DAKOTA
Havia passado quase uma hora e meia desde que Jamie havia saído do meu escritório, quando o mesmo me ligou.
— Alô? – falei, atendendo o celular.
— Oi. Vai demorar muito para terminar aí?
Aquela pergunta me fez estranhar um pouco, pois ele sabia que eu só saía às sete da noite, em um dia comum, sem eventos para irmos, como o de hoje.
— Ainda vai dar cinco horas, Jamie. Aconteceu alguma coisa? – inquiri, me recostando na cadeira.
— Tô descansando no meu carro aqui na garagem. Estou com dor de cabeça e aqui é bem silencioso, então quando acabar aí, desça, estou te esperando. Tchau, Dak.
Estava achando aquela atitude dele estranha demais, então assim que Jay desligou, resolvi sair mais cedo e ver o que o mesmo tinha.
— Viu a matéria da feminista Elise Mumford, Sra. Runway? – Erica perguntou, assim que eu saí da minha sala.
— Não. E vamos esclarecer uma coisa, meninas. Elise Mumford não é uma feminista e sim uma femista, como 99,9% das que se intitulam como feministas hoje em dia. A essência desse movimento se deturpou ao longo das últimas décadas. Raras são as mulheres que realmente são e seguem os conceitos do feminismo. Se você xinga ou sente ódio de outra mulher porque ela quer ser dona de casa e não independente como você é, se você xinga os homens ou as pessoas que não sabe sobre o assunto ou tem uma ideia contrária a sua, você não é feminista. Feminismo é sobre igualdade e respeito. Se você não respeita o próximo e se acha superior a eles só porque é mulher e acha que está causando nas mídias sociais, xingando os outros e jogando piadinhas femistas mascarada de “feminismo”, achando que tá lutando por uma causa, você é uma femista, hipócrita ainda por cima. Então, pensem bem nas atitudes de vocês duas, meninas. Mas, o que a Mumford fez agora?
— Ela atacou o seu marido, Sra. Runway – a estagiária murmurou, me mostrando o tablet dela, ao qual logo li a tal matéria.
Hoje em dia, nós mulheres ainda continuamos lutando fervorosamente para ganharmos mais espaço no mundo machista em que vivemos.
Diariamente, eles tentam calar nossas vozes através do lançamento da dúvida sobre a palavra da mulher que sofreu algum abuso sexual, da orientação religiosa ferrenha sobre a mulher submissa que apanha do escroto do marido, e principalmente, através da morte pelo feminicídio.
Mas, o que atualmente mais estamos vendo e que eu fico muito enojada é a continuação da objetividade sexual sobre nós, principalmente por parte de estilistas masculinos como Thony Angel, que não foge do estereótipo de “macho escroto” que nós feministas temos que lidar todos os dias.
Na minha singela opinião, estilistas homens não deveriam existir. Se a pessoa vai criar uma roupa para vestir nós mulheres, que seja alguém que entenda esse universo feminino, ou seja, nenhum homem entende, então deveríamos ter mais estilistas mulheres.
Mas é claro que o nosso mundo machista não permitiria isso, já que eles gostam do que os estilistas homens fazem. O que nos leva ao atual estilista mais queridinho do mundo da moda, Thony Escroto Angel. Ele é o tipo de homem que não respeita nenhuma mulher e nos ver apenas como objeto sexual.
Fico pasma ao ver mulheres tão fortes e lindas usarem uma marca que denigre a imagem delas. Como, por exemplo, a empresária Dakota Runway, que por alguma razão desconhecida, e talvez até bizarra, se casou com um macho escroto daquele.
Essas pobres mulheres, que ainda andam com o cabresto do machismo, colocado nelas diariamente pela sociedade, não percebem que ao invés de admirarem homens como Thony Escroto Angel, deveriam eram abominar esse tipo de atitude, que é o apelo sexual da moda, mostrando e “reafirmando” a mulher apenas como objeto sexual.
O estilista participou ontem de um leilão beneficente promovido pelo ator Leonardo DiCaprio e deu um coleção exclusiva para ser leiloada no evento. Como sempre, os modelitos foram um show de horrores. Sempre com muitas transparência, decotes e fendas que expõe o corpo da mulher, como se nós precisássemos disso para ser sensual.
E ele ainda tem a audácia de dizer em entrevistas que é defensor do empoderamento feminino, e que está ajudando as mulheres a se sentirem mais sexy com suas criações.
Um recado para você, Thony Angel. Nós não precisamos de macho escroto como você, desenhando roupas ridículas, para nos sentir sexy e empoderadas. Sabemos cuidar muito bem, e até melhor, de nós mesmos, sozinhas. Sem precisar que um macho nos vista.
Espero, sinceramente, que todas essas mulheres percebam o quão ridículo é o papel que elas estão fazendo ao se deixarem ser manipuladas pela sociedade machista, vestindo roupas criadas especificamente para as tornarem vulgares. Que elas se libertem das amarras sociais que as prendem e que sejam livres e empoderadas por si mesmas.
Respirei fundo e entreguei o tablet para a estagiária, já informando para as duas que eu iria sair hoje mais cedo, antes de seguir para o elevador e apertar o botão do andar do subsolo.
À medida que o elevador descia, eu acabei acionando o meu advogado por ligação, já mandando que o mesmo lesse a matéria da Srta. Mumford e avaliasse atentamente se poderíamos processá-la por calúnia, difamação e injúria, com a chance de vencermos.
Assim que cheguei ao andar, me dirigi por alguns minutos até a vaga do Jamie, onde logo vi a sua Mercedes estacionada. Tentei abrir a porta do passageiro, mas a mesma estava trancada por dentro, então bati de leve no vidro.
Jay, que se encontrava dormindo com o banco parcialmente deitado, acordou meio assustado e me encarou, já destravando a porta para que eu entrasse.
— Já são sete horas? – ele indagou, bocejando enquanto olhava a hora no seu relógio de pulso.
— Não. Te achei meio estranho então resolvi descer mais cedo para ver o que tinha acontecido, mas acho já sei o que houve. Sua dor de cabeça é por causa da matéria da Mumford, não é?
Jamie assentiu à medida que arrumava seu banco de volta no lugar.
— Você leu o que aquela mulher disse de mim? Eu já sofri ataques, mas não como aquele. Foi pesado demais dizer que eu não respeito as mulheres, que só as vejo como objeto sexual. Nem no tempo de solteiro, que eu adorava festas e muito sexo, eu não tratava as mulheres assim, imagine agora.
Fiquei surpresa e sem ação nenhuma ao vê-lo chorar sutilmente, então afaguei o braço dele depois de alguns segundos, pensando em algo para dizer ao Jay.
— Jamie, você não deveria ligar para isso, porque você não é nada do que aquela mulher falou. E eu já liguei para o advogado, para ver se conseguimos processar ela. Elise Mumford comprou briga com a pessoa errada, ou melhor, com o casal errado.
Ele sorriu, segurando minha mão e beijando o dorso dela.
— Vem... Passe para cá. Eu vou te levar em um lugar – falei, já saindo do carro, dando a volta no mesmo e abrindo a porta do motorista enquanto Jay passava para o lado do passageiro.
— Aonde vamos? – ele inquiriu, colocando o cinto.
— Em um lugar que meu pai me levava, quando eu ficava triste – informei, já manobrando o carro, saindo da vaga e indo em direção a saída.
Havia passado quase uma hora e meia desde que Jamie havia saído do meu escritório, quando o mesmo me ligou.
— Alô? – falei, atendendo o celular.
— Oi. Vai demorar muito para terminar aí?
Aquela pergunta me fez estranhar um pouco, pois ele sabia que eu só saía às sete da noite, em um dia comum, sem eventos para irmos, como o de hoje.
— Ainda vai dar cinco horas, Jamie. Aconteceu alguma coisa? – inquiri, me recostando na cadeira.
— Tô descansando no meu carro aqui na garagem. Estou com dor de cabeça e aqui é bem silencioso, então quando acabar aí, desça, estou te esperando. Tchau, Dak.
Estava achando aquela atitude dele estranha demais, então assim que Jay desligou, resolvi sair mais cedo e ver o que o mesmo tinha.
— Viu a matéria da feminista Elise Mumford, Sra. Runway? – Erica perguntou, assim que eu saí da minha sala.
— Não. E vamos esclarecer uma coisa, meninas. Elise Mumford não é uma feminista e sim uma femista, como 99,9% das que se intitulam como feministas hoje em dia. A essência desse movimento se deturpou ao longo das últimas décadas. Raras são as mulheres que realmente são e seguem os conceitos do feminismo. Se você xinga ou sente ódio de outra mulher porque ela quer ser dona de casa e não independente como você é, se você xinga os homens ou as pessoas que não sabe sobre o assunto ou tem uma ideia contrária a sua, você não é feminista. Feminismo é sobre igualdade e respeito. Se você não respeita o próximo e se acha superior a eles só porque é mulher e acha que está causando nas mídias sociais, xingando os outros e jogando piadinhas femistas mascarada de “feminismo”, achando que tá lutando por uma causa, você é uma femista, hipócrita ainda por cima. Então, pensem bem nas atitudes de vocês duas, meninas. Mas, o que a Mumford fez agora?
— Ela atacou o seu marido, Sra. Runway – a estagiária murmurou, me mostrando o tablet dela, ao qual logo li a tal matéria.
A OBJETIVIDADE SEXUAL FEMININA DE THONY ANGEL
por Elise Mumford
Hoje em dia, nós mulheres ainda continuamos lutando fervorosamente para ganharmos mais espaço no mundo machista em que vivemos.
Diariamente, eles tentam calar nossas vozes através do lançamento da dúvida sobre a palavra da mulher que sofreu algum abuso sexual, da orientação religiosa ferrenha sobre a mulher submissa que apanha do escroto do marido, e principalmente, através da morte pelo feminicídio.
Mas, o que atualmente mais estamos vendo e que eu fico muito enojada é a continuação da objetividade sexual sobre nós, principalmente por parte de estilistas masculinos como Thony Angel, que não foge do estereótipo de “macho escroto” que nós feministas temos que lidar todos os dias.
Na minha singela opinião, estilistas homens não deveriam existir. Se a pessoa vai criar uma roupa para vestir nós mulheres, que seja alguém que entenda esse universo feminino, ou seja, nenhum homem entende, então deveríamos ter mais estilistas mulheres.
Mas é claro que o nosso mundo machista não permitiria isso, já que eles gostam do que os estilistas homens fazem. O que nos leva ao atual estilista mais queridinho do mundo da moda, Thony Escroto Angel. Ele é o tipo de homem que não respeita nenhuma mulher e nos ver apenas como objeto sexual.
Fico pasma ao ver mulheres tão fortes e lindas usarem uma marca que denigre a imagem delas. Como, por exemplo, a empresária Dakota Runway, que por alguma razão desconhecida, e talvez até bizarra, se casou com um macho escroto daquele.
Essas pobres mulheres, que ainda andam com o cabresto do machismo, colocado nelas diariamente pela sociedade, não percebem que ao invés de admirarem homens como Thony Escroto Angel, deveriam eram abominar esse tipo de atitude, que é o apelo sexual da moda, mostrando e “reafirmando” a mulher apenas como objeto sexual.
O estilista participou ontem de um leilão beneficente promovido pelo ator Leonardo DiCaprio e deu um coleção exclusiva para ser leiloada no evento. Como sempre, os modelitos foram um show de horrores. Sempre com muitas transparência, decotes e fendas que expõe o corpo da mulher, como se nós precisássemos disso para ser sensual.
E ele ainda tem a audácia de dizer em entrevistas que é defensor do empoderamento feminino, e que está ajudando as mulheres a se sentirem mais sexy com suas criações.
Um recado para você, Thony Angel. Nós não precisamos de macho escroto como você, desenhando roupas ridículas, para nos sentir sexy e empoderadas. Sabemos cuidar muito bem, e até melhor, de nós mesmos, sozinhas. Sem precisar que um macho nos vista.
Espero, sinceramente, que todas essas mulheres percebam o quão ridículo é o papel que elas estão fazendo ao se deixarem ser manipuladas pela sociedade machista, vestindo roupas criadas especificamente para as tornarem vulgares. Que elas se libertem das amarras sociais que as prendem e que sejam livres e empoderadas por si mesmas.
Respirei fundo e entreguei o tablet para a estagiária, já informando para as duas que eu iria sair hoje mais cedo, antes de seguir para o elevador e apertar o botão do andar do subsolo.
À medida que o elevador descia, eu acabei acionando o meu advogado por ligação, já mandando que o mesmo lesse a matéria da Srta. Mumford e avaliasse atentamente se poderíamos processá-la por calúnia, difamação e injúria, com a chance de vencermos.
Assim que cheguei ao andar, me dirigi por alguns minutos até a vaga do Jamie, onde logo vi a sua Mercedes estacionada. Tentei abrir a porta do passageiro, mas a mesma estava trancada por dentro, então bati de leve no vidro.
Jay, que se encontrava dormindo com o banco parcialmente deitado, acordou meio assustado e me encarou, já destravando a porta para que eu entrasse.
— Já são sete horas? – ele indagou, bocejando enquanto olhava a hora no seu relógio de pulso.
— Não. Te achei meio estranho então resolvi descer mais cedo para ver o que tinha acontecido, mas acho já sei o que houve. Sua dor de cabeça é por causa da matéria da Mumford, não é?
Jamie assentiu à medida que arrumava seu banco de volta no lugar.
— Você leu o que aquela mulher disse de mim? Eu já sofri ataques, mas não como aquele. Foi pesado demais dizer que eu não respeito as mulheres, que só as vejo como objeto sexual. Nem no tempo de solteiro, que eu adorava festas e muito sexo, eu não tratava as mulheres assim, imagine agora.
Fiquei surpresa e sem ação nenhuma ao vê-lo chorar sutilmente, então afaguei o braço dele depois de alguns segundos, pensando em algo para dizer ao Jay.
— Jamie, você não deveria ligar para isso, porque você não é nada do que aquela mulher falou. E eu já liguei para o advogado, para ver se conseguimos processar ela. Elise Mumford comprou briga com a pessoa errada, ou melhor, com o casal errado.
Ele sorriu, segurando minha mão e beijando o dorso dela.
— Vem... Passe para cá. Eu vou te levar em um lugar – falei, já saindo do carro, dando a volta no mesmo e abrindo a porta do motorista enquanto Jay passava para o lado do passageiro.
— Aonde vamos? – ele inquiriu, colocando o cinto.
— Em um lugar que meu pai me levava, quando eu ficava triste – informei, já manobrando o carro, saindo da vaga e indo em direção a saída.

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