quinta-feira, 26 de março de 2020

Maliciosamente Obsessivos - Capítulo 38


CHRISTIAN

Passei a manhã tentando resolver um problema de superfaturamento que tinha surgido em uma das galerias de arte localizada aqui em Seattle.

Havia mandado Natasha até o local e segundo ela me informou, a galeria realmente precisava de uma grande restauração na ala onde ficava exposta as esculturas devido ter infiltrações que poderiam vir a prejudicar as obras.

Então, prontamente, solicitei ao gerente que me mandasse até o final do dia um orçamento de quanto ele precisaria para só assim eu poder liberar mais dinheiro. Toda aquela confusão havia me feito lembrar de alguém.

Archie Martin.

Eu ainda desconfiava que aquele miserável não havia armado toda a sabotagem do meu avião particular sozinho, com certeza ele tinha um cúmplice ou mais de um.

Amber interrompeu meus pensamentos quando entrou na sala e veio me informar sobre o almoço com o Sr. Tamashiro então a informei de que não voltaria mais para a empresa, pois de lá mesmo eu iria para a consulta e depois para casa.


★ ★ ★ ★ ★


Às duas em ponto eu adentrava o consultório do Dr. Flynn.

— Olá, John – cumprimentei, ele apertou minha mão e me convidou para sentar.

— Quanto tanto, Christian. Até estranhei quando Ross me disse que você havia marcado uma consulta.

— É. Faz um tempinho mesmo que não dou as caras por aqui – falei sorrindo – Mas hoje eu não vim para me consultar.

— Não!? – ele exclamou surpreso.

— Não. Você deve ter lido nos jornais que me casei novamente.

— Sim, eu vi algumas fotos do seu casamento quando cheguei de viagem e a propósito... Parabéns pela linda esposa.

Sorri. Ana realmente era uma linda mulher e estava mais linda ainda grávida.

— Obrigado.

— Espero ter a oportunidade de conhecê-la pessoalmente.

— Isso será em breve, já que ela será sua mais nova paciente – informei e ele me olhou atônito – Por isso que estou aqui. Vim saber se você pode atender minha esposa.

— Hum... Claro. Você sabe o motivo para ela necessitar de uma consulta com um psicólogo? – John indagou sério, já tomando sua postura profissional.

— Ela não consegue se declarar.

— Como não consegue se declarar?

— Pelo o que a Anastasia me contou, ela sofreu rejeição quando criança e isso a fez criar uma espécie de muro que bloqueia qualquer sentimento relacionado ao amor. Eu preciso que você a ajude a superar isso.

— Claro. Farei o que estiver ao meu alcance, Christian.

— Obrigado, John.





ANASTASIA

Após o nosso beijo de despedida, Christian adentrou o elevador e logo que as portas se fecharam eu voltei para dentro do apartamento.

Não tinha nada para fazer, pois Christian havia me forçado a pedir demissão da W. Design, só para poder ficar em casa descansando, mas era entediante passar o dia todo sem fazer nada.

Queria tanto ter ficado no meu trabalho por causa da decoração do resort que Jason estava construindo, era meu sonho decorar um resort seis estrelas, mas graças ao meu querido marido eu não iria poder realizá-lo.

Suspirei fundo me sentando à mesa, pois a Sra. Jones já havia posto o café da manhã.

— Fiz chá de hortelã para você, menina. É ótimo para gestantes – ela disse com seu sorriso maternal de sempre depositando a minha frente uma xícara branca.

— Obrigada – agradeci e sorvi um pouco do chá que por sinal estava delicioso – Sra. Jones? – a chamei quando ela estava saindo e a mesma se virou – Toma café comigo? – pedi e a vi franzir a testa em confusão, o que deixou óbvio que Christian nunca havia feito isso.

— Claro, menina.

Começamos a tomar o café da manhã em silêncio e isso me incomodou então puxei conversa com ela.

— Sra. Jones?

— Sim, menina?

— Posso te fazer uma pergunta? – indaguei e ela assentiu – Qual é seu primeiro nome?

— Gail.

— Posso te chamar só de Gail ou a senhora prefere Sra. Jones mesmo?

— Você pode me chamar do jeito que quiser, menina – ambas sorrimos e ela se levantou com seu prato já sem torradas.

— Gail, porque você me chama de “menina”? Isso é desde a primeira vez que eu vim morar aqui com o Christian.

A Sra. Jones sorriu e começou a contar sua história enquanto eu a ajudava com a louça do café da manhã. Gail era viúva e só tinha como família uma nora e uma neta.

Ela me contou que quando começou a trabalhar para o Christian, havia poucos meses que tinha perdido o marido e os filhos num acidente de carro.

Gabrielle tinha apenas dezessete anos, já Geoffrey possuía vinte e nove anos quando morreram e assim que Gail me conheceu, ela transferiu seu amor de mãe para mim.

Realmente naquela época a Sra. Jones cuidava de mim e até às vezes me mimava, fazendo maravilhosos doces quando Christian não estava em casa, pois ele não gostava muito que eu ingerisse doce.

— Obrigada por cuidar de mim, Gail – falei a abraçando com muito carinho – Você foi e é a mãe que eu nunca tive.

De repente meus pensamentos foram para Elena. Ela também havia cuidado de mim quando mais precisei e eu não queria ficar de mal com ela, não agora que estou em uma fase nova e feliz.

— Que isso, menina – Gail sorriu meio chorosa.

— Acho que vou dar uma volta. Se o Christian ligar, a senhora pode dizer a ele que fui visitar alguns amigos – pedi e ela assentiu, então repousei as mãos sobre a minha barriga e a encarei – Vamos dar uma voltinha, meus amores?

Rapidamente me dei conta do que tinha acabado de fazer.

— Meu Deus! Tô ficando louca, já estou até conversando com minha própria barriga – exclamei, fazendo Gail sorrir – Não vejo a hora de saber o sexo deles.

— Acho que o Sr. Grey também deve estar ansioso para saber.

— Com certeza.

Fui até o quarto de Christian, que depois de hoje vai voltar a ser nosso, e entrei no closet à procura de uma roupa que me servisse. Coloquei uma calça jeans preta, que só para constar foi a única que eu consegui fechar, depois vesti uma regata branca com decote em V.

A mesma ficou um pouco apertada o que dava para mostrar o volume da minha barriga de quase quatro meses e o decote valorizava meus seios que se encontravam um pouco maiores.

Por cima da regata botei um blazer cinza deixando-o aberto mesmo e puxei as mangas até a altura do cotovelo. Passei um pouco de maquiagem e deixei os cabelos soltos.

Calcei um par de scarpin preto de salto alto, peguei uma bolsa cinza de estampa de cobra, coloquei o necessário dentro dela e sai do quarto.

— Bom dia, Sra. Grey – cumprimentou-me Andrew Rhys, meu novo motorista, assim que apareci na sala.

— Bom dia, Andrew. Não precisarei de você hoje.

— Mas, o Sr. Grey...

— Esquece o que o meu marido disse. Estou te dando o dia de folga. Agora me dê as chaves do meu carro.

Meio hesitante, Andrew fez o que pedi e entregou as chaves do Tesla Model S Vermelho Vinho que Christian havia encomendado para mim como presente de aniversário.

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