terça-feira, 7 de abril de 2020

RUNWAY - Angel's & Devil's - Capítulo 13


DAKOTA

Após dispensar minhas duas maquiadoras e minhas duas cabeleireiras, coloquei meu vestido e me dirigi para frente do espelho de corpo inteiro, localizado no closet, para avaliar se o caimento estava realmente bom em meu corpo.

O vestido fora feito por Jamie no mês passado, justamente para que eu o usasse no evento de hoje. O vestido era longo, da cor salmão claro, com pedras de diamantes nas alças que faziam um “X” em minha costa. Era simples e luxuoso ao mesmo tempo.

Assim que desci, encontrei Jay na sala de estar. O mesmo estava sentado em uma das poltronas, mexendo em seu celular, usando um terno azul escuro com uma gravata em tons de cinza. No sofá ao lado, se encontravam Emily e Coqui, assistindo filme e comendo pipoca.
— Vamos? – indaguei, mas ele não me ouviu – Jamie? – o chamei, num tom de voz mais alto, fazendo o mesmo erguer a cabeça e me encarar.

— Oi – Jay falou, já se levantando à medida que sorria para mim – Está linda, minha querida.

— Obrigada.

Ele então se despediu da filha e da minha irmã, que me elogiaram quando finalmente conseguiram desprender os olhos da televisão.

— Já leu as notícias? – Jamie me perguntou enquanto caminhávamos, lado a lado, rumo ao hall do elevador, para esperarmos a Nina que iria para uma balada com algumas amigas modelos dela da nossa revista.

— Ainda não.

— Estão falando da sua gravidez.

— Isso é bom. Vou fazer minha parte essa noite. Fique preparado para um possível desmaio meu – informei, o olhando de relance assim que paramos frente ao elevador.

— Desmaio?

— Sim. Dei uma nova pesquisada sobre sintomas de início de gravidez. Tontura, vertigem, enjôo e desmaio são uns dos sintomas mais significativos. Só fico triste, porque não poderei beber champanhe na festa, apenas água.

— Eu mandei uma mensagem para o DiCaprio esses dias e falei da sua “condição”, pedindo a ele que adicionasse suco ao cardápio de bebidas do evento. O mesmo aceitou de boa e até nos parabenizou pelo bebê. Mereço ou não mereço um beijo por isso?

O encarei de cima a baixo, antes de me aproximar dele e dar um beijo em sua bochecha, já limpando em seguida o pouco do batom que havia ficado ali.

— Deixa, Dak. É fofo. Sempre vejo as pessoas reagirem bem ao ver uma marca de batom de uma mãe, de uma esposa ou de uma namorada – Jay comentou, sorrindo.

Dei um meio sorriso, já com uma ideia em mente, à medida que eu começava afrouxar a sua gravata.

— Está torta? – Jamie indagou, me olhando, então neguei com a cabeça e abaixei um pouco a gola da sua camisa social branca.

O beijei no pescoço, deixando uma marquinha de batom ali, depois ajeitei a gola para deixar a marca, parcialmente aparecendo.

— Pronto. Você está com uma marquinha discreta de batom no pescoço, dado por sua esposa. Eles vão ter muito o que comentar agora – murmurei, terminando de arrumar sua gravata.

Ele sorriu para mim e eu sorri de volta.

— Cheguei. Podemos ir? – Nina inquiriu, se aproximando de nós – Maninha, você tá muito beijoqueira, sabia? Jay tá fofo melado de batom – ela disse, rindo, apertando o botão do elevador.

Jamie me olhou, sorrindo novamente, dando uma piscadinha para mim.

— Ele merece, a noite foi boa ontem – informei enquanto adentrávamos o elevador, com Jay segurando minha cintura atrás.

— Eu ouvi.

A encarei, meio surpresa.

— Deu para ouvir?

— Um pouco, cunhadinho. Meu quarto é ao lado do de vocês, lembra? – Nina comentou, rindo.


★ ★ ★ ★ ★


— Tome cuidado na boate, irmã. Nada de passar vergonha para sair amanhã nos tablóides de fofoca – alertei Nina à medida que o motorista parava a nossa limusine em frente à uma badalada boate.

— Achei que você ia falar para eu tomar cuidado com os maníacos tarados, mas é bom ver o quanto você me ama, irmãzinha.

Rolei os olhos.

— Você sabe se cuidar muito bem se um maníaco te atacar. Tenho até pena do cara que se meter com você. Mas quero preservar o nosso sobrenome acima de tudo. Ele vem em primeiro lugar, Nina. Lembre-se disso.

— Quando o filho de vocês nascerem, vai ser isso que você vai falar para ele? Cuidado com o que faz? Honre o nosso sobrenome?

— Nina, não comece, por favor! – Jamie exclamou, se intrometendo na conversa.

— Eu direi isso a ele sim, Nina – rebati, a encarando bem séria – Meu filho precisa saber que ele não é uma criança comum, assim como nós não fomos.

— Você que não foi, Dak. Eu fui uma criança comum, porque papai desistiu de mim quando percebeu que não iria conseguir me transformar em um mini-robô, assim como ele tinha feito com você. Quer saber? Eu não quero falar disso não. Tchau para vocês dois.

Apenas respirei fundo enquanto Nina abria a porta da limusine.

— Qualquer coisa nos ligue.

— Eu sei me virar sozinha, Jay. Até mais tarde.

— Dakota, você vai amar o nosso filho? – escutei Jamie falar, segundos depois, à medida que nos distanciávamos da boate, então olhei para ele, de relance.

— Sim. Porque não o amaria?

— Foi apenas uma pergunta – Jay disse, sorrindo, pegando na minha mão e a beijando – Já estou até imaginando como vai ficar o seu humor quando estiver trabalhando em casa, por conta do resguardo. Eu vou odiar ficar no seu lugar na RUNWAY.

— Porquê?

— Porque vou ter que ficar usando aquele ponto eletrônico. E ouvir seus berros não será muito agradável para os meus tímpanos.

— Não se preocupe. No outro dia, após o parto, eu vou ir para a RUNWAY. Eu gosto de estar lá na revista e de ser bem ativa. Um parto não vai me impedir de nada.

— Eu sei, mas você vai ter que ficar em casa no mínimo 30 dias, Dak. Isso é uma questão de saúde com o seu corpo.

— Está bem. Um pequeno sacrifício a se fazer – falei, suspirando fundo.

— Relaxa. Um mês passará rápido.

— Tomara mesmo – murmurei, ficando pensativa – Depois vou ter que criar algumas contas para o bebê, porque ao contrário da Coqui, o nosso filho precisará ter vida social ativa nas redes sociais. O mundo vai precisar conhecer e se apaixonar pelo herdeiro do império da moda.

— Você vai ser a mãe mais babona do mundo.

— “Babona” eu não sei, mas a maior incentivadora para a carreira de modelo mirim dele, isso eu vou ser.

— Modelo mirim? – Jamie indagou, me olhando, fazendo uma careta.

— Sim.

— Dak, não quero que o meu filho ou filha deixe de brincar, de se divertir, comer besteira e etc. Resumindo, de ser uma criança normal.

— Você pode fazer isso com a sua filha, Jamie – ressaltei.

— Nosso filho não vai ser um robô, Dakota. Você não vai fazer ele crescer amargurado. Ele pode ser dono da nossa empresa, mas vai depender dele querer ser modelo ou não. Não estou falando que não pode. Apenas deixe ele livre com as vontades dele. Nosso filho vai estudar, ter amigos, brincar, ir ao parque. Mas trabalhar? Para quê? Ele vai ter uma fortuna a disposição nas mãos dele.

— Nosso filho será modelo, dos primeiros dias de vida, fazendo books, até quando for adolescente, fazendo campanhas publicitárias, principalmente para a nossa revista.

— Não se ele não quiser, Dak.

— Ele vai brincar, mas também vai ter que aprender muita coisa. Piano, Idiomas ou Balé, se for menina, entre outras coisas.

— Porque não deixa que ele escolha isso? E se ele não quiser assumir a RUNWAY, já pensou nisso?

— Ele não tem escolha, Jamie. Fique ciente disso.

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