sexta-feira, 27 de março de 2020

Maliciosamente Sedutores - Capítulo 02


CHRISTIAN

Eu não acreditava no que meus olhos estavam vendo.

“Leila está viva? Impossível. Eu tinha visto o corpo dela dentro do caixão e depois o mesmo ser enterrado. Então como se explica o fato de que eu estou olhando para uma garota igual a minha falecida ex-esposa? Realmente não sei. Já ouvi falar que há sósias de nós perambulando em algum lugar do planeta, mas porra isso era bizarro demais”

A garota que ainda se encontrava em pé no meio do escritório se aproximou parando rente à mesa e estendeu sua mão direita na minha direção.

— Oi. O senhor deve ser Christian Grey, prazer em conhecê-lo. Sou Lydia Adams, irmã gêmea da Leila.

— Irmã? – perguntei, finalmente me levantando da cadeira, pigarreei para que minha voz saísse mais séria e a olhei desconfiado, o que a fez recuar sua mão – Leila nunca me disse que tinha uma irmã... ainda mais gêmea.

— Ela não devia saber da minha existência e eu também não sabia que tinha uma irmã gêmea até semanas atrás. Contarei tudo ao senhor, mas posso me sentar primeiro? É porque eu vim andando do meu apartamento até aqui e minhas pernas estão doendo um pouco.

— Claro. Vamos nos sentar ali – falei indicando a sala de estar montada em meu amplo escritório – Deseja algo, Srta. Adams? Talvez um suco, ou um...

— Não se preocupe, senhor. A moça de cabelo estilo Chanel... Qual é o nome dela mesmo?

— A senhorita está falando da Amber?

— Isso mesmo. A Amber já me deu um copo com água.

— Tudo bem – falei me recostando no sofá em frente ao dela – Agora, Srta. Adams, a senhorita poderia me explicar que história é essa de irmã gêmea?

— Primeiramente, o senhor pode me chamar apenas de Ly? É por que detesto quando me chamam de Srta. Adams ou pelo meu nome completo.

Assenti e fiz um gesto com a mão, indicando para que ela continuasse a falar.

— Há três semanas, minha mãe, a qual sempre pensei ser minha mãe de verdade, me relatou em seu leito de morte que ela havia me sequestrado assim que nasci. Parecia que na época ela e meu pai estavam separados então mamãe inventou uma gravidez falsa, mas ela precisava de um bebê para manter a mentira e conseguir recuperar seu casamento então ela escolheu por acaso a Sra. Williams que havia acabado de ter gêmeas. Quando minha mãe morreu eu decidi que queria conhecer meus pais biológicos e minha irmã. Pesquisei o sobrenome Williams e achei algumas fotos do senhor e da minha irmã juntos, mas fiquei triste quando li em uma reportagem que Leila havia morrido há um ano em um acidente de avião. Queria tanto ter conhecido ela...

Levantei do sofá e aproximei de Lydia, estendendo-lhe meu lenço.

— Obrigada, Sr. Grey – ela disse enxugando os olhos.

— Você pode me chamar de Christian se quiser – falei, voltando a me sentar no sofá em frente a ela.

— Prefiro chamá-lo de Sr. Grey mesmo, se o senhor não se importar? – assenti e ela continuou a falar – Após ler a notícia resolvi então procurar pelo endereço dos nossos pais e assim que encontrei peguei o pouco de dinheiro que sobrara após o tratamento da mamãe e vim para os Estados Unidos a fim de conhecer Brianna e Drake.

— E por que está aqui em Seattle?

— Acredite, Sr. Grey, eu realmente não queria ter vindo aqui, mas precisava saber mais sobre minha falecida irmã. O senhor tem alguma coisa dela?

— Tenho uma caixa de pertences da Leila, mas você deveria ir falar diretamente com a sua mãe biológica.

— Eu já viajei até Chicago, mas quando cheguei lá, descobri que meus pais haviam morrido também.

— Os Williams faleceram? – perguntei surpreso e de repente Amber rompeu minha sala, meio eufórica – Isso são modos, Amber? – indaguei, a repreendendo enquanto me levantava do sofá.

— Desculpe, Sr. Grey. É que estamos com um problema. Um dos homens do Sr. Tamashiro apareceu e está na recepção...

— Então vá chamar a Lily – a interrompi.

Lily além de ser minha secretária, também era a intérprete da empresa.

— O problema é esse, senhor. A Lily precisou viajar hoje cedo para o Japão, pois o irmão dela havia falecido.

— Droga! E agora, o que faremos?

— Não sei, senhor.

— Com licença, eu posso ajudar se quiserem – Lydia falou, se aproximando de nós.

— Você fala chinês? – perguntei com uma das sobrancelhas erguida e ela deu um sorriso tímido.

— Sou poliglota, Sr. Grey. Após ser sequestrada, meus pais adotivos se mudaram para Tóquio. Minha língua natal é o japonês, mas também falo fluentemente o chinês, o inglês, o russo, o alemão e o português.

A encarei atônito.

— Tudo bem, Ly. Ficaria muito grato se me ajudasse.

— Em troca eu queria as coisas da minha irmã – ela pediu e eu assenti então saímos da minha sala.

Assim que chegamos à recepção encontramos Natasha que tentava desesperadamente acalmar um homem que esbravejava, provavelmente o mesmo deveria estar xingando ou coisa parecida.

Rapidamente Lydia entrou em ação enquanto que eu, Amber e Natasha a observávamos. Havia uma grande diferença entre Lily e a Srta. Adams.

A primeira possuía apenas o básico da língua chinesa enquanto que a segunda mostrava uma desenvoltura que se eu a encontrasse falando em uma reunião diria que ela era chinesa. Lydis assentiu, sorrindo para o homem e se virou para mim.

— O nome dele Yata Miyaji e veio a mando do Sr. Tamashiro propor-lhe uma nova reunião de negócios em vista que na última os senhores discutiram.

— Diga que aceito a proposta para a reunião e pergunte o local e a hora.

Ela assentiu e se virou para o homem. Minutos depois, Lydia o conduziu até o elevador e voltou assim que as portas se fecharam.

— A reunião será um jantar de negócios no restaurante Fuji Steakhouse, amanhã às sete da noite – ela informou.

— Obrigado, Ly. Nem sei como te agradecer.

— O senhor pode trazer as coisas da Leila, que amanhã de tarde eu passo aqui depois de sair da Bluer Galery e pego.

— Só por curiosidade, o que a senhorita vai fazer na Bluer Galery?

— Entrevista de emprego. Parece que o dono está precisando de uma secretária pessoal e como já trabalhei para um CEO no Japão, talvez eu consiga o trabalho, quem sabe não é? – ela disse e deu uma olhada em seu relógio de pulso – Preciso ir. Foi um prazer conhecê-lo, Sr. Grey. Até amanhã.

— Ly, espere – falei, sorrindo, e ela se virou, então pedi a Natasha o formulário dos empregados e me caminhei até onde Lydia se encontrava – Parabéns. O trabalho é seu. Só preciso que preencha este formulário e o traga amanhã.

— Não entendi.

— A senhorita será minha secretária pessoal.

— Sr. Grey – ela disse, um pouco zangada, cruzando os braços sobre o busto – Eu não vim aqui pedir emprego para o senhor.

— Sou o dono da Bluer Galery, pensei que tivesse pesquisado sobre mim?

— Eu pesquisei sobre a minha irmã e não sobre o senhor – ela me olhou de cima a baixo, desconfiada – É verdade sobre o emprego ou isso é uma pegadinha?

— Não é nenhuma pegadinha. A vaga é sua, se quiser é claro.

— Só irei aceitar o emprego porque estou precisando de dinheiro para voltar para o Japão. Agora realmente eu preciso ir.

A acompanhei até o elevador.

— Quero que amanhã a senhorita esteja aqui às oito da manhã, entendido?

— Sim, Sr. Grey. Até amanhã – ela disse entrando no elevador então sorriu e acenou um tchau para mim, em resposta só inclinei um pouco a cabeça para frente num pequeno aceno.

“Caramba! O que eu acabei de fazer? Contratei minha ex-cunhada que é a cara da minha ex-mulher para ser a minha secretária pessoal. Com certeza, eu enlouqueci”

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