sábado, 28 de março de 2020

Sussurros de um Crime - Capítulo 11


ANASTASIA

— Vão para o quarto, pelo amor de Deus! – ouvi Elliot resmungar enquanto eu, vagarosamente, me desvencilhava da boca do Christian.

— Só mais tarde, não é querido? – indaguei e dei um beijo na bochecha dele.

— Você disse “Normal”, como assim? – Hunter perguntou retornando ao assunto anterior enquanto que Behati saía de perto da gente emburrada.

— Ano passado fomos passar as férias de fim de ano no Havaí e a maluca da Kim fez topless no meio da praia sem se importar com ninguém então se ela saiu só de biquíni por mim ela já está mais do que vestida – falei e bebi um pouco do suco.

Neste momento escutei a risada da Kim e me virei um pouco, ela vestia uma blusa comprida que parecia ser a blusa do Nick, pois o mesmo encontrava-se só de short.

Kim estava grudada no braço do Nick rindo não sei do que, talvez ele tivesse contado uma piada ou coisa parecida, só que notei que o Hunter não gostou nadinha dessa intimidade entre eles.


Será que ele gosta da minha irmã? Nããããããããão.
Acho que ele gosta dela sim.
Mas o Hunter é mais velho do que a Kim
o quê, uns 29 anos?
São 28 anos.
Que seja. Um ano a mais ou um ano a
menos não faz diferença. Ele continua sendo
velho do mesmo jeito.


— Não morre tão cedo, garota – Jack exclamou quando eles se aproximaram.

— Por que demoraram? – Hunter perguntou aborrecido.

— Ui, não sabia que era meu pai para eu poder dar explicação da minha vida.

Hunter saiu com raiva e foi até a churrasqueira ajudar o Carrick.

— O que aconteceu? Porque está com a blusa do Nick? – perguntei.

— Erraram o caminho do supermercado, foi? – Elliot riu e levou um tapa da Kim.

— Não. A parte de cima do meu biquíni rompeu e o Nick me emprestou a camisa dele.

— O que foi que rompeu? – Behati disse parando ao lado do Nick.

— Nada, Behati – Kim falou e correu para dentro da mansão.

— Vem amor vamos nadar um pouco.

Behati saiu puxando Nick pelo braço até a piscina. Minutos depois, Kim voltou com outro biquíni de caveirinha. Fiquei mais um tempo conversando com eles, depois saí e fui para o píer, pois queria ficar um tempo sozinha.


★ ★ ★ ★ ★


— Fugindo de alguém?

— Oi, Behati, o que veio fazer aqui? – perguntei com o olhar ainda fixo na paisagem a minha frente.

— Ficar um tempo com a minha irmãzinha, algum problema? – ela parou ao meu lado.

— Não.

— Então... como aconteceu?

— Aconteceu o quê? – inquiri a olhando sem entender do que se tratava.

— Você sabe, Ana. O que houve para você e o Christian começarem a namorar, pois quando éramos crianças, vocês dois só viviam se xingando e se esmurrando, agora não se desgrudam. É o tempo todo juntos. Não sei que milagre ele não está aqui.

— É Behati, as pessoas mudam – falei me virando para ela – Nós crescemos e não tivemos medo de assumir um sentimento tão lindo que é o amor, ou contrário de algumas pessoas pelo mundo que são orgulhosas e desperdiça o tempo com relacionamentos de aparência.

— Nossa, falou a voz da sabedoria – ela debochou e sorriu de um jeito quase maléfico – Lembra quando a gente pulava deste píer?

— Lembro – murmurei sorrindo com a lembrança de que eu sempre tentava afogar o Christian quando a gente brincava na água.

— Então porque não vamos nadar um pouco? Recordar o passado. Por que você não vai primeiro, Anastasia – minha irmã falou dando alguns passos para trás.

— Melhor não.

Também comecei a me afastar da beirada do píer.

— Behati não! – escutei Christian gritar ao longe antes de sentir um empurrão e cai dentro do rio.

Tentei voltar para a superfície, mas senti o ombro e gritei de dor automaticamente deixando o último sopro de ar escapar fazendo com que meus pulmões começassem a arder. Antes de tudo se escurecer por completo senti um puxão forte e desfaleci em seguida.


★ ★ ★ ★ ★


Lentamente minha visão foi clareando até que a imagem de Christian ficou mais nítida, o mesmo estava sentado numa cadeira ao lado da banheira onde eu me encontrava, parcialmente, deitada. Uma dor incômoda na mão esquerda me fez olhar para o lugar. Christian parecia injetar algo em mim.

— O que é isso? – perguntei com a voz meio fraca.

— Remédio para dor, injetável.

— E por que estou dentro da banheira?

— Porque se eu te colocasse na sua cama, você com certeza me decapitaria por ter molhado ela.

— É verdade – sorri meio fraca – Obrigada.

— Você disse a palavra “Obrigada”? – ele indagou fingindo, exageradamente, uma cara de espanto me fazendo rir – Mas porque está me agradecendo? – Christian parecia confuso enquanto colocava um algodão onde segundos antes a agulha se encontrava.

— Por me salvar é claro.

— Ana... não fui eu que te salvei, não totalmente.

— Mas te ouvi gritar perto de onde estávamos.

— Foi meu pai.

— Peraí foi seu pai que me salvou?

Ele confirmou sorrindo, devia ser da minha cara de choque.

— A Nory tinha inventado um desfile de miss piscina então nós fomos procurar vocês duas, mas quando estávamos nos aproximando do píer vi que a Behati ia te empurrar para dentro do rio, por isso gritei. Corremos até lá e eu percebi que você não voltava à superfície então pulei para te buscar, mas você não respirava e eu me encontrava sem fôlego então meu pai precisou te reanimar.


Não pode ser. Meu tio fez...
Sim, ele fez.
Oh meu Deus eu beijei meu tio.
Respiração boca a boca não conta como beijo.
Para mim conta.

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