sábado, 6 de junho de 2020

RUNWAY - Angel's & Devil's - Capítulo 32


JAMIE

Nossa estadia em Londres seguiu tranquila, ou melhor, quase toda tranquila, pois no segundo dia choveu horrores e acabamos ficando presos no hotel, o que deixou a Dak de mal humor, mas não muito pois Buddy a alegrou um pouco.

Então, para matarmos o tempo, ela abriu o seu Instagram para perguntas, permitindo assim que nossos seguidores pudessem interagir um pouco conosco.

Por volta do final da tarde, quando a chuva deu uma cessada, Dakota foi se reunir com a equipe dela a fim de decidirem se a sessão de fotos que eles tinham feito no dia anterior era suficiente para a revista.

Já eu fiquei no quarto, assistindo filme infantil com a minha filha, o Buddy e a Jujuba, a cachorrinha da Coqui.

Para dar uma folga a Mirela, que se encontrava bastante ruim da alergia dela, convenci minha filha a deixar comigo e com a Dak os cuidados da Jujuba, a fim de que a mãe dela ficasse melhor da reação alérgica.

Quando Dakota retornou para o quarto, horas depois, informou que no dia seguinte, após o almoço, iríamos seguir viagem.



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— Só para te avisar, querido. Enquanto estivermos em Paris, vamos ao aniversário do meu padrinho na mansão dele. E nada de ficar emburrado durante a festa, por favor, Jamie – Dak pediu e eu resmunguei dizendo um “Ok, Dakota” – Não sei o porquê dessa sua implicância com o Valentino. Ele gosta muito de você, Jay.

— Só se for na sua cabeça – retruquei, meio emburrado – Quando eu estava começando, ele me criticou, me chamou de “jovenzinho amador”. Agora que o jovenzinho aqui desbancou a marca dele e é casado com a afilhada dele, esse velho gosta de mim. Não caio nessa não, Dak.

— Hum... Meu padrinho também tinha uma rixa com Yves Saint Laurent e eles acabaram se pegando às escondidas só assumindo um namoro anos depois. Meu Deus, será que Valentino é apaixonado pelo “jovenzinho amador”? Por isso que ele insistiu tanto para que eu te levasse a festa?

Virei o rosto, encarando Dakota, e a mesma claramente tentava segurar o riso.

— Você está tirando onda com a minha cara né?

— Jamais, querido. Jamais – ela disse, mas começou a rir.

Bufei com raiva e me virei de lado, de costa para Dak, e fui dormir, ou fingi dormir até que realmente o sono chegou.



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Acordei horas depois, com alguém me alisando. Abri um olho, mas o quarto ainda esta mergulhado na penumbra, mas eu sabia exatamente quem estava passando a mão em mim.

— Vai dormir, Dakota. É de madrugada ainda. Com sono, meu pau não levanta nem sendo possuído pelo demônio mais poderoso do Inferno – murmurei, me virando de bruços, para evitar que ela fizesse algo com meu pau.

Ouvi Dak resmungar e não pude deixar de sorrir à medida que eu voltava a dormir.



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Despertei tempo depois e percebi que me encontrava sozinho na cama, então olhei a hora no celular. Passava um pouco das oito da manhã. Levantei da cama e logo notei que os dois cachorrinhos não se encontravam em suas caminhas dentro do cercado.

Acabei deduzindo que Dakota já havia decido com Buddy e Jujuba então fui para o banheiro a fim de tomar um banho e escovar os dentes. Depois de fazer minha higiene pessoal, me arrumei e saí do quarto.

A caminho do restaurante do hotel, encontrei com a Nina e a Emily, uma no elevador e a outra já na porta do local, saindo com a namorada, ambas me disseram que não tinham visto a Dak hoje. Adentrei o restaurante, onde logo avistei Mirela sentada sozinha em uma mesa.

— Bom dia, Mi. Está melhor? – indaguei assim que me sentei à mesa, depositando meu prato de café da manhã a minha frente.

— Estou sim, Jay. E bom dia para você também – ela me cumprimentou, erguendo o olhar do prato e me encarando.

— Por acaso sabe onde a Dak está? Encontrei com as irmãs delas e nenhuma soube me informar.

— Sua esposa bateu cedo na minha porta e “sequestrou” nossa filha para irem a algum lugar.

Franzi o cenho, estranhando.

— Ela não disse para onde iam? – perguntei, começando a comer.

— Não. Apenas falou que iam dar uma volta. Dakota estava com os dois cachorros a tiracolo então não conversei muito com ela enquanto Coqui se arrumava, apenas pedi que às nove ela trouxesse nossa filha por causa da aula.

— Hum...

— E então, Jay?

Olhei para Mirela.

— Então o quê?

— Estamos indo para Paris, Jamie. Não pensa em visitar seus pais? Faz quanto anos que eles não te veem?

— Depois que eu fui para a capital estudar Moda, eu só voltei aquela vez quando a gente ainda se pegava – murmurei, suspirando.

— Se você decidir não ir, fique ciente que eu irei levar a Coqui para ver os avós. Já faz três anos que eu levo ela para passar as férias escolares lá com Jacques e Catalina. E nem me olhe com essa cara emburrada, porque graças a mim, é eles sabem alguma notícia do desnaturado do filho. Você tem vergonha deles, por serem humildes?

— Não, Mirela. Eu só não quero eles no meio dessa confusão toda que é a fama. Assim como não quero a Coqui sendo perseguida pelos paparazzis, também não quero meus pais sendo perseguidos. Mas, vou visitar eles sim, já que moda parisiense eu conheço muito bem então não precisarem ficar explorando a cidade – informei, vendo ela dar um sorriso.

— Eles vão ficar felizes.

Assenti, voltando a comer. Minutos depois, Mi e eu estávamos saindo do restaurante quando vimos Dak adentrando o saguão do hotel, empunhando algumas sacolas, e acompanhada da Coqui, que segurava as guias dos cachorrinhos, que não sabiam se corriam ou se brigavam entre si.

Mirela preferiu ir para a lojinha de presentes, localizada dentro do hotel, quando as duas se aproximaram de onde nos encontrávamos. Minha filha então me abraçou, dando-me um “Bom dia” e já foi me contando sobre o passeio maravilhoso dela com a Dakota.

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