ANASTASIA
Acordei e percebi que Christian estava encostado a mim, pois o mesmo me abraçava e sua mão direita estava repousada sobre a minha barriga. Olhei a hora no despertador em cima da mesinha de cabeceira.
Ainda era seis e trinta e oito da manhã então fechei os olhos de novo, mas voltei a abri-los quando escutei a voz da Annie.
“Oi, Anastasia”
— Oi, Annie – sussurrei bem baixinho.
Ela estava parada à minha frente segurando o surrado Teddy pela tromba.
“Posso assumir hoje?” ela pediu e fez bico.
— Por quê?
“Eu quero que o Christian me leve ao Zoo e Aquarium Seattle”
— Só vou deixar porque eu amei a decoração do chá de bebê com todos aqueles ursinhos de pelúcia – falei e Annie começou a pular de felicidade, rolei os olhos depois a encarei – Mas olha lá o que você irá aprontar porque amanhã eu vou entrar no oitavo mês e não poderei mais ficar batendo perna por aí, pois preciso descansar para a chegada dos gêmeos.
“Ok. Juro que não farei nada de perigoso”
— Tudo bem – falei fechando em seguida os olhos e respirando fundo...
ANNIE
Assim que abri os olhos tratei logo de acordar o Christian. Dei um beliscão em sua mão que estava sobre a minha barriga e ele despertou assustado me fazendo sorrir.
— O que foi, Anastasia? – ele perguntou meio sonolento sentado na cama e passando a mão no cabelo.
— Sou eu, a Annie. Me leva num lugar?
— Annie, ainda são... 06:42 da manhã? – ele me olhou incrédulo.
— Por favor! Por favor! Por favor! – implorei.
Christian apenas rolou os olhou e se deitou de novo colocando o travesseiro por cima da cabeça então fiquei cutucando sua costa com o dedo enquanto o chamava até que ele se virou e me olhou com raiva. Implorei novamente e fiz bico.
— Aonde você quer ir?
— Ao Zoo e Aquarium Seattle.
— Ok, eu te levo, mas só mais tarde porque o local deve abrir só lá pelas oito da manhã. Agora me deixa dormir um pouco mais.
— O Zoo e Aquarium Seattle abri as sete em ponto.
— Como sabe disso? – ele me olhou desconfiado.
— Por que a mamãe me levava lá. Vai Christian, levanta logo.
— Você sabe ser irritante, hein! – murmurou se levantando.
— E você tio, às vezes é muito chato! – falei e ele sorriu, não sei de quê, mas sorriu.
— Vem vamos banhar – Christian falou assim que me ajudou a levantar.
— Quando você disse “vamos banhar”, quer dizer, eu e você... juntos... no banheiro... pelados?
— É. Por que essa cara de espanto? Não tem nada aí que eu já não tenha visto.
— Mas eu nunca te vi pelado, ou melhor, eu nunca vi homem nenhum pelado – exclamei morta de vergonha – Vou banhar sozinha.
— Não vou deixar você banhar sozinha. E se acontecer alguma coisa? E se você escorregar e cair? Eu não vou estar lá para te ajudar.
— Você é doido por acaso?
— Do que me chamou, mocinha?
— Além de doido é surdo – rolei os olhos e o vi abrir e fechar as mãos três vezes.
“Será que ele tem um daqueles tiques nervosos?”
— Está bem. Ficarei na porta do box te vigiando e se ainda estiver com vergonha pode banhar de roupa íntima, ok? – ele indagou e eu assenti.
— Viu? Ainda estou viva – exclamei ao sair do box.
Enquanto Christian banhava eu escovei os dentes e fui para o closet atrás de uma roupa confortável. Anastasia tinha tanta roupa bonita que foi difícil eleger a mais linda, mas peguei e botei um vestido longo floral, coloquei por cima dele um bolero branco feito de crochê e por fim calcei uma sapatilha preta.
Em seguida Christian apareceu enrolado numa toalha então desci e o fiquei esperando lá embaixo. Minutos depois ele desceu, pegou as chaves do carro informando que Taylor estava de folga e saímos. O Zoo e Aquarium Seattle não parecia mais como eu me lembrava, ele estava mais bonito. Fomos primeiro ao zoológico depois seguimos para a parte onde ficava os aquários.
— Então Christian, já decidiu o que vai fazer em relação à Anastasia?
— Ainda não.
— Ah, ok então. Compra sorvete?
— Não – ele disse sério e eu fechei a cara – Se quiser eu compro uma salada de frutas para você, mas sorvete não. E nem adianta fazer esse bico.
— Golfinho! – gritei sorrindo ao ver o bichinho passando perto do vidro atrás dele.
— Se contenha, Annie. Lembre-se de que você está no corpo de uma mulher adulta – Christian sussurrou brigando comigo.
Me desculpei e tentei me controlar enquanto passávamos pelos aquários dos peixinhos bonitinhos, mas quando saímos e eu vi na vitrine da loja de lembrancinhas um elefante de pelúcia parecido com o Teddy eu gritei de novo pedindo ao Christian que comprasse o bichinho de pelúcia para mim.
Então ele me mandou esperar e foi lá comprar. De repente senti algo escorrer entre minhas pernas então levantei um pouco a bainha do vestido e vi uma pequena poça de água no chão.
“Será que tinha feito xixi? Estranho. Não faz nem alguns minutos que fui ao banheiro” pensei confusa.
— Christian? – o chamei meio envergonhada, ele terminou de pagar o moço e se aproximou de mim trazendo meu novo Teddy nas mãos.
— Que foi, Annie? – ele indagou me dando o Teddy.
— Acho que fiz xixi, mas juro que foi sem querer. Eu nem estava com vontade.
— Tem certeza que não estava com a bexiga cheia?
— Tenho. Não faz nem dez minutos que fui ao banheiro, lembra?
— Então... – ele parou de falar e me olhou assustado – Temos que ir agora para o hospital.
— Fala o que está acontecendo, Christian. Estou ficando com medo – choraminguei e ele me abraçou.
— Calma, vai ficar tudo bem. Nós vamos para o hospital por que eu acho que a sua bolsa estourou.
CHRISTIAN
Olhei de relance para Annie que estava entretida com o elefante de pelúcia. Ela não havia entendido quando disse que a bolsa dela tinha estourado então resolvi não explicar para não assustá-la.
Depois que a havia colocado no carro, me afastei um pouco para ligar para a Dra. Greene a fim de avisá-la sobre a situação, a mesma me informou que bolsa estourada não significava exatamente um trabalho de parto, mas era para eu levar minha esposa imediatamente ao hospital, pois os bebês corriam risco de contrair alguma infecção já que estavam sem a proteção do líquido amniótico.
Clarice também me orientou a ficar atento para o caso da Ana começar a ter contrações, pois era o sinal de que ela estava entrando em trabalho de parto.
— Annie, querida? – chamei sua atenção e ela me olhou dando um sorriso.
— Sim, Christian?
— Ainda não está sentindo dor, está?
— Não.
— Mas quando estiver você irá me avisar, não é?
— Vou sim.
— Boa menina – falei e acariciei sua mão.
— Christian, por que estamos indo mesmo para o hospital?
— Os bebês precisam ser avaliados pelos médicos. Exame de rotina.
— Ata.
Ela voltou a brincar com o bichinho de pelúcia então aumentei um pouco mais a velocidade do Tesla. Quando chegamos ao hospital o Dr. Dickens e a Dra. Roberts juntamente com mais uma moça, já nos aguardavam e se aproximaram de nós trazendo uma cadeira de roda onde ajudei Annie a se sentar.
O ginecologista da Anastasia me informou que tanto ele quanto a Dra. Roberts estavam de plantão hoje e que a Dra. Greene havia ligado para ele informando-o sobre a situação e que chegaria em alguns minutos então de repente o Dr. Dickens começou a conversar com a Annie como se soubesse da doença dela.
— Oi, Annie. Lembra-se de mim?
— Não – ela disse com vergonha.
— Sou eu, o tio Brian, amigo da sua mamãe Elena. O que te dava...
— Chocolate! – Annie exclamou sorrindo.
Ela abriu os braços então ele se inclinou para frente e a abraçou. Tanto eu quanto as duas mulheres presente observávamos a cena simplesmente atônitos.
— Olha pequena, eu não tenho chocolate hoje, mas não precisa ficar triste, pois acho que tenho uma balinha aqui no bolso do jaleco.
— Só uma, tio?
— Você sempre gulosa – ele disse vasculhando os bolsos e tirou de dentro três balinhas – Vamos fazer um trato. Se eu te dá essas três balinhas, você tem que me prometer que vai ser uma mocinha muito comportada e vai deixar a titia Michelly e a titia Mariana examinarem os bebês e te colocarem o soro, ok?
Annie pareceu pensar um pouco, mas logo assentiu e pegou as balinhas da mão do Dr. Dickens.
— Você sabia? – perguntei a ele assim que elas se afastaram.
— Sobre o transtorno da Anastasia? É, eu sabia. Elena me contou alguns anos atrás, mas a Ana não sabe que eu sei.
— E como sabia que era a Annie e não a Rose?
— Pelo Teddy.
— Que Teddy?
— O elefante de pelúcia. Esse é o nome dele. Agora enquanto avaliamos a Anastasia você tem que ir até a recepção do hospital e assinar alguns papéis para a internação dela.
— Internação?
— Isso mesmo. Ela tem que ficar internada para tentarmos levar essa gestação até no máximo 32 semanas e dependendo dos resultados, resolveremos qual parto será mais favorável tanto para a Ana quanto para os bebês.
Assenti e quando o Dr. Dickens saiu eu fui resolver a tal da papelada. Cinco minutos depois, Clarice apareceu e após me cumprimentar sumiu entre os corredores do hospital. Ainda levei mais dez minutos para terminar de ler e assinar os documentos necessários para a internação da Anastasia depois peguei o celular e comecei ligar para as nossas famílias.
Estava terminando de contar tudo o que tinha acontecido para Elena quando a Dra. Greene apareceu e me chamou. A acompanhei até o terceiro andar do prédio e fomos para uma ala onde parecia ficar os quartos. Assim que adentramos vi o Dr. Dickens brincando com a Annie e ambos estavam tão entretidos que só notaram nossa presença quando pigarreei.
— Oi, Christian. Olha o que o tio Brian me deu – Annie disse apontando para uma coroa de princesa daquelas de brinquedo.
— É muito bonita. Você está linda – falei e Annie sorriu para mim.
Notei que o Dr. Dickens fez um sinal para mim então beijei a testa da Annie e o acompanhei até o corredor.
— A ultrassonografia nos mostrou que apenas a bolsa de um dos bebês estourou. Ela precisa ficar em repouso no leito com permissão apenas de sair para ir ao banheiro. Iremos vir avaliá-la de hora em hora. A faça beber muita água, pois a hidratação é muito importante e qualquer sinal de contrações nos chame, ok?
— Tudo bem.
Fiquei a tarde toda conversando com a Annie. Os Steele e os Grey apareceram na hora da visita então os tranquilizei repassando as informações dos médicos de que isso que estava acontecendo com a Ana era normal em gestação gemelar. Após eles irem embora, eu e a Annie ficamos assistindo TV e não demorou muito para ela dormir de tão cansada que estava.
Acordei e percebi que Christian estava encostado a mim, pois o mesmo me abraçava e sua mão direita estava repousada sobre a minha barriga. Olhei a hora no despertador em cima da mesinha de cabeceira.
Ainda era seis e trinta e oito da manhã então fechei os olhos de novo, mas voltei a abri-los quando escutei a voz da Annie.
“Oi, Anastasia”
— Oi, Annie – sussurrei bem baixinho.
Ela estava parada à minha frente segurando o surrado Teddy pela tromba.
“Posso assumir hoje?” ela pediu e fez bico.
— Por quê?
“Eu quero que o Christian me leve ao Zoo e Aquarium Seattle”
— Só vou deixar porque eu amei a decoração do chá de bebê com todos aqueles ursinhos de pelúcia – falei e Annie começou a pular de felicidade, rolei os olhos depois a encarei – Mas olha lá o que você irá aprontar porque amanhã eu vou entrar no oitavo mês e não poderei mais ficar batendo perna por aí, pois preciso descansar para a chegada dos gêmeos.
“Ok. Juro que não farei nada de perigoso”
— Tudo bem – falei fechando em seguida os olhos e respirando fundo...
ANNIE
Assim que abri os olhos tratei logo de acordar o Christian. Dei um beliscão em sua mão que estava sobre a minha barriga e ele despertou assustado me fazendo sorrir.
— O que foi, Anastasia? – ele perguntou meio sonolento sentado na cama e passando a mão no cabelo.
— Sou eu, a Annie. Me leva num lugar?
— Annie, ainda são... 06:42 da manhã? – ele me olhou incrédulo.
— Por favor! Por favor! Por favor! – implorei.
Christian apenas rolou os olhou e se deitou de novo colocando o travesseiro por cima da cabeça então fiquei cutucando sua costa com o dedo enquanto o chamava até que ele se virou e me olhou com raiva. Implorei novamente e fiz bico.
— Aonde você quer ir?
— Ao Zoo e Aquarium Seattle.
— Ok, eu te levo, mas só mais tarde porque o local deve abrir só lá pelas oito da manhã. Agora me deixa dormir um pouco mais.
— O Zoo e Aquarium Seattle abri as sete em ponto.
— Como sabe disso? – ele me olhou desconfiado.
— Por que a mamãe me levava lá. Vai Christian, levanta logo.
— Você sabe ser irritante, hein! – murmurou se levantando.
— E você tio, às vezes é muito chato! – falei e ele sorriu, não sei de quê, mas sorriu.
— Vem vamos banhar – Christian falou assim que me ajudou a levantar.
— Quando você disse “vamos banhar”, quer dizer, eu e você... juntos... no banheiro... pelados?
— É. Por que essa cara de espanto? Não tem nada aí que eu já não tenha visto.
— Mas eu nunca te vi pelado, ou melhor, eu nunca vi homem nenhum pelado – exclamei morta de vergonha – Vou banhar sozinha.
— Não vou deixar você banhar sozinha. E se acontecer alguma coisa? E se você escorregar e cair? Eu não vou estar lá para te ajudar.
— Você é doido por acaso?
— Do que me chamou, mocinha?
— Além de doido é surdo – rolei os olhos e o vi abrir e fechar as mãos três vezes.
“Será que ele tem um daqueles tiques nervosos?”
— Está bem. Ficarei na porta do box te vigiando e se ainda estiver com vergonha pode banhar de roupa íntima, ok? – ele indagou e eu assenti.
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— Viu? Ainda estou viva – exclamei ao sair do box.
Enquanto Christian banhava eu escovei os dentes e fui para o closet atrás de uma roupa confortável. Anastasia tinha tanta roupa bonita que foi difícil eleger a mais linda, mas peguei e botei um vestido longo floral, coloquei por cima dele um bolero branco feito de crochê e por fim calcei uma sapatilha preta.
Em seguida Christian apareceu enrolado numa toalha então desci e o fiquei esperando lá embaixo. Minutos depois ele desceu, pegou as chaves do carro informando que Taylor estava de folga e saímos. O Zoo e Aquarium Seattle não parecia mais como eu me lembrava, ele estava mais bonito. Fomos primeiro ao zoológico depois seguimos para a parte onde ficava os aquários.
— Então Christian, já decidiu o que vai fazer em relação à Anastasia?
— Ainda não.
— Ah, ok então. Compra sorvete?
— Não – ele disse sério e eu fechei a cara – Se quiser eu compro uma salada de frutas para você, mas sorvete não. E nem adianta fazer esse bico.
— Golfinho! – gritei sorrindo ao ver o bichinho passando perto do vidro atrás dele.
— Se contenha, Annie. Lembre-se de que você está no corpo de uma mulher adulta – Christian sussurrou brigando comigo.
Me desculpei e tentei me controlar enquanto passávamos pelos aquários dos peixinhos bonitinhos, mas quando saímos e eu vi na vitrine da loja de lembrancinhas um elefante de pelúcia parecido com o Teddy eu gritei de novo pedindo ao Christian que comprasse o bichinho de pelúcia para mim.
Então ele me mandou esperar e foi lá comprar. De repente senti algo escorrer entre minhas pernas então levantei um pouco a bainha do vestido e vi uma pequena poça de água no chão.
“Será que tinha feito xixi? Estranho. Não faz nem alguns minutos que fui ao banheiro” pensei confusa.
— Christian? – o chamei meio envergonhada, ele terminou de pagar o moço e se aproximou de mim trazendo meu novo Teddy nas mãos.
— Que foi, Annie? – ele indagou me dando o Teddy.
— Acho que fiz xixi, mas juro que foi sem querer. Eu nem estava com vontade.
— Tem certeza que não estava com a bexiga cheia?
— Tenho. Não faz nem dez minutos que fui ao banheiro, lembra?
— Então... – ele parou de falar e me olhou assustado – Temos que ir agora para o hospital.
— Fala o que está acontecendo, Christian. Estou ficando com medo – choraminguei e ele me abraçou.
— Calma, vai ficar tudo bem. Nós vamos para o hospital por que eu acho que a sua bolsa estourou.
CHRISTIAN
Olhei de relance para Annie que estava entretida com o elefante de pelúcia. Ela não havia entendido quando disse que a bolsa dela tinha estourado então resolvi não explicar para não assustá-la.
Depois que a havia colocado no carro, me afastei um pouco para ligar para a Dra. Greene a fim de avisá-la sobre a situação, a mesma me informou que bolsa estourada não significava exatamente um trabalho de parto, mas era para eu levar minha esposa imediatamente ao hospital, pois os bebês corriam risco de contrair alguma infecção já que estavam sem a proteção do líquido amniótico.
Clarice também me orientou a ficar atento para o caso da Ana começar a ter contrações, pois era o sinal de que ela estava entrando em trabalho de parto.
— Annie, querida? – chamei sua atenção e ela me olhou dando um sorriso.
— Sim, Christian?
— Ainda não está sentindo dor, está?
— Não.
— Mas quando estiver você irá me avisar, não é?
— Vou sim.
— Boa menina – falei e acariciei sua mão.
— Christian, por que estamos indo mesmo para o hospital?
— Os bebês precisam ser avaliados pelos médicos. Exame de rotina.
— Ata.
Ela voltou a brincar com o bichinho de pelúcia então aumentei um pouco mais a velocidade do Tesla. Quando chegamos ao hospital o Dr. Dickens e a Dra. Roberts juntamente com mais uma moça, já nos aguardavam e se aproximaram de nós trazendo uma cadeira de roda onde ajudei Annie a se sentar.
O ginecologista da Anastasia me informou que tanto ele quanto a Dra. Roberts estavam de plantão hoje e que a Dra. Greene havia ligado para ele informando-o sobre a situação e que chegaria em alguns minutos então de repente o Dr. Dickens começou a conversar com a Annie como se soubesse da doença dela.
— Oi, Annie. Lembra-se de mim?
— Não – ela disse com vergonha.
— Sou eu, o tio Brian, amigo da sua mamãe Elena. O que te dava...
— Chocolate! – Annie exclamou sorrindo.
Ela abriu os braços então ele se inclinou para frente e a abraçou. Tanto eu quanto as duas mulheres presente observávamos a cena simplesmente atônitos.
— Olha pequena, eu não tenho chocolate hoje, mas não precisa ficar triste, pois acho que tenho uma balinha aqui no bolso do jaleco.
— Só uma, tio?
— Você sempre gulosa – ele disse vasculhando os bolsos e tirou de dentro três balinhas – Vamos fazer um trato. Se eu te dá essas três balinhas, você tem que me prometer que vai ser uma mocinha muito comportada e vai deixar a titia Michelly e a titia Mariana examinarem os bebês e te colocarem o soro, ok?
Annie pareceu pensar um pouco, mas logo assentiu e pegou as balinhas da mão do Dr. Dickens.
— Você sabia? – perguntei a ele assim que elas se afastaram.
— Sobre o transtorno da Anastasia? É, eu sabia. Elena me contou alguns anos atrás, mas a Ana não sabe que eu sei.
— E como sabia que era a Annie e não a Rose?
— Pelo Teddy.
— Que Teddy?
— O elefante de pelúcia. Esse é o nome dele. Agora enquanto avaliamos a Anastasia você tem que ir até a recepção do hospital e assinar alguns papéis para a internação dela.
— Internação?
— Isso mesmo. Ela tem que ficar internada para tentarmos levar essa gestação até no máximo 32 semanas e dependendo dos resultados, resolveremos qual parto será mais favorável tanto para a Ana quanto para os bebês.
Assenti e quando o Dr. Dickens saiu eu fui resolver a tal da papelada. Cinco minutos depois, Clarice apareceu e após me cumprimentar sumiu entre os corredores do hospital. Ainda levei mais dez minutos para terminar de ler e assinar os documentos necessários para a internação da Anastasia depois peguei o celular e comecei ligar para as nossas famílias.
Estava terminando de contar tudo o que tinha acontecido para Elena quando a Dra. Greene apareceu e me chamou. A acompanhei até o terceiro andar do prédio e fomos para uma ala onde parecia ficar os quartos. Assim que adentramos vi o Dr. Dickens brincando com a Annie e ambos estavam tão entretidos que só notaram nossa presença quando pigarreei.
— Oi, Christian. Olha o que o tio Brian me deu – Annie disse apontando para uma coroa de princesa daquelas de brinquedo.
— É muito bonita. Você está linda – falei e Annie sorriu para mim.
Notei que o Dr. Dickens fez um sinal para mim então beijei a testa da Annie e o acompanhei até o corredor.
— A ultrassonografia nos mostrou que apenas a bolsa de um dos bebês estourou. Ela precisa ficar em repouso no leito com permissão apenas de sair para ir ao banheiro. Iremos vir avaliá-la de hora em hora. A faça beber muita água, pois a hidratação é muito importante e qualquer sinal de contrações nos chame, ok?
— Tudo bem.
Fiquei a tarde toda conversando com a Annie. Os Steele e os Grey apareceram na hora da visita então os tranquilizei repassando as informações dos médicos de que isso que estava acontecendo com a Ana era normal em gestação gemelar. Após eles irem embora, eu e a Annie ficamos assistindo TV e não demorou muito para ela dormir de tão cansada que estava.

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