NOITE DE ANO NOVO
ASPEN, CO, DEZEMBRO DE 2019
ANASTASIA
DIAS DEPOIS
Após o Natal, viemos para a casa nas montanhas dos Hyde, aqui em Aspen. Sempre nevava nessa época do ano então chegávamos uns quatro ou cinco dias antes, para podermos aproveitar as pistas de esqui e a neve com as crianças.
Christian estava todo bobo depois que descobriu que iria ser pai novamente. Jack era outro que não parava de falar sobre isso, pois o mesmo já havia até se auto convidado para ser padrinho de novo, juntamente com a Leila, que por falar nela, achei a mesma meio distraída esses últimos dois dias então resolvi que iria falar ela.
Enquanto todos estavam na sala, conversando e brincando, esperando que a hora da virada chegasse para que brindássemos o novo ano, eu chamei Leila para me ajudar a trazer mais aperitivos para nós e ela assentiu, me acompanhando.
— Amiga, está acontecendo alguma coisa? – perguntei, assim que entramos na cozinha.
— Não, não. Está tudo bem – Leila disse, dando um sorriso para mim, que eu logo notei ser triste.
— Estou te achando meio distraída e para baixo esses dias. Se precisar conversar, eu estou aqui, viu? – falei, tocando no ombro dela.
— Eu acho que estou grávida, Ana – ela comentou de repente, me deixando surpresa.
— Sério?
— Sim. Minha menstruação tá atrasada e ela nunca atrasou, desde que eu comecei a menstruar aos 12 anos. E ontem eu vomitei logo cedo. Eu estou nervosa com isso, porque eu não me sinto preparada para ser mãe e ainda tem a minha carreira. Eu comecei a faculdade de Medicina esse ano. Eu não sei o que fazer, amiga – Leila murmurou, me abraçando de repente.
Retribui o abraço dela, afagando sua costa, gentilmente.
— Jack já sabe? – inquiri, quando nos desvencilhamos e Leila negou com a cabeça – Seja qualquer decisão que você tomar, antes de tudo tenha uma conversa com ele. Não cometa o mesmo erro que eu cometi.
— Como assim, Ana?
Apenas sorri e contei sobre quando estive na mesma situação que ela.
LEILA
Eu me encontrava um pouco nervosa, mas precisava conversar com Jack, então chamei ele para irmos para o quarto e Jack achou que eu queria transar antes da virada do ano, que aconteceria daqui a meia hora.
— A gente precisa conversar, Jack – falei, séria, me sentando na cama.
— Ih, quando a mulher fala “Precisamos conversar” é porque vem chumbo grosso por aí – ele comentou, rindo, já se sentando ao meu lado na cama e pegando em minha mão – Você não vai terminar comigo logo agora né, amor? Ou vai?
— Não, não, querido. Eu não quero terminar. Eu te amo muito...
— Eu também te amo, minha loirinha.
Sorri e suspirei, o encarando.
— Estou grávida, mas eu quero abortar, Jack.
— Peraí... Porque, meu amor? – ele perguntou com uma expressão que misturava alegria com tristeza.
— Além de não me sentir preparada, eu não quero parar com a minha faculdade. Eu não consigo trabalhar, estudar e ser mãe ao mesmo tempo.
— Tudo bem, amor – Jack falou, meio cabisbaixo, então me levantei e me coloquei na frente dele, entre suas pernas, segurando seu rosto em minhas mãos.
— Por favor, não fique triste e com raiva de mim, amor. Eu prometo que depois que me estabilizar, eu te dou quantos filhos você desejar, mas agora eu não consigo e nem posso. Me desculpe...
— Ei, não chora, meu amor. Eu tô triste, não posso negar, mas te entendo e vou te apoiar na sua decisão. Ainda somos jovens. Podemos esperar até que você se forme e comece a trabalhar como médica e ter um carga horária mais folgada. Não se preocupe.
— Obrigada por me apoiar. Isso é muito importante para mim. Eu te amo, amor.
— Eu te amo mais, minha loirinha.

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