terça-feira, 7 de abril de 2020

RUNWAY - Angel's & Devil's - Capítulo 08


JAMIE

O desfile já havia sido estressante e ainda tive que aturar a Dak querendo me dar lição de moral conjugal. Não me aguentei e explodi ali mesmo, no meu espaço privé dos bastidores, falando algumas verdades para ela, ligando mesmo o “Foda-se”, sem me importar se as pessoas iriam ouvir ou não.

Como não estava muito a fim de reiniciar a discussão em casa, cumprindo assim a ameaça da Dakota de que “Em casa a gente termina isso aqui”, mandei Millie ir dormir no meu antigo apê, que agora era dela, enquanto que eu iria passar a noite na casa da Mirela.

Iria aproveitar para esfriar a cabeça, curtindo um pouco a minha Coqui, que fazia alguns dias que eu não via pessoalmente. Assim que Mi adentrou a sua garagem, fechando a porta da mesma, sai detrás do banco do carro, onde havia me escondido dos paparazzi de plantão no desfile.

— Cheguei, meu amor. E seu pai veio comigo – anunciou Mirela à medida que entrávamos na cozinha, através da porta de acesso à garagem.

Coqui rapidamente apareceu correndo, gritando “Papai”, então a peguei no colo, a abraçando forte.

— Oi, minha princesa.

— Oi, papai. Que saudade do senhor.

— Eu também estava morrendo de saudade da minha gatinha linda – falei, beijando sua bochecha, vendo ela sorrir enquanto Mirela conversava com a babá da Coqui.

Logo a coloquei no chão e a mesma saiu me puxando para a sala de estar, para assistirmos o filme que ela se encontrava vendo quando chegamos. Tirei os sapatos e o blazer do meu terno, ficando mais vontade, e me sentei no chão mesmo, ao lado da minha filha.

Minutos depois, Mi apareceu na sala avisando que iria dá uma rápida saída para comprar algo para jantarmos e também tentar achar uma roupa para mim, já que eu não poderia ficar de terno até a amanhã.

— Papai, o senhor me leva para tomar sorvete amanhã? Queria tanto passear com o senhor – Coqui comentou, quando ficamos sozinhos – A mamãe disse que o senhor não pode sair, porque é ocupado demais.

— Não é por isso não, meu amor.

— E é porque então? – ela indagou, me encarando com uma carinha triste.

Levei minha mão até o seu nariz, apertando-o, fazendo a mesma sorrir, então a puxei para o meu colo, já a abraçando.

— É por algo muito complicado que só nós adultos entendemos – murmurei, brincando com uma de suas longas maria-chiquinhas – Mas eu tenho uma ideia. Que tal morar comigo por uma semana? Você fica uma semana com o papai e outra com a sua mãe.

— Sério?

Coqui me encarava com seus olhinhos brilhantes.

— Seríssimo, princesa.

— Mas vamos poder sair para passear?

— Claro, filha. Sempre que você quiser – garanti, já recebendo um abraço gostoso dela.

Ficamos assistindo ao filme até que Mirela retornou, minutos depois, trazendo uma pizza para o nosso jantar e duas mudas de roupas para mim, incluindo um pijama.


★ ★ ★ ★ ★


— Podemos conversar, Mi? – inquiri, aparecendo na sala, me sentando ao lado dela, depois que coloquei nossa Coqui para dormir.

— Claro, Jay. Sobre o que quer conversar?

— Então... Amanhã eu vou informar a Dakota que tenho uma filha com você e que irei assumi-la publicamente perante toda a sociedade nova iorquina. Cansei dela ditar as regras do nosso casamento, me dizendo o que fazer e quando fazer.

— Que bom que você está conseguindo parar de ser o cachorrinho dela – Mirela falou, sorrindo, e eu rolei os olhos.

— Também não é assim, Mi. Eu não sou e nem era o cachorrinho de ninguém. Mas, enfim... Amanhã, como será sábado e a Coqui não tem aula, eu quero levá-la para passear e tomar sorvete.

— Eu acho uma ótima ideia, Jay. Faz tempo que a nossa filha me pede isso e eu sempre tento arranjar uma desculpa convincente para o motivo de você não poder sair com ela, como os pais das amiguinhas dela fazem.

— Agora vamos poder fazer muito isso – murmurei, dando um sorriso para Mirela.

— Eu posso falar com a vizinha que fica de babá para mim ou você quer contratar uma outra, quando a Coqui for passar a semana com você?

— Fala com ela. É melhor para nossa filha ter alguém com quem ela já está acostumada e que você também já tenha confiança.

— Ok.

— Posso levá-la para minha casa amanhã depois do nosso passeio?

— Pode, Jay. Só espero que a Dakota aceite e não faça nada contra a nossa Coqui, porque senão você já sabe o que vai acontecer com a sua puce (pulguinha) – Mi comentou, me encarando séria, mas eu não consegui conter uma risada.

— Tudo bem, ma vilaine (minha safadinha).

Mirela sorriu e se levantou, chamando-me para dormir no quarto junto com ela, mas recusei, dizendo que iria dormir ali mesmo no sofá. Mi apenas rolou os olhos e saiu, informando que iria pegar um edredom e um travesseiro para mim.

Após ela me entregar as coisas e me desejar um “Boa noite”, antes de ir para o seu quarto, me acomodei no sofá, deitando-me e olhando para o teto.

“Espero que amanhã a fera não exploda com a bomba que eu vou jogar em cima dela” pensei, fechando os olhos, tentando dormir um pouco.


★ ★ ★ ★ ★


Minha intenção era sair bem cedo da casa da Mirela, mas acabei tomando café por lá com a minha filha. Quando cheguei ao apartamento, encontrei Emily no chão da sala de estar, desenhando.

— Bom dia, Millie – falei, em cumprimento, e ela ergueu o olhar, me encarando.

— Oi, Jay. Bom dia.

— Como está seu pulso? – indaguei, me aproximando.

— Bem melhor.

— Cadê o pessoal dessa casa?

— Nina está transando com o Sr. Tucker, por isso eu estou aqui na sala. Não quero ouvir a transa de ninguém. Minha mente agradece. Já a Dakota acho que está no escritório. Estou evitando cruzar o caminho dela – Emily murmurou, então agradeci e saí, indo rumo ao escritório da minha esposa.

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