quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Solicitação de Amizade - Capítulo 22


ANASTASIA

— Essa roupa não está muito colada não, amor? – escutei Christian perguntar enquanto eu terminava de me arrumar.

— É uma saia lápis, mozão. Ela é assim mesmo, coladinha, mas um pouco comprida.

— Sua bunda está tão linda nela, pena que você não pode faltar ao trabalho.

Sorri, já me virando e vendo Christian com a mão repousada sobre a sua calça, bem em cima do seu pau, como se o mesmo estivesse apertando o local. Além da cara safada que ele fazia em minha direção.

— Se você ficar de pau duro, eu não vou poder te ajudar, amor – murmurei, pegando minha bolsa, já ouvindo Christian rir – Vamos? A gente pode tomar café da manhã numa lanchonete.
Ele assentiu, já se levantando da minha cama, ajeitando sua camisa.

— Não vai mesmo trocar de roupa, vida? – Christian inquiriu, fazendo um bico fofo.

— Mozão, minhas roupas de trabalho são assim. Eu só aumentei o tamanho, porque antes eu usava mais curto, pois eu sempre ficava sentada o dia todo – murmurei, rumo a porta do quarto e só escutei um “Tá bom” antes de Christian me agarrar por trás, abraçando minha cintura.

— Gostosa... – ele sussurrou no meu ouvido, fazendo-me rir e bater de leve em seu braço, me soltando dele.

— Não faz barulho – alertei descendo as escadas, mas meu pai já se encontrava na sala, sentado em sua poltrona, vendo o jornal da manhã.

Demos “Bom dia” para ele, já avisando que íamos tomar café à caminho do meu trabalho, então saímos de casa.


★ ★ ★ ★ ★


A lanchonete ao qual tomamos nosso delicioso café da manhã ficava a poucas quadras do meu trabalho, então logo Christian estava estacionando o meu carro rente à calçada, a alguns metros de distância da entrada do prédio. Ambos saímos do veículo, pois ele queria me levar até a porta do meu trabalho, como um “perfeito” namorado deveria ser.

— Tenha um ótimo dia de trabalho, minha gostosa – ele desejou-me num sussurro, me dando um beijo apaixonado, seguido de pequenos selinhos, fazendo-me sorrir.

— Bom dia, Aninha!

— E fique longe de certas pessoas – Christian falou, virando o rosto, encarando bem sério o Fernando que havia se aproximado de nós de repente.

Dava para eu sentir a tensão que emanava do meu namorado.

— Pode deixar, mozão – murmurei e olhei para o meu colega de trabalho – Bom dia.

— Como vai a lanchonete, Christian? Anda ganhando muitas gorjetas gordas pelo visto, já que não para de viajar para cima e para baixo. Ou talvez, você faça algum trabalhinho extra para completar a renda.

— Está insinuando alguma coisa, seu idiota? – Christian inquiriu, dando uns passos a frente, ficando cara a cara com Fernando, então tentei acalmar os ânimos, me enfiando no meio dos dois e afastando um pouco o Christian.

— Amor, fica calmo e não liga para ele – sussurrei, baixinho, já me virando e olhando meio feio para o Fernando, que sorria sutilmente.

— Eu não estou insinuando nada, cara. Só vi uma reportagem no jornal hoje, dizendo que Chicago é o epicentro de uma nova droga entre os pobres. Vamos Ana? Temos uma reunião importante agora. Precisamos ganhar dinheiro para não virarmos esses pobres coitados que precisam vender drogas para viajar ou manter uma lanchonete de fachada – meu colega falou, passando pela gente, já entrando no prédio.

— Ele acabou de chamar eu e minha mãe de traficantes, é isso mesmo? – Christian inquiriu, me olhando com raiva.

O mesmo nem esperou a minha resposta, já se afastou bruscamente de mim e adentrou o prédio, gritando furioso por Fernando que se virou, ganhando um soco no rosto que o fez cair no chão.

— Christian! – gritei, colocando a mão na boca, em choque.

Fernando logo revidou o soco e eles dois começaram a trocar murros e ofensas verbais, rolando pelo chão do saguão, destruindo alguns ornamentos decorativos existentes ali. Tentei apartar a briga, mas ambos nem me notaram e continuaram a se agredirem.

Rapidamente, alguns rapazes que chegavam para trabalhar e outros que desceram dos andares superiores, conseguiram separar os dois. Ambos se encontravam com as caras machucadas, mas o rosto do Fernando estava pior que o do Christian.

— Alguém chama a polícia para prender esse maluco! – escutei alguém falar em meio a multidão que havia se formado no saguão.

— Não! Ninguém vai chamar a polícia! Ele já está indo embora – murmurei apreensiva, me aproximando de Christian – Podem soltá-lo, por favor – pedi para os homens que seguravam ele e os mesmos o fizeram – Amor, vai para casa. Depois a gente conversa.

— Não. Nós vamos para casa agora, Ana! – ele exclamou, segurando forte no meu pulso, já começando a me puxar para a porta – Não vou te deixar aqui com esse filho da puta nem mais um segundo!

— Eu tenho que trabalhar, Christian – informei, puxando meu braço, fazendo ele parar bruscamente e me fuzilar com o olhar – Agora, por favor, vai embora.

Ele bufou possesso de raiva, limpando o sangue em sua boca, antes de soltar de vez o meu pulso e sair que nem um furacão do prédio. Consegui acalmar o clima tenso dos empregados e começando a trabalhar.


★ ★ ★ ★ ★


Estava entrando novamente na minha sala, após ter ido conversar com o Fernando, quando de repente, meu celular tocou. Era uma mensagem do Christian.


Que horas posso te buscar?


Venha às 11:45hs, amor.
Como está o seu rosto?
Coloca um pouco de gelo
para não inchar muito.


Não se preocupe comigo.


É claro que vou me preocupar.


Seu amiguinho tá muito
machucado?


Um pouco.
Graças a Deus, o convenci
de não prestar uma queixa
contra você, amor.


Deixe ele prestar a queixa.
Não estou nem aí não!
Ele assedia você no trabalho
e faz um inferno no nosso
relacionamento.


Se você for preso, isso vai
te prejudicar em Chicago,
em sua futura carreira na
polícia, mozão.


Tudo bem.
Vou terminar de ajudar
seu pai aqui na oficina.


Ok, amor.
Até daqui a pouco.
Te amo. ❤️


Também amo você.


Guardei o meu celular e comecei então a trabalhar.

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