ANASTASIA
Após eu realizar a tradição, meio indígena, da “Última refeição”, onde se colocava um pouco de planta na boca do animal morto, agradecendo com uma breve oração à natureza, Christian e eu, tratamos o alce, tirando a pele e limpando o mesmo, antes de pôr os pedaços na bolsa que levamos.
Em outro momento eu poderia achar aquilo horrível e nojento, mas meio que estava me acostumando a estripar uma caça e ficar parcialmente melada de sangue, fazendo isso. Depois de tudo arrumado, nos limpamos no riacho e voltamos para casa.
— Você foi muito bem hoje – Chris comentou à medida que nos aproximávamos da propriedade dele – Está de parabéns, minha gravetinho.
Sorri, o olhando de relance, já segurando na mão dele para andarmos de mãos dadas.
— Obrigada, meu ogro.
— Logo estará sendo uma caçadora nata. Até os ursos não vão querer se meter com você.
— Espero mesmo, porque não estou a fim de ficar cara a cara com um urso não.
Assim que chegamos ao limite da propriedade, Christian começou a xingar ao ver a cerca danificada, a alguns metros de onde a gente passava.
— Vai na frente e desliga para mim o gerador, Ana.
— Toma cuidado, querido. Algum animal pode aparecer. Você não quer me dar a mochila com a carne? – inquiri, preocupada, porque as chances de um bicho aparecer por causa do cheiro dela ou do sangue eram muitas.
— Eu vou ficar bem.
Assenti, meio hesitante, e continuei a caminhada rumo à cabana, com Bullet ao meu lado, já que Thunder ficaria com Chris.
Mal havia acabado de desligar o gerador, dentro do celeiro, quando de repente escutei um tiro meio abafado, fazendo o meu pensamento ir direto no Christian. Bullet latiu, já saindo em disparada, porta à fora. O cachorro não tinha o nome de “Bullet” à toa, pois o mesmo era rápido como um projétil balístico.
Também saí em disparada, largando tudo para trás, e quando finalmente cheguei até eles, Bullet já estava atacando um urso pardo, juntamente com Thunder, fazendo o animal se afastar do Chris, que logo percebi que o mesmo se encontrava machucado.
Vi a espingarda dele a alguns metros de distância, então corri até ela, mas isso atraiu a atenção do urso que conseguiu se libertar do ataque dos cachorros e veio ferozmente na minha direção, mostrando os dentes, rugindo mais alto que antes.
Atirei a primeira vez e errei, engatilhei novamente a arma o mais rápido que consegui, mirei e atirei de novo, o acertando antes que o mesmo me atacasse em cheio. O urso oscilou um pouco, cambaleante, e tombou para o lado a apenas três metros de mim.
Eu estava bastante ofegante, devido ao excesso de adrenalina em meu corpo, mas logo me foquei em Christian, largando a espingarda e correndo até ele. O mesmo se encontrava mais machucado do que eu imaginava, com cortes no peito, em um dos ombros e em uma das pernas também.
Entrei em desespero e comecei a chorar. Chris que ainda estava consciente, segurou minha mão e me pediu para ficar calma, senão eu não conseguiria ajudá-lo. Tentei fazer o que ele me pedia e ajudando-o a se levantar, o conduzi devagar, amparando-o, até a cabana.
Quando estávamos a poucos metros do sofá da sala, Christian perdeu a consciência, indo ao chão e me levando junto consigo. Tentei acordá-lo, mas não consegui o que aumentou ainda mais o meu desespero.
Corri então para o aparelho de rádio e liguei para o Jack, via rádio, já que esse era o único jeito que eles se comunicavam ali.
— Alô, cambio. Jack, tá na escuta? Jack? – falei, mas sem obter resposta alguma do lado de lá – Por favor, meu Deus... Jack, tá na escuta, câmbio? – perguntei, tentando novamente.
— Oi, estou na escuta, câmbio.
— Graças a Deus! Aqui é a Ana, Jack. O Chris foi atacado por um urso. Ele tá muito mal. Eu não quero que o Christian morra. Ele não pode morrer – murmurei, chorando e embolando algumas palavras.
— Ana, fale mais devagar. Eu não entendi nada. O que houve?
— Fomos atacados por um urso. Chris está muito ferido. Eu não sei o caminho para levar ele para Fort River. Vem para cá, por favor, Jack.
— Eu já estou à caminho, Ana. Tenta ficar calma e cuidar dos ferimentos dele. Eu tô chegando. Câmbio, desligo.
Assim que ele desligou, eu corri de volta para perto do Christian e tentei cuidar dos cortes dele.
Não demorou muito para que Jack chegasse e me ajudasse a pôr o Chris na traseira da sua caminhonete. Preferi deixar os dois cachorros presos dentro de casa, pois segundo Jack, ele iria apenas nos levar até a cidade e voltaria para ficar de olho na cabana do cunhado enquanto o mesmo se recuperasse.
Foi uma viagem demorada e angustiante para mim, mas graças a Deus, chegamos ao hospital de Fort River e Christian foi levado para a ala da Emergência para ser atendido. Ninguém soube quem eu era, até que precisei falar meu nome para fazer a internação do Chris.
Cheguei a perceber os olhares espantados e confusos de algumas pessoas que eu conhecia devido ao meu pai, mas os ignorei, pois me encontrava preocupada demais com o Christian para me importar com o que os outros estariam, ou não, pensando de mim.
Fiquei esperando um bom tempo, sentada em uma das cadeiras de uma sala de espera dentro da ala da Emergência, até que o médico plantonista, que estava atendendo o Chris, apareceu para conversar comigo.
— Como ele está, doutor? – inquiri, me levantando da cadeira.
— Seu marido está estável, Sra. Grey. Por pouco, e quando eu digo por pouco é porque foi por alguns centímetros, que os ferimentos da região do tórax, dos ombros e da perna não atingiram a veia axilar, subclávia, safena magna e a artéria femural, que são veias e artéria muitos importantes no corpo. Um dois centímetros a mais e ele poderia não está mais aqui. Pode ter certeza que Deus estava com seu marido na hora do ataque.
De repente, senti uma forte vertigem, que foi preciso o médico me segurar e me fazer sentar novamente na cadeira.
— A senhora está bem?
— Estou sim. Obrigada, doutor – falei, ainda um pouco zonza, mas aliviada com relação ao Christian – Eu posso ver o meu marido agora?
— O Sr. Grey está sedado pela medicação para dor que aplicamos nele durante e após suturarmos os ferimentos, então vai demorar um pouco para ele acordar. Se a senhora quiser ir para casa, trocar de roupa, pode ir – o médico disse, me fazendo notar pela primeira vez, que eu estava com minhas roupas sujas de sangue.
Eu me encontrava muito longe da minha casa, então o único lugar onde poderia ir e ser recebida por algumas horas, era a casa dos meus pais.
Após eu realizar a tradição, meio indígena, da “Última refeição”, onde se colocava um pouco de planta na boca do animal morto, agradecendo com uma breve oração à natureza, Christian e eu, tratamos o alce, tirando a pele e limpando o mesmo, antes de pôr os pedaços na bolsa que levamos.
Em outro momento eu poderia achar aquilo horrível e nojento, mas meio que estava me acostumando a estripar uma caça e ficar parcialmente melada de sangue, fazendo isso. Depois de tudo arrumado, nos limpamos no riacho e voltamos para casa.
— Você foi muito bem hoje – Chris comentou à medida que nos aproximávamos da propriedade dele – Está de parabéns, minha gravetinho.
Sorri, o olhando de relance, já segurando na mão dele para andarmos de mãos dadas.
— Obrigada, meu ogro.
— Logo estará sendo uma caçadora nata. Até os ursos não vão querer se meter com você.
— Espero mesmo, porque não estou a fim de ficar cara a cara com um urso não.
Assim que chegamos ao limite da propriedade, Christian começou a xingar ao ver a cerca danificada, a alguns metros de onde a gente passava.
— Vai na frente e desliga para mim o gerador, Ana.
— Toma cuidado, querido. Algum animal pode aparecer. Você não quer me dar a mochila com a carne? – inquiri, preocupada, porque as chances de um bicho aparecer por causa do cheiro dela ou do sangue eram muitas.
— Eu vou ficar bem.
Assenti, meio hesitante, e continuei a caminhada rumo à cabana, com Bullet ao meu lado, já que Thunder ficaria com Chris.
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Mal havia acabado de desligar o gerador, dentro do celeiro, quando de repente escutei um tiro meio abafado, fazendo o meu pensamento ir direto no Christian. Bullet latiu, já saindo em disparada, porta à fora. O cachorro não tinha o nome de “Bullet” à toa, pois o mesmo era rápido como um projétil balístico.
Também saí em disparada, largando tudo para trás, e quando finalmente cheguei até eles, Bullet já estava atacando um urso pardo, juntamente com Thunder, fazendo o animal se afastar do Chris, que logo percebi que o mesmo se encontrava machucado.
Vi a espingarda dele a alguns metros de distância, então corri até ela, mas isso atraiu a atenção do urso que conseguiu se libertar do ataque dos cachorros e veio ferozmente na minha direção, mostrando os dentes, rugindo mais alto que antes.
Atirei a primeira vez e errei, engatilhei novamente a arma o mais rápido que consegui, mirei e atirei de novo, o acertando antes que o mesmo me atacasse em cheio. O urso oscilou um pouco, cambaleante, e tombou para o lado a apenas três metros de mim.
Eu estava bastante ofegante, devido ao excesso de adrenalina em meu corpo, mas logo me foquei em Christian, largando a espingarda e correndo até ele. O mesmo se encontrava mais machucado do que eu imaginava, com cortes no peito, em um dos ombros e em uma das pernas também.
Entrei em desespero e comecei a chorar. Chris que ainda estava consciente, segurou minha mão e me pediu para ficar calma, senão eu não conseguiria ajudá-lo. Tentei fazer o que ele me pedia e ajudando-o a se levantar, o conduzi devagar, amparando-o, até a cabana.
Quando estávamos a poucos metros do sofá da sala, Christian perdeu a consciência, indo ao chão e me levando junto consigo. Tentei acordá-lo, mas não consegui o que aumentou ainda mais o meu desespero.
Corri então para o aparelho de rádio e liguei para o Jack, via rádio, já que esse era o único jeito que eles se comunicavam ali.
— Alô, cambio. Jack, tá na escuta? Jack? – falei, mas sem obter resposta alguma do lado de lá – Por favor, meu Deus... Jack, tá na escuta, câmbio? – perguntei, tentando novamente.
— Oi, estou na escuta, câmbio.
— Graças a Deus! Aqui é a Ana, Jack. O Chris foi atacado por um urso. Ele tá muito mal. Eu não quero que o Christian morra. Ele não pode morrer – murmurei, chorando e embolando algumas palavras.
— Ana, fale mais devagar. Eu não entendi nada. O que houve?
— Fomos atacados por um urso. Chris está muito ferido. Eu não sei o caminho para levar ele para Fort River. Vem para cá, por favor, Jack.
— Eu já estou à caminho, Ana. Tenta ficar calma e cuidar dos ferimentos dele. Eu tô chegando. Câmbio, desligo.
Assim que ele desligou, eu corri de volta para perto do Christian e tentei cuidar dos cortes dele.
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Não demorou muito para que Jack chegasse e me ajudasse a pôr o Chris na traseira da sua caminhonete. Preferi deixar os dois cachorros presos dentro de casa, pois segundo Jack, ele iria apenas nos levar até a cidade e voltaria para ficar de olho na cabana do cunhado enquanto o mesmo se recuperasse.
Foi uma viagem demorada e angustiante para mim, mas graças a Deus, chegamos ao hospital de Fort River e Christian foi levado para a ala da Emergência para ser atendido. Ninguém soube quem eu era, até que precisei falar meu nome para fazer a internação do Chris.
Cheguei a perceber os olhares espantados e confusos de algumas pessoas que eu conhecia devido ao meu pai, mas os ignorei, pois me encontrava preocupada demais com o Christian para me importar com o que os outros estariam, ou não, pensando de mim.
Fiquei esperando um bom tempo, sentada em uma das cadeiras de uma sala de espera dentro da ala da Emergência, até que o médico plantonista, que estava atendendo o Chris, apareceu para conversar comigo.
— Como ele está, doutor? – inquiri, me levantando da cadeira.
— Seu marido está estável, Sra. Grey. Por pouco, e quando eu digo por pouco é porque foi por alguns centímetros, que os ferimentos da região do tórax, dos ombros e da perna não atingiram a veia axilar, subclávia, safena magna e a artéria femural, que são veias e artéria muitos importantes no corpo. Um dois centímetros a mais e ele poderia não está mais aqui. Pode ter certeza que Deus estava com seu marido na hora do ataque.
De repente, senti uma forte vertigem, que foi preciso o médico me segurar e me fazer sentar novamente na cadeira.
— A senhora está bem?
— Estou sim. Obrigada, doutor – falei, ainda um pouco zonza, mas aliviada com relação ao Christian – Eu posso ver o meu marido agora?
— O Sr. Grey está sedado pela medicação para dor que aplicamos nele durante e após suturarmos os ferimentos, então vai demorar um pouco para ele acordar. Se a senhora quiser ir para casa, trocar de roupa, pode ir – o médico disse, me fazendo notar pela primeira vez, que eu estava com minhas roupas sujas de sangue.
Eu me encontrava muito longe da minha casa, então o único lugar onde poderia ir e ser recebida por algumas horas, era a casa dos meus pais.

ele não vai gostar dela la ainda brm que ela aprendeu atirar isso salvou o cristian temos bebê ai
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