ANASTASIA
Ajeitei-me melhor na cadeira e baixei o olhar para a bandeja de sushi a minha frente levemente incomodada pela proposta dele. Senti a mão de Christian tocar a minha por cima da mesa então a puxei e cruzei os braços sobre o peito. Não em sinal de afrontamento, mas sim de proteção.
Voltar a ser submissa à ele não era o que eu queria fazer. Nem nos meus piores pesadelos conseguia me imaginar em tal situação novamente. Não depois do que ele tinha feito comigo. Sem que conseguisse controlar, minha mente vagou para o passado. Para o dia em que tudo aconteceu.
Hoje completava um ano e sete meses que havia me tornado a submissa do Mestre Grey e eu queria fazer uma surpresa para ele que estava retornando de uma viagem de negócios.
Assim que saí da faculdade, por volta das três da tarde, pedi para que Taylor, o novo motorista do Mestre, passasse na casa da Elena, onde eu me encontrava morando com ela enquanto estudava em Seattle.
Peguei uma nécessaire e mais algumas coisinhas depois fui direto para o apartamento do Mestre Grey. Ajudei a Sra. Jones, uma governanta que o Mestre havia contratado meses atrás, a arrumar o lugar e a preparar o jantar.
Quando terminamos, ela foi embora então tomei um banho, me vesti como o Mestre gostava e o esperei. As horas passaram e nada dele chegar então peguei o robe preto da camisola que estava vestida e sai do meu quarto. Procurei por Taylor e acabei o encontrando na cozinha.
Perguntei pelo Mestre e ele me informou que ainda esperava a ligação dele para ir buscá-lo no aeroporto. Desejei boa noite a ele e antes de retornar para o quarto pedi a Taylor para quando o Mestre chegasse que ele fosse me avisar.
Deixei a porta do quarto apenas encostada e deitei na aconchegante cama. Acabei dormindo, mas tempo depois fui acordada por tapas desferidos sobre meu rosto.
— Acorda sua vadia!
Era o Mestre e ele estava visivelmente alterado.
— Mestre – exclamei assustada, pois ele nunca havia me tratado daquele jeito, nem durante em nossas sessões.
— Porque está deitada e vestida? – ele segurou minha camisola e puxou num movimento brusco rasgando-a – Você deveria estar me esperando na sala. Vá preparar um drinque para mim. Agora!
Me levantei aterrorizada e corri até o mini-bar para fazer o que o Mestre havia mandado, ignorando totalmente minha semi-nudez.
— Rápido com isso! – ele gritou do sofá.
Comecei a ficar nervosa e fiz direitinho o drinque dele, mas quando fui entregar deixei derramar um pouco sobre sua calça, o que o deixou mais furioso. Ele gritou comigo dando-me um violento tapa no rosto ao qual me fez cair sobre o tapete. O Mestre se abaixou e segurou fortemente meus cabelos.
— Vamos ter uma conversa particular no quarto de jogos – sussurrou ríspido, seus olhos eram puro ódio e eu senti o cheiro de bebida nele, deduzindo que o mesmo estava alcoolizado.
— Me perdoa, Mestre? – implorei chorando enquanto ele me arrastava pelos cabelos até o quarto de jogos.
— Aprenderá a ser mais cuidadosa. Vem cá!
Ele me levantou grosseiramente e me empurrou contra a cruz em forma de X existente no quarto, me prendendo de frente para a parede. Não conseguia me soltar, pois meus braços estavam bem presos. O primeiro golpe veio e eu gritei.
Uma mistura de medo por perceber que o Mestre estava me batendo com uma vara e de dor porque a mesma havia acertado minhas costelas do lado esquerdo e sentia que elas tinham quebrado, pois respirar havia se tornado difícil para mim.
Usei a nossa safe word para informar ao Mestre que aquilo estava além do meu limite, mas ele apenas riu ignorando meu apelo. O segundo, o terceiro e o quarto golpe vieram rapidamente acertando minha bunda. O quinto foi tão forte que lesionou o meu joelho direito.
Usei novamente a safeword, mas foi em vão. Depois de mais alguns golpes o Mestre me soltou e eu caí num baque surdo no chão, meio sem forças. Tentei me arrastar até a porta, pois minhas pernas estavam seriamente machucadas, mas ele me agarrou pelos cabelos.
— Volta aqui! Ainda não terminei com você!
— Não Mestre... por favor... – supliquei em pleno choro.
— Christian! – a voz da nossa ex-mentora ecoou pelo ambiente, autoritária – Oh meu Deus, Anastasia!
Ela veio para perto de mim e se ajoelhou ao meu lado. Instintivamente a abracei da melhor maneira que minhas costelas deixaram.
— Christian! Com essa conduta você está envergonhando a todos nós que praticamos BDSM! – Elena gritou áspera enquanto que eu me aninhava mais em seus braços à procura de proteção – Taylor, leve a Anastasia para o hospital agora.
— Não – protestei assustada me agarrando à Elena.
— Tudo bem, minha querida, ninguém mais vai te machucar – a senti acariciar meus cabelos maternalmente – Você precisa ir com o Taylor, pois vou ter uma conversinha particular com o Christian.
“Meu Mestre? Onde ele estava? Não ouvia sua voz desde que Elena havia entrado no quarto”
Vasculhei o lugar com meu olhar e o encontrei de joelhos num canto, com a cabeça abaixada. Um perfeito submisso.
— Não... o machuque... por favor... – sussurrei, quase inconsciente, para Elena enquanto Taylor conduzia-me para fora do quarto de jogos.
Respirei fundo, voltando à realidade. Havia ficado alguns dias internada, pois uma das costelas quebradas havia perfurado, parcialmente, meu pulmão e porque tive que operar o joelho também.
Durante minha estadia no hospital, a única visita que tive foi da Elena e quando perguntei a mesma sobre Christian, ela disse que ele não me queria mais como sua submissa.
Tranquei a faculdade por um ano e voltei a morar com minha família em West Vancouver, durante o período da reabilitação para poder me ajudar a voltar a andar, dando a desculpa de que tinha sofrido um acidente.
Depois do que me aconteceu, fiquei com medo de ser submissa de outro Mestre, mas Christian já havia me marcado de uma forma diferente.
Elena por ver minha necessidade sexual aumentar com o passar dos meses, me instruiu a ser uma “acompanhante” de luxo, para não dizer prostituta, já que essa era a palavra que representava bem o serviço.
Ela mesma selecionava os meus clientes com cuidado e quando estes começaram a se multiplicar, Elena criou um grupo de garotas e o batizou de Secret’s Angel’s.
— Anastasia? Fala alguma coisa.
Ergui o olhar encontrando com o de Christian que parecia uma mistura de preocupação, medo e ansiedade.
— Por que... – pigarreei para que minha voz saísse mais firme – Porque fez aquilo comigo? Eu te venerava, Christian. Te seguiria para onde quer que fosse. Por que me espancou daquele jeito? Me diz apenas o porquê daquele castigo?
— Te peço perdão pelo o que aconteceu, Ana. Eu estava passando por problemas na empresa, devido ao estresse exagerei nos drinques e acabei descontando minha raiva em você. Quando o efeito da bebida passou, Taylor me informou o que eu tinha feito com você e acredite, eu queria muito ter ido te visitar no hospital para implorar pelo seu perdão.
— E porque não foi? – indaguei, conseguindo controlar as lágrimas que teimavam vir à tona.
— Elena me impediu de ir, pois segundo ela, minha visita te faria mal. Fiquei com a consciência pesada, por que você sempre foi atenciosa, carinhosa e obediente, às vezes fazia o papel até de uma amiga para mim e por algo idiota acabei quebrando essa confiança que tínhamos. Graças a você, hoje eu sou um Dominador que respeita os limites das submissas. Se aceitar minha proposta, prometo que será diferente.
Christian pediu licença e saiu. Segundos depois, ele retornou com um envelope e rapidamente deduzi o que deveria estar dentro dele.
— Um contrato? Sério mesmo? Já passei por isso e sei de cabeça cada linha escrita nestas folhas. A resposta é não, Christian.
— Este é diferente. Por favor, leia-o antes de tomar qualquer decisão.
Ele empurrou o envelope para mim então o peguei e abri. Tirei duas folhas começando a ler em silêncio. Minutos se passaram enquanto eu lia atentamente cada linha, cada palavra, por fim ergui o olhar e encarei Christian que me observava numa silenciosa e quase perceptível ansiedade.
— Preciso pensar – informei e o vi abaixar seus olhos com um expressão triste – Olha Christian, já se passaram oito anos desde aquela noite horrível, mas às vezes ainda tenho pesadelos com o espancamento. Preciso de um tempo para refletir se quero mesmo voltar a experimentar a submissão com você.
— Entendo e não tiro sua razão.
— Obrigada por respeitar minha decisão.
Seguimos com o jantar sem mais tocarmos no assunto “contrato”. Christian me ensinou, ou tentou me ensinar, a comer sushi com os palitinhos, mas acabei mesmo foi comendo com as mãos e ele fez o mesmo.
O clima tenso foi logo se dissipando e passamos a conversar sobre diversas coisas, uma delas foi sobre as cenas eróticas as quais fui exposta logo pela manhã e nos acabamos de tanto rir comentando sobre aquilo.
Ajeitei-me melhor na cadeira e baixei o olhar para a bandeja de sushi a minha frente levemente incomodada pela proposta dele. Senti a mão de Christian tocar a minha por cima da mesa então a puxei e cruzei os braços sobre o peito. Não em sinal de afrontamento, mas sim de proteção.
Voltar a ser submissa à ele não era o que eu queria fazer. Nem nos meus piores pesadelos conseguia me imaginar em tal situação novamente. Não depois do que ele tinha feito comigo. Sem que conseguisse controlar, minha mente vagou para o passado. Para o dia em que tudo aconteceu.
Hoje completava um ano e sete meses que havia me tornado a submissa do Mestre Grey e eu queria fazer uma surpresa para ele que estava retornando de uma viagem de negócios.
Assim que saí da faculdade, por volta das três da tarde, pedi para que Taylor, o novo motorista do Mestre, passasse na casa da Elena, onde eu me encontrava morando com ela enquanto estudava em Seattle.
Peguei uma nécessaire e mais algumas coisinhas depois fui direto para o apartamento do Mestre Grey. Ajudei a Sra. Jones, uma governanta que o Mestre havia contratado meses atrás, a arrumar o lugar e a preparar o jantar.
Quando terminamos, ela foi embora então tomei um banho, me vesti como o Mestre gostava e o esperei. As horas passaram e nada dele chegar então peguei o robe preto da camisola que estava vestida e sai do meu quarto. Procurei por Taylor e acabei o encontrando na cozinha.
Perguntei pelo Mestre e ele me informou que ainda esperava a ligação dele para ir buscá-lo no aeroporto. Desejei boa noite a ele e antes de retornar para o quarto pedi a Taylor para quando o Mestre chegasse que ele fosse me avisar.
Deixei a porta do quarto apenas encostada e deitei na aconchegante cama. Acabei dormindo, mas tempo depois fui acordada por tapas desferidos sobre meu rosto.
— Acorda sua vadia!
Era o Mestre e ele estava visivelmente alterado.
— Mestre – exclamei assustada, pois ele nunca havia me tratado daquele jeito, nem durante em nossas sessões.
— Porque está deitada e vestida? – ele segurou minha camisola e puxou num movimento brusco rasgando-a – Você deveria estar me esperando na sala. Vá preparar um drinque para mim. Agora!
Me levantei aterrorizada e corri até o mini-bar para fazer o que o Mestre havia mandado, ignorando totalmente minha semi-nudez.
— Rápido com isso! – ele gritou do sofá.
Comecei a ficar nervosa e fiz direitinho o drinque dele, mas quando fui entregar deixei derramar um pouco sobre sua calça, o que o deixou mais furioso. Ele gritou comigo dando-me um violento tapa no rosto ao qual me fez cair sobre o tapete. O Mestre se abaixou e segurou fortemente meus cabelos.
— Vamos ter uma conversa particular no quarto de jogos – sussurrou ríspido, seus olhos eram puro ódio e eu senti o cheiro de bebida nele, deduzindo que o mesmo estava alcoolizado.
— Me perdoa, Mestre? – implorei chorando enquanto ele me arrastava pelos cabelos até o quarto de jogos.
— Aprenderá a ser mais cuidadosa. Vem cá!
Ele me levantou grosseiramente e me empurrou contra a cruz em forma de X existente no quarto, me prendendo de frente para a parede. Não conseguia me soltar, pois meus braços estavam bem presos. O primeiro golpe veio e eu gritei.
Uma mistura de medo por perceber que o Mestre estava me batendo com uma vara e de dor porque a mesma havia acertado minhas costelas do lado esquerdo e sentia que elas tinham quebrado, pois respirar havia se tornado difícil para mim.
Usei a nossa safe word para informar ao Mestre que aquilo estava além do meu limite, mas ele apenas riu ignorando meu apelo. O segundo, o terceiro e o quarto golpe vieram rapidamente acertando minha bunda. O quinto foi tão forte que lesionou o meu joelho direito.
Usei novamente a safeword, mas foi em vão. Depois de mais alguns golpes o Mestre me soltou e eu caí num baque surdo no chão, meio sem forças. Tentei me arrastar até a porta, pois minhas pernas estavam seriamente machucadas, mas ele me agarrou pelos cabelos.
— Volta aqui! Ainda não terminei com você!
— Não Mestre... por favor... – supliquei em pleno choro.
— Christian! – a voz da nossa ex-mentora ecoou pelo ambiente, autoritária – Oh meu Deus, Anastasia!
Ela veio para perto de mim e se ajoelhou ao meu lado. Instintivamente a abracei da melhor maneira que minhas costelas deixaram.
— Christian! Com essa conduta você está envergonhando a todos nós que praticamos BDSM! – Elena gritou áspera enquanto que eu me aninhava mais em seus braços à procura de proteção – Taylor, leve a Anastasia para o hospital agora.
— Não – protestei assustada me agarrando à Elena.
— Tudo bem, minha querida, ninguém mais vai te machucar – a senti acariciar meus cabelos maternalmente – Você precisa ir com o Taylor, pois vou ter uma conversinha particular com o Christian.
“Meu Mestre? Onde ele estava? Não ouvia sua voz desde que Elena havia entrado no quarto”
Vasculhei o lugar com meu olhar e o encontrei de joelhos num canto, com a cabeça abaixada. Um perfeito submisso.
— Não... o machuque... por favor... – sussurrei, quase inconsciente, para Elena enquanto Taylor conduzia-me para fora do quarto de jogos.
Respirei fundo, voltando à realidade. Havia ficado alguns dias internada, pois uma das costelas quebradas havia perfurado, parcialmente, meu pulmão e porque tive que operar o joelho também.
Durante minha estadia no hospital, a única visita que tive foi da Elena e quando perguntei a mesma sobre Christian, ela disse que ele não me queria mais como sua submissa.
Tranquei a faculdade por um ano e voltei a morar com minha família em West Vancouver, durante o período da reabilitação para poder me ajudar a voltar a andar, dando a desculpa de que tinha sofrido um acidente.
Depois do que me aconteceu, fiquei com medo de ser submissa de outro Mestre, mas Christian já havia me marcado de uma forma diferente.
Elena por ver minha necessidade sexual aumentar com o passar dos meses, me instruiu a ser uma “acompanhante” de luxo, para não dizer prostituta, já que essa era a palavra que representava bem o serviço.
Ela mesma selecionava os meus clientes com cuidado e quando estes começaram a se multiplicar, Elena criou um grupo de garotas e o batizou de Secret’s Angel’s.
— Anastasia? Fala alguma coisa.
Ergui o olhar encontrando com o de Christian que parecia uma mistura de preocupação, medo e ansiedade.
— Por que... – pigarreei para que minha voz saísse mais firme – Porque fez aquilo comigo? Eu te venerava, Christian. Te seguiria para onde quer que fosse. Por que me espancou daquele jeito? Me diz apenas o porquê daquele castigo?
— Te peço perdão pelo o que aconteceu, Ana. Eu estava passando por problemas na empresa, devido ao estresse exagerei nos drinques e acabei descontando minha raiva em você. Quando o efeito da bebida passou, Taylor me informou o que eu tinha feito com você e acredite, eu queria muito ter ido te visitar no hospital para implorar pelo seu perdão.
— E porque não foi? – indaguei, conseguindo controlar as lágrimas que teimavam vir à tona.
— Elena me impediu de ir, pois segundo ela, minha visita te faria mal. Fiquei com a consciência pesada, por que você sempre foi atenciosa, carinhosa e obediente, às vezes fazia o papel até de uma amiga para mim e por algo idiota acabei quebrando essa confiança que tínhamos. Graças a você, hoje eu sou um Dominador que respeita os limites das submissas. Se aceitar minha proposta, prometo que será diferente.
Christian pediu licença e saiu. Segundos depois, ele retornou com um envelope e rapidamente deduzi o que deveria estar dentro dele.
— Um contrato? Sério mesmo? Já passei por isso e sei de cabeça cada linha escrita nestas folhas. A resposta é não, Christian.
— Este é diferente. Por favor, leia-o antes de tomar qualquer decisão.
Ele empurrou o envelope para mim então o peguei e abri. Tirei duas folhas começando a ler em silêncio. Minutos se passaram enquanto eu lia atentamente cada linha, cada palavra, por fim ergui o olhar e encarei Christian que me observava numa silenciosa e quase perceptível ansiedade.
— Preciso pensar – informei e o vi abaixar seus olhos com um expressão triste – Olha Christian, já se passaram oito anos desde aquela noite horrível, mas às vezes ainda tenho pesadelos com o espancamento. Preciso de um tempo para refletir se quero mesmo voltar a experimentar a submissão com você.
— Entendo e não tiro sua razão.
— Obrigada por respeitar minha decisão.
Seguimos com o jantar sem mais tocarmos no assunto “contrato”. Christian me ensinou, ou tentou me ensinar, a comer sushi com os palitinhos, mas acabei mesmo foi comendo com as mãos e ele fez o mesmo.
O clima tenso foi logo se dissipando e passamos a conversar sobre diversas coisas, uma delas foi sobre as cenas eróticas as quais fui exposta logo pela manhã e nos acabamos de tanto rir comentando sobre aquilo.

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