ANASTASIA
Acordei e observei o local onde me encontrava notando que o mesmo era um quarto de hospital.
“O que será que havia acontecido? E por que eu estou segurando um elefante de pelúcia parecido com o Teddy?” indaguei mentalmente.
Assim que vi Christian entrando no quarto perguntei o que tinha acontecido então ele me explicou tudo.
— Como assim nascer? Eu não posso ter eles agora! – exclamei apavorada.
— Eu sei, querida, mas é o único jeito. Não se preocupe. Vai dar tudo certo.
— Tomara, querido.
Três dias após eu ter completado trinta e duas semanas, os médicos me mudaram de quarto, mandando-me para a ala da maternidade porque eles acharam melhor começar a indução para o parto, pois a cada dia o risco de um dos gêmeos contrair alguma infecção aumentava.
— Vou explicar o que iremos fazer para que não haja dúvidas – informou Clarice ao lado de Brian e Michelly – Aplicaremos uma dose de 25mg de misoprostol via vaginal de seis em seis horas até que você esteja dilatada o suficiente para a passagem dos bebês. Estão entendendo?
— Sim – eu e Christian respondemos juntos.
— Ótimo. A Dra. Roberts ficará responsável por monitorar a atividade uterina e a frequência cardíaca dos gêmeos após a aplicação do remédio enquanto que eu e o Dr. Dickens te avaliaremos a cada quatro horas, ok?
— Ok – respondi.
— Se entenderam então vamos começar.
Vi Brian se preparar colocando as luvas estéreis enquanto que Christian me ajudava a ficar parcialmente deitada. Brian se sentou na beirada da cama aos meus pés e mostrou o que parecia ser um comprimido.
— Este é o remédio que vai te ajudar a dilatar. Terei que colocá-lo o mais fundo que puder então você sentirá um leve desconforto – ele informou e eu assenti.
Quando comecei a sentir dor apertei forte a mão do Christian que se inclinou e passou a conversar comigo para me distrair. Me entreguei totalmente ao nosso papo que nem percebi quando os médicos saíram nos deixando a sós no quarto.
Por volta das dez da manhã, duas horas depois da aplicação do remédio, comecei a sentir as primeiras contrações. Christian correu para avisar os médicos que vieram me avaliar, mas ainda estava começando a me dilatar. Christian estava sendo atencioso comigo e tentava me distrair durante os intervalos das contrações.
Às duas da tarde me examinaram novamente e Brian fez uma nova aplicação do remédio, pois ele me informou que eu estava com apenas dois centímetros e minha meta era atingir no mínimo cinco centímetros. Às seis da tarde a Dra. Greene e a Dra. Roberts vieram avaliar tanto a mim quanto os bebês.
Michelly me perguntou se os gêmeos estavam se movimentando muito e eu confirmei. Clarice me orientou a caminhar um pouco dizendo que isso me ajudaria então com o auxílio de Christian levantei da cama e fomos andar pelo corredor.
A cada contração que sentia eu parava, me encostava à parede e esperava a dor passar. Christian toda vez me pedia para ter calma e isso já estava me irritando.
— Se você pronunciar de novo a palavra “calma”, eu juro que nunca mais transo com você – ralhei com raiva.
— Você não aguentaria muito tempo.
— Não desafie uma grávida em trabalho de parto – ameacei lançando lhe um olhar mortal.
Nossas famílias apareceram por volta das oito da noite. A essa altura do campeonato eu já não me aguentava de dor então Christian foi chamar Brian e minutos depois os dois entraram no quarto.
— Como está minha paciente mais linda do mundo?
— Louca para te matar se você não andar logo com esse exame! – esbravejei e lancei um olhar assassino para Andrea, Kate, Luke e Elliot que estavam rindo – Se os quatro palhaços não pararem de rir eu juro que me levanto dessa cama e desço porrada em vocês!
— Cal... – Christian parou de falar quando o olhei.
— Quer terminar a palavra!? – indaguei com raiva e ele se desculpou.
— Você está com oito centímetros – informou Brian tirando as luvas – A partir de agora quando as contrações vierem você deve empurrar – assenti respirando fundo – Agora a família pode sair e ficar na sala de espera, por favor.
— Ah não. Nós trouxemos até nossas câmeras para gravar o show – disse Luke sorrindo.
— Caiam fora todo mundo! – gritei e senti uma contração, agora o intervalo entre elas estavam menores, bem menores.
Assim que todos saíram, quando disse todos foram todos mesmo até Christian, logo o quarto se modificou, pois entraram seis técnicas de enfermagem e quatro enfermeiros, dois deles traziam consigo dois berços que pareciam caixas de vidro, segundo eles me informaram aquilo eram incubadoras onde os gêmeos seriam colocados após o nascimento e levados para a U.T.I Neonatal.
Duas técnicas me ajudaram a ficar na posição para o parto e minutos depois Clarice, Brian, Michelly e Christian adentraram o quarto, todos trajando vestimentas estéreis. Christian veio para o meu lado e segurou minha mão me mandando apertá-la ou mordê-la se quisesse então minha luta em dar à luz ao primeiro dos gêmeos começou.
— Vamos, Anastasia, faça força só mais uma vez – ouvi Clarice dizer novamente entre minhas pernas.
Essa era a centésima vez que ela pronunciava essas palavras, eu acho. Curvei o corpo fazendo força depois voltei a deitar fechando os olhos cansada e ofegante. A dor que afligia minha costa e minha pélvis era tão intensa que me fazia perder os sentidos por alguns segundos, mas logo eu voltava a acordar.
— Manda preparar o centro cirúrgico agora! – ouvi a voz do Brian então abri os olhos e as imagens estavam meio sem foco.
— A cabeça do bebê já está no canal, Brian. Não podemos levá-la para o centro cirúrgico, agora.
— Christian – sussurrei e logo seu rosto apareceu no meu campo de visão meio embaçado – O que está acontecendo?
— Querida, você precisa fazer força só mais uma vez.
— Eu não consigo. Estou muito cansada – choraminguei e ouvi Brian sussurrar algo para o meu marido, mas não consegui entender.
— Ana, olha para mim – Christian pediu segurando meu rosto entre suas mãos – Você precisa tentar só mais uma vez. A vida do nosso filho depende disso.
Assenti então reuni um pouco de força, respirei fundo e gemi arqueando meu corpo para frente mais uma vez, agora por mais tempo. Voltei a deitar, totalmente exausta, perdendo os sentidos, mas assim que voltei a si, dei um sorriso com os olhos marejados de lágrimas ao ouvir o chorinho do meu filho. Olhei para Christian que também estava chorando e ele me beijou.
— Nosso pequeno Theodore – murmurei.
Não pude segurá-lo, mas Clarice nos mostrou ele rápido antes de o colocarem numa das incubadoras e Michelly mandar levarem ele às pressas para a U.T.I. Brian estourou a bolsa do outro bebê então me preparei para a outra rodada.
Dolorosos e exaustivos minutos depois, dei a luz ao pequeno Thobias que igual ao irmãozinho dele, foi colocado dentro da incubadora e levado para fora do quarto. O cansaço de horas em trabalho de parto me atingiu violentamente então fechei os olhos extremamente exausta e adormeci.
CHRISTIAN
Theodore Raymond Grey, nasceu no dia 27 de novembro de 2014 às 21:04hs com 32 semanas e 3 dias pesando 1.620 kg e medindo 42 cm. Já Thobias Bennet Grey, nasceu no dia 27 de novembro de 2014 às 21:57hs com 32 semanas e 3 dias pesando 1.598 kg e medindo 40 cm.
Ambos estavam nas incubadoras com os capacetes de oxigenação, pois os pulmões deles ainda não permitiam com que respirassem sozinhos. Ana ainda permanecia dormindo, pois os médicos haviam aplicado nela alguns remédios para dor e para que ela não contrai-se nenhuma infecção e o efeito deles era muita sonolência.
— Eles são tão pequenos – desabafei enquanto observava meus filhos pelo vidro da U.T.I Neonatal.
— Eu sei que eles são pequenos, mas os bebês prematuros são assim mesmo – Elliot disse.
— Não se preocupe, irmão. Logo logo eles ganharão peso suficiente para irem para casa – falou Mia.
— Filho, nós precisamos ir – comunicou Grace que em seguida me deu um abraço apertado – Já dei ordens para liberarem a entrada de vocês dois aqui na U.T.I a hora que quiserem.
— Obrigada, mãe.
Me despedi de todos e minha mãe e irmã foram embora enquanto que meu irmão desceu para a emergência para continuar seu plantão. Fiquei mais alguns minutos observando Thobias e Theodore depois voltei para o quarto.
Anastasia ainda dormia então aproveitei e deitei na outra cama que minha mãe havia mandado instalar no quarto para que eu pudesse descansar e logo adormeci cansado.
Acordei e observei o local onde me encontrava notando que o mesmo era um quarto de hospital.
“O que será que havia acontecido? E por que eu estou segurando um elefante de pelúcia parecido com o Teddy?” indaguei mentalmente.
Assim que vi Christian entrando no quarto perguntei o que tinha acontecido então ele me explicou tudo.
— Como assim nascer? Eu não posso ter eles agora! – exclamei apavorada.
— Eu sei, querida, mas é o único jeito. Não se preocupe. Vai dar tudo certo.
— Tomara, querido.
★ ★ ★ ★ ★
Três dias após eu ter completado trinta e duas semanas, os médicos me mudaram de quarto, mandando-me para a ala da maternidade porque eles acharam melhor começar a indução para o parto, pois a cada dia o risco de um dos gêmeos contrair alguma infecção aumentava.
— Vou explicar o que iremos fazer para que não haja dúvidas – informou Clarice ao lado de Brian e Michelly – Aplicaremos uma dose de 25mg de misoprostol via vaginal de seis em seis horas até que você esteja dilatada o suficiente para a passagem dos bebês. Estão entendendo?
— Sim – eu e Christian respondemos juntos.
— Ótimo. A Dra. Roberts ficará responsável por monitorar a atividade uterina e a frequência cardíaca dos gêmeos após a aplicação do remédio enquanto que eu e o Dr. Dickens te avaliaremos a cada quatro horas, ok?
— Ok – respondi.
— Se entenderam então vamos começar.
Vi Brian se preparar colocando as luvas estéreis enquanto que Christian me ajudava a ficar parcialmente deitada. Brian se sentou na beirada da cama aos meus pés e mostrou o que parecia ser um comprimido.
— Este é o remédio que vai te ajudar a dilatar. Terei que colocá-lo o mais fundo que puder então você sentirá um leve desconforto – ele informou e eu assenti.
Quando comecei a sentir dor apertei forte a mão do Christian que se inclinou e passou a conversar comigo para me distrair. Me entreguei totalmente ao nosso papo que nem percebi quando os médicos saíram nos deixando a sós no quarto.
Por volta das dez da manhã, duas horas depois da aplicação do remédio, comecei a sentir as primeiras contrações. Christian correu para avisar os médicos que vieram me avaliar, mas ainda estava começando a me dilatar. Christian estava sendo atencioso comigo e tentava me distrair durante os intervalos das contrações.
Às duas da tarde me examinaram novamente e Brian fez uma nova aplicação do remédio, pois ele me informou que eu estava com apenas dois centímetros e minha meta era atingir no mínimo cinco centímetros. Às seis da tarde a Dra. Greene e a Dra. Roberts vieram avaliar tanto a mim quanto os bebês.
Michelly me perguntou se os gêmeos estavam se movimentando muito e eu confirmei. Clarice me orientou a caminhar um pouco dizendo que isso me ajudaria então com o auxílio de Christian levantei da cama e fomos andar pelo corredor.
A cada contração que sentia eu parava, me encostava à parede e esperava a dor passar. Christian toda vez me pedia para ter calma e isso já estava me irritando.
— Se você pronunciar de novo a palavra “calma”, eu juro que nunca mais transo com você – ralhei com raiva.
— Você não aguentaria muito tempo.
— Não desafie uma grávida em trabalho de parto – ameacei lançando lhe um olhar mortal.
Nossas famílias apareceram por volta das oito da noite. A essa altura do campeonato eu já não me aguentava de dor então Christian foi chamar Brian e minutos depois os dois entraram no quarto.
— Como está minha paciente mais linda do mundo?
— Louca para te matar se você não andar logo com esse exame! – esbravejei e lancei um olhar assassino para Andrea, Kate, Luke e Elliot que estavam rindo – Se os quatro palhaços não pararem de rir eu juro que me levanto dessa cama e desço porrada em vocês!
— Cal... – Christian parou de falar quando o olhei.
— Quer terminar a palavra!? – indaguei com raiva e ele se desculpou.
— Você está com oito centímetros – informou Brian tirando as luvas – A partir de agora quando as contrações vierem você deve empurrar – assenti respirando fundo – Agora a família pode sair e ficar na sala de espera, por favor.
— Ah não. Nós trouxemos até nossas câmeras para gravar o show – disse Luke sorrindo.
— Caiam fora todo mundo! – gritei e senti uma contração, agora o intervalo entre elas estavam menores, bem menores.
Assim que todos saíram, quando disse todos foram todos mesmo até Christian, logo o quarto se modificou, pois entraram seis técnicas de enfermagem e quatro enfermeiros, dois deles traziam consigo dois berços que pareciam caixas de vidro, segundo eles me informaram aquilo eram incubadoras onde os gêmeos seriam colocados após o nascimento e levados para a U.T.I Neonatal.
Duas técnicas me ajudaram a ficar na posição para o parto e minutos depois Clarice, Brian, Michelly e Christian adentraram o quarto, todos trajando vestimentas estéreis. Christian veio para o meu lado e segurou minha mão me mandando apertá-la ou mordê-la se quisesse então minha luta em dar à luz ao primeiro dos gêmeos começou.
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— Vamos, Anastasia, faça força só mais uma vez – ouvi Clarice dizer novamente entre minhas pernas.
Essa era a centésima vez que ela pronunciava essas palavras, eu acho. Curvei o corpo fazendo força depois voltei a deitar fechando os olhos cansada e ofegante. A dor que afligia minha costa e minha pélvis era tão intensa que me fazia perder os sentidos por alguns segundos, mas logo eu voltava a acordar.
— Manda preparar o centro cirúrgico agora! – ouvi a voz do Brian então abri os olhos e as imagens estavam meio sem foco.
— A cabeça do bebê já está no canal, Brian. Não podemos levá-la para o centro cirúrgico, agora.
— Christian – sussurrei e logo seu rosto apareceu no meu campo de visão meio embaçado – O que está acontecendo?
— Querida, você precisa fazer força só mais uma vez.
— Eu não consigo. Estou muito cansada – choraminguei e ouvi Brian sussurrar algo para o meu marido, mas não consegui entender.
— Ana, olha para mim – Christian pediu segurando meu rosto entre suas mãos – Você precisa tentar só mais uma vez. A vida do nosso filho depende disso.
Assenti então reuni um pouco de força, respirei fundo e gemi arqueando meu corpo para frente mais uma vez, agora por mais tempo. Voltei a deitar, totalmente exausta, perdendo os sentidos, mas assim que voltei a si, dei um sorriso com os olhos marejados de lágrimas ao ouvir o chorinho do meu filho. Olhei para Christian que também estava chorando e ele me beijou.
— Nosso pequeno Theodore – murmurei.
Não pude segurá-lo, mas Clarice nos mostrou ele rápido antes de o colocarem numa das incubadoras e Michelly mandar levarem ele às pressas para a U.T.I. Brian estourou a bolsa do outro bebê então me preparei para a outra rodada.
Dolorosos e exaustivos minutos depois, dei a luz ao pequeno Thobias que igual ao irmãozinho dele, foi colocado dentro da incubadora e levado para fora do quarto. O cansaço de horas em trabalho de parto me atingiu violentamente então fechei os olhos extremamente exausta e adormeci.
CHRISTIAN
Theodore Raymond Grey, nasceu no dia 27 de novembro de 2014 às 21:04hs com 32 semanas e 3 dias pesando 1.620 kg e medindo 42 cm. Já Thobias Bennet Grey, nasceu no dia 27 de novembro de 2014 às 21:57hs com 32 semanas e 3 dias pesando 1.598 kg e medindo 40 cm.
Ambos estavam nas incubadoras com os capacetes de oxigenação, pois os pulmões deles ainda não permitiam com que respirassem sozinhos. Ana ainda permanecia dormindo, pois os médicos haviam aplicado nela alguns remédios para dor e para que ela não contrai-se nenhuma infecção e o efeito deles era muita sonolência.
— Eles são tão pequenos – desabafei enquanto observava meus filhos pelo vidro da U.T.I Neonatal.
— Eu sei que eles são pequenos, mas os bebês prematuros são assim mesmo – Elliot disse.
— Não se preocupe, irmão. Logo logo eles ganharão peso suficiente para irem para casa – falou Mia.
— Filho, nós precisamos ir – comunicou Grace que em seguida me deu um abraço apertado – Já dei ordens para liberarem a entrada de vocês dois aqui na U.T.I a hora que quiserem.
— Obrigada, mãe.
Me despedi de todos e minha mãe e irmã foram embora enquanto que meu irmão desceu para a emergência para continuar seu plantão. Fiquei mais alguns minutos observando Thobias e Theodore depois voltei para o quarto.
Anastasia ainda dormia então aproveitei e deitei na outra cama que minha mãe havia mandado instalar no quarto para que eu pudesse descansar e logo adormeci cansado.

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