terça-feira, 7 de abril de 2020

RUNWAY - Angel's & Devil's - Capítulo 20


DAKOTA

Assim que parei na frente dele, Jay segurou minha cintura e gentilmente me fez virar de costas.

— Está desconfortável o fio dental? – ouvi ele perguntar enquanto acariciava minha bunda e minhas coxas, então neguei – Que bom. Eu havia dado uma olhada na sua gaveta de calcinhas e vi que você não tinha nenhuma fio dental, então quis arriscar e te dar algo novo, que você nunca tivesse usado.

— Confesso que eu não usaria no dia a dia, mas para dormir é tranquilo – murmurei, me afastando um pouco e virando, quando Jamie se levantou.

Ficamos frente a frente e ele começou a passar seus dedos por sobre a renda que cobria os meus mamilos, fazendo-me fechar os olhos e gemer baixinho, pois me encontrava com os seios um pouco sensíveis demais aquela semana.

— Está muito cansada, amor? – Jay inquiriu, então o encarei.

— Um pouco. Esses dias estão sendo bem puxados para mim, mas podemos transar se você quiser – falei, dando um meio sorriso, já o enlaçando pelo pescoço e o beijando.

Ao final do beijo, ele me deu um selinho e se desvencilhou de mim.

— Vamos dormir, minha rainha.

— Não. Vamos transar. Nós temos um contrato onde eu tenho que te fornecer...

— Não, não tem, Dak. No momento em que você aceitou a ter algo verdadeiro comigo, como um casal normal de namorados, nosso contrato de sexo não vale mais. Ele não precisa ser cumprido, ok? – Jamie comentou, beijando minha testa, já voltando em seguida para a cama.

À medida que eu me deitava ao seu lado, perguntei novamente se Jay realmente não queria transar e o mesmo disse que estava tudo bem, que éramos para dormir, pois ele também estava cansado. Assenti e dei um selinho nele, desejando “Boa noite”, antes de me ajeitar de costas para Jamie e dormir.


★ ★ ★ ★ ★


NO DIA SEGUINTE

Me encontrava na sala de reunião, juntamente com os diretores dos demais setores da revista RUNWAY e da marca Angel’s & Devil’s, esperando Jay chegar para começarmos a reunião. O mesmo havia ido deixar a filha no colégio, pois era a semana dele com a menina.
— Bom dia, pessoal. Desculpe o atraso – ele disse, ao entrar na sala, já se encaminhando em minha direção – Oi, amor – Jamie murmurou, sentando na cadeira dele perto da minha.

— Oi, querido – falei, dando um sorriso para ele, já iniciando a nossa reunião.

Fiz um apanhado geral de como estávamos indo com relação às futuras edições pré-editadas da revista. Depois repassei a todos uma cópia da lista de lugares que iríamos visitar durante a viagem.


LISTA DE LUGARES

01 - Londres (Reino Unido);

02 - Paris (França);

03 - Madrid (Espanha);

04 - Lisboa (Portugal);

05 - Rabat (Marrocos);

06 - Cidado do Cabo (África do Sul);

07 - Maputo (Moçambique);

08 - Harare (Zimbábue);

09 - Antananarivo (Madagascar);

10 - Cairo (Egito);

11 - Istambul (Turquia) - Descanso de uma semana;

12 - Atenas (Grécia);

13 - Roma (Itália);

14 - Berlim (Alemanha);

15 - Varsóvia (Polônia);

16 - Estocolmo (Suécia);

17 - Moscou (Rússia);

18 - Teerão (Irã);

19 - Dubai (Emirado Árabes Unidos);

20 - Nova Delhi (Índia);

21 - Colombo (Sri Lanka);

22 - Malé (Maldivas) - Descanso de uma semana;

23 - Mandalay (Myanmar);

24 - Bangkok (Tailândia);

25 - Phnom Penh (Camboja);

26 - Luang Prabang (Laos);

27 - Hanói (Vietnã);

28 - Taipé (Taiwan);

29 - Pequim (China);

30 - Pyongyang (Coréia do Norte);

31 - Seul (Coréia do Sul);

32 - Tóquio (Japão);

33 - Honolulu (Havaí) - Descanso de uma semana;

34 - Manila (Filipinas);

35 - Singapura;

36 - Jakarta (Indonésia);

37 - Sidney (Austrália);

38 - Auckland (Nova Zelândia);

39 - Santiago (Chile);

40 - Buenos Aires (Argentina);

41 - Machu Picchu (Peru);

42 - Manaus (Brasil);

43 - Bogotá (Colombia);

44 - Porto Príncipe (Haiti) - Descanso de uma semana;

45 - Kingston (Jamaica);

46 - Cidade da Guatemala (Guatemala);

47 - Belmopan (Belize);

48 - Cidade do México (México);

49 - Havana (Cuba);

50 - George Town (Ilhas Cayman) - Descanso de uma semana e fechamento da viagem.


— Ficaremos três dias em cada cidade, com exceção das cidades que iremos passar uma semana a fim de descansar. Serão seis meses de viagem e teremos dois meses para preparar a edição de aniversário da revista, a festa de lançamento da edição e o desfile, que ocorrerá na festa – informei.

— Eu gostei dos destinos escolhidos – Nina comentou, sorrindo.

— Vamos viajar seguindo a ordem da lista. Primeiro iremos para o Reino Unido, desceremos para a França, seguiremos para Espanha, depois Portugal, Marrocos e assim por diante. Agora quero conversar com vocês sobre dois pontos importantes dessa viagem.

Todos então pararam de olhar as folhas de papéis e me encaram.

— O primeiro ponto é sobre os países árabes e muçulmanos que iremos passar. Isso que vou dizer, não é um pedido e sim uma ordem direta. Não quero ver nenhum de vocês, homem ou mulher, principalmente as mulheres, fazendo militância e comentários feministas ou femistas enquanto estivermos por lá.

— Se eu ver uma situação machista, vou me manifestar com certeza – Nina retrucou, ajeitando-se melhor na cadeira dela.

— Não vai não. Temos a nossa cultura e o nosso estilo de vida. Eles têm a cultura e o estilo de vida deles. Eu quero respeito, Nina.

Minha irmã bufou emburrada, então olhei para os demais.

— Anos atrás, eu viajei com o Sr. Runway em uma viagem oficial da revista, eu passei uma semana em Dubai, no palácio do Sheik Mohammed, e visitei também os arredores, que são extremamente mais conversadores que as pessoas que vivem em Dubai. Infelizmente, vemos casos horríveis na mídia mundial...

— Demais – comentou Allane Baker, interrompendo-me.

— Sim, mas minha estadia me fez entender que uma boa parte das mulheres de lá gostam de se vestir daquele jeito, gostam do jeito submisso de como são tratadas, porque faz parte da cultura religiosa ao qual elas cresceram. Ser casada e viver naquelas condições é o objetivo de vida delas, igual...

— Que belo objetivo de vida, hein? – Nina debochou, interrompendo-me também, rolando os olhos.

Apenas respirei fundo, tentando me acalmar e voltei a falar.

— Igual a nós, ocidentais, com relação ao estudos, carreira e independência financeira, amorosa e sexual. Eu garanto a vocês que não vai ser um ocidental com discursinho feminista que vai mudar algo que é milenar e bastante enraizado na cultura deles.

— Eles não conheceram Nina Runway ainda – minha irmã falou, rindo, arrancando risadas e sorrisos de todos os demais.

— Chega, Nina! – exclamei, me levantando bruscamente da minha cadeira, apoiando-me na grande mesa, a encarando com um olhar furioso – A minha opinião, ou a sua, ou a de qualquer um nesta sala não vale nada, absolutamente nada, para eles.

Olhei então para cada um deles.

— Não quero que os julguem e nem que os condenem por serem diferentes de nós. Temos que respeitar a cultura, a religião e os costumes de cada país que iremos visitar.

Todos assentiram, alguns até assustados com a minha atitude.

— Outra coisa. Em respeito a religião deles, todas as mulheres da equipe deverão usar um hijab, o véu cobrindo os cabelos, do momento que descermos do avião até o dia que subiremos nele para irmos embora.

Me endireitei e senti uma leve vertigem, então me sentei novamente, não deixando transparecer nada.

— Se eu pegar alguma com o cabelo à mostra em público, não vou querer saber que posição importante ela exerce nessa revista, e isto inclui também a equipe da Angel’s & Devil’s, eu irei demitir na hora. Estão entendidos?

— Você não pode demitir o meu pessoal, amor – escutei Jay falar, então o encarei bem séria.

— Eu posso e eu vou, então é melhor cuidar do seu pessoal para que ninguém seja demitido, querido – murmurei, voltando a olhar para os demais.

— Então as modelos irão fotografar com esse negócio na cabeça? – disse Karen Beattie, Diretora do setor de Seleção de Modelos.

— Sim. E por fim, quero deixar avisado as Diretoras que tudo que vocês precisarem, venham pedir diretamente à mim, que eu irei conversar com os Sheiks e Sultões e providenciar para a equipe.

— Porque? – Mirela indagou.

— Porque eles são machistas. Mulher lá é tratada como lixo – Nina rebateu, para testar a minha paciência, porque não tinha outra explicação para o que ela estava fazendo.

— Porque graças ao meu pai, eles já me conhecem e tenho uma certa influência – informei.

De repente, me lembrei de algo.

— Aos homens da equipe. A mulher oriental é a “honra” do pai e do irmão, e do marido, se ela for casada. Não quero nenhum de vocês se engraçando para cima delas, porque quando um homem mexe com uma mulher, no sentido de tudo, flerte, olhares com segundas intenções e toque indesejado, está mexendo na honra do homem a quem aquela mulher “pertence”. Eu não quero trazer a infeliz notícia para a família daquele que será morto em um outro país, por desonrar uma mulher.

Todos assentiram, então preferi dar logo por encerrada a reunião, porque eu não me encontrava sentindo-me bem.

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