terça-feira, 7 de abril de 2020

RUNWAY - Angel's & Devil's - Capítulo 18


JAMIE

— Não sabia que você andava por essas bandas daqui do Brooklyn – comentei à medida que Dakota conduzia o carro lentamente pelas ruas do bairro, olhando bem atenta ao redor, parecendo procurar algum lugar específico.

— Faz um bom tempo que eu vim aqui e... Achei! – ela exclamou, dando um sorriso e me encarando de relance, antes de voltar sua atenção para o trânsito.

Dak manobrou o carro e estacionou em frente a uma livraria.

— Seu pai te trazia para comprar livros? – inquiri, a olhando, já vendo a mesma negar com a cabeça enquanto tirava o cinto de segurança e pegava sua bolsa do meu colo.

— O lugar que vamos é mais à frente – ela anunciou antes de sair do carro, sendo seguida por mim.

Minutos atrás, tínhamos conseguido despistar, um pouco antes de chegarmos na ponte do Brooklyn, alguns paparazzis que nos seguiam então andávamos mais sossegados pela calçada, sem aquele assédio todo deles.

Andamos por alguns metros até que Dakota desceu uma escada, abrindo a porta de uma lanchonete, localizada abaixo do nível da rua, chamada Crif Dogs. Sorri, descendo os degraus e a acompanhando lanchonete à dentro.
O local era bem acolhedor, parcialmente estreito, mas bem comprido com mesas quase coladas à parede do lado direito e com um longo balcão lateral do lado esquerdo com alguns bancos altos.
Estranhei um pouco quando vi uma cabine telefônica, meio que embutida na parede do lado esquerdo, mas logo desviei a atenção e me aproximei da Dak, que se encontrava no balcão ao fundo, falando com um rapaz.

— ...completos e... Vocês ainda vendem refrigerante no mini balde? – Dakota perguntou e eu franzi o cenho, olhando de relance para ela, também meio escorado ao balcão.

— Sim, Senhora.

— Ok. Adicione dois ao meu pedido também, por favor – Dak disse, entregando o cartão de crédito dela para o rapaz, que logo a olhou com uma expressão confusa por alguns segundos.

— Mais alguma coisa, Sra. Runway?

— Não. Só isso mesmo – ela informou, dando um sutil sorriso, então o rapaz desviou sua atenção para mim.

— Só um minuto, senhor. Logo irei atendê-lo.

— Ele está comigo.

— Eu estou com ela – falei ao mesmo tempo que a Dakota, fazendo o rapaz nos encarar e assentir.

Segundos depois, ele entregou o cartão de crédito da Dak, que me chamou para sentarmos em uma das mesas vazias.

— Qual o lance daqui? – inquiri, encarando ela, sentada à minha frente.

— A primeira vez que eu vim aqui, eu tinha sete anos e havia perdido um concurso de redação na escola. Tinha ficado em segundo lugar, na verdade, mas mesmo assim fiquei muito triste por não ter sido a melhor, porque claramente a minha redação era muito melhor que a do garoto idiota que ganhou em primeiro lugar.

Sorri, a vendo rolar os olhos.

— Então o meu pai, que era amigo do dono, me trouxe aqui depois das minhas aulas de francês e de alemão. Acabou que meu pai me pediu para montar um sabor de cachorro-quente e eu criei o Big Runway, que até hoje está no cardápio do restaurante. Foi um dos melhores dias da minha vida – Dakota murmurou dando um sorriso enorme, observando ao redor.

— Você comentou que fazia muito tempo que não vinha aqui. Porque? Aparentemente, este lugar te traz uma lembrança boa, não é?

— Sim. Mas naquele dia, prometi para mim e para o meu pai que eu nunca mais iria ficar triste ou perder de novo senão eu teria que vir aqui e comeria aquele cachorro-quente todas às vezes. E pode ter certeza que eu nem passaria naquela porta, hoje em dia, de tão gorda que eu iria ficar, Jay.

Soltei uma risada.

— Eu acho que um cachorro-quente uma vez ou outra não engorda não, amor.

— Talvez um cachorro-quente normal, mas um Big Runway... aí é outra história, querido.

— Sério? Mas o que tanto vem nele? – indaguei, curioso.

— Uma salsicha enrolada com tiras de bacon levemente gratinadas. Purê de batata regado com molho barbecue. Algumas fatias de presunto em tiras. Salada de repolho com pepino e tomate picados em cubinhos. Molho cheddar. Você então pega as batatinhas chips que vem separadas, tritura na mão e joga por sobre todo o cachorro-quente. Depois finaliza colocando ketchup, maionese ou mostarda a gosto.

Definitivamente, eu me encontrava de boca aberta, em choque com aquela descrição.

— Ca-ra-ca! Cada mordida é um infarto – comentei, rindo.

— Quase isso. Mesmo eu tendo toda uma rigidez com relação a alimentação, eu ainda era uma criança que o pai deixou livre para fazer o que quisesse na hora de montar um cachorro-quente.

Continuamos a conversar por mais alguns minutos até que nossos pedidos chegaram e eu realmente pude ver que o Big Runway era um baita de um cachorro-quente. Mesmo assim consegui comer ele todo enquanto Dak e eu conversávamos mais sobre a viagem.

Dakota também me explicou o porquê de existir uma cabine telefônica embutida na parede do restaurante. Segundo ela, era uma passagem secreta para um bar. Você entrava na cabine, tirava o telefone do gancho, falava o textinho que ficava colado ao lado do aparelho e a falsa parede se abria para o bar.

A convidei para tomar uns drinques ali, mas Dak disse que não aguentava mais nada no estômago, porém prometeu que poderíamos voltar ali um outro dia.

— Eu adorei o nosso primeiro encontro oficial como namorados, amor – sussurrei, segurando a mão dela à medida que saíamos do restaurante, já ao cair da noite.

— Primeiro encontro oficial? – Dakota inquiriu, me olhando com o cenho franzido, fazendo-me sorrir enquanto seguíamos rumo ao meu carro.

— Sim. Ontem eu te pedi em namoro e você aceitou, não diretamente com o famoso “Sim, eu aceito”, mas para mim contou do mesmo jeito. Então hoje você me traz a um restaurante onde comemos e conversamos como qualquer casal normal. Com base nisso, tecnicamente falando, estávamos em um encontro. Só não gostei, porque você pagou a conta. Deveríamos ter dividido – resmunguei.

— Quando a gente vier tomar os drinques, a conta será totalmente sua, querido. Ok? – Dak indagou e eu assenti, sorrindo, já abrindo a porta do passageiro para ela – Está melhor da sua dor de cabeça? – Dakota perguntou, assim que eu entrei no carro.

— Sim. E obrigado por me distrair com esse encontro – falei, pegando a mão dela, beijando o dorso e dando um sorriso apaixonado para Dak.

— De nada, querido. E não se preocupe. Elise Mumford vai se retratar com você, nem que seja à base de um lindo processo.

— Por falar nisso, eu acho melhor deixarmos isso para lá. Quero que isso não vire uma bola de neve de ataques. Ignorá-la será mesmo – ressaltei, ligando o carro e colocando-o em meio ao trânsito.

— Tem certeza, Jay?

— Tenho sim – afirmei, a olhando de relance.

Dakota então pegou o celular de dentro da bolsa, já me informando que iria passar uma mensagem para o advogado, a fim de que ele cancelasse a avaliação de um possível processo contra aquela mulher, que sinceramente nem merecia o nosso tempo.

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