abria todas as portas da mansão, já me dirigindo em seguida para fora do quarto.
Assim que pisei no longo corredor, vi os gêmeos esmurrando freneticamente a porta da irmã mais nova deles.

— Abaixa esse caralho aí, sua peste! – Elena gritou alto, porém o som de dentro estava mais alto ainda.

— Oh, fedelha! Abre essa porra de porta para eu poder arrancar as suas tripas!

Presentear o meu filho com obras do tal Stephen King havia sido uma péssima ideia, porque agora, o menino só falava em sangue, mortes, tripas e demônios.

— Ninguém vai arrancar as tripas de ninguém aqui – comentei bem sério, parando ao lado deles – Bom dia, meninos – os cumprimentei, mas nenhum retornou o meu cumprimento e sim, começaram a reclamar.

— Essa garota atrapalhou a minha concentração, pai.

— A nossa, maninho.

Como Elliot havia seguido os passos da mãe, no ramo literário, ele precisava, assim como a Carla, de um ambiente calmo e silencioso para poder escrever. Já, Elena acordava bem cedo, vestia seu collant e ia para o estúdio de balé, montado em um dos quartos de hóspedes, a fim de poder treinar antes de ir para sua escola de dança.

Assim que consegui destrancar a porta, pois a mesma provavelmente se encontrava com a outra chave pelo lado de dentro, nos deparamos com a Ana dançando, ou melhor dizendo, rebolando de um jeito bem vulgar ao som de uma música, vestida em uma lingerie preta, bem sexy, e com um casaco de pele.
Por alguns segundos, esqueci que ela era minha filha, e novamente admirei aquele corpo que se movia com a melodia. Todavia, logo recuperei a razão e assumi minha postura de pai.

— Anastasia! – gritei bem alto e ela parou de dançar de repente, virando-se assustada, então me aproximei do aparelho de som, já o desligando.

— Se fudeu bonito, pirralha – escutei meu filho zombar, antes de sair do quarto.

— Dá um esporro bem grande nela, pai – pediu Elena, quando mandei ela também sair do quarto.

Fechei a porta e me virei para Anastasia, encarando-a.

— O que está acontecendo com você, filha? – inquiri me aproximando dela, então peguei em seu queixo – E que merda é essa na sua cara? Vai tirar isso agora mesmo! Filha minha não anda igual a uma prostituta!

— Qual é, pai? É só uma maquiagem.

— Não me faça repetir de novo, mocinha – rosnei com raiva, não dela e sim de mim mesmo por está ficando, a cada segundo, mais excitado, como havia acontecido semana retrasada.

Mesmo resmungando, Ana se dirigiu ao banheiro, então de repente escutei um bipe que me fez olhar para a cama dela, chamando-me a atenção para o seu celular. Não sei o porque de eu ter me aproximado da cama e de ter pegado o telefone dela, mas fiz.

O mesmo estava com a câmera ligada, então vi uma selfie em uma posição bem sensual que Anastasia tinha tirado usando a roupa que ela se encontrava vestida. Aquilo me deixou com uma pulga atrás da orelha, então comecei a passar as outras fotos de sua galeria, todas parecendo que ela mesma havia tirado.
— Mas que porra é essa? – sussurrei em choque.

— Pai?

Me virei e fechei logo a cara para ela.

— O que diabos é isso aqui, Anastasia? – inquiri, mostrando-lhe o celular.

— É só algumas selfies que eu fiz. Não é nada demais, pai – Ana disse, dando de ombros, já passando por mim rumo ao closet.

Entretanto, peguei em seu braço, fazendo a mesma parar e me encarar.

— Como assim “Não é nada demais”? São fotos da minha filha pelada. Para quem você está mandando essas putarias?

— Para ninguém – ela mentiu descaradamente, então a soltei.

— Tira o casaco.

— Porque?

— Tira o casaco e não me faça mais repetir isso – ralhei, assumindo uma postura dominante.

Eu não era um praticante assíduo do BDSM, era apenas um simpatizante/fetichista que havia aprendido as práticas e as tinha usado para apimentar o meu casamento, mas como não estava mais resolvendo nada, eu havia deixado isso de lado, esquecendo até mesmo da masmorra que tinha montado no porão desta mansão.

Todavia, eu sentia um pouco de saudade de dominar, e vendo a Anastasia me obedecer de cabeça baixa, me fez sentir vivo novamente, do jeito que eu ficava quando dominava a Carla anos atrás.

— Agora venha até aqui e deite-se de bruços sobre minhas coxas – ordenei, assim que me sentei no sofá existente em seu quarto.

Mesmo hesitante, ela se aproximou, fazendo o que eu tinha lhe mandado, equilibrando-se sobre meu colo e usando o assento do sofá, como apoio para a parte superior do seu corpo.

— O que o senhor vai fazer, pai?

Não respondi, apenas ergui o braço, descendo-o em seguida, acertando-lhe em cheio uma das nádegas. Minha filha se sobressaltou com o golpe, dando um gritinho assustado, já tentando se livrar do segundo golpe, mas eu a mantinha travada com meu outro braço.

— Por favor, paizinho...

— Nada de “paizinho”. Você vai aprender a nunca mais mandar fotos suas pelada para estranhos – falei, já descendo a mão novamente, acertando em cheio a polpa da sua bunda, antes branca, agora em tons de rosa claro.
Ana se contorcia entre os golpes, mas não chorava. E o estranho daquilo tudo era que eu estava gostando e ficando muito excitado em aplicar aquele castigo nela. Mais algumas palmadas e sua bunda ficou vermelhinha, até que de repente escutei um soluço lhe escapar da garganta, então passei a intercalar. Uma palmada e depois um carinho sobre a pele que já deveria está ardendo.

— Promete que nunca mais vai tirar selfies, vestida daquele jeito, e nem mandar fotos suas para estranhos?

— Prometo – ela murmurou, meio chorosa, então a tirei do meu colo e me levantei, já puxando-a para mim, aconchegando a mesma em meus braços, sem me importar se estava de pau duro.

— Você é a minha garotinha e o meu dever é te proteger dos homens maus. Nenhum deles vai chegar perto de você para te fazer mal. Não enquanto eu for vivo. E tente não colocar o som muito alto logo de manhã cedo, ok? – indaguei, afagando seus cabelos, recentemente pintados por ela de castanho escuro.

— Ok – ela murmurou, ainda com o rosto escondido em meu peito, então beijei o alto de sua cabeça.

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