sábado, 28 de março de 2020

Meu Ogro - Capítulo 03


ANASTASIA

No dia seguinte, após meu pai ter me informado sobre o tal casamento arranjado, eu chamei minha amiga e fomos em uma loja de noiva na cidade, pois eu ia fazer o meu querido papai se arrepender de ter armado esse casamento para mim com esse zé ninguém do mato.

Com certeza, esse tal de Sr. Grey, deveria ser um velho banguela, barbudo e barrigudo. Só de me imaginar casada com um homem desse, me dava calafrios, e por esse motivo eu tentei sabotar esse casamento ao longo da semana, mas foi em vão, porque minha mãe estava contra mim também.

Todavia, eu tinha uma última carta na manga, que com certeza iria retardar um pouco mais esse casamento até que eu tivesse uma idéia melhor. Minha mãe havia mandado trazer de Paris, uma réplica do vestido de noiva da princesa Grace de Mônaco, para que eu usasse.

Entretanto, eu tinha outros planos. No dia anterior, havia pedido a minha amiga que fosse na loja de noiva que tínhamos ido no início da semana e que comprasse de novo o vestido que eu tinha escolhido, mas que assim que a minha mãe o viu, se desfez dele.

Era um vestido de noiva de renda com forro em tule. Nada de mais, se não fosse o fato de que só existia uma camada de tule no forro, deixando assim o vestido bem revelador se você optasse por não usar nada por baixo, o que eu inicialmente tinha pensado em fazer.

“Vamos ver se meus pais vão me deixar casar assim” pensei, olhando-me no espelho.
Verifiquei a cola da calcinha nude, estilo tapa-sexo, que eu havia colocado de última hora e sorri, antes de sair do quarto, já descendo até o salão de festas da nossa mansão, onde seria realizado tanto a cerimônia quanto a recepção.





CHRISTIAN

Eu já estava ficando impaciente com aquela demora toda em começar o casamento, pois mesmo com meu cunhado tendo ido me ajudar essa semana que passou, ainda tinha algumas coisas para eu fazer antes da chegada do inverno, que começaria depois de amanhã.

De repente, escutei um tumulto vindo da porta do salão, que estava todo enfeitado com coisas chiques e desnecessárias, já que a gente só precisava assinar um papel para eu ter minhas terras de volta. Saí de onde eu me encontrava, atravessei o salão e fui até a porta, abrindo a mesma.
— Quer nos matar de vergonha, Anastasia?! – vi Raymond esbravejar com uma moça vestida de noiva ou quase isso, já que o vestido dela era tão transparente que dava para ver o seu corpo sob ele.

Então essa era a filha do prefeito. Até que ela era bonita de rosto, mas de corpo era muito feia, pois parecia mais um graveto de árvore do que uma mulher com boa saúde.

— Você não vai casar desse jeito! – Raymond informou, fazendo-me ver um sorrisinho no rosto dela.

— Vai haver casamento sim – anunciei, me aproximando da filha do prefeito.

— O que você tá fazendo? – ouvi ela inquirir à medida que eu a erguia do chão, colocando-a sobre meu ombro – Não! Me coloca no chão, seu ogro! Eu não quero casar com você não! – a mulher esperneava, batendo em minha costa enquanto eu voltava para dentro do salão.

— Também não quero, mas vamos – falei sério, parando em frente do cara que iria celebrar o casório.

— Pronto, senhor. A noiva já está aqui. Pode começar com o casamento.

— Você não vai colocar ela no chão não? – ele inquiriu, ainda assustado com aquilo tudo.

— Não. Senão ela foge.

— Duvido você conseguir passar a cerimônia toda comigo aqui – escutei a filha do prefeito falar e eu ri.

— Senhorita, eu sou acostumado a carregar toras de madeiras com o dobro do meu peso nos ombros, o dia inteiro. Um graveto que nem você, posso passar facilmente um ano com você sobre meus ombros.

— Ei! Está me chamando de “graveto”, seu ogro?

— Chamei. Agora fica de boca fechada que o moço aqui vai casar a gente – murmurei, já começando a me irritar.

Mandei o cara começar a cerimônia, mas depois de alguns segundos, a mulher pediu que eu a descesse então a coloquei no chão e a mesma ficou ao meu lado, de braços cruzados e de cara fechada, revirando os olhos às vezes.

— Não queria não, mas é o jeito – ela disse, emburrada, quando chegou a vez dela e o homem perguntou se a mesma me aceitava como marido.

— Com o poder dado a mim, eu vos declaro marido e mulher. O noivo pode beijar a noiva.

Olhei de relance para minha mais nova esposa e ela me encarava de cima a baixo.

— Não se preocupe, que eu não quero e nem vou te beijar – falei, já me curvando para assinar o papel do casamento.

— Eu também nem queria mesmo.

Rolei os olhos e me aprumei, estendendo a caneta para ela, que a pegou bruscamente e assinou o papel à medida que ao fundo os poucos convidados batiam palmas. Os pais dela logo vieram até nós e nos cumprimentaram.

— Precisamos ir – anunciei para a minha nova sogra, quando Anastasia fez menção de ir com ela para algum lugar.

— Eu quero comer bolo e curtir a festa, já que é para a gente – ela disse, ainda de cara amarrada.

— Temos que ir. Vamos.

A mulher bufou de raiva, mas ignorei a mimada e peguei na mão dela, já a arrastando para fora da mansão, com ela resmungando o tempo todo.

— Sr. Grey? – ouvi o pai dela me chamar, então parei e me virei, olhando o mesmo se aproximar com uma chave e um envelope nas mãos – Este são seus documentos. Já está tudo certo no cartório, mas siga o que combinamos.

— Ok – murmurei, pegando o envelope laranja que ele me estendia.

— E isso aqui é um presente de casamento para vocês. A chave de uma picape Ford F-150 Platinum Supercab, ano 2016. Aquela belezinha estacionada ali.
— Não. Obrigado. Eu prefiro ficar com a Silver mesmo.

— Quem é Silver? – Anastasia perguntou.

— Minha caminhonete. Vamos – comentei, já saindo de perto dele e indo rumo aonde eu havia estacionado o meu carro.

— Você dispensou uma picape novinha, de mais de 70.000 dólares por essa geringonça aqui. Está de sacanagem com a minha cara, né?

Nem a respondi, apenas abri a porta da Silver e meio que tive que empurrar a mulher para dentro, antes de fechar a porta do passageiro e dar a volta na caminhonete, para poder entrar nela.


★ ★ ★ ★ ★


— O que tem aí nesse envelope? Ganhou alguma coisa casando comigo? – escutei Anastasia indagar enquanto saíamos de Fort River.

— Além de irritação? Não. Houve um erro no novo registro do cartório e minhas terras acabaram ficando no nome da prefeitura, então vim resolver com seu pai esse mal entendido e ele me chantageou. Ou me casava com a filha dele ou ficava sem minhas terras. Não me pergunte porque ele fez isso e eu nem quero saber o motivo.

— Papai me odeio, só pôde ser isso.

— Só sei que teremos que ficar casados por um ano, depois disso você pode voltar para sua vidinha chique e vazia de sempre – retruquei, já ouvindo ela bufar de raiva.

— Minha vida não é vazia – ouvi Anastasia dizer, emburrada – Devia ter me deixado pegar umas roupas, seu ogro. Estou praticamente nua aqui.

A encarei de relance.

— Está nua porque quer. Mas não se preocupe que eu tenho umas roupas que deve servir em você.

— Até parece que eu vou vestir roupa usada.

Rolei os olhos, balançando a cabeça.

— Pois fique nua assim mesmo. Eu não ligo.

— Não liga em me ver nua?

— Não.

— Você é gay?

A olhei de lado, novamente.

— Não sou. Você é bonita de rosto, mas de corpo não é não – informei, já vendo ela me encarar em choque.

— O que tem o meu corpo?

— Magro demais. Gosto de mulheres de verdade, daquelas cheinhas, com curvas e dobrinhas, onde tenha lugar para apertar. Um graveto que nem você, se eu pensar em te pegar, você se quebra em vários pedaços de tão frágil que é – ressaltei, prestando atenção na estrada.

— Você está pensando em transar comigo hoje?

— Já passei um ano sem sexo, posso muito bem passar mais um ano. Até porque, como eu já disse, seu corpo esquelético não me atrai em nada.

— Azar o seu que está perdendo tudo isso aqui, pois tem muito cara que me acha super gostosa com esse corpo – Anastasia comentou, fazendo-me rir.

— Que bom para esses frescos então. Homem de verdade gosta de mulher de verdade.

Ela bufou com raiva e ficou quieta.

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