sexta-feira, 27 de março de 2020

Maliciosamente Sedutores - Capítulo 47


ANASTASIA

Quando acordei com um som de bip enjoado ecoando pelo quarto, mas percebi que não estava no meu quarto e sim no hospital.

— Oi, minha querida – disse Alexander sentando na beirada da cama.

Sorri e tentei me mexer um pouco, mas todo o meu corpo se encontrava dolorido, parecia até que tinha levado uma surra. E por falar em surra, acabei me lembrando do sequestro.

— Alex, os nossos filhos...

— Está tudo bem. Nikki conseguiu achar os gêmeos e eu deixei eles na casa da minha mãe enquanto ficava com você aqui no hospital – ele me garantiu enquanto passava o dorso de sua mão em meu rosto, mas notei que ele estava muito triste.

— Você está estranho, Alexander. O que foi que houve?

— Não é nada.

— Como não é nada? Nossos filhos estão sãos e salvos em casa, ou melhor, na casa da avó paterna e eu estou bem também. Então por que você está com essa cara de tristeza?

— Eu tenho que te dar uma notícia não muito agradável... – ele parou de falar de repente então o incentivei a continuar esboçando um leve sorriso, ele suspirou fundo e me encarou – Devido às surras e o aborto que você sofreu durante o sequestro... – Alex novamente parou de falar e isso me deixou angustiada.

— Me diz o que aconteceu, por favor – pedi já tentando me preparar para o pior.

— Segundo os médicos, seu útero ficou lesionado então... infelizmente você não pode ter mais filhos.

Ao ouvir aquelas palavras foram como se espadas tivessem sido transpassadas em meu peito.

— Não... – sussurrei em choque.

— Me desculpe, querida.

— Isso não pode ser verdade... Não... Não pode ser... – falei já me entregando ao choro e logo senti os braços de Alexander me puxando para um abraço.





CHRISTIAN

OITO ANOS DEPOIS

Saber que não podíamos mais ter filhos abalou não só a Anastasia quanto a mim também, pois estávamos muito felizes com a segunda gravidez dela onde, segundos o resultado do exame de sangue, Ana estava esperando uma menina, mas infelizmente esse sonho morreu.

Os primeiros meses foram os mais difíceis, mas focamos em criar os gêmeos e com o passar do tempo essa dor foi substituída pela alegria de ver os nossos filhos crescendo saudáveis.

Ben era muito apegado à Anastasia, já o nosso filho Teddy era mais apegado a mim, mas tentávamos distribuir por igual a nossa atenção para os dois.

— Com licença, Sr. Grey.

Girei minha cadeira e encarei minha secretária parada na porta.

— Fale, Sophie.

— O senhor tem mais uma reunião...

— Mais uma reunião? – indaguei e suspirei fundo já meio irritado – Esta não estava marcada na minha agenda, estava?

— Não, senhor, mas o Sr. Kraigh acabou de chegar e solicitou uma reunião urgente com o senhor.

Olhei no meu relógio de pulso e respirei fundo, pois já passava das cinco e meia e eu queria chegar logo em casa para curtir os meus filhos, mas Will era um dos meus gerentes mais confiáveis e se ele pediu uma reunião urgente era porque algo de grave havia acontecido no Hotel Hynnal.

— Ok, mande-o entrar.

— Senhor, ele o aguarda na sala de reuniões.

— Tudo bem.

Levantei, abotoei meu terno preto e saí do escritório sendo seguido por Sophie. Estranhei a ausência de Lily, Amber e Natasha na recepção, mas possivelmente elas deveriam estar com Will na sala de reuniões. Assim que entrei na sala eu levei um susto.

Meus irmãos, meus cunhados e cunhadas, minhas sobrinhas, meus sogros, minha esposa, meus filhos, minhas secretárias e alguns amigos. Todos estavam ali cantando parabéns para mim enquanto minha mãe segurava um bolo.

Theodore e Thobias correram até onde me encontrava e abaixei um pouco para abraçá-los. Recebi os cumprimentos e os abraços de todos, menos de Anastasia que se manteve afastada. Suspirei triste, pois nesses últimos três meses ela vinha me evitando.

Não sabia ao certo o motivo para esse afastamento, até tentei descobrir perguntando à ela se era por causa do trabalho ou se eu havia feito algo que tenha gerado desconfiança sobre a minha fidelidade para com ela, mas Ana me garantiu que não era por nenhum desses motivos, mesmo assim ela pediu para que dormíssemos em quartos separados e evitava me abraçar.

— Papai, o senhor vai abrir meu presente primeiro, não é? – Ben indagou me chamando a atenção, ele estendia uma caixa azul à minha frente.

— É claro que não. Ele vai abrir primeiro o meu – disse Teddy empurrando o irmão e estendendo uma caixa cinza.

— Meninos, por favor, sem briga – pediu Anastasia, mas eles continuaram a discutir – Theodore Raymond Grey e Thobias Bennet Grey! Eu não vou repetir novamente!

— Desculpe, mamãe – os dois disseram ao mesmo.

— Tudo bem, Ana – falei pegando os presentes deles e colocando sobre a mesa então me virei e me ajoelhei de frente aos gêmeos – Ano passado eu abri o seu presente primeiro, não foi Teddy?

— Sim, papai.

— Então nada mais justo que este ano eu abra o do seu irmão primeiro, não é? – indaguei e meu filho concordou.

Peguei o presente do Ben e o abri. Era um projeto de montagem de uma nova edição especial para colecionadores de helicópteros. Abracei meu filho então abri o outro pacote e como sempre era o mesmo presente.

Abracei Theodore também então os outros vieram me entregar seus presentes. Anastasia foi a última a se aproximar de mim e me entregar uma caixinha vermelha.

— Este é o meu presente, Christian. Espero que goste.

Meus olhos se arregalaram quando vi o conteúdo da caixa. Havia um par de sapatinhos rosa, uma foto de ultrassom e um teste rápido de gravidez.

— É verdade? – indaguei sem ainda acreditar, Ana apenas assentiu enquanto sorria emocionada e vinha me abraçar – Mas como isso é possível? E você está grávida de quantos meses? – perguntei tocando em sua barriga.

— Quatro meses, querido. É a nossa princesa que está voltando, Christian – ela disse chorando e me enlaçou o pescoço dando-me um beijo.

— Respondendo à sua pergunta meu filho, a Ana começou a fazer um tratamento para engravidar há alguns anos – minha mãe falou então olhei para minha esposa.

— Não tínhamos prometido esquecer isso?

— Eu sei, Christian, mas eu queria tanto te dar mais um filho então pedi ajuda para a nossa família e amigos...

— Ah então todos vocês sabiam? – indaguei fingindo uma cara de repreensão.

— Aceite a realidade, tio Christian, os maridos sempre são os últimos a saberem das coisas – disse minha sobrinha Ava, filha de Elliot e Kate.

Todos sorriram do comentário dela então meu irmão me pediu para cortar o enorme bolo que estava sobre a mesa de reuniões. É claro que o primeiro pedaço eu dei para Ana, que estava me dando mais um presente maravilhoso. A nossa filha.





ANASTASIA

Estávamos deitados, abraçados depois de uma longa noite fazendo amor. E por falar em amor... estava na hora de eu entregar o segundo presente do meu querido marido.

— Christian? – indaguei me apoiando em seu peito e o encarando.

— Sim, querida?

— Tenho mais um presente para você.

— Tecnicamente já não é mais meu aniversário, Anastasia, então chega de presentes.

— Aí Christian, deixa de ser chato! Eu só ia dizer que te amo – falei e me virei de costas para ele.

— O que você disse?

— Nada. Vai dormir.

— Repete, Ana.

Me virei e o encarei então estendi o braço passando minha mão em seu rosto traçando a linha do seu maxilar.

— Eu te amo, Christian – sussurrei olhando profundamente para aqueles olhos azuis acinzentados que eu tanto amava.

— Repete.

— Eu te amo... Eu te amo... Eu te amo... Eu te amo... Eu te amo... – falei sorrindo então Christian se inclinou e me deu um beijo.

— Repete de novo, meu amor. Eu nunca vou me cansar de ouvir isso.

Sorri.

— Eu te amo muito, Sr. Grey.

— Não tanto quanto eu te amo, Sra. Grey.

Novamente nossos lábios se fundiram num beijo apaixonado enquanto seus braços me rodeavam trazendo-me para perto daquele corpo que era a minha perdição.

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