sábado, 28 de março de 2020

Meu Ogro - Capítulo 04


ANASTASIA

Depois de tanto ver mato ao nosso redor, finalmente paramos em frente a uma cabana de madeira. O ogro então saiu do carro e começou a se afastar, subindo a escada da varanda da casa, se é que aquilo ali poderia ser considerado como casa.

O vi abrir a porta e olhar para trás, balançando a cabeça, já retornando até o carro e parando ao lado da porta do passageiro, me encarando sério.

— Não vai sair?

— Não. Não entro ali nem arrastada – falei, cruzando os braços e erguendo o queixo, olhando para frente.

— Tudo bem. Fique aí então na companhia de ursos, leões da montanha e lobos selvagens. E no frio também, porque estamos perto da linha do círculo polar ártico e a noite, as temperaturas despencam.

Ele saiu, adentrando em seguida a cabana e eu fiquei ali, sozinha dentro do carro. À medida que os minutos iam passando e a noite ia chegando, o frio ameno que eu já sentia, devido a pouca roupa, começou a aumentar drasticamente, fazendo-me tremer.

Eu era orgulhosa demais para ir até lá e pedir para entrar, mas de repente, comecei a escutar uns barulhos estranhos. Olhei ao redor, mas se encontrava tão escuro do lado de fora que não dava para enxergar nada.

A única coisa que eu conseguia ver era a claridade fraca vinda do interior da cabana, através das janelas. Os barulhos começaram a ficar bem mais intensos, me fazendo morrer de medo e olhar para todos os lados, mesmo que fosse inútil.

Do nada, a porta foi aberta, fazendo-me gritar alto à medida que algo me segurava e me puxava para fora do carro. Tentei lutar com o bicho, me debatendo freneticamente, mas era em vão, pois eu era fraca demais.

— Sou eu. Pare de se debater, mulher – ouvi o ogro dizer, foi então que percebi que estava nos braços dele, ou melhor, com os braços do ogro envolta da minha cintura e com minhas mãos tocando algo duro, um pouco cabeludo, que deveria ser o peito dele.

Estava escuro demais para eu ver qualquer coisa, mas senti quando ele me pegou no colo e saiu andando, pois o vento gelado da noite batia na lateral do meu corpo, fazendo com que eu me tremesse toda e batesse os dentes um contra o outro.

Logo o ogro adentrou a cabana, pela porta que o mesmo parecia ter deixado aberta, e o calor de dentro do lugar me atingiu em cheio, trazendo um pouco de conforto para mim, fazendo com que eu diminuísse o tremor.

— Fique aqui – ele disse, me colocando no chão, já se afastando, pegando o que parecia ser uma espingarda localizada perto da porta.

Nem deu tempo para perguntar para onde o mesmo ia, pois o ogro já tinha saído porta afora. Segundos depois, escutei um som ensurdecedor de um tiro, que me fez gritar de medo.

Fiquei encarando fixamente para a escuridão através da porta aberta e me assustei, dando mais um grito, quando o ogro apareceu de repente, parecendo uma assombração.

— Você só sabe gritar, mulher? – ele indagou, adentrando a cabana, fechando a porta atrás de si.

— O que você tava fazendo? – inquiri, ainda com medo, mas parando por um momento para admirar o ogro à minha frente.

Ele se encontrava só de calça jeans e de botas. O mesmo estava de costas para mim, com um dos braços erguido, colocando a espingarda num suporte na parede ao lado da porta. Sua costa se flexionando com os seus movimentos.

Então, o ogro se virou e eu vi o seu peitoral bem definido com gominhos no abdômen e um pouco de pelos escuros na parte superior, dando um aspecto de penugem em seu peitoral. Desci o meu olhar e percebi que na parte debaixo também possuía pelos, mas bem ralos.
Todavia, meus olhos se prenderam no contorno na frente da calça dele.

“Delícia... Mas como ele consegue ficar só de calça num frio medonho desse enquanto eu estou praticamente morrendo congelada aqui” pensei enquanto o via se aproximar de mim.

— Estava espantando os lobos selvagens que estavam rondando a casa. Não ouviu os uivos deles?

Precisei de uns segundos para processar a informação.

— Lobos selvagens!? Você é maluco!? Poderia ter se machucado! – exclamei e ele deu um risinho de canto de boca.

— Eu vivo aqui há duas décadas. Sei me cuidar muito bem. E não tenho medo de nenhum animal que vive por aqui pelos arredores – o ogro disse e pegou nas minhas mãos – Você está muito fria. Venha.

Ele me puxou para perto de algo que parecia uma mistura de fogão com lareira e empurrou uma cadeira, já mandando que eu me sentasse nela. Fiz o que o ogro mandou e fiquei esfregando meus braços para me aquecer mais rápido.

Meus mamilos estavam tão rígidos pelo frio que chegavam a doer. De repente, sou envolvida por algo quente, fazendo-me perceber que ele havia colocado uma manta grossa sobre meus ombros.

— Tome. Isso vai te esquentar mais rápido que o fogo – o ogro murmurou, me estendo um copo com um líquido escuro.

— O que é isso? – perguntei, o encarando, meio desconfiada.

— Uísque.

Eu já tinha provado Uísque nas baladas e até gostava muito, então tomei um gole, mas comecei a tossir pela intensa queimação do líquido ao descer pela minha garganta, chegando a deixar meus olhos cheios de lágrimas. Aquele Uísque era diferente de tudo que eu já havia provado na vida.

— Isso não é Uísque... Isso é veneno... – comentei, o encarando, ainda em meio a minha crise de tosse.

— Isso é Uísque caseiro dos bons. Extra forte. Você que é fresca demais, mulher.

Apenas o fuzilei com o olhar, querendo matá-lo, enquanto o via se distanciar com a garrafa em mãos e guardar ela em algum armário do que seria a cozinha da cabana.

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