ANASTASIA
A viagem seguiu em meio a um silêncio mortal, então minutos depois ele parou o Tesla em frente a um portão de ferro bem desgastado pelo tempo. Enquanto Christian abria o portão aproveitei para sair do carro e tirar algumas fotos da entrada, pois além de designer eu também era paisagista.
A estrada que dava acesso à mansão era adornada, em ambos dos lados, por árvores antigas e enormes, seus galhos chegavam a se conectar bem lá no alto. Parecia até um cenário de época, onde poderíamos imaginar as carruagens passando pela estrada transportando reis, rainhas, príncipes, princesas, enfim toda a realeza.
O carro fez uma curva e logo Christian estacionou em frente à uma magnífica construção. Tirei algumas fotos da fachada depois adentramos o lugar. Segundo informações dele, a mansão era composta por quatro andares: o porão, o térreo, o primeiro andar e o sótão.
Observando o interior, notei que a casa já estava mobiliada com móveis antigos, provavelmente da época de sua construção, também observei que ela era muito grande para um homem viver sozinho.
— O que tem em mente para a mansão? – indaguei me virando para olhá-lo.
— Pensei que a especialista aqui fosse você – ele disse sarcástico.
— Devemos trabalhar em cima da ideia original e do gosto do cliente, pois é ele que vai morar na futura residência ao qual estamos decorando – o informei tentando conter minha enorme vontade de dar um soco naquela cara cínica dele.
— Me surpreenda, Srta. Steele – Christian me desafiou.
— Vejamos – murmurei pensativa olhando ao redor enquanto batia com o dedo indicador sobre meus lábios – Tive uma excelente ideia que é bem a cara do senhor. Que tal pintarmos toda a mansão de cinza, vermelho e preto, pendurar alguns chicotes ao longo dos corredores e distribuir vibradores pelos aposentos que dê até para o senhor, quando trouxer uma de suas pobres submissas, brincar de caça ao vibrador. O que achou da ideia, Sr. Grey? – indaguei sarcástica e vi seus olhos se estreitarem com raiva, então ele saiu da sala enquanto pegava seu celular no bolso da calça – Ops! Falei alguma coisa errada? – murmurei fazendo uma cara inocente depois sorri e voltei a me concentrar no trabalho.
Entupi a memória do meu telefone com fotos de todos os cômodos da mansão. Não haveria muita coisa para se mudar na casa, apenas trocar os móveis antigos por uns mais modernos e redecorar algumas paredes.
O que ia demorar mesmo seria a parte do jardim, que precisava de uma nova repaginada. Pegando minha bolsa de cima de uma das poltronas da sala me encaminhei para fora da mansão, mas quando saí para me encontrar com Christian o carro havia sumido.
“Não estou acreditando. Aquele desgraçado foi embora e me deixou aqui sozinha. Se o Christian pensa que eu vou ficar aqui esperando, ele está muito enganado”
Fechei a porta da mansão, coloquei a chave dentro da bolsa e segui a estrada caminhando devagar para não cair, mas o pior aconteceu. No meio do caminho, pisei em cima de uma maldita pedra, me desequilibrei e acabei torcendo o pé ao cair.
— Eu te odeio, Christian Grey! – gritei desejando que de onde o infeliz estivesse ele conseguisse me ouvir, mas as únicas que me escutaram foram as árvores.
“Preciso sair daqui e procurar por ajuda urgentemente”
Vasculhei ao redor procurando meu celular e o achei jogado a alguns metros no meio da estrada, mas de repente vi um carro vindo. Era Christian no Tesla.
Olhei para o celular depois para o carro. Ele iria passar em cima do meu telefone se eu não fizesse algo. Comecei a fazer sinal para que Christian parasse antes que atingisse o aparelho, mas foi em vão.
— Não... – choraminguei quando o pneu passou e eu escutei o som do meu celular se quebrando – Meu bebê... Minha vida...
— Anastasia, o que aconteceu? – o infeliz perguntou assim que saiu de dentro do carro e se aproximou de mim.
— Seu... Seu... Seu... Olha o que você fez! – esbravejei apontando para o telefone todo espatifado no chão – Meu bebê...
— Compro outro para você. Agora levanta e entra no carro.
— Caso o senhor não tenha notado... eu torci o pé! – gritei e apontei para o meu pé direito, que já estava ficando inchado – Não toque em mim, seu idiota!
Christian recuou, cruzou os braços e ficou me olhando enquanto eu tentava levantar, mas a dor me fez ir parar no chão novamente. Ele se aproximou ignorando meus protestos, me pegou no colo e conduziu-me até o carro.
— Fique aqui.
— Como se eu pudesse sair e dançar sapateado com meu tornozelo inchado – falei ironicamente.
Acho que Christian não ouviu e se ouviu, me ignorou por completo. Quando ele retornou trazia consigo minha bolsa e o celular, ou o que sobrara dele, e os colocou sobre meu colo.
— Ainda está usando isto? – indagou olhando incrédulo para os meus sapatos então o vi tirá-los de mim e lançá-los para bem longe.
— Meu Jimmy Choo – murmurei atônita enquanto via meu par de sapatos cair bem longo, no meio do gramado – Seu miserável! Aquele era um sapato exclusivo! – gritei furiosa, mas ele nem se abalou apenas fechou a porta, deu a volta, entrou e ligou o carro partindo em seguida.
— Compro outro sapato para você – ele disse numa calma que me fez ficar mais possessa de raiva.
— Qual a parte do ex-clu-si-vo você não entendeu, Christian!?
Ele não respondeu nem olhou para mim, somente apertou um botão no volante do Tesla. Preferi fechar os olhos e me recostar no banco, tentando distrair-me com outra coisa que não fosse a dor latejante do meu pé então me concentrei na voz dele.
— ...se for preciso use até o helicóptero da empresa para ir buscá-la. Preciso dela no meu apartamento com urgência – ouvi Christian dizer depois tudo ficou em silêncio, mas não por muito tempo, pois logo o interior do carro foi invadido por um som de chamada – Grey – ele atendeu em um tom impaciente.
— Perdão, Sr. Grey, mas o senhor não me deixou avisá-lo de que sua mãe já se encontra aqui.
Escutei a voz do Taylor, então abri os olhos e encarei Christian. Sua expressão era imparcial, mas notei que ele apertava fortemente o volante.
— O que ela foi fazer aí?
— Não sei, senhor.
— Esqueça o que lhe pedi anteriormente, apenas peça para ela não ir embora. Dentro de meia hora chegaremos aí.
Trinta infernais minutos depois, quatro deles no colo do Christian, nós saímos do elevador privativo que dava acesso a cobertura e adentramos o apartamento dele.
— Filho? O que houve?
Olhei para o lado e notei uma senhora de seus cinquenta anos, vestida em um conjunto de saia lápis preta, blusa branca e blazer preto, seus cabelos eram acinzentados e cortado bem curto ao estilo masculino. Assim como Christian, a mãe dele também transmitia autoridade só em olhá-la.
— A Srta. Steele machucou o pé. A senhora poderia dar uma olhada, mãe?
— Claro que posso. Coloque-a ali – ela disse então Christian me colocou sentada no sofá e eu gemi de dor quando meu pé tocou o chão – Cuidado com a moça, filho. Preciso de uma tesoura – a mãe dele se ajoelhou à minha frente – Oi, sou Grace Grey. Como se chama, minha jovem?
— Anastasia – disse ofegante por causa da dor – A senhora é médica?
— Sim e para a sua sorte, sou ortopedista – ela deu um sorriso acolhedor para mim – Mas deixemos o “senhora” de lado e me chame apenas de Grace.
Assenti.
— Aqui, senhora.
A Sra. Jones apareceu com uma tesoura de cabo preto e passou para Grace que com extremo cuidado cortou minha meia calça preta. Todos na sala, inclusive eu, se assustaram com a aparência do meu tornozelo direito, o mesmo parecia uma bola e estava em tonalidades de roxo e vermelho.
— Precisamos levá-la imediatamente para o hospital – informou Grace se levantando.
“Hospital?” pensei aflita, pois detestava aquele lugar.
— Não. Hospital não, por favor – choraminguei.
— Anastasia, para de ser mimada!
Fuzilei Christian com o olhar mais mortal que pude dar e joguei uma almofada no rumo dele, mas não consegui atingi-lo.
— Estou assim por sua culpa, seu infeliz! – gritei.
— Minha culpa? Não era eu que estava andando numa estrada de terra de salto alto, era?
— Se você não tivesse me largado sozinha naquele fim de mundo, eu não precisaria caminhar para voltar para casa!
— Era só ter me esperado!
— Não sou vidente para saber se você ia voltar ou não!
— Os dois parem de brigar agora mesmo! – exclamou Grace em um tom autoritário e nós nos calamos imediatamente – Taylor pegue a Anastasia no colo e vamos para o meu hospital. Christian! Eu disse Taylor – ela brigou com o filho e ele recuou.
Taylor pediu licença e me pegou no colo, mas seu movimento me fez novamente gemer de dor. Enquanto saiamos do apartamento, vi Christian me encarando com uma expressão que transmitia tristeza, dó talvez.
Inclinei um pouco recostando minha cabeça no ombro do Taylor e fechei os olhos tentando ignorar a dor latejante em meu tornozelo.
A viagem seguiu em meio a um silêncio mortal, então minutos depois ele parou o Tesla em frente a um portão de ferro bem desgastado pelo tempo. Enquanto Christian abria o portão aproveitei para sair do carro e tirar algumas fotos da entrada, pois além de designer eu também era paisagista.
A estrada que dava acesso à mansão era adornada, em ambos dos lados, por árvores antigas e enormes, seus galhos chegavam a se conectar bem lá no alto. Parecia até um cenário de época, onde poderíamos imaginar as carruagens passando pela estrada transportando reis, rainhas, príncipes, princesas, enfim toda a realeza.
O carro fez uma curva e logo Christian estacionou em frente à uma magnífica construção. Tirei algumas fotos da fachada depois adentramos o lugar. Segundo informações dele, a mansão era composta por quatro andares: o porão, o térreo, o primeiro andar e o sótão.
Observando o interior, notei que a casa já estava mobiliada com móveis antigos, provavelmente da época de sua construção, também observei que ela era muito grande para um homem viver sozinho.
— O que tem em mente para a mansão? – indaguei me virando para olhá-lo.
— Pensei que a especialista aqui fosse você – ele disse sarcástico.
— Devemos trabalhar em cima da ideia original e do gosto do cliente, pois é ele que vai morar na futura residência ao qual estamos decorando – o informei tentando conter minha enorme vontade de dar um soco naquela cara cínica dele.
— Me surpreenda, Srta. Steele – Christian me desafiou.
— Vejamos – murmurei pensativa olhando ao redor enquanto batia com o dedo indicador sobre meus lábios – Tive uma excelente ideia que é bem a cara do senhor. Que tal pintarmos toda a mansão de cinza, vermelho e preto, pendurar alguns chicotes ao longo dos corredores e distribuir vibradores pelos aposentos que dê até para o senhor, quando trouxer uma de suas pobres submissas, brincar de caça ao vibrador. O que achou da ideia, Sr. Grey? – indaguei sarcástica e vi seus olhos se estreitarem com raiva, então ele saiu da sala enquanto pegava seu celular no bolso da calça – Ops! Falei alguma coisa errada? – murmurei fazendo uma cara inocente depois sorri e voltei a me concentrar no trabalho.
Entupi a memória do meu telefone com fotos de todos os cômodos da mansão. Não haveria muita coisa para se mudar na casa, apenas trocar os móveis antigos por uns mais modernos e redecorar algumas paredes.
O que ia demorar mesmo seria a parte do jardim, que precisava de uma nova repaginada. Pegando minha bolsa de cima de uma das poltronas da sala me encaminhei para fora da mansão, mas quando saí para me encontrar com Christian o carro havia sumido.
“Não estou acreditando. Aquele desgraçado foi embora e me deixou aqui sozinha. Se o Christian pensa que eu vou ficar aqui esperando, ele está muito enganado”
Fechei a porta da mansão, coloquei a chave dentro da bolsa e segui a estrada caminhando devagar para não cair, mas o pior aconteceu. No meio do caminho, pisei em cima de uma maldita pedra, me desequilibrei e acabei torcendo o pé ao cair.
— Eu te odeio, Christian Grey! – gritei desejando que de onde o infeliz estivesse ele conseguisse me ouvir, mas as únicas que me escutaram foram as árvores.
“Preciso sair daqui e procurar por ajuda urgentemente”
Vasculhei ao redor procurando meu celular e o achei jogado a alguns metros no meio da estrada, mas de repente vi um carro vindo. Era Christian no Tesla.
Olhei para o celular depois para o carro. Ele iria passar em cima do meu telefone se eu não fizesse algo. Comecei a fazer sinal para que Christian parasse antes que atingisse o aparelho, mas foi em vão.
— Não... – choraminguei quando o pneu passou e eu escutei o som do meu celular se quebrando – Meu bebê... Minha vida...
— Anastasia, o que aconteceu? – o infeliz perguntou assim que saiu de dentro do carro e se aproximou de mim.
— Seu... Seu... Seu... Olha o que você fez! – esbravejei apontando para o telefone todo espatifado no chão – Meu bebê...
— Compro outro para você. Agora levanta e entra no carro.
— Caso o senhor não tenha notado... eu torci o pé! – gritei e apontei para o meu pé direito, que já estava ficando inchado – Não toque em mim, seu idiota!
Christian recuou, cruzou os braços e ficou me olhando enquanto eu tentava levantar, mas a dor me fez ir parar no chão novamente. Ele se aproximou ignorando meus protestos, me pegou no colo e conduziu-me até o carro.
— Fique aqui.
— Como se eu pudesse sair e dançar sapateado com meu tornozelo inchado – falei ironicamente.
Acho que Christian não ouviu e se ouviu, me ignorou por completo. Quando ele retornou trazia consigo minha bolsa e o celular, ou o que sobrara dele, e os colocou sobre meu colo.
— Ainda está usando isto? – indagou olhando incrédulo para os meus sapatos então o vi tirá-los de mim e lançá-los para bem longe.
— Meu Jimmy Choo – murmurei atônita enquanto via meu par de sapatos cair bem longo, no meio do gramado – Seu miserável! Aquele era um sapato exclusivo! – gritei furiosa, mas ele nem se abalou apenas fechou a porta, deu a volta, entrou e ligou o carro partindo em seguida.
— Compro outro sapato para você – ele disse numa calma que me fez ficar mais possessa de raiva.
— Qual a parte do ex-clu-si-vo você não entendeu, Christian!?
Ele não respondeu nem olhou para mim, somente apertou um botão no volante do Tesla. Preferi fechar os olhos e me recostar no banco, tentando distrair-me com outra coisa que não fosse a dor latejante do meu pé então me concentrei na voz dele.
— ...se for preciso use até o helicóptero da empresa para ir buscá-la. Preciso dela no meu apartamento com urgência – ouvi Christian dizer depois tudo ficou em silêncio, mas não por muito tempo, pois logo o interior do carro foi invadido por um som de chamada – Grey – ele atendeu em um tom impaciente.
— Perdão, Sr. Grey, mas o senhor não me deixou avisá-lo de que sua mãe já se encontra aqui.
Escutei a voz do Taylor, então abri os olhos e encarei Christian. Sua expressão era imparcial, mas notei que ele apertava fortemente o volante.
— O que ela foi fazer aí?
— Não sei, senhor.
— Esqueça o que lhe pedi anteriormente, apenas peça para ela não ir embora. Dentro de meia hora chegaremos aí.
★ ★ ★ ★ ★
Trinta infernais minutos depois, quatro deles no colo do Christian, nós saímos do elevador privativo que dava acesso a cobertura e adentramos o apartamento dele.
— Filho? O que houve?
Olhei para o lado e notei uma senhora de seus cinquenta anos, vestida em um conjunto de saia lápis preta, blusa branca e blazer preto, seus cabelos eram acinzentados e cortado bem curto ao estilo masculino. Assim como Christian, a mãe dele também transmitia autoridade só em olhá-la.
— A Srta. Steele machucou o pé. A senhora poderia dar uma olhada, mãe?
— Claro que posso. Coloque-a ali – ela disse então Christian me colocou sentada no sofá e eu gemi de dor quando meu pé tocou o chão – Cuidado com a moça, filho. Preciso de uma tesoura – a mãe dele se ajoelhou à minha frente – Oi, sou Grace Grey. Como se chama, minha jovem?
— Anastasia – disse ofegante por causa da dor – A senhora é médica?
— Sim e para a sua sorte, sou ortopedista – ela deu um sorriso acolhedor para mim – Mas deixemos o “senhora” de lado e me chame apenas de Grace.
Assenti.
— Aqui, senhora.
A Sra. Jones apareceu com uma tesoura de cabo preto e passou para Grace que com extremo cuidado cortou minha meia calça preta. Todos na sala, inclusive eu, se assustaram com a aparência do meu tornozelo direito, o mesmo parecia uma bola e estava em tonalidades de roxo e vermelho.
— Precisamos levá-la imediatamente para o hospital – informou Grace se levantando.
“Hospital?” pensei aflita, pois detestava aquele lugar.
— Não. Hospital não, por favor – choraminguei.
— Anastasia, para de ser mimada!
Fuzilei Christian com o olhar mais mortal que pude dar e joguei uma almofada no rumo dele, mas não consegui atingi-lo.
— Estou assim por sua culpa, seu infeliz! – gritei.
— Minha culpa? Não era eu que estava andando numa estrada de terra de salto alto, era?
— Se você não tivesse me largado sozinha naquele fim de mundo, eu não precisaria caminhar para voltar para casa!
— Era só ter me esperado!
— Não sou vidente para saber se você ia voltar ou não!
— Os dois parem de brigar agora mesmo! – exclamou Grace em um tom autoritário e nós nos calamos imediatamente – Taylor pegue a Anastasia no colo e vamos para o meu hospital. Christian! Eu disse Taylor – ela brigou com o filho e ele recuou.
Taylor pediu licença e me pegou no colo, mas seu movimento me fez novamente gemer de dor. Enquanto saiamos do apartamento, vi Christian me encarando com uma expressão que transmitia tristeza, dó talvez.
Inclinei um pouco recostando minha cabeça no ombro do Taylor e fechei os olhos tentando ignorar a dor latejante em meu tornozelo.

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